Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alfajores



Esta receita é do Chef Álvaro Rodrigues.

Ingredientes:
1 xícara (chá) de açúcar refinado (180 g)
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha
1 colher (café) rasa de fermento em pó
1 ¾ xícara (chá) de farinha de trigo (210 g)
2 xícaras (chá) de amido de milho (200 g)
200 g de manteiga extra sem sal, gelada e bem picada
3 gemas de ovos médios (50 g), peneiradas
1 colher (chá) de essência de baunilha de boa qualidade
1 colher (sobremesa) de raspas de limão (opcional)

Recheio:
1 lata de doce de leite em ponto de corte

Banho de Chocolate:
250 g de chocolate cobertura ao leite
250 g de chocolate meio-amargo bem picado

Modo de Preparo:
Em uma tigela grande coloque os açúcares, o fermento em pó, a farinha de trigo, o amido de milho, a manteiga e amasse com a ponta dos dedos ou bata no processador até obter uma farofa úmida. Junte as gemas, a essência e amasse delicadamente com a ponta dos dedos ou bata novamente no processador até obter uma massa lisa e macia. Por último, agregue as raspas de limão e envolva bem. Embrulhe a massa obtida em papel alumínio ou filme plástico e deixe gelar por uma hora ou até que esteja bem firme.

Abra porções da massa entre duas folhas de plástico na espessura de 5 mm e corte os alfajores com um cortador redondo de 5 ou 6 cm de diâmetro. Distribua os discos de alfajor sobre chapas de alumínio ligeiramente untadas com manteiga e polvilhadas de farinha de trigo e asse-os em forno pré aquecido à 170ºC até que esteja levemente dourados. Deixe esfriar sobre uma grade, aplique o recheio e decore a gosto.

eleições 2010 3ª parte

Continuando onde os nossos representantes trabalham...

Como nosso país tem uma divisão de poderes que é a seguinte:

3 poderes

LEGISLATIVO – (o que faz leis) discute e elabora as leis que vão re-
ger o País.
Em nível federal, o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional em suas duas Casas:
Câmara dos Deputados e Senado Federal.

EXECUTIVO – (o que executa as resoluções públicas) coloca em prática as leis e os projetos. É exercido pelo presidente da República, pelos governadores e prefeitos.

JUDICIÁRIO – (o que julga os crimes ou as desacordos dos particulares)
julga se as leis estão sendo corretamente aplicadas.
Exercido pelos Tribunais e juízes


Os nossos representantes também se dividem nesses poderes, mais precisamente, nos dois primeiros como deves ter lido.

terça-feira, 27 de abril de 2010

DICAS DA ORGANIZADORA DE AMBIENTES, ELZI NASCIMENTO

EXTRAÍDAS DO BLOG: http://evolucaodocadernodereceitas.blogspot.com
 

COMIDA QUEIMADA NO FORNO

“Massa de bolo às vezes cresce demais, entorna, dá aquele cheiro de queimado, mas isto é muito simples de resolver.

Raspe o excesso e com o forno ainda quente polvilhe sal. “Fecha o forno, deixa uns 5 ou 10 minutinhos, depois tira, elimina o sal e lave normalmente”, explica.





CHEIRO RUIM NA GELADEIRA

“Umedeça um paninho sempre com vinagre branco”, diz.
O potinho com café também ajuda. Troque a cada quinze dias.








MANCHAS DE VASILHAS DE PLÁSTICO

lave bem as vasilhas e depois encha com água fervente e bicarbonato. “Pra cada litro uma colher de sopa de bicabornato. O ideal é de um dia pro outro, mas a partir de 2, 3 horas já tem um resultado bom”, diz.






CHEIRO DE CAFÉ NA GARRAFA TÉRMICA
Se você não fica sem aquele cafezinho dentro da garrafa pra tomar toda a hora, mas se sente incomodado com aquele cheiro forte que dá com o tempo de uso, preste atenção nesta dica: coloque um pouco de água quente com bicarbonato ou sal e deixe dentro da garrafa descansando. O ideal é fazer isto toda a noite pra garrafa ficar sem cheiro.

“É importante que você encha a garrafa até transbordar, com isto você tira as manchas e o cheiro da tampa”, explica.

TIRAR MOFO
Dissolve meio copo de cloro em dois litros de água, aplica na parede e escova. Para tirar o cheiro, borrifou álcool.









CHEIRO DE XIXI DE CACHORRO
Depois de passar um paninho no tapete, colocar álcool... “O bicarbonato e o vinagre resolve, mas o álcool o resultado é mais rápido e normalmente o álcool não vai deixar manchas o tapete seca mais rápido e elimina aquele cheiro desagradável”,



CHEIRO DE CIGARRO DA ROUPA
O álcool também ajuda a tirar o cheiro de cigarro da roupa.
“Borrife álcool pela roupa que está virada pelo avesso e levamos para secar fora do armário”, diz Vânia Laporte, consultora de organização doméstica.








ARMÁRIO COM MOFO
Quando a roupa está com aquele cheiro forte de mofo, a primeira dica é limpar o armário com vinagre e água. Depois coloque dentro do armário 250 ml de vinagre e de álcool fervido e deixar lá dentro por cerca de uma hora.


EVITAR UMIDADE
Deixe sempre um pedaço de giz, principalmente nas gavetas. E onde o mofo está mais forte use cal. Bote em potinhos cheio de furinhos, quando ficar pastoso troque. Cuidado com as crianças e animais.








CHULÉ NO TÊNIS
Aquele cheirinho desagradável do tênis tem solução. Para tirar o cheiro de chulé no tênis, borrife solução de água e vinagre. Proporção: um copo de água para meio copo de vinagre.
Depois já bem sequinho, quando for guardar o tênis, polvilhe bicabornato de sódio.

A COROA DE ORQUÍDEAS de NELSON RODRIGUES (1912-1980 - Brasil)


Quando a mulher entrou em agonia, ele caiu em crise. Atirou-se em cima da cama, aos soluços. Foi agarrado, arrastado. Debatia-se nos braços dos parentes e vizinhos; esperneava. E houve um momento em que, no seu desvario de quase viúvo, cravou os dentes numa das mãos próximas. A vítima uivou: - Ui!

Então, na sala, cercado e contido, chorou alto, chorou forte. Seu gemido grosso atravessava o espaço e era ouvido no fim da rua. Enquanto isso, o amigo mordido, na cozinha, exibia a mão: "Tirou um naco de carne!" Alguém perguntou baixo, com admiração: "Mas os dentes dele não são postiços?" Eram. E, em torno, houve um espanto profundo. Ninguém compreendia que um indivíduo que usava na boca uma chapa dupla pudesse morder com tanta ferocidade e resultado. E, súbito, veio espavorido lá de dentro um irmão da moribunda. Pousou a mão no ombro do Juventino. Pigarreia e soluça: - Morreu. Várias pessoas espichavam o pescoço para ver as reações. Primeiro, Juventino levantou-se, esbugalhando os olhos. Depois que assimilou o fato, desprende-se de vários braços, num repelão. Dava socos no próprio peito e estrebuchava: - Me dêem um revólver! Quero meter uma bala na cabeça!


DOR AUTÊNTICA
Essa dor agressiva e autêntica arrepiava. E havia, disseminado no ar, o medo de que o infeliz ferrasse os dentes em alguma mão ainda intacta. Durou o paroxismo de dez a quinze minutos. Por fim, a própria exaustão física serviu de sedativo. Gemia baixo. Mas, quando o sogro o convocou para ver a esposa, recuou como diante de uma blasfêmia. Num tremor de maleita, rilhando os dentes, soluçou: - Não vou! Não quero! Era a sua antiga e irredutível pusilanimidade diante da morte. Desde criança tinha medo de qualquer defunto, fosse conhecido ou desconhecido, parente próximo ou remoto. A idéia de ver a mulher morta o arrepiava. Defendia-se: "Não!" E corrigiu: "Agora, não!" Com o coração disparado, não pôde evitar a seguinte quase irreverente reflexão: "Por que não pintam os cadáveres?" Perguntaram: - O enterro vai sair daqui? Virou-se: - Claro! Um dos vizinhos, o mesmo que fora mordido na mão, vacila e sugere: - Não será mais negócio capelinha? - Por quê? E o outro, alvar: - É mais prático. Mais cômodo. Então, o viúvo exaltou-se. Enfiou o dedo na cara do vizinho: - Considero um desaforo essa mania de capelinha! É uma falta de respeito! Ora veja!

SAUDADE
Um vizinho e um cunhado partiram, de táxi, para tratar do atestado de óbito e do enterro. Então, andando de um lado para o outro, numa excitação de possesso, Juventino surpreendeu e confundiu os presentes com uma série de confidências, legítimas umas, extravagantes outras. Na sua euforia retrospectiva, deblaterava: - Nunca houve marido tão feliz como eu! Duvido! Elogiou a mulher de alto a baixo, chamou-a de "anjo dos anjos", "flor das flores". E, súbito, diante dos vizinhos atônitos e maravilhados, baixa a voz: - Era tão séria que namorou um ano comigo, noivou dois e só topou beijo na boca depois do casamento! Quer dizer, mulher batata! Havia um aspecto de sua vida conjugal que ainda o envaidecia: o recato da mulher. Sempre conservaria, perante o marido, um mínimo de cerimônia. Cutucou o vizinho e segredou: "Teve pudor de mim até o último momento!" Pausa, arqueja e conclui: - Nunca tomou injeção que não fosse no braço! Parecia evidente que esse pudor frenético o deleitava, ainda agora. Numa brusca cólera, desafiou os circunstantes: - Isso é que era mulher no duro, cem por cento! O resto é conversa fiada!

CÂMARA-ARDENTE
As providências de ordem prática estavam sendo tomadas. Uma hora depois ou pouco mais, apareceram os funcionários da empresa funerária. Armara-se a câmara-ardente na sala de visitas. Em dado momento, o viúvo teve de levantar-se para atender o telefone. Era o cunhado. Estava na casa de flores e desejava fazer uma consulta até certo ponto delicada. Perguntou: - Tua coroa pode ser de orquídeas? Admirou-se no telefone: - Pode. Por que não? Pigarreia o cunhado: - Mas é puxado! - Quanto? O outro disse uma quantia. Juventino esbravejou: - Ladrões! Vacila. Lembra-se de que a doença da mulher já lhe custara uma fortuna; contraíra dívidas, tinha na farmácia uma conta estratosférica. Acabou optando por outra solução: - Vamos fazer o seguinte; orquídea é uma flor besta, sofisticada. Arranja uma coroa mais em conta. Do outro lado da linha, veio a pergunta: "Qual é a dedicatória?" Hesita novamente. Decide-se: - Põe assim: "À Ismênia, saudade eterna do teu Juventino".


ÀS COROAS
Do telefone, veio para a sala. Até então, fiel à própria covardia, não fora espiar o rosto da mulher no caixão. E o pior é que seu medo estava mesclado de curiosidade. Costumava dizer, numa frase rebuscadíssima, que o verdadeiro rosto da mulher aparece só no amor ou na morte. Mas o diabo era o seu preconceito contra a morte. Acendendo um cigarro, pensava: "Os defuntos são muito feios!" Por outro lado, ocorrialhe que, com ou sem pusilanimidade, teria de beijar a esposa antes de sair o enterro. Na sua meditação de viúvo, cogitou de uma solução que lhe parecia praticável, qual seja: a de beijar sem ver, isto é, beijar fechando os olhos. Mais uns quarenta minutos e começam a chegar as coroas. Uma das primeiras foi a sua. Correu, sôfrego; leu a legenda fúnebre, em letras douradas. As orquídeas tinham sido substituídas pelas dálias. E Juventino, recuando dois passos, considerava o efeito. Não pôde furtar-se a um sentimento de satisfação. Disse de si para si: "Bacana!" À medida que iam chegando mais flores, ele se convencia de que a sua coroa não fazia feio no meio das outras. Pelo contrário. Se não fosse a melhor, podia figurar entre as melhores.


SURPRESA
Às onze horas, a casa estava apinhada. Tinha vindo gente até de Vigário Geral. O inconsolável viúvo era abraçado por uma série de parentes, inclusive alguns que ele julgava mortos e enterrados. Às onze e meia, Juventino passa por uma nova crise. E uma coisa o atribulava de maneira particular e dolorosíssima: a doença da mulher. Aos soluços, interpelava os presentes: - Como é possível morrer de pneumonia? Se fosse câncer, vá lá. Mas pneumonia! - Virou-se para um vizinho; estrebucha: - Sabe que eu estou desconfiado que penicilina é um conto-do-vigário? Neste momento, todos os olhos se voltaram para a direção da porta. Acabava de entrar uma coroa. Era, porém, uma coisa realmente insólita e gigantesca. Dir-se-ia uma coroa de chefe de Estado, de rainha ou, no mínimo, de ministro. Toda feita de orquídeas, ofuscou automaticamente as demais. Atônito, Juventino balbuciou: "Parei!" Trôpego, a boca torcida e já distraído da própria dor, veio rompendo os grupos, no seu espanto e na sua curiosidade. E, com a mão trêmula, desenrolou a fita. Soletrou, a meia voz, para si mesmo: "À inesquecível Ismênia, com todo o amor, de Otávio." Antes de mais nada, aquele "inesquecível" foi nele uma espécie de punhalada material. Ocorria-lhe uma reminiscência cinematográfica: Rebecca, a mulher inesquecível.


Virou-se para os presentes, que pareciam também impressionadíssimos. Perguntava de um para outro: - Otávio? Quem é Otávio? Vocês conhecem algum Otávio? Não, ninguém conhecia. Mas ele corria, um por um, todos os parentes: "Mas como é possível? Que negócio é esse?"


DRAMA
A obsessão passou a dominá-lo: voltou para perto da coroa e leu, releu a legenda. Apertava a cabeça entre as mãos: "Todo amor por quê?" Concentrouse. Procurava descobrir, no fundo da memória, alguém que tivesse este nome. E uma coisa o enfurecia: aquela coroa espetacular, tão mais bonita e até mais cara que as outras. Fazia seus cálculos, em voz alta: - O cara que mandou isto gastou os tubos. E por quê, meu Deus, por quê? Houve um momento em que o próprio Juventino se julgou também um milionário, mas da loucura. Meteu-se num canto; já não falava mais com ninguém, feroz e incomunicável. Quase ao amanhecer, alguém veio oferecer um cafezinho. Saltou: "Vai-te para o diabo que te carregue!" Passam-se os minutos, as horas. Todos os que chegam pasmam para a fabulosa coroa. Finalmente, na hora de fechar o caixão, a própria sogra, soluçando, vem chamar o genro: "Você não vai beijar fulana?" Ergueu-se. Antes, foi ao escritório apanhar não sei o quê. Atravessou por entre os parentes e vizinhos. Estava diante do 486 caixão. E, súbito, mete a mão no bolso e... Só viram quando ergueu o punhal e o afundou na defunta, aos berros de: - Cínica! Cínica! A lâmina penetrou por entre as duas costelas. E a morta parecia rir.

Brincando com as palavras

Olha que interessante. Quem escreveu, nao tenho a mínima idéia mas adorei a criatividade.

EU USO FACA, O JOSÉ SERRA.
EU JOGO NA QUINA, O AYRTON SENNA

EU DISSE "MEU DEUS!", O OSWALDO CRUZ.

EU QUERO GUERRA, A BÁRBARA PAZ

EU QUEBRO PRÉDIOS, A TATI QUEBRA BARRACO

EU FALO BONITA, O MIGUEL FALABELA

EU GOSTO DO BATMAN, O LUCIANO HULCK

EU SOU BRASILEIRO, O RENATO RUSSO.

EU NÃO ESTIVE, MAS A ADRIANA ESTEVES

EU GOSTO DO CHAPOLIN, O HUGO CHAVEZ

EU ANDO DE ONIBUS, O JAMES BOND

EU PINTO RETRATO, O JANIO QUADROS

EU BEBO CAFÉ, A CLAUDIA LEITE

EU USO SHAMPOO SEDA, O ÉRIC JOHNSON

EU COMO MAÇÃ, A DANI BANANINHA

EU NÃO FAÇO, MAS A BETH FARIA

O MEU ACORDA TARDE, O SEU MADRUGA

EU GOSTO DE CEREJA, A CAMILA PITANGA

EU GOSTO DE VINHO TINTO, A DEBORA SECO

EU NÃO QUERIA, MAS A CASSIA KISS

EU ME CASO ANO QUE VEM A MARJORIE ESTIANO

EU ANDO DE GOL, O DEDÉ SANTANA

EU TORÇO PELO FLAMENGO, A ANA BOTAFOGO

EU JOGO NO VASCO, O SILVIO SANTOS.

EU TENHO CASA PEQUENA, O CARLOS CASAGRANDE.

EU JÁ VI CICLONE, A HILDA FURACÃO E O TONY TORNADO.

EU COMO TORRESMO, O KEVIN BACON

EU QUERIA ME CHAMAR FRANCISCO, O ERASMO CARLOS

EU VENDO XÍCARA, A GLÓRIA PIRES

EU SOU DA CIDADE, O MARTINHO DA VILA

EU SOU DA FLORESTA , A VANESSA DA MATA

O PATETA USA TECLADO, O MICKEY MOUSE

EU ESTUDO TUBARÃO, A CLÁUDIA RAIA

EU PEDI CARNE, O FILIPE MASSA

EU GOSTO DO INVERNO, A VERA VERÃO

EU USO BOMBRIL, O BOB ESPONJA

EU CRIO GALINHA, O PAULO COELHO

MEU CABELO É PRETO, O DA BIANCA CASTANHO

O ZÉ FUMA, O CELSO PITA



 

domingo, 25 de abril de 2010

Eleições 2010 - 2ª parte

Bom como eu tava falando, vamos escolher



presidente (observe quem é o vice tambem - temos registro de vices em governos)
26 governadores
513 deputados federais
e centenas de deputados estaduais
54 senadores (2/3 do total)
24 deputados distritais (só os moradores de Brasília votam)

sabe o que é esses 2/3?
é o seguinte, os senadores sao eleitos para 2 mandatos de 4 anos e em uma eleiçao 1/3 se renova apenas. quando passa mais quatro anos, renova-se os outros 2/3 isso que vamos renovar no senado 54 senadores. na ult eleiçao para presidente,nós renovamos 27senadores.

O prox post é sobre onde esse pessoal trabalha.



sábado, 24 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Strogonoff

Ingredientes
• 1kg carne (filé, alcatra, coxão mole ou patinho). Também dá pra fazer com filé de frango. Tudo cortado em cubinhos.
• 1 cebola grande picada em cubinhos
• 2 dentes de alho picados
• Azeitonas, palmito e champignon (tudo picado)
• 2 cx. de creme de leite
• Caldo de carne (ou de picanha), temperos (sazon, mais sabor, etc..) e sal e pimenta a gosto
• 2 colheres de mostarda
• Cheiro verde picadinho
• ½ xícara de farinha de trigo
• ½ lata de extrato de tomate
• 1 pitada de açúcar
• Batata palha para decorar

Modo de preparo
1. Polvilhe a farinha de trigo pela carne já cortada em cubinhos. Isso vai ajudar a engrossar o molho.
2. Doure a cebola e o alho em fogo baixo. Quando a cebola estiver começando a ficar transparente é porque está no ponto. CUIDADO para não queimar o alho.
3. Coloque a carne na panela e refogue. Adicione o caldo de carne, o extrato de tomate, a mostarda e os outros temperos. Deixe a carne fritar e soltar seu caldo. Adicione uma pitada de açúcar para retirar a acidez do extrato de tomate.
4. Adicione o creme de leite e mexa bem. Deixe em fogo baixo até começar a abrir fervura.
5. Finalmente, adicione as azeitonas, o palmito e o champignon. Mexa por alguns minutos e desligue o fogo. Jogue o cheiro verde e mexa.
6. Você pode usar amido de milho (ou farinha de trigo) dissolvido em um pouco de leite para engrossar o molho, caso ele fique ralo.
Use batata palha para decorar.

domingo, 18 de abril de 2010

Receita de Tabule



Ingredientes
4 a 5 maços de salsa
1 maço de cebola verde
1 cebola grande
1 maço de hortelã
3 tomates grandes
300 gramas de trigo
Óleo de oliva, sal, pimenta doce e um pouco de pimenta do reino
2 a 3 limões

Modo de preparo
— Lave o trigo e espremer até sair toda água
— Acrescente a salsa, cebolinha verde, hortelã, tomate e cebola seca (tudo bem picado)
— Tempere com sal, limão, óleo e pimentas doce e do reino a gosto
— Sirva em uma travessa rasa acompanhada de folhas de alface e repolho
Postado por Mauren Rigo no Clic RBS – visite o site.

Receita de Pesto de Alecrim com Pistache

* 6 ramos de alecrim
* • pimenta-do-reino a gosto
* • sal a gosto
* • 10 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
* • 15 colheres (sopa) de azeite de oliva
* • 100 g de pistache sem casca e sem sal

Preparo da Receita

Coloque no processador folhas de 6 ramos de alecrim, 100 g de pistache sem casca e sem sal, 15 colheres (sopa) de azeite de oliva, 10 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado na hora, sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto. Bata na função pulsar até triturar bem a mistura.
Dica para esta receita

Sirva com tagliatelle ou linguine. Rende 4 porções de 77,5 g cada uma.

Fonte: Revista Menu

Receita de Salgadinhos de Queijo


* 1 xícara (chá) de queijo branco de minas curado ralado
* • 1 ovo
* • sal a gosto
* • 7 colheres (sopa) de óleo
* • ½ xícara (chá) de leite
* • 2½ xícaras (chá) de polvilho doce

Preparo da Receita

Coloque o polvilho em uma tigela, junte o leite misturado com o sal e mexa bem. À parte, aqueça 5 colheres (sopa) de óleo e despeje sobre o polvilho, misturando até esfriar. Acrescente o ovo, o queijo e sove por 5 minutos, ou até obter uma massa lisa. Faça pequenas bolas de massa e sove uma a uma na palma da mão até deixar de ficar quebradiça. Ligue o forno à temperatura média. Modele 55 biscoitinhos e disponha-os em 2 assadeiras de 33 cm x 23 cm, untadas com o óleo restante. Leve ao forno por 30 minutos, ou até dourar. Retire do forno e deixe esfriar.
Dica para esta receita

Fonte: Revista Água Na Boca

Receita de torta de limão



Extraída do site: http://tudogostoso.uol.com.br/receita/28537-torta-de-limao-com-bolacha.html
Vale a pena ir conferir. O site tras o tempo do preparo, as porções e opiniões.
Tem infinitas receitas por lá.

* Ingredientes
* 1 1/2 pacote de bolacha maria
* 200 g de margarina, sem sal
* 1 lata de leite condensado
* 1 limão grande ou 2 pequenos
* 2 ovos
* 2 colheres de sopa de açúcar
* 1/2 colher de café de sal
* Tabela de conversão de medidas Imprimir lista de compras Adicionar ao
meu livro Mais receitas
como esta
*

* Modo de Preparo

1. Esfarelar bem as bolachas
2. Depois, colocar a margarina derretida, o sal e mexer bem
3. Forrar com está mistura uma forma redonda de fundo falso e pressionar bem
4. Levar ao congelador durante trinta minutos
5. Misturar o leite condensado com o suco e a raspa de limão
6. Quando estiver bem misturado, juntar as gemas
7. Colocar está mistura por cima da base da massa
8. Levar a forno médio durante dez minutos
9. Bater as claras em neve juntamente com o açúcar
10. Colocar por cima da massa já assada e levar ao forno para dourar por 5 minutos

Receita de Pesto de Rúcula com Nozes


* 1 maço médio de rúcula
* • pimenta-do-reino a gosto
* • sal a gosto
* • 3 colheres (sopa) de queijo pecorino ou parmesão ralado na hora
* • ½ xícara (chá) de nozes picadas
* • 1 xícara (chá) de azeite de oliva
* • 4 dentes de alho descascados

Preparo da Receita

Lave a rúcula, seque e elimine a parte mais dura dos talos. Coloque o alho e o azeite de oliva no liquidificador e bata até obter um pasta. Acrescente a rúcula e bata na função pulsar até triturá-la. Adicione as nozes, o queijo, o sal e a pimenta e bata por alguns segundos. Sirva com batata cozida e salada de folhas, temperada com sal e azeite de oliva.
Dica para esta receita

Cada porção contém 72 gramas.

Fonte: Revista Menu

Receita de Quiche de Frango


* Massa:
* • 300 g de farinha de trigo especial
* • 1 pitada de fermento em pó
* • 1 colher (chá) de sal
* • 1 ovo inteiro batido levemente
* • 1 colher (sopa) de creme de leite com soro
* • 1 colher (sopa) de amido de milho (maisena)
* • 150 g de manteiga sem sal gelada e picada
* Recheio:
* • pimenta branca a gosto
* • noz-moscada a gosto
* • sal a gosto
* • 3 colheres (sopa) de azeitonas picadas
* • 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
* • 150 g de requeijão
* • 2 ovos inteiros batidos levemente
* • 300 ml de creme de leite
* • 500 g de peito de frango desfiado

Preparo da Receita

Em uma tigela, coloque os ingredientes secos e a manteiga, amasse com a ponta dos dedos até obter uma farofa úmida. Acrescente à massa, o ovo e o creme de leite, amasse até obter uma massa lisa e macia (sem sovar). Deixe descansar na geladeira por 10 minutos e modele nas forminhas. Junte os ovos, o creme de leite e os demais ingredientes do recheio, misturando bem. Recheie as forminhas. Leve ao forno preaquecido a 180 graus por cerca de 30 minutos.
Dica para esta receita

Fonte: Modelo Iga

Receita de Pamonha de Milho Verde



·         • 12 espigas médias de milho verde bem novo
·         • 4 colheres (sopa) de açúcar
·         ½ lata de leite
·         • 1 lata de leite condensado

Corte a base das espigas e descasque o milho. Limpe e lave as espigas e as folhas. Rale as espigas bem rente aos sabugos. Bata o milho ralado no liqüidificador com o Leite Moça, o açúcar e o leite. Reserve. Afervente rapidamente as folhas do milho em uma panela funda para amolecerem. Separe as menores e desfie formando tiras estreitas. Segure a folha no sentido do comprimento e faça duas dobras sobrepostas. Dobre ao meio, unindo as extremidades abertas. Segure o pacote pela extremidade e encha-o com o creme de milho, deixando bastante espaço vazio na borda. Feche o pacote, amarrando com a tira reservada. Cozinhe em água fervente, até que a palha amarele e as pamonhas fiquem firmes. Retire da água e escorra. Sirva quente ou fria.
- Para fazer os pacotes é importante que as espigas estejam intactas, totalmente revestidas pela palha.
- Se preferir, ao invés de ralar as espigas, corte o milho rente ao sabugo e prossiga com a receita.
- Para um preparo mais simples, despeje a pamonha em um recipiente refratário médio e asse em banho-maria em forno médio (180ºC), preaquecido, por cerca de 1 hora ou até dourar.
- Os ingredientes da pamonha variam conforme a região do país. Pode-se, por exemplo, acrescentar 1 colher (chá) de canela em pó ao creme da pamonha; ou substituir o leite por leite de coco; ou, ainda, acrescentar coco fresco ralado.
Fonte: Cozinha Nestlé

Receita de pamonha


Ingredientes:
· 6 espigas grandes de milho
· 1/2 xícara (chá) de açúcar
· 1/2 xícara (chá) de leite de coco
· 1 pitada de sal

 
Modo de Preparo:
Descasque os milhos cuidadosamente e reserve as palhas inteiras. Rale as espigas no ralador grosso. Ponha em uma tigela e acrescente o açúcar, o leite de coco e o sal. Misture cuidadosamente com uma colher de pau. Pegue as palhas reservadas, dobre-as ao meio e costure-as dos lados, para formar um saco pequeno. Preencha com o creme de milho e feche a ponta amarrando com um barbante. Em uma panela grande, ponha água para ferver. Coloque as trouxinhas de milho na água fervente e cozinhe por aproximadamente 90 minutos. Retire com o auxílio de uma escumadeira e deixe escorrer. Sirva frio ou quente.

Dicas:Escalde as palhas do milho em água fervente para poder embrulhar a pamonha com mais facilidade

Conteúdo do site ANAMARIA

Receita de Pacu À Escabeche


    *  1 pacu limpo e sem pele cortado em postas (1,5kg)
    * • 1½ xícara (chá) de óleo para fritar
    * • 1½ xícara (chá) de farinha de trigo
    * • 1½ colher (sopa) de fondor maggi
    * • 3 colheres (sopa) de suco de limão
    * Molho:
    * • ½ colher (chá) de fondor maggi
    * • 6 colheres (sopa) de azeite
    * • 3 dentes de alho bem picados
    * • 3 cebolas grandes cortadas em rodelas finas
    * • 2 pimentas malaguetas picadas
    * • ½ xícara (chá) de cheiro-verde picado
    * • ½ xícara (chá) de vinagre

Preparo da Receita

Tempere o peixe com limão e Fondor. Deixe tomar gosto por cerca de 30 minutos. Passe as postas na farinha de trigo e frite-as em óleo quente, em quantidade suficiente para cobrir toda a posta. Quando estiverem douradas, retire-as e escorra-as em papel absorvente, deixando esfriar. Em uma panela, aqueça o azeite e frite o alho e a cebola. Abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar até que a cebola fique transparente, mexendo de vez em quando. Acrescente os demais ingredientes, mexa e cozinhe por mais 10 minutos com a panela tampada. Desligue e deixe esfriar. Arrume as postas de peixe frito em um refratário, cubra-as com o molho e leve a geladeira. Sirva no dia seguinte.
Dica para esta receita

Outros peixes, como dourado e tucunaré, podem ser preparados à escabeche.

Fonte: Cozinha Nestlé

Receita de Quibe Cru



    *  1 kg de patinho moído
    * • alguns gomos de limão
    * • alguns talos de cebolinha verde
    * • ¼ xícara de cebola picada
    * • 4 folhas de hortelã
    * • 1 pitada de pimenta síria
    * • 1½ xícara de trigo fino (para quibe)
    * • 1 colher (chá) de sal
    * • 4 cubos de gelo

Preparo da Receita

Lave bem o trigo em uma peneira e coloque de molho por 15 minutos em água fria. Escorra bem o trigo e esprema todo o excesso de água. Coloque a carne em um processador e acrescente o sal e a pimenta síria. Processe por 30 segundos. Acrescente o trigo e processe novamente por mais 30 segundos ou até obter uma pasta grossa. Coloque a mistura em uma tigela, acrescente os cubos de gelo e, com as mãos, vá amassando até obter uma mistura bem macia e úmida. Molde no formato desejado. Sirva com folhas de hortelã, cebolinha verde, cebola picada e gomos de limão, tudo acompanhado por pão sírio.
Dica para esta receita

Fonte: Terra Culinária

Receita de MASSA PARA CANUDOS


Ingredientes:
3 xícaras (chá) de farinha de trigo; 1 gema; 1 colher (sopa) de manteiga; 1 colher (café) de sal.
Modo de Preparo:
Amassar com água morna os ingredientes, até a massa adquirir consistência de massa para pastéis. Deixar descansar um pouco. Abrir a massa no rolo até ficar bem fina, completando a abertura com as mãos. Cortar em tiras de 5 cm e depois em quadradinhos. Untar os rolinhos para capa de canudo e enrolar os quadradinhos de massa. Colar com um pouco de clara. Fritar em óleo não muito quente.

Receita de Lasanha de Batata



* Massa:
* • 500 g de batatas
* Molho Bechamel:
* • 1 pitada de noz-moscada
* • sal a gosto
* • 750 ml de leite
* • 3 colheres (sopa) de farinha de trigo
* • 4 colheres (sopa) de cebola picada
* • 1 colher (sopa) de alho picado
* • 100 g de manteiga
* para Montagem:
* • manjericão fresco picado
* • queijo ralado para polvilhar
* • 500 g de mussarela ralado grosso
* • 500 g de peito de frango cozido, desfiado e refogado

Preparo da Receita

Para a massa:
Corte as batatas no fatiador no sentido do comprimento, em fatias finas.
Cozinhe em água fervente temperada (caldo de galinha, caldo de legumes, folha de louro). Deixe por 4 minutos. Ficará al dente. Retire e escorra.

Para o molho bechamel:
Numa panela, coloque a manteiga, o alho e a cebola. Refogue até amolecer.
Junte a farinha de trigo e mexa rapidamente para não empelotar. Adicione o leite, mexendo sempre. Acerte o sal e a noz-moscada.

Para a montagem:
Num refratário de 18 cm x 30 cm e altura de 7 cm, faça as camadas com: bechamel, batatas, frango e mussarela. Repita até finalizar com creme bechamel e mussarela. Polvilhe queijo ralado e manjericão. Leve ao forno para gratinar.
Dica para esta receita

Fonte: Globo - Mais Você

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Café - como preparar um bom café - dicas da Melitta



A água utilizada deve ser pura e limpa, preferencialmente filtrada ou mineral.
A água deve estar numa temperatura entre 90º e 100º (não deixe ferver), desligue o fogo quando começar a surgir as primeiras bolhinhas.
Dobre a costura lateral do Filtro de Papel e coloque no Porta-Filtro - utilize sempre o Porta-Filtro do tamanho do Filtro de Papel.
Olhe a validade do pó de café.
Coloque o pó no filtro, espalhando-o uniformemente. Não compacte, nem aperte a camada de café.
Use a medida (não tente adivinhar) = de 5 a 6 colheres de sopa para cada litro de água.
Nunca mexa com a colher, a água circulará naturalmente pelo pó.
Nunca prepare ou armazene o café já adoçado, porque se formará uma crosta de caramelo de mau sabor nas paredes do recipiente.
Quanto mais lentamente despejar a água, mais escuro resultará o café. Entretanto, não exceda 4 a 6 minutos, para que a extração excessiva não torne o café amargo.
Jogue fora o filtro e o café já usado. Não passe a bebida novamente pelo café esgotado, porque ela ficará amarga e com sabor desagradável.
Quando for armazenar o café em uma garrafa térmica, evite mantê-lo lá por mais de duas horas, para que o sabor do café não se altere.
Escalde a garrafa antes de colocar o café.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Contos Gauchescos

TREZENTAS ONÇAS





Eu tropeava, nesse tempo. Duma feita que viajava de escoteiro, com a guaiaca empanzinada de onças de ouro, vim varar aqui neste mesmo passo, por me ficar mais perto da estância da Coronilha, onde devia pousar.
Parece que foi ontem!... Era por fevereiro; eu vinha abombado da troteada.
Olhe, ali, na restinga, à sombra daquela mesma reboleira de mato, que está nos vendo, na beira do passo, desencilhei; e estendido nos pelegos, a cabeça no lombilho, com o chapéu sobre os olhos, fiz uma sesteada morruda.
Despertando, ouvindo o ruído manso da água tão limpa e tão fresca rolando sobre o pedregulho, tive ganas de me banhar; até para quebrar a lombeira… e fui-me à água que nem capincho!
Debaixo da barranca havia um fundão onde mergulhei umas quantas vezes; e sempre puxei umas braçadas, poucas, porque não tinha cancha para um bom nado.
E solito e no silêncio, tornei a vestir-me, encilhei o zaino e montei.
Daquela vereda andei como três léguas, chegando à estância cedo ainda, obra assim de braça e meia de sol.
Ah!…esqueci de dizer-lhe que andava comigo um cachorrinho brasino, um cusco mui esperto e boa vigia. Era das crianças, mas às vezes dava-me para acompanhar-me, e depois de sair a porteira, nem por nada fazia cara-volta, a não ser comigo. E nas viagens dormia sempre ao meu lado, sobre a ponta da carona, na cabeceira dos arreios.
Por sinal que uma noite...
Mas isto é outra cousa; vamos ao caso.
Durante a troteada bem reparei que volta e meia o cusco parava-se na estrada e latia e corria pra trás, e olhava-me, olhava-me, e latia de novo e troteava um pouco sobre o rastro; — parecia que o bichinho estava me chamando!... Mas como eu ia, ele tornava a alcançar-me, para dai a pouco recomeçar.
Pois, amigo! Não lhe conto nada! Quando botei o pé em terra na ramada da estância, ao tempo que dava as — boas-tardes! — ao dono da casa, agüentei um tirão seco no coração... não senti na cintura o peso da guaiaca!
Tinha perdido trezentas onças de ouro que levava, para pagamento de gados que ia levantar.
E logo passou-me pelos olhos um clarão de cegar, depois uns coriscos tirante a roxo... depois tudo me ficou cinzento, para escuro...
Eu era mui pobre — e ainda hoje, é como vancê sabe...  ; estava começando a vida, e o dinheiro era do meu patrão, um charqueador, sujeito de contas mui limpas e brabo como uma manga de pedras...
Assim, de meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:
Então patrício? está doente?
Obrigado! Não senhor, respondi, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça: perdi uma dinheirama do meu patrão...
A la fresca!...
É verdade... antes morresse, que isto! Que vai ele pensar agora de mim!...
É uma dos diabos, é...; mas não se acoquine, homem!
Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo correu para a estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir...
Ah!... E num repente lembrei-me bem de tudo.
Parecia que estava vendo o lugar da sesteada, o banho, a arrumação das roupas nuns galhos de sarandi, e, em cima de uma pedra, a guaiaca e por cima dela o cinto das armas, e até uma ponta de cigarro de que tirei uma última tragada, antes de entrar na água, e que deixei espetada num espinho, ainda fumegando, soltando uma fitinha de fumaça azul, que subia, fininha e direita, no ar sem vento...; tudo, vi tudo.
Estava lá, na beirada do passo, a guaiaca. E o remédio era um só: tocar a meia rédea, antes que outros andantes passassem.
Num vu estava a cavalo; e mal isto, o cachorrinho pegou a retouçar, numa alegria, ganindo — Deus me perdoe! — que até parecia fala.
E dei de rédea, dobrando o cotovelo do cercado.
Ali logo frenteei com uma comitiva de tropeiros, com grande cavalhada por diante, e que por certo vinha tomar pouso na estância. Na cruzada nos tocamos todos na aba do sombreiro; uns quantos vinham de balandrau enfiado. Sempre me deu uma coraçonada para fazer umas perguntas... mas engoli a língua.
Amaguei o corpo e penicando de esporas, toquei a galope largo.
O cachorrinho ia ganiçando, ao lado, na sombra do cavalo, já mui comprida.
A estrada estendia-se deserta; à esquerda os campos desdobravam-se a perder de vista, serenos, verdes, clareados pela luz macia do sol morrente, manchados de pontas de gado que iam se arrolhando nos paradouros da noite; à direita, o sol, muito baixo, vermelho-dourado, entrando em massa de nuvens de beiradas luminosas.
Nos atoleiros, secos, nem um quero-quero: uma que outra perdiz, sorrateira, piava de manso por entre os pastos maduros; e longe, entre o resto da luz que fugia de um lado e a noite que vinha, peneirada, do outro, alvejava a brancura de um joão-grande, voando, sereno, quase sem mover as asas, como numa despedida triste, em que a gente também não sacode os braços...
Foi caindo uma aragem fresca; e um silêncio grande, em tudo.
O zaino era um pingaço de lei; e o cachorrinho, agora sossegado, meio de banda, de língua de fora e de rabo em pé, troteava miúdo e ligeiro dentro da polvadeira rasteira que as patas do flete levantavam.
E entrou o sol; ficou nas alturas um clarão afogueado, como de incêndio num pajonal; depois o lusco-fusco; depois; cerrou a noite escura; depois, no céu, só estrelas..., só estrelas...
O zaino atirava o freio e gemia no compasso do galope, comendo caminho. Bem por cima da minha cabeça as Três-Marias tão bonitas, tão vivas, tão alinhadas, pareciam me acompanhar..., lembrei-me dos meus filhinhos, que as estavam vendo, talvez; lembrei-me da minha mãe, de meu pai, que também as viram, quando eram crianças e que já as conheceram pelo seu nome de Marias, as Três-Marias.  Amigo! Vancê é moço, passa a sua vida rindo...; Deus o conserve!…, sem saber nunca como é pesada a tristeza dos campos quando o coração pena!...
Há que tempos eu não chorava!... Pois me vieram lágrimas..., devagarinho, como gateando, subiram... tremiam sobre as pestanas, luziam um tempinho... e ainda quentes, no arranco do galope lá caíam elas na polvadeira da estrada, como um pingo d’água perdido, que nem mosca nem formiga daria com ele!...
Por entre as minhas lágrimas, como um sol cortando um chuvisqueiro, passou-me na lembrança a toada dum verso lá dos meus pagos:
Quem canta refresca a alma,
Cantar adoça o sofrer;
Quem canta zomba da morte:
Cantar ajuda a viver!...
Mas que cantar, podia eu!...
O zaino respirou forte e sentou, trocando a orelha, farejando no escuro: o bagual tinha reconhecido o lugar, estava no passo.
Senti o cachorrinho respirando, como assoleado. Apeei-me.
Não bulia uma folha; o silêncio, nas sombras do arvoredo, metia respeito... que medo, não, que não entra em peito de gaúcho.
Embaixo, o rumor da água pipocando sobre o pedregulho; vaga-lumes retouçando no escuro. Desci, dei com o lugar onde havia estado; tenteei os galhos do sarandi; achei a pedra onde tinha posto a guaiaca e as armas; corri as mãos por todos os lados, mais pra lá, mais pra cá...; nada! nada!...
Então, senti frio dentro da alma…, o meu patrão ia dizer que eu o havia roubado!... roubado!... Pois então eu ia lá perder as onças!... Qual! Ladrão, ladrão, é que era!...
E logo uma tenção ruim entrou-me nos miolos: eu devia matar-me, para não sofrer a vergonha daquela suposição.
É; era o que eu devia fazer: matar-me... e já, aqui mesmo!
Tirei a pistola do cinto; armei-lhe o gatilho..., benzi-me, e encostei no ouvido o cano, grosso e frio, carregado de bala...
 Ah! patrício! Deus existe!...
No refilão daquele tormento, olhei para diante e vi... as Três-Marias luzindo na água... o cusco encarapitado na pedra, ao meu lado, estava me lambendo a mão... e logo, logo, o zaino relinchou lá em cima, na barranca do riacho, ao mesmíssimo tempo que a cantoria alegre de um grilo retinia ali perto, num oco de pau!...
Patrício! não me avexo duma heresia; mas era Deus que estava no luzimento daquelas estrelas, era ele que mandava aqueles bichos brutos arredarem de mim a má tenção...
O cachorrinho tão fiel lembrou-me a amizade da minha gente; o meu cavalo lembrou-me a liberdade, o trabalho, e aquele grilo cantador trouxe a esperança...
Eh-pucha! patrício, eu sou mui rude... a gente vê caras, não vê corações...; pois o meu, dentro do peito, naquela hora, estava como um espinilho ao sol, num descampado, no pino do meio-dia: era luz de Deus por todos os lados!...
E já todo no meu sossego de homem, meti a pistola no cinto. Fechei um baio, bati o isqueiro e comecei a pitar.
E fui pensando. Tinha, por minha culpa, exclusivamente por minha culpa, tinha perdido as trezentas onças, uma fortuna para mim. Não sabia como explicar o sucedido, comigo, acostumado a bem cuidar das cousas. Agora... era vender o campito, a ponta de gado manso  tirando umas leiteiras para as crianças e a junta dos jaguanés lavradores — vender a tropilha dos colorados… e pronto! Isso havia de chegar, folgado; e caso mermasse a conta..., enfim, havia se ver o jeito a dar... Porém matar-se um homem, assim no mais... e chefe de família... isso, não!
E d’espacito vim subindo a barranca; assim que me sentiu o zaino escarceou, mastigando o freio.
Desmaneei-o, apresilhei o cabresto; o pingo agarrou a volta e eu montei, aliviado.
O cusco escaramuçou, contente; a trote e galope voltei para a estância.
Ao dobrar a esquina do cercado enxerguei luz na casa; a cachorrada saiu logo, acuando. O zaino relinchou alegremente, sentindo os companheiros; do potreiro outros relinchos vieram.
Apeei-me no galpão, arrumei as garras e soltei o pingo, que se rebolcou, com ganas.
Então fui para dentro: na porta dei o  Louvado seja Jesu-Cristo; boa-noite!  e entrei, e comigo, rente o cusco. Na sala do estancieiro havia uns quatro paisanos; era a comitiva que chegava quando eu saía; corria o amargo.
Em cima da mesa a chaleira, e ao lado dela, enroscada, como uma jararaca na ressolana, estava a minha guaiaca, barriguda, por certo com as trezentas onças, dentro.
Louvado seja Jesu-Cristo, patrício! Boa-noite! Entonces, que tal le foi de susto?...
E houve uma risada grande de gente boa.
Eu também fiquei-me rindo, olhando para a guaiaca e para o guaipeva, arrolhadito aos meus pés...


NO MANANTIAL




 Está vendo aquele umbu, lá embaixo, à direita do coxilhão?
Pois ali é a tapera do Mariano. Nunca vi pêssegos mais bonitos que os que amadurecem naquele abandono; ainda hoje os marmeleiros carregam, que é uma temeridade!
Mais para baixo, como umas três quadras, há uns olhos-d’água, minando as pedras, e logo adiante uns coqueiros; depois pega um cordão de araçazeiros.
Diziam os antigos que ali encostado havia um lagoão mui fundo onde até jacaré se criava.
Eu, desde guri conheci o lagoão já tapado pelos capins, mas o lugar sempre respeitado como um tremedal perigoso: até contavam de um mascate que aí atolou-se e sumiu-se com duas mulas cargueiras e canastras e tudo...
Mais de uma rês magra ajudei a tirar de lá; iam à grama verde e atolavam-se logo, até a papada.
Só cruzam ali por cima as perdizes e algum cusco leviano.
Com certeza que as raízes do pasto e dos aguapés foram trançando uma enrediça fechada, e o barro e as folhas mortas foram-se amontoando e, pouco a pouco, capeando, fazendo a tampa do sumidouro.
E depois nunca deram desgoto na ponta do lagoão, porque, se dessem, a água corria e não se formaria o mundéu…
Mas, onde quero chegar: vou mostrar-lhe, lá, bem no meio do manantial, uma cousa que vancê nunca pensou ver; é uma roseira, e sempre carregada de rosas...
Gente vivente não apanha as flores porque quem plantou a roseira foi um defunto... e era até agouro um cristão enfeitar-se com uma rosa daquelas!...
Mas, mesmo ninguém poderia lá chegar; o manantial defende a roseira baguala: mal um firma o pé na beirada, tudo aquilo treme e bufa e borbulha...
Uns carreteiros que acamparam na tapera do Mariano contaram que pela volta da meia-noite viram sobre o manantial duas almas, uma, vestida de branco, outra, de mais escuro.., e ouviram uma voz que chorava um choro mui suspirado e outra que soltava barbaridades...
Mas como era longe e eles estavam de cabelos em pé...  pois nem os cachorros acuavam, só uivavam... uivavam...  não puderam dar uma relação mais clara do caso.
E o lugar ficou mal-assombrado.
Mas, onde quero chegar: foi assim, como lhe vou contar. Estes campos eram meio sem dono, era uma pampa aberta, sem estrada nem divisa; apenas os trilhos do gado cruzando-se entre aguadas e querências.
A gadaria, não se pode dizer que era alçada: quase toda orelhana, isso sim,
Mas vivia-se bem, carne gorda sobrava, e potrada linda isso era ao cair do laço.
O Mariano apareceu aqui, diz que vindo de Cima da Sena, corrido dos bugres; uns, porque lhe morrera a mulher da bexiga preta, outros ainda, à boca pequena, que não era por santo que ele mudara de cancha.
Mas fosse como fosse, chegou e arranchou-se.
Trazia para o brigadeiro Machado uma carta que devia ser de gente pesada, porque o brigadeiro tratou-o muito bem e decerto foi com o seu consentimento que ele aboletou-se aqui nos pagos.
Tocava uma carreta de tolda, uma ponta de gado manso e uma quadrilha de ruanos.
De gente, ele, duas velhuscas, uma menina, uns pretos, campeiros e uma negra mina, chamada mãe Tanásia.
A menina era filha dele; das velhas uma era a avó da criança, e a outra, irmã dessa, vinha a ser tia-avó. Ele dava-se por genro da velha, mas não era: havia suspendido com a moça da casa, e depois nunca se proporcionou ocasião de padre para fazer-se o casamento, e o tempo foi passando até que a defunta morreu, ficando a inocente nesse paganismo de não ser filha de casal legítimo... por sacramento. Mas davam-se bem, todos.
O paisano era trabalhador e entendido nas cousas; desde o torrão para os ranchos, e quinchar, madeiras, cercados, lavouras, tudo passou pelas suas mãos. E tanto falquejava um linhote como semeava uma quarta de trigo, e já capava um touro como amanonsiava um bagual.
Quando Maria Altina  era a menina, a filha dele  andava nos dezasseis anos, este arranchamento era um paraíso: o arvoredo todo crescido e dando; lavouras, criação miúda, de tudo era uma fartura; havia galpões, eira, currais, tafona.
O Mariano e as duas velhas traziam nas palminhas a pequena. Ela era o  ai-jesus!  de todos, até dos negros.
Duma feita que a família foi ao povo, para um terço de muita fama que se rezou na casa do brigadeiro Machado, a Maria Altina fez um fachadão entre a moçada; mas de todos ela tomou-se de camote com um tal André, que era furriel e gauchito teso. Não entro nisto mais pelo miúdo porque não vale a pena de falar nestes chicos pleitos de namoriscos e milongagens de crianças.
Mas segue-se é que na despedida da volta o furriel André deu-lhe uma rosa colorada, com um pé de palmo.... e ela atravessou a flor no seu chapéu de palha, ali no mais, com toda a inocência, à vista de todos.
Cá pra mim havia algum conchavo entre o brigadeiro e o Mariano, porque naquele soflagrante da flor os dois piscaram os olhos um para o outro e riram-se à sorrelfa por debaixo do bigode.
Ah!... o furriel era afilhado e ordenança do galão-largo... e até diziam mais alguma cousa… Vancê entende!...
A comitiva nessa noite pousou no caminho, e a menina deu jeito e arrumou a rosa numa botija com água, para não murchar.
De manhãzita, marcharam; e de chegada em casa, o primeiro cuidado da pécora foi cortar a rosa bem rente do cachimbo e plantar o galho numa terra peneirada e fresquinha.
E tais cuidados deu-lhe que a planta pegou, botando raízes firmes e espigando ramos e folhas; e quando vieram os primeiros botões, ela apanhou-os, fez um ramo todo cheiroso, amarrou-o com a fita dos cabelos e foi prendê-lo no pé da cruz dum Nosso Senhor que estava na frente do oratório.., como quem dá uma prenda, a modo de pagamento de promessa feita!...
Nesse entrementes  cousa arranjada pelo brigadeiro  o furriel pousou em casa do Mariano, de passagem para um destacamento onde ia levar ofícios. Foi um alegrão para todos, mas para a Maria Altina, nem se fala!...
Vancê pense... A paisaninha só teve alma e vida e coração para o moço... ele também estava entregue, de rédea no chão.
Aquela visita trazia água no bico... era o trato de casamento.
Depois que o furriel se foi as velhas pegaram a fazer rendas de bilro e outros preparos do aprontamento da noiva.
A roseira estava em todo o viço: recendia que era um gosto e bordava de vermelho o caniçado da horta, que se via desde longe.
Mas, perto da pomba andava rondando o gavião.
Na Restinguinha, obra de um quarto de légua pra lá do Mariano, morava um tal Chico Triste, que tinha filhos como rato, e o mais velho era já homem feito.
Este, que pro caso chamava-se Chicão, andava mui enrabichado pela Maria Altina.
Ele era um bruto, que só olhava, só queria a Maria Altina  de carne e osso  . Do mais não se lhe dava; não queria saber se a menina era vergonhosa, ou trabalhadeira ou prendada.
Ele só olhava-me para as ancas, e os seios, e para a grossura dos braços; era,  mal comparando  , como um pastor no faro de uma guincha.. -
A rapariga tinha-lhe quase tanto medo como raiva. Uma vez ele pediu-lhe uma muda da roseira, e ela, sem negar, para não fazer desfeita, disse-lhe que tirasse o que quisesse.
Mas eu quero é dada pela senhora!...
Ah! não!…: Tire o senhor mesmo, a seu gosto...
Não dá?... pois qualquer dia pico a facão toda essa porcaria!...
E levantou-se e saiu, todo apotrado.
Outras vezes trazia-lhe de presente ovos de perdiz. ou ninhadas de mulitas, que ela criava com paciência e logo que podiam manter-se, largava para o campo. Uma ocasião trouxe-lhe um veadinho; ela soltou-o; uns gatos viscachas, soltou-os também.
O Chicão que não via nunca os seus presentes, soube do caso, e, por despique, apanhou uns quantos filhotes de avestruz, e a tirões arrancou-lhes  ainda vivos, criatura!  as pernas e as asas, e assim arrebentados e estrebuchando, mandou-os à Maria Altina;... a pobre desatou num pranto de choro, ao ver a malvadez daquele judeu...
Assim estavam as cousas quando o furriel passou e logo depois correu a nova do casamento.
O Chicão espumou de raiva... Levava os cavalos a sofrenaços, os cachorros a arreador, os irmãos a manotaços e até a mãe, com respostas duras.
Só respeitava o pai, o velho Chico, e assim mesmo porque este tinha marca na paleta, mas não era tambeiro...
No dia  véspera da barbaridade, houve na casa do Chico Triste um batizado feito por um padre missioneiro que ia de caminho; a gente do Mariano foi convidada. Nessa noite comeram doces, tocaram viola, cantaram e até dançaram uma tirana e o anu.
Aí o Chicão cargoseou muito a Maria Altina.
A jantarola e o resto do festo iam ser no dia seguinte  que foi o do caso.
Vancê acredita?... Nesta manhã, desde cedo, os pica-paus choraram muito nas tronqueiras do curral e nos palanques... e até furando no oitão da casa;... mais de um cachorro cavoucou o chão, embaixo das carretas;… e a Maria Altina achou no quarto, entre a parede e a cabeceira da cama, uma borboleta preta, das grandes, que ninguém tinha visto entrar...
Sol nado o Mariano e uma das velhas foram para o riste, para dar um ajutório. Os campeiros, como de costume, para os seus serviços, uns de campo, outros lenhar.
Na casa só ficaram, para irem mais tarde, a Maria Altina e a outra velha, que era a avó; e para as duas, debaixo do umbu, dois mancarrões encilhados.
Ficou também a negra mina, que viu tudo e foi quem fez o conto.
A avó estava na cozinha frigindo uns beijus e a Maria Altina na varanda, apenas em saia, arrematava um timãozinho novo.
Na cabeça, como gostava, trazia uma rosa fresca, e que ficava-lhe sempre a preceito no negrume da cabeleira. E garganteava umas coplas que tinha aprendido na véspera, quando dançava a tirana e se divertia. Umas coplas que eram assim… e me lembro, porque quem as botou  para uma outra  foi mesmo este seu criado Matias!...
Quem canta pra tu ouvires
Devia morrer cantando...
Pois quando daqui saíres,
Do cantor vais te olvidando;
E, pode ser que morrendo,
Dele então tu te lembrasses:
Se visses outro defunto,
Ou se outra vez tu dançasses...
Minha voz no teu ouvido,
Soluçaria de dor,
Não por deixar a vid…
E nem acabou o verso, porque estourou na cozinha um esconjuro e logo a voz da avó, sumida e arroucada, gritando  bandido! bandido!  e depois um gemido ansiado, uns ais… e um baque surdo...
De pé, com o timãozinho numa mão e a agulha na outra, pálida como a cal da parede, o coração parado, Maria Altina pregada no chão, de puro medo, ouviu... ouviu…, e aí no mais entrou e veio a ela o Chicão..., o Chicão, entende vancê?  com uns olhos de bicho acuado, e um bafo de fogo, na boca...
E como chegou, atropelou-a, agarrou-a, apertou-a, abraçando-a pela cintura, metendo a perna entre as dela, forcejando por derrubá-la, respirando duro, furioso, desembestado... mais mordendo que beijando o pescoço amorenado... e garboso...
A rapariga gritou, empurrando-o num desespero, arranhando-lhe a cara, ladeando o corpo... por fim atacou-lhe os dentes num braço.
Ele urrou com a dor e largou-a um momento; ela aproveitou o alce e disparou..., ele quis pegá-la de novo, mas no mover-se enredou as esporas no timãozinho que caíra, e testavilhou maneado…
A pobre, ao passar pela cozinha viu a avó estendida, com as roupas enrodilhadas, a cabeça branca numa sangueira... e então desatinada, num pavor, correu para o umbu e foi o quanto pulou a cavalo e já tocou, a toda, coxilha abaixo!...
Mas, logo, logo, mesmo sem se voltar, sentiu-se quase alcançada pelo Chicão, que também montara e se lhe vinha em perseguição...
E os dois,  à que te pego! à que te largo!  se despencaram por aquele lançante, em direitura ao manantial! E, ou por querer atalhar, ou porque perdesse a cabeça ou nem se lembrasse do perigo, a Maria Altina encostou o rebenque no matungo, que, do lance que trazia costa abaixo, se foi, feito, ao tremendal, onde se afundou até as orelhas e começou a patalear, num desespero!…
A campeirinha varejada no arranco, sumiu-se logo na fervura preta do lodaçal remexido a patadas!... E como rastro, ficou em cima, boiando, a rosa do penteado.
E da mesma carreira, o cavalo do Chicão, que também vinha tocado à espora e relho, cbapulhou no pantanal, um pouco atrás do outro, cousa de braça e meia... e ali ficou, o corpo todo sumido, procurando agüentar as ventas, as orelhas fora da água.
O Chicão, agora deslombando-se em esforços para sair da enrascada, não podia, porque bem sentia as esporas enleadas nas raízes  e os cabrestilhos eram fortes….  e parecia-lhe que tinha um pé quebrado por uma patada do cavalo, que se despedaçava aos arrancos, sentindo-se chupado para o fundo...
Depois desse estropício, tudo ficou como estava: tudo no sossego, o sol subindo sempre, nuvens brancas correndo no céu, passarinhos cruzando para um lado e outro… os galos cantando lá em cima… uns latidos, muito longe… pios de perdiz… algum inhé de sapo ali perto…
Parecia que nada se havia dado: se não fosse a rosa colorada boiando, lá, e o Chicão atolado até o peito, mais pra cá.
O cavalo dele, com a cabeça alinhada, mal podia agüentar fora da água o focinho e ressolhava, o pobre, puxando a respiração em assobios grossos, e o dono, todo salpicado de barro, suava em cordas, cada vez mais ansiado, não podendo desprender-se das malditas esporas, que o sujeitavam em cima do bagual, que ia se afundando… afundando… afundando… E a cada sacudida feita naquele reduto todo o manantial bufava e borbulhava…
Com pouco mais o Chicão desceu ainda, atolado até os sovacos; o cavalo já se não via e nem bulia, sufocado e morto, pesando entregue no mole do tremedal…
E as esporas… as malditas esporas, nem nada!…
Obrigado pela postura em que estava, ele olhava para o buraco que tinha engolido a Maria Altina: sobre a água barrenta, escura, nadavam folhas secas, capins pisoteados, gravetos... e no meio deles, limpa e fresca, boiava a rosa que se soltara dos cabelos da cobiçada no momento em que ela entrava pela morte a dentro, dentro do lodaçal...
E o tempo foi passando, a tranqüito, sem pressa nem vagar.
Vancê lembra-se? ...
Como eu disse, havia ficado em casa, além das brancas, a tia mina,  a mãe Tanásia  que, quando sentiu a desgraceira, ganhou no paiol, escondendo-se e daí pode bombear alguma cousa. Quando viu as criaturas montarem e tocarem  como caça e caçador  a mãe Tanásia saiu da toca e voltou à cozinha, dando com a  nhanhã… morta, e logo viu que a sinhazinha fugira. E pensou em ir ao Chico Triste, avisar o Mariano. O mais perto era ir pelos olhos-d’água, acima do manantial; desceu o caminho; costeou pelas pedras e quando dobrava a estradinha frenteou com o Chicão...
A mãe Tanásia ficou estatelada…, e daí a pedaço  em que olhou só, sem pensar nada  foi que a coitada falou.
— Eh! eh!… siô moço!… que é que suncê fez!...
E o desalmado gritou-lhe:
Vai, bruaca velha, vai contar!...
— Ah! ah!... Deus perdoe!...
E foi andando, estradinha afora, lomba acima, apurando o passo, um pouco renga.
Nesse meio tempo também chegavam à casa os campeiros; era hora de comer; repararam que só estava amarrado um cavalo; a casa aberta, silenciosa; um espiou pela janela da cozinha…, e gritou pelos outros, benzendo-se...
Lá estava a senhora, com a cabeça arrebentada a olho de machado…, O fogo apagado, a banha coalhada, os beijus frios…, e mui a seu gosto, de papo para o ar, dormindo na saia da morta, uma gata brasina e a sua ninhada.
Chamaram pela mãe Tanásia... gritaram.... procuraram... e nada! Um deles, mais alarife, propôs que fugissem... que era melhor ser carambola do que ser estaqueado... que por certo iam acusá-los daquela maldade,
Porém outro mais precatado disse:
— Cala a boca, parceiro... Vamos é avisar sinhô velho...
E ficando uns de guarda, tocaram-se os outros, a meia rédea, para o Triste, onde, fulos de medo, desovaram a novidade,
Que canhonaço, amigo! A gentama toda se alvorotou ; o que era de mulheres abriu num alarido, o que era homem apresilhou as armas, e já se saiu, muitos de em pêlo, cobrindo a marca dos fletes, o Mariano na frente, como um louco.
Eu estava nessa arrancada. Chegamos como um pé-de-vento e conforme boleamos a perna, vimos o mesmo que os negros contavam. E da Maria Altina, nada; da mãe Tanásia, nada. Apenas no chão da varanda novelos desparramados, a mesa arredada, o timãozinho novo com um rasgão grande...
Nisto, um aspa-torta, gaúcho mui andado no mundo e mitrado, puxou-me pela manga da japona e disse-me entre dentes:
O Chicão repontava a rapariga;… ele não estava em casa, nem veio conosco; ela não está….. Patrício... que lhe parece?…
Hom!... respondi eu, e fiquei-me com aquele zunido de varejeira no ouvido...
Mas o paisano tinha o estômago frio e foi passando língua;... daí a pouco todos faziam as mesmas contas, até que um, mais golpeado, disse-o claro, ao Mariano!
O homem relanceou os olhos a ver talvez se descobria o Chicão... depois teve a modo uns engulhos e depois ficou como entecado...
Pensaria mesmo que a filha tinha fugido com o querendão?... Quem sabe lá!... Que o rapaz rondava, isso ele e todos sabiam e que ela não fazia caso do derretimento, isso também se sabia: agora, como dum momento para o outro os dois se tinham combinado, isso é que era!...
Mas ao mesmo tempo perguntava-se — quem matou a velha e por quê?...
E quando estávamos neste balanço ouvimos então a gritaria das mulheres, que tinham vindo de a pé, encontrando no caminho a mãe Tanásia.
Em antes de chegarem, já os cuscos, ponteiros, tinham começado a acuar, por debaixo dos araçazeiros; as crianças, curiosas e mais ligeiras, tinham corrido pensando ser algum bicho… e recuaram assustadas, fazendo cara-volta, umas chorando, outras sem fala, apenas apontando para o manantial...
E quando a ranchada das damas chegou perto e viu… viu o Chicão atolado; o Chicão atolado, e logo adiante, no barro revolvido, a rosa cobrada boiando; a rosa boiando, porque a moça estava no fundo, afogada, porque... porque... por causa do Chicão?... por medo dele, que queria abusar dela?... quando as senhoras-donas, todas caladas, viram aquele condenado, e uma, mais animosa, gritou-lhe — cachorro desavergonhado! —foi que a mãe dele, jungindo as lágrimas para não saltarem, perguntou:
— Chicão, meu filho, que é isto?...
— Atolado…. as esporas;… um laço!...
— Filho!... que desgraça! E a Maria Altina?...
— Aí!… embaixo da rosa...
Foi neste ponto que rompeu o alarido, os choros, os chamados que ouvimos lá em cima, nas casas, e descemos logo. O Mariano vinha com os olhos raiados de sangue e batendo os dentes, como porco queixada...
E quando paramos todos e vimos o jeito daquele rufião maldito, ainda um lembrou, alto:
— Vamos laçar o homem, e puxar cá pra fora!...
O Mariano porém, gritou:
— Espera!... e voltando-se para o atolado, indagou:
— Por que mataste a velha?...
Não!
— Viste a Maria Altina?
— Não!
— Que esburacado é esse, aí na tua frente?
— Não sei!
— E aquela rosa... também não sabes?...
— Pois sei, sim! É dela... e a velha, também, fui eu... e agora?...
— Vou rebentar-te a cabeça...
— Arrebenta! Se não fosse as esporas!...
Então o Mariano sacou a pistola do cinto e trovejou... e errou! Secundou o tiro e a bala quebrou o ombro do Chicão, que deu um urro e estorceu-se todo; quis firmar-se, porém o braço são afundava-se no barro, acamando os capins já machucados; com esses tirões e arrancos o manantial todo tremia e bufava, borbulhando...
O Mariano amartilhou a outra pistola; o Chicão berrou de lá:
— Mata! Eu não pude!... mas o furriel também não há-de!...
Mas nisto a mãe dele abraçou-se nos joelhos do Mariano, e o padre missioneiro levantou a cruzinha do rosário, meteu o Nosso Senhor Crucificado na boca do cano da pistola... e o Mariano foi baixando o braço... baixando, e calado varejou a arma para o lameiro...; mas de repente, como um parelheiro largado de tronco, saltou pra diante e de vereda atirou-se no manantial... e meio de pé, meio de gatinhas, caindo, bracejando, afundando-se, surdindo, todo ele numa plasta de barro reluzente, alcançou o Chicão, e — por certo — firmando-se no corpo do cavalo morto, botou-se ao desgraçado, com as duas mãos escorrendo lodo apertou-lhe o gasganete… e foi calcando, espremendo, empurrando para trás…, para trás... até que num — vá! — aqueles abraçados escorregaram, cortou o ar uma perna, um pé do Chicão, — livre da espora — e tudo sumiu-se na fervura que gorgolejou logo por cima!...
Imagine vancê, aquilo passando-se ali pertinho a meio laço de distância e ninguém podendo remediar…
Houve só uma palavra em todas as bocas; Jesus, Senhor!...
O manantial borbulhava por todas as costuras... Se fosse água limpa... Credo!...
D’espacito... d’espacito... o missionário foi estendendo o braço, como esperando que as almas subissem... depois riscou uma cruz larga, na claridade do dia; e ajoelhando-se na beira daquela cova balofa, de três defuntos de razão de morrer tão diferente e de morte tão a mesma, começou a rezar.
E logo no derredor a gentama também se foi arrodilhando... e todos com os olhos firmados no manantial, e todos de mãos postas, todos empeçaram um — Salve-Rainha — que foi alteando e subindo no descampado, tão penaroso, tão sentido, tão do coração, que até parece que amansou os próprios bichos, porque, entrementes, nem um cachorro latiu, nem passarinho piou, nem cavalo se mexeu!...
Nas paradas da reza só se ouvia os soluços da mãe do Chicão e um leve guasqueio do vento nas talas dos jerivás.
Acabada a devoção e marchando como uma procissão, fomos para a casa levando a outra velhinha, a irmã da que lá estava, de cabeça esmigalhada. Velamos o corpo e na manhã seguinte fizemos-lhe o enterro, também lá embaixo, na costa do manantial.
O missioneiro benzeu, e então fincamos uma cruz morruda, de cambará, para vigia às almas dos quatro mortos.
Depois, cada qual tomou seu rumo.
Anos depois passei por aqui: cortava a alma olhar para o arranchamento. Os negros tinham tomado a alforria por sua mão, e se foram a la cria!... Ficaram as duas mulheres, a mãe Tanásia e a sua senhora velha, que, por caridade, o brigadeiro Machado mandou buscar pra casa dele.
O arranchamento ficou abandonado; e foi chovendo dentro; desabou um canto de parede; caiu uma porta, os cachorros gaudérios já dormiam lá dentro. Debaixo dos caibros havia ninhos de morcegos e no copiar pousavam as corujas; os ventos derrubaram os galpões, os andantes queimaram as cercas, o gado fez paradeiro na quinta. O arranchamento alegre e farto foi desaparecendo… o feitio da mão de gente foi-se gastando, tudo foi minguando; as carquejas e as embiras invadiram; o gravatá lastrou; só o umbu foi guapeando, mas abichornado, como viúvo que se deu bem em casado...; foi ficando tapera... a tapera... que é sempre um lugar tristonho onde parece que a gente vê gente que nunca viu… onde parece que até as árvores perguntam a quem chega: — onde está quem me plantou?... onde está quem me plantou?... —
Olhe! Veja vancê: ali embaixo... hem? ‘Stá vendo?... aqueles coqueiros, o matinho de araçás?
Pois é ali o manantial, que virou sepultura naquele dia brabo em que desde manhã tanto agouro apareceu, de desgraça: os pica-paus chorando... os cachorros cavoucando... a bruxa preta entrada sem ninguém ver...
Sempre dói na alma, mexer nestas lembranças. E há quem não acredite!...
A cruz… onde já foi!... mas a roseira baguala, lá está! Roseira que nasceu do talo da rosa que ficou boiando no lodaçal no dia daquele cardume de estropícios…
Vancê está vendo bem, agora?
Pois é... coloreando, sempre! Até parece que as raízes, lá no fundo do manantial, estão ainda bebendo sangue vivo no coração da Maria Altina...
Vancê quer, paramos um nadinha. Com isto damos um alcezito aos mancarrões, e eu... desaperto o coração!…
Ah! saudade!... Parece que ainda vejo a minha morena, quando no rancho do Chico Triste botei-me os versos...
Minha voz no teu ouvido
Fez seu ninho pra canta...


— Diabo!... parece que tenho areia nos olhos... e um pé-de-amigo na goela... — Ah! saudade!...
É uma amargura tão doce, patrãozinho!...
Saudade é dor que não dói,
Doce ventura cruel,
É talho que fecha em falso,
É veneno e sabe a mel...

JOGO DE OSSO







— Pois olhe: eu já vi jogar-se uma mulher num tira de taba. Foi uma parada que custou vida… mas foi jogada!
Um pouco pra fora da Vila, na volta da estrada, metida na sombra dumas figueiras velhas ficava a vendola do Arranhão; era um bochinche mui arrebentado, e o dono era um sujeito alarifaço, cá pra mim, desertor, meio espanhol meio gringo, mas mui jeitoso para qualquer arreglo que cheirasse à plata...
Mui destravado da língua e ao mesmo tempo rezador, sempre se santiguando e olhando por baixo, como porco, tudo pra ele era negócio: comprava roubos, trocava cousas, emprestava pra jogo, com usura, e sempre se atrapalhava para menos, no troco dos pagamentos.
Às vezes armava umas carreiritas, que se corriam numa cancha dumas três quadras que ele mesmo tinha arranjado a um lado do potreiro; então conchavava algum gringo tocador de realejo e estava preparado o divertimento. O que ele queria era gente, peonada, andantes, vagabundos, carreteiros, para poder vender canha e comida e doces; e de noite facilitava umas mesas de primeira, de truco ou de sete-em-porta para tirar o cafife. Doutras ocasiões ajeitava umas dançarolas que alvorotavam o chinaredo da vizinhança.
Por este pano de amostra vancê vê o que seria aquele gavião.
Duma vez que ele tinha trançado umas carreiras, com duas ou três pencas de patacão, e se havia ajuntado algum povo, tudo gauchada leviana, choveu.
A chuvarada estragou a cancha, molhou as carpetas, atrapalhou tudo.
E a gente foi ganhando na venda, apinhoscou-se por debaixo das figueiras e no galpão.
Quando passou o aguaceiro e oriou o terreiro, deram alguns aficionados para jogar o osso.
Vancê sabe como é que se joga o osso?
Ansim:
Escolhe-se um chão parelho, nem duro, que faz saltar, nem mole, que acama, nem areento, que enterra o osso.
É sobre o firme macio, que convém. A cancha com uma braça de largura, chega, e três de comprimento; no meio bota-se uma raia de piola, amarrada em duas estaquinhas ou mesmo um risco no chão, serve; de cada cabeça da cancha é que o jogador atira, sobre a raia do centro: este atira daqui pra lá, o outro atira de lá pra cá.
O osso é a taba, que é o osso do garrão da rês vacum. O jogo é só de culo ou suerte.
Culo é quando a taba cai com o lado arredondado pra baixo: quem atira assim perde logo a parada. Suerte é quando o lado chato fica embaixo: ganha logo e sempre.
Quer dizer: quem atira culo perde, se é suerte ganha e logo arrasta a parada.
Ao lado da raia do meio fica o coimeiro que é o sujeito depositário da parada e que a entrega logo ao ganhador. O coimeiro também é que tira o barato — para o pulpeiro. Quase sempre é algum aldragante velho e sem-vergonha, dizedor de graças.
E um jogo brabo, pois não é?
Pois há gente que se amarra o dia inteiro nessa cachaça, e parada a parada envida tudo: os bolivianos, os arreios, o cavalo, o poncho, as esporas. O facão nem a pistola, isso, sim, nenhum aficionado joga; os fala-verdade é que têm de garantir a retirada do perdedor sem debocheira dos ganhadores... e, cuidado… muito cuidado com o gaúcho que saiu da cancha do osso de marca quente!...
Pois dessa feita se acolheraram a jogar a taba o Osoro e o Chico Ruivo.
O Osoro era um moreno mui milongueiro, compositor de parelheiros e meio aruá; andava sempre metido pelos ranchos contando histórias às mulheres e tomando mate de parceria com elas.
O Chico era domador e morava de agregado num rincão da estância das Palmas; e vivia com uma piguancha bem jeitosa, chamada Lalica.
Nesse dia Unha vindo com ela ao festo do Arranhão. Enquanto os dois jogavam, a morocha andava lá por dentro, com as outras, saracoteando.
Havia violas; havia tocadores; a farra ia indo quente. E os dois, jogando. O Chico perdia uma em cima da outra.
— Culo! Outra vez?... Má raios!...
— Suerte, chê! Ganhei! repetia o Osoro.
— Jogo-te o tostado, aperado, valeu? Topo!
E culo!... Isto é mau olhado dalgum roncolho mirone!...
E relanceou os olhos pelos vedores, esperando que algum comprasse a camorra; ninguém se picou.
— Jogo o teu ruano contra as duas tambeiras da Lalica!
— E pouco, Chico!... Ainda se fosse a dona!...
— Osoro, não brinca!... Pois olha; jogo!
— O ruano?
— O mano contra a Lalica! Assim como assim, esta china já está me enfarando!...
— Pois topo!
Os mirones se entreolharam, boquejando, alguns; eles bem viam que o gaúcho estava sem liga, que já tinha perdido tudo, o dinheiro, o cavalo, as botas, um rebenque com argolão de prata; e agora, o outro, o Osoro, para completar o carcheio, ainda tinha topado a última parada, que era a china...
A cousa ia ser tirana; correu logo voz; em roda dos dois amontoou-se a gente.
O Osoro atirou, e deu suerte...
O Ruivo atirou, e deu suerte...
— Ora, não deu gosto! disse um.
— Outra mão! disse o outro.
E o Ruivo atirou: culo!
O Osoro atirou: suerte!
— Ganhei, aparceiro!
— Pois toma conta, ermâo!
— Tu é que tens de fazer a entrega...
— Não tem veremos... Trato é trato!...
Já ia querendo anoitecer.
O que se passou entre aquelas três criaturas, não sei; se juntaram num canto do balcão da venda e falaram. Por certo que o Chico Ruivo disse à china que a jogara numa parada de taba; o Osoro só disse uma vez:
— Eu, se perdesse o ruano, o Chico já ia daqui montado nele...
A Lalica deu uma risadinha amarela; olhou o Osoro, olhou o Chico Ruivo, cuspiu de nojo e disse pra este, na cara:
— Sempre és muito baixo!..., guampudo, por gosto!...
— Olha, guincha, que te grudo as chilenas!...
— Ixe! Este, agora, é que me encilha, retalhado!...
Nisto um violeiro pegou a rufar uma dança chorada; umas parelhas pegaram a se menear no compasso da música e logo o Osoro, para cortar aquele aperto, travou do pulso da morocha, passou-lhe o braço na cinta e quase levantando-a no ar entrou na roda dos dançadores; o Ruivo ficou quieto, mas de goela seca e nos olhos com uma luz diferente.
Na primeira volta, quando o par passou por ele, a china ia dizendo mui derretida:
— Quando quiseres, meu negro...
Na segunda volta, como num despique, ela tornou a boquejar pro Osoro:
— Eu vou na tua garupa...
E na outra, a china vinha calada, mas com a cabeça deitada no peito do par, olhando terneira pra ele, com uma luz de riso, os beiços encolhidos, como armando uma promessa de boquinha; e o Osoro se esqueceu do mundo… e colou na boca da tentação um beijo gordo, demorado, cheio de desaforo...
O Chico Ruivo teve um estremeção e deu um urro entupido, arrancou do facão e atirou o braço pra diante, numa cegueira de raiva, que só enxerga bem o que quer matar...
E vai, como pegou o Osoro pela esquerda, do lado, meio por detrás, por debaixo da paleta, o facão saiu no rumo certo e foi bandear a Lalica meio de lado, sobre a esquerda da frente.
Vancê compr’ende? Do mesmo talho varou os dois corações, espetou-os no mesmo feno, matou-os da mesma morte, fazendo os dois sangues, num de cada peito, correrem juntos num só derrame... que foi lastrando pelo chão duro, de cupim socado, lastrando... até os dois corpos baterem na parede, sempre abraçados, talvez mais abraçados, e depois tombarem por cima do balcão, onde estava encostado o tocador, que parou um rasgado bonito e ficou olhando fixe para aquela parelha de dançarmos morrentes e farristas ainda!...
Levantou-se uma berraçada.
— Matou! Foi o Chico Ruivo!... Amarra! Cerca!...
Mas o Ruivo parece que voltou a si; coriscou o facão aos dois lados e atropelou a porta, ganhou o terreiro e se foi ao palanque onde estava o ruano do Osoro: montou e gritou pra os que ficavam:
— Siga o baile!...
E deu de rédea, no escuro da noite.
O Arranhão acudiu ao berzabum; aquele safado, curtido na ciganagem, só soube dizer:
— Pois é... jogaram o osso, armaram a sua paranda... mas nenhum pagou nada ao coimeiro!... Que trastes!...

CONTRABANDISTA







— Batia nos noventa anos o corpo magro mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandistas que fez cancha nos banhados do Ibirocaí.
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira: à luz do sol, no desmaiado da lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cruzada!...
Conhecia as querências, pelo faro: aqui era o cheiro do açouta-cavalo florescido, lá o dos trevais, o das guabirobas rasteiras, do capim-limão; pelo ouvido: aqui, cancha de graxains, lá os pastos que ensurdecem ou estalam no casco do cavalo; adiante, o chape-chape, noutro ponto, o areão. Até pelo gosto ele dizia a parada, porque sabia onde estavam águas salobres e águas leves, com sabor de barro ou sabendo a limo.
Tinha vindo das guerras do outro tempo; foi um dos que peleou na batalha de Ituzaingo; foi do esquadrão do general José de Abreu. E sempre que falava no Anjo da Vitória ainda tirava o chapéu, numa braçada larga, como se cumprimentasse alguém de muito respeito, numa distância muito longe.
Foi sempre um gaúcho quebralhão, e despilchado sempre, por ser muito de mãos abertas.
Se numa mesa de primeira ganhava uma ponchada de balastracas, reunia a gurizada da casa, fazia — pi! pi! pi! pi! — como pra galinhas e semeava as moedas, rindo-se do formigueiro que a miuçalha formava, catando as pratas no terreiro.
Gostava de sentar um laçaço num cachorro, mas desses laçaços de apanhar da paleta à virilha, e puxado a valer, tanto, que o bicho que o tomava, ficando entupido de dor, e lombeando-se, depois de disparar um pouco é que gritava, num — caim! caim! caim! — de desespero.
Outras vezes dava-me para armar uma jantarola, e sobre o fim do festo, quando já estava tudo meio entropigaitado, puxava por uma ponta da toalha e lá vinha, de tirão seco, toda a traquitanda dos pratos e copos e garrafas e restos de comidas e caldas dos doces!…
Depois garganteava a chuspa e largava as onças pras unhas do bolicheiro, que aproveitava o vento e le echaba cuentas de gran capitán...
Era um pagodista!
Aqui há poucos anos — coitado! — pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, estava afamilhado. Não nos víamos desde muito tempo.
A dona da casa era uma mulher mocetona ainda, bem parecida e mui prazenteira; de filhos, uns três matalotes já emplumados e uma mocinha — pro caso, uma moça —, que era o — santo-antoninho-onde-te-porei! — daquela gente toda.
E era mesmo uma formosura; e prendada, mui habilidosa; tinha andado na escola e sabia botar os vestidos esquisitos das cidadãs da vila.
E noiva, casadeira, já era.
E deu o caso, que quando eu pousei, foi justo pelas vésperas do casamento; estavam esperando o noivo e o resto do enxoval dela.
O noivo chegou no outro dia; grande alegria; começaram os aprontamentos, e como me convidaram com gosto, fiquei pro festo.
O Jango Jorge saiu na madrugada seguinte, para ir buscar o tal enxoval da filha.
Aonde, não sei; parecia-me que aquilo devia ser feito em casa, à moda antiga, mas, como cada um manda no que é seu...
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados com couro.
Nesta terra do Rio Grande sempre se contrabandeou, desde em antes da tomada das Missões.
Naqueles tempos o que se fazia era sem malícia, e mais por divertir e acoquinar as guardas do inimigo:
uma partida de guascas montava a cavalo, entrava na Banda Oriental e arrebanhava uma ponta grande de eguariços, abanava o poncho e vinha a meia rédea; apartava-se a potrada e largava-se o resto; os de lá faziam conosco a mesma cousa; depois era com gados, que se tocava a trote e galope, abandonando os assoleados.
Isto se fazia por despique dos espanhóis e eles se pagavam desquitando-se do mesmo jeito.
Só se cuidava de negacear as guardas do Cerro Largo, em Santa Tecla, do Haedo... O mais, era várzea!
Depois veio a guerra das Missões; o governo começou a dar sesmarias e uns quantíssimos pesados foram-se arranchando por essas campanhas desertas. E cada um tinha que ser um rei pequeno... e agüentar-se com as balas, as lunares e os chifarotes que tinha em casa!...
Foi o tempo do manda-quem-pode!... E foi o tempo que o gaúcho, o seu cavalo e o seu facão, sozinhos, conquistaram e defenderam estes pagos!.
Quem governava aqui o continente era um chefe que se chamava o capitão-general; ele dava as sesmarias mas não garantia o pelego dos sesmeiros…
Vancê tome tenência e vá vendo como as cousas, por si mesmas, se explicam.
Naquela era, a pólvora era do el-rei nosso senhor e só por sua licença é que algum particular graúdo podia ter em casa um polvarim...
Também só na vila de Porto Alegre é que havia baralho de jogar, que eram feitos só na fábrica do rei nosso senhor, e havia fiscal, sim senhor, das cartas de jogar, e ninguém podia comprar senão dessas!
Por esses tempos antigos também o tal rei nosso senhor mandou botar pra fora os ourives da vila do Rio Grande e acabar com os lavrantes e prendistas dos outros lugares desta terra, só pra dar flux aos reinóis...
Agora imagine vancê se a gente lá de dentro podia andar com tantas etiquetas e pedindo louvado pra se defender, pra se divertir e pra 1uxar!... O tal rei nosso senhor, não se enxergava, mesmo!...
E logo com quem!... Com a gauchada!...
Vai então, os estancieiros iam em pessoa ou mandavam ao outro lado, nos espanhóis, buscar pólvora e balas, pras pederneiras, cartas de jogo e prendas de ouro pras mulheres e preparos de prata pros arreios… e ninguém pagava dízimos dessas cousas.
Às vezes lá voava pelos ares um cargueiro, com cangalhas e tudo, numa explosão da pólvora; doutras uma partida de milicianos saia de atravessado e tomava conta de tudo, a couce d’arma: isto foi ensinando a escaramuçar com os golas-de-couro.
Nesse serviço foram-se aficionando alguns gaúchos: recebiam as encomendas e pra aproveitar a monção e não ir com os cargueiros debalde, levavam baeta, que vinha do reino, e fumo em corda, que vinha da Baía, e algum porrão de canha. E faziam trocas, de elas por elas, quase.
Os paisanos das duas terras brigavam, mas os mercadores sempre se entendiam...
Isto veio mais ou menos assim até a guerra dos Farrapos; depois vieram as califórnias do Chico Pedro; depois a guerra do Rosas.
Aí inundou-se a fronteira da província de espanhóis e gringos emigrados.
A cousa então mudou de figura. A estrangeirada era mitrada, na regra, e foi quem ensinou a gente de cá a mergulhar e ficar de cabeça enxuta...; entrou nos homens a sedução de ganhar barato: bastava ser campeiro e destorcido. Depois, andava-se empandilhado, bem armado; podia-se às vezes dar um vareio nos milicos, ajustar contas com algum devedor de desaforos, aporrear algum subdelegado abelhudo...
Não se lidava com papéis nem contas de cousas: era só levantar os volumes, encangalhar, tocar e entregar!...
Quanta gauchagem leviana aparecia, encostava-se.
Rompeu a guerra do Paraguai.
O dinheiro do Brasil ficou muito caro: uma onça de ouro, que corria por trinta e dois, chegou a valer quarenta e seis mil réis!... Imagine o que a estrangeirada bolou nas contas!...
Começou-se a cargueirear de um tudo: panos, águas de cheiro, armas, minigâncias, remédios, o diabo a quatro!... Era só pedir por boca!
Apareceram também os mascates de campanha, com baús encangalhados e canastras, que passavam pra lá vazios e voltavam cheios, desovar aqui…
Polícia pouca, fronteira aberta, direitos de levar couro e cabelo e nas coletarias umas papeladas cheias de benzeduras e rabioscas…
Ora… ora!... Passar bem, paisano!... A semente grelou e está a árvore ramalhuda, que vancê sabe, do contrabando de hoje.
O Jango Jorge foi maioral nesses estropícios. Desde moço. Até a hora da morte. Eu vi.
Como disse, na madrugada vésp’ra do casamento o Jango Jorge saiu para ir buscar o enxoval da filha.
Passou o dia; passou a noite.
No outro dia, que era o do casamento, até de tarde, nada.
Havia na casa uma gentama convidada; da vila, vizinhos, os padrinhos, autoridades, moçada. Havia de se dançar três dias!... Corria o amargo e copinhos de licor de butiá.
Roncavam cordeonas no fogão, violas na ramada, uma caixa de música na sala.
Quase ao entrar do sol a mesa estava posta, vergando ao peso dos pratos enfeitados.
A dona da casa, por certo traquejada nessas bolandinas do marido, estava sossegada, ao menos ao parecer.
Às vezes mandava um dos filhos ver se o pai aparecia, na volta da estrada, encoberta por uma restinga fechada de arvoredo.
Surdiu dum quarto o noivo, todo no trinque, de colarinho duro e casaco de rabo. Houve caçoadas, ditérios, elogios.
Só faltava a noiva; mas essa não podia aparecer, por falta do seu vestido branco, dos seus sapatos brancos, do seu véu branco, das suas flores de laranjeira, que o pai fora buscar e ainda não trouxera.
As moças riam-se; as senhoras velhas cochichavam.
Entardeceu.
Nisto correu voz que a noiva estava chorando: fizemos uma algazarra e ela — tão boazinha! — veio à porta do quarto, bem penteada, ainda num vestidinho de chita de andar em casa, e pôs-se a rir pra nós, pra mostrar que estava contente.
A rir, sim, rindo na boca, mas também a chorar lágrimas grandes, que rolavam devagar dos olhos pestanudos...
E rindo e chorando estava, sem saber porque... sem saber porquê, rindo e chorando, quando alguém gritou do terreiro:
— Aí vem o Jango Jorge, com mais gente!...
Foi um vozerio geral; a moça porém ficou, como estava, no quadro da porta, rindo e chorando, cada vez menos sem saber porquê... pois o pai estava chegando e o seu vestido branco, o seu véu, as suas flores de noiva...
Era já fusco-fusco. Pegaram a acender as luzes.
E nesse mesmo tempo parava no terreiro a comitiva; mas num silêncio, tudo.
E o mesmo silêncio foi fechando todas as bocas e abrindo todos os olhos.
Então vimos os da comitiva descerem de um cavalo o corpo entregue de um homem, ainda de pala enfiado...
Ninguém perguntou nada, ninguém informou de nada; todos entenderam tudo...; que a festa estava acabada e a tristeza começada...
Levou-se o corpo pra sala da mesa, para o sofá enjeitado, que ia ser o trono dos noivos. Então um dos chegados disse:
— A guarda nos deu em cima... tomou os cargueiros... E mataram o capitão, porque ele avançou sozinho pra mula ponteira e suspendeu um pacote que vinha solto... e ainda o amarrou no corpo... Aí foi que o crivaram de bala.... parado... Os ordinários!... Tivemos que brigar, pra tomar o corpo!
A sia-dona mãe da noiva levantou o balandrau do Jango Jorge e desamarrou o embrulho; e abriu-o.
Era o vestido branco da filha, os sapatos brancos, o véu branco, as flores de laranjeira...
Tudo numa plastada de sangue... tudo manchado de vermelho, toda a alvura daquelas cousas bonitas como que bordada de cobrado, num padrão esquisito, de feitios estrambólicos... como flores de cardo solferim esmagadas a casco de bagual!...
Então rompeu o choro na casa toda.

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