Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

terça-feira, 31 de março de 2009

Recordando anos 80 em meus apetrechos

No meu blog "Ah, infância!", estou postando várias coisas, filmes, desenhos, brinquedos do meu período de infância e adolescência mas não achei que ficaria legal lá minhas recordações sobre roupas de adolescente. Então resolvi postar aqui.



No verão sempre eu dava um jeito de pegar um pedaço de madeira, pregos e linhas coloridas para fazer uma pulserinhas de linha. Aliás minha filha a um tempo atrás andou comprando uma por aí.

Agora se for lembrar de roupas da minha infância e adolescência eu posso dizer que tive e usei coisas que hoje seriam muito estranhas. Vou citar algumas mas antes preciso registrar um artigo que foi vital para minhas pernas serem retas hoje, embora, fosse horroroso ter de usar. Tu não imaginas o que eram as tais botas ortopédicas. Eram pesadas na cor preta e branca. As crianças com problemas de “pé chato”, pernas tortas... tinham de usar muitos anos. Eu usei uma. Foi feita por meu avô que era um hiper super sapateiro. Tirando o fato de meu avô ter feito as minhas botas conforme a receita do médico ortopedista e que eu sempre fui apaixonada por tudo que se referi a ele, de resto, é só horror. As botas eram feias pra caramba. Não as minhas botas ortopédicas mas todas as que existiam na época. As meninas da minha escolinha usavam sapatinhos lindos que eu sonhava todos os dias com o momento de poder ter um nos meus pés.
Talvez seja por isso que hoje em dia, detesto qualquer sapato com um estilo mais masculino, por mais confortáveis que possam parecer. Simplesmente, sou apaixonada por saltos altos, cores e delicados designs.
Agora sim, la vai algumas imagens de roupas que usei nos anos 80 e uma lista de outras coisinhas.


Saia Balonê - minha mãe fez uma lindas em rosa choc e verde limão com renda nas pontinhas.






Calça Semi-Bag – era uma delicia usar, só que tu parecia ter uns 10kg a mais. rsrsrs;




Sandália de plástico com meia soquete prateada; - esses são do tempo da novela da globo Dancing Days, onde a Sônia Braga era a atriz principal.





Calça Deandê – a gente ficava fantástica dentro de uma. Eram listadinhas de preto com branco ou marinho com branco. Tudo colado ao corpo em um cotton de primeira qualidade. A gente passava e tanto os meninos quanto as meninas, babavam. As meninas porque queriam igual e os meninos...

Saruel – é um tipo de calça saia que é moda nos dias de hoje mas eu tinha um lindo branco com uma abertura dos lados da metade das coxas até início da canela. Ele dava um movimento super bonito quando andávamos.



Essas meinhas eu só te digo, ficavam lindas numa bela mini saia ou mini vestido:




calça e jaqueta de tactel – bah, essa era uma mão na roda. Eu tive um conjunto cinza muito legal que agasalhava um monte no inverno. Ele existiu por muitos anos até que foi se exterminando pois eu gostava de usar ele para patinar no inverno. Mesmo não sendo a roupa adequada a patinação.



Melissinha sabor Coca-Cola – eu amava cheirá-la. Hummm delicia.




Botas da Xuxa – Ganhei do meu pai 3 pares no lançamento dos primeiros modelos. Eram lindas, umas com tirinhas de amarrar por cima das botas e outras de babadinhos. Tinha cinza, begê e preta




Roupas estilo New Wave, eram roupas coloridas, verde limão, abóbora, roxas, com muitos quadriculados e nós nas blusas – não lembro quem me deu, se pai ou mãe mas adorei o verão da moda new wave. Tive blusas e calças muito interessantes nas suas modelagens e cores. Um bom exemplo do estilo que eram essas roupas era esse da Madonna, aliás que eu era fã.




Camisas Rato de Praia da OP – essa era linda para usar de mini saia jeans e tênis Nyke.

Calças da OP com bolsos na lateral – complementada com a camiseta

Blusão de lã da Korrigan – esse lembro que o pai me levou até a korrigan pra comprarmos junto com uma calça jeans muito legal, luvas, cachecol e gorro porque naquela noite eu iria para o show do Canta Brasil no Beira Rio e seria uma daquelas noites de inverno rigorosamente frias.

Mochila emborrachada Company – lutei pra conseguir convencer que “precisava de uma”. Consegui.

Blusinhas da Pichuli – era uma marca de Caxias do Sul – RGS que eu amava usar. Eram blusas, vestidos (aliás sou louca por vestidos) que simplesmente tinham um bom gosto inquestionável.

Batbut, uma sandália de couro- tu não vai acreditar mas eu usei essa sandália comprada na Gang com uma camiseta escrito “James Carter permite maconha” com o desenho dela e tudo mais na camiseta. Quem via até que eu parecia com aquela camiseta, jeans e sandália, uma rippie anos 70. Só que eu sempre tive amigos maluquinhos mas nunca curti esse tipo de “praia”

Tênis Nyke de todas as cores – eu amava meus Nikes;
Tênis All Star – bah, esses o pessoal usa até hoje. Eu tinha um creme, um amarelo, um vermelho pra combinar com minhas camisas e suspensórios. Sério, suspensórios. Eu adorava usar uns muito diferentes customizados com minhas minissaias jeans.

Eu juro que usei esse cabelinho:



Conga, Bamba e kichute,amarrar por baixo da sola ou em volta do tornozelo junto com
os uniformes Adidas para Educação Física que tinham listras na lateral e eram azul marinho, eu usei por volta de 9/10 anos de idade. Sinceramente eu gostava.




Relógio Champion para meninas que trocavam as pulseiras. Eu tinha uma coleção de pulserinhas de todas as cores possíveis para complementar a carteira emborrachada OP
e as camisetas da OP. Tá eu seria nos tempos de hoje considerada um pouquinho Patricinha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

COMIDINHAS E MAIS COMIDINHAS....ARTESANATO E FAÇA VOCÊ MESMA

Já faz algum tempo que criei um blog só pra essas coisinhas....



papa
comidinhas
culinária e afins...kkkk

Bom o espaço é esse meu blog de Receitinhas e dicas de artesanato e tá por ai o link pra quem quiser visitar.
A vontade para tanto.


bjocas, Nana

sexta-feira, 20 de março de 2009

SITES COM ROUPAS LEGAIS PARA NÓS...GG...

Alías tem coisas lindinhassss....
* um pequeno exemplo do que elas tem:

























































sexta-feira, 13 de março de 2009

Minha bicicleta caloi e meu patins sandalinha.

Tinha Caloi Ceci com cestinha na frente na cor cinza. Só eu sei quando ganhei a felicidade que estava.





Mas lembrei agora, de uma história da minha primeira bicicleta Caloi vermelha.
Era Natal e eu já havia espalhado bilhetinho pro papai noel naquele mês (não esqueça a minha Caloi – exatamente iguais ao da propaganda da época). Então no dia do Natal, o papai noel chegou e entregou pra todos seus presentes e pra mim uma mera caixinha de lenços. Chorei tanto e ele disse que ia embora. E foi. Uns minutos depois ouvimos um barulhão no andar de cima do nosso apartamento e minha mãe disse que era ele que havia ido embora com o trenó mas era melhor olharmos pois ele podia ter caído. Eu,em prantos fui olhar igual, vai que ele fique mais zangado e no próximo natal não me dê nem uma caixa de lenços? Subi até o outro andar e adivinha?Era minha bicicleta vermelha linda sorrindo pra mim. Eta Natal inesquecível.



Alías, inesquecível também é o dia que meu pai me buscou na escola e no caminho me deu meu primeiro patins. Não sei o que foi melhor, estar com meu pai ou ganhar o patins. Sei que ele colocou nos meus pés e me ensinou a andar no caminho de casa. Daquele momento em diante eu me apaixonei por patinação e anos me dediquei a andar cada vez melhor, até que meu menisco não me permitiu mais.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Época de esporte

Sempre fui gordinha e em poucos momentos estava magra. Sempre que emagrecia tinha influência da família que nunca me aceitaram como sou e consequentemente, eu tentava de tudo para ser aceita. Eram remédios tarja preta as escondidas de todos, vomitar no banheiro, laxantes e diuréticos que desde muito cedo podia ensinar os prós e os contras dos efeitos. Mas não era só isso, também fui apresentada muito cedo aos esportes.

Primeiro, pequeninha ao balé. Mais tarde na ACM, a natação e ginástica olímpica. Aliás, eu sempre adorei os mais variados esportes e achava fantástico quando a minha mãe jogava volei ou nadava na ACM. Ah, e quando ela virava estrelinha na praia, eu simplesmente delirava.

Bom voltando. Quando fiquei um pouco mais velha (uns 6 anos - rsrsrs), aprendi a patinar. Isso foi obra do meu pai que ai, era meu ídolo.
A patinação foi minha grande paixão até os dias de hoje, embora não patine mais.

Então, veio a bicicleta, a dança moderna - vulgo jazz, a ginástica rítmica com a profa Benvinda do Colégio Americano. Como era gostoso dançar com as fitas e arcos.
E assim fui apresentada a esportes coletivos na adolescencia. Volei, basquete, corrida e futebol. Esse último nunca joguei. Sempre me contive em apenas olhar.

Foi nesse período de uns 16 anos mais ou menos que eu resolvi ser como Joao do Pulo ou o Bernard.



Claro, que não deu certo pois sou baixinha e tenho problemas no menisco.
No vólei, eu lembro que queria aprender para fazer o saque Jornada nas estrelas do Bernard. Era um saque atingia cerca de 25 metros de altura, e retornava numa velocidade de aproximadamente 70 km por hora, dificultando a recepção dos adversários – o que atrapalhava toda a seqüência da jogada

video -


Nessa mesma época, olhava futebol só pra ver o Rai e o Dr Sócrates jogando.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Amoladores de faca e vendedores de algodão doce



Eu adorava o som dos amoladores de faca e os vendedores de algodão doce que faziam barulho com uma matraca. Era um pedaço de madeira com um pedaço de ferro que batia de um lado pro outro (PLAC PLAC, PLAC PLAC).




Não sei bem porque mas me traz uma sensação gostosa aquele som.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Alfajores

Esta receita é do Chef Álvaro Rodrigues.

Ingredientes:
1 xícara (chá) de açúcar refinado (180 g)
1 colher (sopa) de açúcar de baunilha
1 colher (café) rasa de fermento em pó
1 ¾ xícara (chá) de farinha de trigo (210 g)
2 xícaras (chá) de amido de milho (200 g)
200 g de manteiga extra sem sal, gelada e bem picada
3 gemas de ovos médios (50 g), peneiradas
1 colher (chá) de essência de baunilha de boa qualidade
1 colher (sobremesa) de raspas de limão (opcional)

Recheio:
1 lata de doce de leite em ponto de corte

Banho de Chocolate:
250 g de chocolate cobertura ao leite
250 g de chocolate meio-amargo bem picado

Modo de Preparo:
Em uma tigela grande coloque os açúcares, o fermento em pó, a farinha de trigo, o amido de milho, a manteiga e amasse com a ponta dos dedos ou bata no processador até obter uma farofa úmida. Junte as gemas, a essência e amasse delicadamente com a ponta dos dedos ou bata novamente no processador até obter uma massa lisa e macia. Por último, agregue as raspas de limão e envolva bem. Embrulhe a massa obtida em papel alumínio ou filme plástico e deixe gelar por uma hora ou até que esteja bem firme.

Abra porções da massa entre duas folhas de plástico na espessura de 5 mm e corte os alfajores com um cortador redondo de 5 ou 6 cm de diâmetro. Distribua os discos de alfajor sobre chapas de alumínio ligeiramente untadas com manteiga e polvilhadas de farinha de trigo e asse-os em forno pré aquecido à 170ºC até que esteja levemente dourados. Deixe esfriar sobre uma grade, aplique o recheio e decore a gosto.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Existem coisas que nem penso NO MOMENTO EM DISCUTIR


Existem coisas que nem penso NO MOMENTO EM DISCUTIR,
tenho minha opinião formada e enraizada. Goste ou não, para mim as coisas são assim:


NAZISMO - Qualquer tipo de domínio precisa de um líder carismático para ter seguidores. No caso do nazismo, um louco extremamente inteligente foi capaz de hipnotizar com suas ideias pessoas que não acreditavam no respeito entre as diferenças existentes em cada ser humano.

PENA DE MORTE - Não aprovo, pois poderia se condenar alguém que não é o verdadeiro culpado. Devido à n fatores processuais

ABORTO - Deveria ser legalizado devido ao grande de num de mulheres que morrem na clandestinidade. Não julgo aqui, se é justa ou não a morte do feto, pois o ato em si é feito de qualquer forma por quem acredita ser necessário. Cada cabeça uma sentença.
Se eu faria? Não sei.

PEDOFILIA - Prisão perpétua a todo indivíduo que cometer doentes mentais ou não. O desrespeito a qualquer pessoa em formação, criança ou adolescente, não deve ser abrandado. Todos que cometem devem ser severamente punidos não importando se o sistema carcerário é caótico ou não. É prisão sem diminuição de pena por bom comportamento.

POLÍTICA - A política? Amo a política, pois é através dela que pode-se transformar uma sociedade em qualquer coisa que se queira
As pessoas que estão políticas? São pessoas que em sua maioria, acreditam fielmente estarem fazendo o melhor para si e para os outros. No entanto, esquecem q são imperfeitos tanto quanto qualquer um. Sua prepotência de estar político (não é eterno) no poder, lhes concebe a onipotência de acreditar em tudo ser possível. A humildade é esquecida como um dos principais sentimentos de visibilidade daquilo que realmente acontece em nossa volta.

DROGAS - Nunca tive atrativo para tais. Penso que não é solução para nada. Para sentir-se feliz ou imaginar coisas é desnecessário seu uso. Mas tenho a consciência de muitas pessoas procuram porque não acreditam em si mesmas, que possam agir diferente sem usar de subterfúgios.

BEBEDEIRAS - O reflexo da embriaguez é degradante. Só causa imbecilidades de atitudes incoerentes, incapacidade de reagir a ações alheias e incapacidade de discernir sobre o que realmente importa. Os reflexos motores ficam lentos e apercepção espacial muda. Quando há alguém embriagado ao volante não importa se é bom ou mau motorista, é uma questão fisico-quimica, e o risco de um acidente é relevante.








terça-feira, 18 de novembro de 2008

A aventura de Félix

Chegou em casa cansada do dia estressante. Na loja em que trabalha o movimento foi intenso. Os clientes entravam e saiam o tempo todo comprando presentes para o Dia das Mães. Suas pernas pediam para que se sentasse no canto e abandonasse tudo aquilo, mas como não se vive de brisa, valentemente terminou o dia.
Ao abrir a porta de casa não percebeu que ele havia saído. Pra dizer a verdade, estava exausta e nem lembrou que ele existia.
Foi direto tomar um relaxante banho. Deixou a água rolar. Sentiu o prazer do aroma exalado pelo sabonete. Ficou ali, talvez meia hora. Depois, enrolou o corpo na toalha e deitou-se. Enquanto isso, na rua ele se aventurava por entre os perigos da noite.
Há cerca de uma hora em frente de casa, espreguiçou e alongou o corpo mais que pode. Ficou um tempo observando a lua, as estrelas e o que lhe aguardava nesse universo novo. Até então, seu mundo eram as paredes da sua casa. 
Observou que não havia canto dos pássaros. Talvez por estarem em seus ninhos a essas horas. 
Os cães que durante o dia latiam ferozmente, hoje, nem um pequeno murmúrio. 
- Hummm. Tudo perfeito pra uma “esticadinha”.
Andou pelo mato selvagem de seu quintal. Comeu algumas coisinhas que ali cresciam, quando viu do outro lado da calçada uma loira linda. Pensou em ir até lá ver o que poderia arrumar com ela. Opa, arrumar? Digo combinar. 
A loira muito da exibida nem olhou pra ele. Passou altiva e num rebolado que lhe enlouqueceu. Ele ficou ali. Parado. Sem entender se era tão desprezível assim, ou simplesmente, ela não o percebeu. 
Continuou sua aventura na selva. Viu aranhas de jardim, algumas rãs, uma que outra cobra cega e algumas formigas. Todos os animais insignificantes para seu paladar. Talvez, se surgisse uma lagartixa pudesse saborear um pouquinho. Mas, não. Nada.
As horas foram passando. Sentou-se, deitou-se em uns panos jogados perto da churrasqueira até que veio a chuva. Foi na porta, mais uma vez chamou sua amada dona. 
- Chamouuuuuuuuuuuuu, chamouuuuuuuuuuu, chamouuuuuu.
Ninguém apareceu.
Triste por ficar ao relento se deitou no piso frio. 
Viu novamente a loira, mas desta vez, se fez de rogado e não deu a mínima a sua existência. 
Começou um vigoroso banho em seu corpinho roliço. Foi no momento em que seu rosto se aproximou mais de sua parte “sagrada”. Assustou-se. Algo estava diferente. 
- Cadê elas? Eram duas. Fui roubado!
Lembrou então, que outro dia, ouviu sua dona comentando que agora ele não acasalava mais. Não deu importância ao seu desconhecimento por que sempre teve preguiça de ver dicionários e achou a palavra insignificante. Já compreendendo tudo entrou em pânico, 
- Agora sei o que aconteceu. Que destino o meu. No frio da noite, sem uma ração e ainda CASTRADO. Triste destino de ser gatinho. 
Assim, adormeceu. Miando. Sofrendo com seu horroroso fim.
Pela manhã, a porta se abriu. Entrou correndo. Ronronando pulou no colo da dona conformado que nada poderia alterar seu carma. E ela se sentindo culpada de tê-lo esquecido, tentando compensar sua negligência, lhe acarinhou por longo, longo, longo tempo.

A aventura de Félix

Chegou em casa cansada do dia estressante. Na loja em que trabalha o movimento foi intenso. Os clientes entravam e saiam o tempo todo comprando presentes para o Dia das Mães. Suas pernas pediam para que se sentasse no canto e abandonasse tudo aquilo, mas como não se vive de brisa, valentemente terminou o dia.
Ao abrir a porta de casa não percebeu que ele havia saído. Pra dizer a verdade, estava exausta e nem lembrou que ele existia.
Foi direto tomar um relaxante banho. Deixou a água rolar. Sentiu o prazer do aroma exalado pelo sabonete. Ficou ali, talvez meia hora. Depois, enrolou o corpo na toalha e deitou-se. Enquanto isso, na rua ele se aventurava por entre os perigos da noite.
Há cerca de uma hora em frente de casa, espreguiçou e alongou o corpo mais que pode. Ficou um tempo observando a lua, as estrelas e o que lhe aguardava nesse universo novo. Até então, seu mundo eram as paredes da sua casa. 
Observou que não havia canto dos pássaros. Talvez por estarem em seus ninhos a essas horas. 
Os cães que durante o dia latiam ferozmente, hoje, nem um pequeno murmúrio. 
- Hummm. Tudo perfeito pra uma “esticadinha”.
Andou pelo mato selvagem de seu quintal. Comeu algumas coisinhas que ali cresciam, quando viu do outro lado da calçada uma loira linda. Pensou em ir até lá ver o que poderia arrumar com ela. Opa, arrumar? Digo combinar. 
A loira muito da exibida nem olhou pra ele. Passou altiva e num rebolado que lhe enlouqueceu. Ele ficou ali. Parado. Sem entender se era tão desprezível assim, ou simplesmente, ela não o percebeu. 
Continuou sua aventura na selva. Viu aranhas de jardim, algumas rãs, uma que outra cobra cega e algumas formigas. Todos os animais insignificantes para seu paladar. Talvez, se surgisse uma lagartixa pudesse saborear um pouquinho. Mas, não. Nada.
As horas foram passando. Sentou-se, deitou-se em uns panos jogados perto da churrasqueira até que veio a chuva. Foi na porta, mais uma vez chamou sua amada dona. 
- Chamouuuuuuuuuuuuu, chamouuuuuuuuuuu, chamouuuuuu.
Ninguém apareceu.
Triste por ficar ao relento se deitou no piso frio. 
Viu novamente a loira, mas desta vez, se fez de rogado e não deu a mínima a sua existência. 
Começou um vigoroso banho em seu corpinho roliço. Foi no momento em que seu rosto se aproximou mais de sua parte “sagrada”. Assustou-se. Algo estava diferente. 
- Cadê elas? Eram duas. Fui roubado!
Lembrou então, que outro dia, ouviu sua dona comentando que agora ele não acasalava mais. Não deu importância ao seu desconhecimento por que sempre teve preguiça de ver dicionários e achou a palavra insignificante. Já compreendendo tudo entrou em pânico, 
- Agora sei o que aconteceu. Que destino o meu. No frio da noite, sem uma ração e ainda CASTRADO. Triste destino de ser gatinho. 
Assim, adormeceu. Miando. Sofrendo com seu horroroso fim.
Pela manhã, a porta se abriu. Entrou correndo. Ronronando pulou no colo da dona conformado que nada poderia alterar seu carma. E ela se sentindo culpada de tê-lo esquecido, tentando compensar sua negligência, lhe acarinhou por longo, longo, longo tempo.

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