Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

terça-feira, 29 de abril de 2014

Um leitor lê a leitura

Affonso Romano de Sant’Anna
            Renato Lessa, que dirige a Biblioteca Nacional, me pediu uma frase  para colocar num dos tapumes que cercam a instituição enquanto ela é retaurada. Ocorrem-me várias. Mandei-lhe essa:  Ler é apropriar-se do mundo.
            Mas outras são possiveis. E releio o que tenho escrito aqui e ali.
            Tudo é leitura.Tudo é decifração. Ou não. Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais à nossa frente.
            Não é só quem  lê um livro, que lê. Um  paisagista lê a vida de maneira florida. Fazer um jardim é reler o mundo, reordenar o texto natural.
            Tudo é narração. Até  o quadro “Branco sobre Branco”de Malevitch  conta  uma estória.
         
            A gente vive falando mal do analfabeto. Mas o analfabeto tambem lê o mundo. As vezes, sabiamente.
            Ler é uma forma de escrever com a mão alheia.
            Insistir na leitura (apenas) como um prazer é prometer um parque de diversões onde o leitor encontrará às vezes uma usina de trabalho.
            Leitura é uma  tecnologia. 
            Você já leu todos esses livros?  Essa é a  pergunta que faz tanto o  operário quanto o  jornalista que vem à minha casa. A resposta pode ser variada:
-Li esses e muitos que não estão  aqui.
-Há livros que são para consulta eventual, outros que aguardam sua hora, outros que não lerei, alguns que nem lembro se li.
-Há outros que comprei de novo, pois não me lembrava de tê-los.
            É interessante a observacão  que encontro no livro de Caillé e Rey, de que  “de uma certa maneira Sherazade inaugurou a ideia do tratamento da loucura através dos contos”.
            O combate ao crime e à degradação moral pode ser encaminhado através do livro. Para cada bala perdida, uma biblioteca implantada.
            Nossa cultura conheceu a passagem do “regime de escassez”ao “regime de abundância” ou, talvez, de excesso de informação. Diz-se que ao tempo de Gutemberg havia em toda Europa cerca de 9 mil letrados.
            Carecemos de uma história alheia para esticar a nossa.
            Amar no amor alheio.
            Amar com o amor alheio.
            Amar pela  fala alheia.
            A realidade não pode viver sem a ficção.
            Estive com Mr.Cullman várias vezes. Ele e sua mulher Dorothy são benfeitores da New York Public Library. Discretamente, uma assessora da NYPL me revela que Cullman já deve ter dado US$ 20 milhões para aquela instituicão.
            Literatura é um elemento mediador e o “eu”do escritor é um “eu”de utilidade pública. A literatura faz acontecer.
            Além do analfabetismo convencional  há o analfabetismo tecnológico, que faz com que estejamos reaprendendo diariamente novas linguagens.
            Paixão de ler. Ler a paixão.
            Como ler a paixão se a paixão é que nos lê? Sim, a paixão é quando nossos inconscientes sofrem uim desletrado terremoto. Na paixão somos lidos à nossa revelia.
Transcrito de Correio Braziliense, 13.04.2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Três passos para um plano de marketing eficaz

1) PRIMEIRO PASSO – “OS OBJETIVOS, que determinam o foco”

Os objetivos da empresa determinam seu foco e devem ser perseguidos por todos: diretores, gerentes e funcionários. Também devem ser reforçados regularmente por meio do salário dos colaboradores que devem estar atrelados aos resultados. (veja conceito SMART mais adiante neste texto.)

Os objetivos, assim como suas métricas, devem ser curtos e claros, além disso, refletir no mínimo em quatro perspectivas: financeira, do cliente, dos processos internos e da organização.

Objetivo 1 : faturar em 2007 - US$1.000M com margem de 10% (financeiro)

Objetivo 2: aumentar o reconhecimento da marca acima de 80% (cliente )

Objetivo 3 : alcançar excelência operacional nos processos internos de marketing, fornecedor, desenvolvimento de produtos, logística, programas socioambientais ...

Objetivo 4: atrair e reter talentos



2) SEGUNDO PASSO – “AS ESTRATÉGIAS, que determinam o que fazer ”

Para cada objetivo existem estratégias “organicamente” relacionadas, que devem também ser curtas e bem definidas. As estratégias ainda não significam o “como fazer”, e sim “o que fazer”.

Objetivo 1 : faturar em 2007 - US$1.000M com margem de 10%

· Estratégia 1.1: crescer em 30% no primeiro trimestre o número de clientes novos.

· Estratégia 1.2: aumentar, no ano, o ticket médio em 10% na base de clientes ativos.

· Estratégia 1.3: conquistar pelo menos dois novos mercados.

Objetivo 2: aumentar o reconhecimento da marca acima de 80% (cliente )

· Objetivo 2.1: manter índice de satisfação dos clientes acima de 90%.

· Objetivo 2.2: lançar nova campanha de comunicação com alcance de no mínimo 80% do público alvo.

Objetivo 3: alcançar excelência operacional nos processos internos de marketing, fornecedor, desenvolvimento de produtos, logística, programas socioambientais

· Estratégia 3.1: processo de logística deve atender em 90% o “nível de serviço”

· Estratégia 3.2: aumentar o portfólio de produtos e serviços. Lançar dois novos produtos no ano.

· Estratégia 3. 3: certificar 20 lideres em 6Sigma.



3) TERCEIRO PASSO – “As AÇÕES, que determinam o como fazer”.

Por sua vez, o plano de ações está relacionado às estratégias e estas, sim, explicam "como fazer". Na escolha das ações devem se levar em consideração duas variáveis. Primeiro, afinidade, e em seguida, dispersão. Estas variáveis ajudam a maximizar o "retorno sobre investimento" de um plano de ações. Quanto maior a afinidade com o público e menor a dispersão, maior a probabilidade de impactar o cliente de forma efetiva.

Objetivo 1 : faturar em 2007 - US$1.000M com margem de 10%

Estratégia 1.1: crescer em 30% o número de clientes novos por trimestre

. Ação 1.1.1 : telemarketing ativo promovendo descontos especiais para experimentação de novos clientes.

. Ação 1.1.2: email marketing promovendo descontos especiais para primeira compra.

. Ação 1.1.3: promover eventos regionais.

. Ação 1.1.4: participar de feiras.

Estratégia 1.2: aumentar o ticket médio em 10% na base de clientes ativa no ano.

· Ação 1.2.1: promover bundles entre produtos da mesma família.

· Ação 1.2.2: aumento de crédito dos clientes ativos.

· Ação 1.2.3: lançar programas de afinidade.



CONCEITO SMART (Peter Druker, The Practical Managment, 1954)

Basicamente, o gerenciamento por objetivos serve para direcionar o que cada colaborador da empresa deve "entregar" na forma de resultado concreto, portanto, é usado para medir sua performance.

Neste processo, o gerente tem a função de “cascatear” os objetivos pela organização e esclarecer qualquer dúvida sobre estratégias, metas e prazos. Além disso, o gerente deve eliminar barreiras para facilitar a execução assegurando que cada colaborador tome suas próprias decisões e encontre o melhor caminho para “entregar” seus resultados.

Conceito SMART: sugere que as estratégias sejam:


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Como trabalhar a gramática e a norma – padrão na escola respeitando-se as variações linguísticas do aluno?

A língua é viva e se modifica constantemente, portanto, trabalhar com a gramatica e a norma-culta na escola respeitando-se as variações linguísticas dos alunos é possível. Afinal, ambas são necessárias em uma comunicação eficaz.
O professor que pensa ser as variações linguísticas a única forma de expressão correta, desconsiderando o uso culto e gramatical das normas, esta equivocado. Entretanto, só o uso oral da língua padrão em sala de aula poderá causar o constrangimento a alguns devido a incompreensão da falta de adequação da língua ao meio. Deste modo, este também esta equivocado.
É preciso lembrar: um dos objetivos do ensino da língua portuguesa, no PCN, é levar o aluno a produzir seu conhecimento, ou seja, se expressar criativamente durante a comunicação com o outro, o que não ocorrerá se não houver o equilibrio no uso oral da gramática e das variações linguísticas. Pois, as diferenças linguísticas não podem ser vistas como acertos e erros. São formas de expressões adequadas ou não ao meio em que o falante ou escritor está e/ou deseja atingir.
Cabe ao professor, o ensino escolar, ensinar que a diversidade linguística e a norma-culta são importantes. Sendo na aplicação de planos de ensino que levem para sala de aula textos de leituras diversificadas (variadas em suas autorias, regionalidades, historicidade, grupos humanos) a prática da questão. Desta forma os alunos começarão a perceber as linguagens existentes, inclusive, induzirá à comparações com textos orais, escritos e propiciando novas abordagens como a reescrita de textos, aproximando a língua culta com a diversidade linguística.
O linguista Travaglia (2003) diz que ensinar a língua com aquisição da competência comunicativa e ensinar sobre ela através da norma-culta e gramática com analise dela é um objetivo do ensino da língua; e, Callou (2007) afirma que qualquer falante possui uma gramática internalizada e deve desenvolver seu aprimoramento. Ambos mostram a importância do equilíbrio do uso da norma e diversidade.

Enfim, o aluno ao usar a escrita ou a fala respeitando a diversidade e aplicando a língua culta se faz entender, deste modo, a língua atinge seu fim, a compreensão do texto, a comunicação.  
Autoria: Adriana Tavares Pimentel

Gengibira, é uma soda caseira de gengibre.

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
Spritzbier


- refrigerante caseiro alemão


*** depois de pronta a bebida tem de ser mantida fria!




ingredientes:

- 1,5 kg de açúcar cristal

- 10 litros de água filtrada, ou mineral

- 100 g de raiz de gengibre fresco

- 1 c.s. de Quilaya

- 1 c.c. de fermento biológico seco





Material

- Garrafas com tampa rosca (de preferência de vidro)

- Uma panela grande,com tampa.

- Coador

- Funil

- Copo medidor





Na panela, junte 3 litros de água, a quiláia, o gengibre cortado em rodelas.

Deixe ferver e cozinhe em fogo baixo por cerca de 1 hora e meia.

Desligue e adicione o açúcar, mexendo bem.

Espere o líquido amornar e junte o fermento.

Cubra com uma toalha e deixar descansar por 48 horas (ou até 72 horas, em clima mais frio).

Coe e adicione o restante da água, até completar os 10 litros.

Engarrafe a bebida (não encher totalmente, deixar uns três dedos vazio) e deixe fora da geladeira por cerca de 48 horas (ou mais tempo, se a temperatura ambiente for baixa).

Para testar se a bebida está pronta abra uma garrafa e observe se está espumante.

Levar à geladeira.

domingo, 6 de abril de 2014

Recordando anos 80 em meus apetrechos

Estou postando várias coisas, filmes, desenhos, brinquedos do meu período de infância e adolescência. Minhas recordações sobre roupas de adolescente. Então resolvi postar.



No verão sempre eu dava um jeito de pegar um pedaço de madeira, pregos e linhas coloridas para fazer uma pulseirinhas de linha. Aliás minha filha a um tempo atrás andou comprando uma por aí.

Agora se for lembrar de roupas da minha infância e adolescência eu posso dizer que tive e usei coisas que hoje seriam muito estranhas. Vou citar algumas mas antes preciso registrar um artigo que foi vital para minhas pernas serem retas hoje, embora, fosse horroroso ter de usar. Tu não imaginas o que eram as tais botas ortopédicas. Eram pesadas na cor preta e branca. As crianças com problemas de “pé chato”, pernas tortas... tinham de usar muitos anos. Eu usei uma. Foi feita por meu avô que era um hiper super sapateiro. Tirando o fato de meu avô ter feito as minhas botas conforme a receita do médico ortopedista e que eu sempre fui apaixonada por tudo que se referi a ele, de resto, é só horror. As botas eram feias pra caramba. Não as minhas botas ortopédicas mas todas as que existiam na época. As meninas da minha escolinha usavam sapatinhos lindos que eu sonhava todos os dias com o momento de poder ter um nos meus pés.
Talvez seja por isso que hoje em dia, detesto qualquer sapato com um estilo mais masculino, por mais confortáveis que possam parecer. Simplesmente, sou apaixonada por saltos altos, cores e delicados designs.
Agora sim, la vai algumas imagens de roupas que usei nos anos 80 e uma lista de outras coisinhas.


Saia Balonê - minha mãe fez uma lindas em rosa choc e verde limão com renda nas pontinhas.






Calça Semi-Bag – era uma delicia usar, só que tu parecia ter uns 10kg a mais. rsrsrs;




Sandália de plástico com meia soquete prateada; - esses são do tempo da novela da globo Dancing Days, onde a Sônia Braga era a atriz principal.





Calça Deandê – a gente ficava fantástica dentro de uma. Eram listadinhas de preto com branco ou marinho com branco. Tudo colado ao corpo em um cotton de primeira qualidade. A gente passava e tanto os meninos quanto as meninas, babavam. As meninas porque queriam igual e os meninos...

Saruel – é um tipo de calça saia que é moda nos dias de hoje mas eu tinha um lindo branco com uma abertura dos lados da metade das coxas até início da canela. Ele dava um movimento super bonito quando andávamos.



Essas meinhas eu só te digo, ficavam lindas numa bela mini saia ou mini vestido:




calça e jaqueta de tactel – bah, essa era uma mão na roda. Eu tive um conjunto cinza muito legal que agasalhava um monte no inverno. Ele existiu por muitos anos até que foi se exterminando pois eu gostava de usar ele para patinar no inverno. Mesmo não sendo a roupa adequada a patinação.



Melissinha sabor Coca-Cola – eu amava cheirá-la. Hummm delicia.




Botas da Xuxa – Ganhei do meu pai 3 pares no lançamento dos primeiros modelos. Eram lindas, umas com tirinhas de amarrar por cima das botas e outras de babadinhos. Tinha cinza, bege e preta




Roupas estilo New Wave, eram roupas coloridas, verde limão, abóbora, roxas, com muitos quadriculados e nós nas blusas – não lembro quem me deu, se pai ou mãe mas adorei o verão da moda new wave. Tive blusas e calças muito interessantes nas suas modelagens e cores. Um bom exemplo do estilo que eram essas roupas era esse da Madonna, aliás que eu era fã.




Camisas Rato de Praia da OP – essa era linda para usar de mini saia jeans e tênis Nyke.

Calças da OP com bolsos na lateral – complementada com a camiseta

Blusão de lã da Korrigan – esse lembro que o pai me levou até a korrigan pra comprarmos junto com uma calça jeans muito legal, luvas, cachecol e gorro porque naquela noite eu iria para o show do Canta Brasil no Beira Rio e seria uma daquelas noites de inverno rigorosamente frias.

Mochila emborrachada Company – lutei pra conseguir convencer que “precisava de uma”. Consegui.

Blusinhas da Pichuli – era uma marca de Caxias do Sul – RGS que eu amava usar. Eram blusas, vestidos (aliás sou louca por vestidos) que simplesmente tinham um bom gosto inquestionável.

Batbut, uma sandália de couro- tu não vai acreditar mas eu usei essa sandália comprada na Gang com uma camiseta escrito “James Carter permite maconha” com o desenho dela e tudo mais na camiseta. Quem via até que eu parecia com aquela camiseta, jeans e sandália, uma rippie anos 70. Só que eu sempre tive amigos maluquinhos mas nunca curti esse tipo de “praia”

Tênis Nyke de todas as cores – eu amava meus Nikes;
Tênis All Star – bah, esses o pessoal usa até hoje. Eu tinha um creme, um amarelo, um vermelho pra combinar com minhas camisas e suspensórios. Sério, suspensórios. Eu adorava usar uns muito diferentes customizados com minhas minissaias jeans.

Eu juro que usei esse cabelinho:



Conga, Bamba e kichute,amarrar por baixo da sola ou em volta do tornozelo junto com
os uniformes Adidas para Educação Física que tinham listras na lateral e eram azul marinho, eu usei por volta de 9/10 anos de idade. Sinceramente eu gostava.




Relógio Champion para meninas que trocavam as pulseiras. Eu tinha uma coleção de pulseirinhas de todas as cores possíveis para complementar a carteira emborrachada OP
e as camisetas da OP. Tá eu seria nos tempos de hoje considerada um pouquinho Patricinha.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O livro é uma felicidade clandestina

Felicidade clandestina

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
Clarice Lispector
. O Primeiro Beijo
. São Paulo, Ed. Ática, 1996

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PRESTÍGIO GELADÃO



INGREDIENTES

Creme branco:

1 lata de leite condensado
800 ml de leite
200 g de coco ralado
1 e 1/2 colheres (sopa) de amido de milho
1 pitada de sal

Cobertura:

1 lata de creme de leite
12 colheres (sopa) de achocolatado
granulado de chocolate

MODO DE PREPARO

Creme branco:

Misture todos ingredientes, leve ao fogo até formar um creme homogêneo, coloque em uma travessa ou em porções individuais e reserve

Cobertura:

Misture bem os dois ingredientes e jogue por cima do creme branco, não precisa levar ao fogo

Cubra com granulado de chocolate
Sirva gelado

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Brownie

INGREDIENTES:
- 1 Barra de chocolate meio amargo;
- 1/2 xíc. de nescau;
- 1/2 xíc. de margarina;
- 1/2 xíc. de creme de leite;
- 4 ovos;
- 2 xíc. de açúcar;
- 2 xíc. de farinha de trigo;
- essência de baunilha umas 10 gotinhas +-.
1º- Derrete o 3/4 da barra de chocolate meio amargo com o nescau no microondas, depois, junta o creme de leite e a margarina até formar um creme bem brilhante e homogêneo.
2º- Coloca os 4 ovos no liquidificador e por cima o açúcar e deixa bater até formar um creme, sem desligar o liquid. junta umas 3 nozes (sem casaca rsrsrsrs) e a baunilha.
3º- Coloque o creme de ovos numa vasilha e vá ajuntando aos poucos o creme de chocolate já frio e a farinha sempre homogenizando para não formar pelotas de farinha (depois tem que ficar desfazendo com a colhar e dá um trabalhão). Quando estiver tudo homogêneo, a massa fica aerada.
4º- Junta na massa as nozes picadas e o chocolate meio amargos que sobrou picadinho e mechendo devagar pra não perder a aeração da massa.
5º- Coloca pra assar em forma untada com margarina e enfarinhada

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Trufas

TRUFAS


Ingredientes- Para o recheio
500 gramas de chocolate ao leite
1 lata de creme de leite sem soro
1 colher (de sopa) de mel
Para a cobertura
500 gramas de chocolate ao leite

Modo de preparo do recheio
Derreta todo chocolate em banho-maria ou, se preferir, use o forno de microondas. Cuidado para não queimar o chocolate ou passar do ponto. O ponto ideal é quando o chocolate está todo derretido, mas a uma temperatura suportável ao contato com a pele. Acrescente o creme de leite e o mel. Misture bem até obter um creme homogêneo.
Reserve o recheio em um refratário e leve à geladeira por pelo menos duas horas.
Quando o recheio já estiver com uma consistência firme, faça pequenas bolinhas, como se estivesse enrolando brigadeiro. Leve à geladeira novamente e reserve.

Modo de preparo das Trufas
O último passo é cobrir as porções de recheio com o chocolate. Nesta etapa, você vai usar o processo de temperagem para derreter 500 gramas de chocolate.
Quando o chocolate estive na temperatura ideal, banhe os docinhos. Jogue as bolinhas no chocolate, e cubra-as bem. Retire usando um garfo e coloque numa superfície lisa.
Para conseguir um visual mais elaborado, você pode optar por cobrir as trufas com raspa de chocolate ou pó de cacau. Mas espere até que a cobertura esteja quase seca para polvilhar a raspa ou o pó. Isso evita que eles se misturem à cobertura e derretam também.


1. Trufas de chocolate
Rendimento: Mais de 4 pessoas
Tempo de Preparo: 10 minutos

Ingredientes:
- 1 kg / 5 tabletes de chocolate ½ amargo; - ½ lata de creme de leite, sem o soro; - 100 g / ½ tablete de manteiga; - 3 colheres (sopa) de conhaque; - 1 xícara (chá) de chocolate, em pó.

Modo de Preparo:
1.Derreta 500 g do chocolate em banho-maria, ou no microondas. 2. Junte o creme de leite e mexa bem. 3. Adicione a manteiga, em temperatura ambiente, e o conhaque. Misture muito bem e leve à geladeira por 24 horas. 4. Retire da geladeira, faça bolinhas e volte à geladeira por mais 1 hora. 5. Derreta o resto do chocolate em banho-maria, ou no microondas, e deixe amornar. 6. Mergulhe as bolinhas de trufas no chocolate derretido, passe no chocolate em pó e leve para gelar por mais 1 hora.



2. Trufas de Coco
Rendimento: Mais de 4 pessoas

Ingredientes:
- 2 xícaras de creme de leite fresco; - 3/4 de xícara de coco ralado; - 700 g de chocolate branco picado finamente; - 500 g de chocolate meio-amargo derretido em banho-maria; - 100 g de manteiga amolecida.

Modo de Preparo:
Misture o creme de leite ao coco ralado. Leve à ferver em uma panela. Deixe esfriar por 30 minutos e passe em uma peneira, descartando o coco. Leve o creme para ferver uma segunda vez. Coloque o chocolate branco em uma tigela e acrescente o creme de leite quente. Bata até que o chocolate tenha derretido e a mistura esteja homogênea. Acrescente a manteiga e bata até misturar bem. Deixe esfriar a mistura, leve à geladeira até gelar. Com uma colher pequena (de preferência uma colher para fazer bolinhas de frutas) faça bolinhas da mistura de creme do tamanho de cerejas. Mergulhe cada bolinha, rapidamente, no chocolate meio-amargo derretido e depois coloque-a sobre papel-manteiga. Deixe esfriar até endurecer a cobertura de chocolate.




3. Trufas de framboesa
Rendimento:
Mais de 4 pessoas

Ingredientes:
- 300 g de polpa de framboesa; - 700 g de chocolate ao leite; - 80 g de açúcar invertido (ou mel); - 100 g de manteiga; - 30 g de álcool de framboesa; - 200 g de cacau em pó.

Modo de Preparo:
Pique o chocolate. Ferva a polpa com o açúcar invertido e coloque no chocolate, misture e acrescente manteiga e álcool. Coloque na geladeira até endurecer e formar bolinhas. Derreta os 500 gramas de chocolate amargo no banho-maria e acrescente 100 gramas de chocolate amargo picado. Misture bem. Mergulhe as bolinhas no chocolate e coloque-as no cacau em pó. Peneire e sirva.



4. Trufas de Laranja
Rendimento: Mais de 4 pessoas
Informações sobre a receita: Para decorar você pode utilizar tirinhas de casca de laranja: corte a casca da laranja, somente a parte amarela, em tirinhas bem fininhas, com ajuda de uma tesoura ou faca bem afiada. Coloque sobre cada uma das tarteletes.

Ingredientes:
Para a massa de trufa: 250ml de creme de leite fresco, 400g de Cobertura de Chocolate ao Leite, casca fina de 1 laranja, 4 colheres (sopa) de licor Grand Marnier. Para banhar: 600g de cobertura de chocolate ao leite, picada, cacau em pó

Modo de Preparo:
Coloque o creme de leite fresco numa panela média e leve ao fogo baixo até iniciar a fervura. Retire do fogo e acrescente 400g de chocolate, picadinho e mexa até dissolver totalmente. Reserve. Corte a casca de laranja, somente a parte amarela, em tirinhas bem fininhas, com ajuda de uma tesoura ou faca bem afiada. Leve-as ao fogo baixo numa frigideira pequena e, com uma colher de pau, vá remexendo, para que o calor se distribua por igual e se desenvolva o aroma dos óleos da casca. Não deixe queimar, para não amargar. Retire do fogo e deixe esfriar. Misture as raspas de laranja (reserve um pouco para decorar) e o licor à massa de trufa e leve-a à geladeira por uma noite. Modele as trufas com a ajuda de 2 colheres (chá). Evite o contato com as mãos, para que elas não "derretam" e mantenha-as na geladeira até o momento de banhar. Derreta os 600g de chocolate restante em banho-maria, misturando com uma espátula até que cerca de 2/3 dele tenha derretido. Retire-o do banho-maria e continue mexendo, até derreter completamente. Despeje o chocolate num refratário limpo e seco e sobre ele, acomode um prato contendo água fria, para acelerar o resfriamento. Misture com uma espátula até que, provando uma pequena porção no lábio inferior, você deve sinta que ele está "frio". Mergulhe as trufas neste chocolate, escorra o excesso e leve à geladeira por 5 minutos, para secar. Envolva as trufas no Cacau em Pó e acomode-as em seguida em forminhas ou na caixa em que for servir, não esquecendo da decoração com uma tirinha de casca de laranja.


5. Trufas Brancas
Rendimento: Mais de 4 pessoas

Ingredientes:
1 embalagem de Cobertura de Chocolate Branco, picada (500g), ½ xícara (chá) de creme de leite fresco, ¼ xícara (chá) de suco e as raspas de 1 limão.

Modo de Preparo:
Comece preparando a massa das trufas: leve ao banho-maria o creme de leite junto com a metade do chocolate picado (250g), misturando até formar um creme liso e uniforme. Retire do fogo, junte o suco e as raspas de limão e misture bem. Leve à geladeira por cerca de 3 horas, para ficar bem firme. Modele as trufas com a ajuda de 2 colheres (chá) e acomode-as numa bandeja forrada com papel-alumínio. Mantenha-as na geladeira até o momento de banhar. Prepare a cobertura: derreta a outra metade do chocolate em banho-maria, retirando do fogo bem antes da água ferver, e misture com uma espátula até que ele fique completamente derretido. Passe o chocolate para um outro refratário e acomode-o dentro de uma assadeira contendo água fria. Misture continuamente até que, ao colocar uma pequena porção de chocolate no lábio inferior, você sinta que ele está "frio". Banhe as trufas no chocolate e retire-as com um garfo, escorrendo o excesso. Leve-as para secar na geladeira por 5 minutos e em seguida acomode-as em forminhas ou na caixa em que for servir, cuidando para que fiquem em local ventilado, longe da luz e do calor.



6. Trufas Recheadas com brigadeiro e cereja Sobremesa Doce
Rendimento: 60 unidades
Tempo de preparo: 1h e 30 minutos Tempo de cozimento: 20 minutos
Diet: Não Light: Não Natural: Não

Ingredientes (Geral)
500grs. de chocolate branco
1caixinha de creme de leite sem soro (250g)
1 colher (sopa) de essência de cereja
2 colheres (sopa) de rum

Ingredientes (Recheio)
1lata de leite condensado
1 colher (sopa) de margarina
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
35 cerejas escorridas e cortadas ao meio
Ingredientes (Cobertura)
500grs de chocolate ao leite

Preparo (Geral)
Derreta o chocolate branco com o creme de leite, junte o restante dos ingredientes, mexendo bem, espere esfriar e leve a geladeira por aproximadamente cinco horas.

Preparo (Recheio)
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo baixo, sem parar de mexer, até soltar do fundo da panela.
Despeje em uma travessa úmida e deixe esfriar.
Enrole os brigadeiros com as mãos untadas, colocando metade de uma cereja no meio e assim enrolando e em seguida leve a geladeira para que fique mais firme.

Preparo (Cobertura)
Derreta o chocolate ao leite e mexa até que esfrie, em seguida banhe as trufas

Dicas
Fica mais fácil fazer as trufas um dia antes e banhar no outro dia.


7. Trufas Brancas
- 100 gr de chocolate branco
- 1 colher(es) (sopa) de creme de leite
- 1 unidade(s) de gema de ovo
- 1 colher(es) (sopa) de manteiga
- 1 1/2 xícara(s) (chá) de açúcar de confeiteiro
- 1 colher(es) (sobremesa) de rum

Pique o chocolate, coloque em um refratário e leve ao microondas por 2 minutos na potência média. Acrescente o creme de leite ao chocolate e mexa bem. Junte a gema e a manteiga, batendo bem até a manteiga derreter. Adicione o rum, se usá-lo, e misture bem. Junte o açúcar de confeiteiro aos poucos, deixando a massa bem firme. Leve para gelar. Faça bolinhas iguais e passe-as em açúcar de confeiteiro.

A leitura do mundo precede a leitura da palavra

A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. 22 ed. São Paulo: Cortez, 1988.  

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