Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

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segunda-feira, 4 de setembro de 2006

O tapa





Abre a porta com dificuldade do prédio onde está indo morar.

Os pacotes da mudança estão em seus braços. Estão quase caindo. Já não tem as roupas alinhadas de seu trabalho de executiva, e sim, amarrotadas pelas caixas de mudança.

Seu corpo cansado tenta manter o pique necessário para arrumar toda aquela bagunça. Quando então, de repente, um rapaz alto jovem ao sair do prédio pega os pacotes de seus braços. Parece que toda carga do dia pesado se vai embora. A energia de seus 33 anos é demonstrada no brilho de seus olhos ao vê-lo.

Olá vizinha. Posso ajudar? – Soam como música aos seus ouvidos encantados pela beleza dele.
Obrigada. – É só o que ela conseguiu dizer embora tenha tido vontade de dizer: nossa, claro, e como, quer entrar também? Mas não diz. Um simples obrigado é o suficiente. Até porque ele se adianta e diz que virá uma horinha tomar um vinho com ela.

Atiradíssimo e muito atraente com aquele corpão de quase 1.90, olhos azuis como céu e pele morena cuia.
Uiiiiiii, pra eu descrever é difícil sem babar antes.
Sabe aqueles deuses saídos de algum filme romântico com tudo e mais um pouco simbolizando a perfeição? É assim esse homem. Perfeito no perfume, na voz, no corpo.

Ela nem dorme direito pensando no vizinho e se um dia realmente vão ou não se encontrar.

Como ela não é o tipo de mulher que um homem jogue fora, mas também não tem o estereotipo de rainha da beleza ou a idade de uma, fica na dúvida do reencontro. Nem imagina que possam ir alem de um Oi.
Assim, termina a mulher de fazer mais uma mudança em sua vida. Todavia, com perspectivas de muitas coisas boas nesse novo endereço, ao menos no sentido que verá um espécime masculino lindo a desfilar pelo condomínio.


No decorrer dos dias, caixas se abrem e roupas pulam para o guarda roupa até que alguém bate a porta.

A noite já estava alta.

O vizinho é quem esta do outro lado com duas taças e uma garrafa de vinho nas mãos.

Ela fica pensando se é verdade ou alucinação sua. No entanto a campainha toca insistentemente. Não, não é uma peça de sua imaginação.

Ela abre, e simplesmente, como se conhecessem há muito, se beijam e bebem o inebriante tinto até embriagados fazerem-se amar no tapete da sala por entre sons românticos. As taças que se cruzam na volúpia de prazer desses corpos.


O tempo transcorre em noites e dias de amor.
Como nada é eterno, por infeliz atitude, incompatibilidade de algo ainda não experimentado, um dos encontros do casal é marcado. Ele lhe dá um tapa na bunda.

Ela ensandecida lhe rebate no rosto. Coloca-o pra fora do apto e o encanto de romance quebra-se pra nunca mais voltar.




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