Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Resenha de O bicho de sete cabeças




O filme dirigido por Laís Bodansky - Efraim Rojas Boccalandro retrata de forma muito realista o que ocorre diariamente com alguns jovens. No início do filme, o rapaz Neto é um adolescente como outro qualquer. Tem sua turma onde alguns usam drogas e bebem mas percebi que embora oferecido a este, não faz uso contínuo. O efeito do uso da bebida ou drogas mais pesadas como sudorese, não me ficou claro pois, não observei nenhum pico por parte dele. Neto transgride ao bater no pai, no entanto é um reflexo da atitude do pai com ele. Este o chama de vagabundo, baixando sua auto estima e não permitindo em nenhum momento que se estabeleça o diálogo. A mãe submissão, não tem voz diante de qualquer atitude tomada pelo pai. Sai para viajar sem dinheiro algum. Ao viajar com o amigo, o Neto ao se dar conta que o amigo paga os favores oferecidos dos dois Srs com o sexo, Neto vai embora, demonstra mais uma atitude própria de adolescentes, revolta. Aliás, estabelecida durante todo o filme. Além de que já tem sua sexualidade definida como heterossexual. Neto encontra uma moça em Santos, apaixonando-se perdidamente por ela. Mesmo sendo o romance de uma noite. Ela o ajuda a voltar para casa. Ao chegar, algum tempo depois seu pai encontra um “back” no bolso de sua camisa. Então, resolve conversar com a irmã de Neto sobre a situação. A irmã na tentativa de ajudar achando o irmão um “drogado” apoia e auxilia para que haja a internação mas é importante relevar que mesmo que inconsciente, existe em todas as relações de irmãos, alguns pontos de rivalidade, ou seja, afastando-o da família há um obstáculo vencido.
No manicômio, Neto é internado sem direito a nenhum tipo de conversa, análise médica mais complexa ou questionamentos. Apenas o enfermeiro faz algumas perguntas onde Neto diz que às vezes fuma um back. A situação do lugar é deplorável e o ser humano assemelha-se a animais. Ao vê-lo, me reportei a um período de minha vida em meados dos anos 90, quando trabalhei em um hospital psiquiátrico no Mato Grosso. Cenas como os choques e elevados medicamentos ingeridos pelos pacientes eram tratados de forma rotineira e necessária e pacientes como o Sr idoso que aparentemente não é portador de nenhum Cid grave para estar internado; são cenas reais pois, é isso que até pouco tempo ainda ocorria. Inclusive a necessidade de uma verba governamental que o obriga estas instituições a terem um número X de pacientes para que haja repasse ou não.
Revolta-se muito com a situação em que os pacientes vivem e está submetido. Horroriza-se ao ver o médico entrar no quarto de eletrochoque. O descaso deste psiquiatra com os pacientes é visível e a extensão da drogadicção, ultrapassando os pacientes até o núcleo médico. Neste momento, o filme mostra que a drogadicção não é uma realidade for a do âmbito médico, pois o médico neste pedaço é um drogadicço. Cabe dizer que o acesso, justamento por ser um médico é facilitador de acesso a droga.
O médico tem apoio da família p/permitir a continuidade da internação de Neto. ( pessoa inquestionável).
Neto pede ajuda e suplica para sair. Não. Até que é retirado.
Tenta introduzir-se na sociedade mas já não consegui. É discriminado pela mãe de um amigo e neste momento passa por período de confusão mental devido a saída do manicômio e os tratamentos recebidos lá.
Neto reencontra período pós 1ª internação e decepciona-se por ela não ter correspondido seus sentimentos com a mesma intensidade e tempo. São muitos os momentos que seus pensamentos estão em torno das memórias com a moça de Santos.
Tenta socializar-se mas já não consegui. Em uma festa tem uma crise, que me transpareceu ser proposital, então é levado novamente p/o hospital.
Lá fingi tomar medicamento, tenta auxiliar outros pacientes e entrega a crueldade de um enfermeiro ao novo médico. Neto tem sua auto estima de alguma forma valorizada devido a sentir-se útil a outros. Mas é castigado pelo enfermeiro por ter sido intrometido ao dizer o que estava errado, então, por algumas vezes é trancado em um local solitário e sombrio, uma solitária.
Numa oportunidade que surgi da visita de seu pai, lhe entrega uma carta onde o acusa do sofrimento e diz que o pai é um covarde. Assume que não tem como viver no mundo do pai. Volta para solitária.
Enfim, o filme diante de suas metáforas, passou-me que o ser humano é frágil e precisa ser ouvido. Mas principalmente, que o adolescente diante das complexas sentimentos e atitudes que está vivendo dentro deste período, necessita de atenção ao que fala e pensa, por mais piegas que pareça a um adulto. Ao adulto (pais) que não deixa de ter suas limitações precisa ser bom ouvinte e não recriminar de forma agressiva ou desvalorizando-o com palavras ofensivas, pois estás tem força maior que a agressão física. Mas também, que mesmo diante de uma situação onde a um profissional afirmando o que é melhor, deve estar sempre atento a tudo que lhe é dito e observar a evolução da situação e de sua veracidade.



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