Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ROBINSON CRUSOÉ

LEIA O TEXTO ABAIXO E RESPONDA ÀS QUESTÕES.
                                                         
    Meu nome é Robinson Crusoé. Nasci na velha cidade de Iorque, onde há um rio pequeno, muito largo, cheio de navios que entram e saem.
    Quando criança, passava a maior parte do meu tempo a olhar aquele rio de águas tão quietas, caminhando sem pressa para o mar lá longe. Como gostava de ver os navios em movimento, com velas branquinhas enfunadas pelas brisas! Isso me fazia sonhar as terras estranhas donde eles vinham e as maravilhosas aventuras acontecidas em mar alto.
    Eu queria ser marinheiro. Nenhuma vida me parecia melhor que a vida do marinheiro, sempre navegando, sempre vendo terras novas, sempre lidando com tempestades e monstros marinhos.
    Meu pai não concordava com isso. Queria que eu tivesse um ofício qualquer, na cidade, ideia que eu não podia suportar. Trabalhar o dia inteiro em oficinas cheias de pó era coisa que não ia comigo.
    Também não suportava a ideia de viver  toda a vida naquela cidade de Iorque. O mundo me chamava. Eu queria ver o mundo.
    Minha mãe ficou muito triste quando declarei que ou seria marinheiro ou não seria nada.
    ---- A vida do marinheiro ---- disse ela ---- é uma vida bem dura. Há tantos perigos no mar, tanta tempestade que grande número de navios acabam naufragando.
    Disse também que havia no mar terríveis peixes de dentes de serra, que me comeriam vivo se eu caísse na água. Depois me deu um bolo e me beijou: “É muito mais feliz quem fica na sua casa”.
    Mas não ouvi seus conselhos. Estava resolvido a ser marinheiro e havia de ser.
    ---- Já fiz dezoito anos ---- disse um dia a mim mesmo ---- é tempo de começar ---- e, fugindo de casa, engajei-me num navio.
                                                ( Daniel Defoe )

VOCABULÁRIO:  Enfunadas: cheias              Brisa: vento leve                 Lidar: enfrentar, combater
Ofício: profissão                          Engajar-se: entrar para, alistar-se

1-    Sobre a personagem principal do texto identifique:
*o nome: _____________________________*local de nascimento: _______________
*vocação: ______________________________*idade quando fugiu: _____________
2- A visão dos navios provoca um sonho no menino. Qual era esse sonho?________  
3- No ofício de marinheiro, o que atraía o menino?
4- Retire do texto o trecho que mostra o inconformismo e a grande inquietação de Robinson Crusoé.
5- Os pais do menino concordavam com sua escolha? Por quê?
6- Por que Robinson não queria ter um ofício qualquer, como desejava seu pai?
7- Quem procurava amedrontá-lo e com que finalidade fazia isso?
8- Como Robinson resolveu o conflito com seus pais?
9- Os pais de Robinson valorizavam a segurança,  o que valorizava Robinson  Crusoé? Quem você acha que estava certo? Por quê?
10- Qual o foco narrativo utilizado no texto? Justifique sua resposta com um trecho do texto
11- Há no texto uso do discurso direto? Justifique sua resposta, comprovando-a com um trecho do texto.

A BATALHA DO LEBLON


     Foi à noitinha, aí por volta das 20 horas, que a notícia correu pelas esquinas do Leblon, ganhou amplitude, espalhou-se pelo bairro e foi explodir como uma bomba na Delegacia de Polícia. Os bichos do circo armado perto da pracinha tinham picado a mula. Foi aí que começou a ignorância. O delegado não estava, é claro. O comissário também não, é lógico, e a coisa sobrou na mão do prontidão.
    ___ Chamem a polícia! ___ berrou o infeliz.
    ___ Mas a polícia somos nós ___ advertiu um outro guarda.
    Refeito da distração, o prontidão começou a procurar seus superiores para saber como agir. A muito custo conseguiu telefonar para um primo da noiva do comissário e localizar o distinto.
    ___ Peçam uma patrulha do Exército ___ recomendou o comissário.
    Pediu-se. Mas havia outras corporações disponíveis. E apelou-se para o Corpo de Bombeiros, para a Polícia Militar, Radiopatrulha e ___ ninguém até agora sabe explicar por quê ___ um carro-socorro da Light.
    ___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão ___ disse um mulato magrela, com cara de gozador.
    O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia. Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada? O povo dava palpites e, como sempre, do povo saiu um mais bem informado pouquinha coisa, para dizer que na África nada sim, mas não era o caso desse, que se chamava Bômbolo, e que nascera num outro circo e nunca vira água a não ser em balde.
    Já então havia uma multidão apreciando as manobras. A praça era uma das trincheiras, o Jardim de Alá era a retaguarda das tropas. Pela rua principal não passaria nenhum bicho que mata gente, salvo lotações, mas estes têm licença especial pra matar.
    Um homem de porte marcial, com muito mais estrelas do que os outros, reclamava contra a demora do tanque. Sim, ele requisitara um tanque-de-guerra e isto começou a parecer ridículo a uns tantos e emocionante para outros. A preta gorda, que mal acabara de servir o jantar dos patrões, palpitou:
    ___ Só onça tem umas quatro.
    Mas o garoto que estava perto desmentiu, dizendo que estava farto de ir àquele circo e nunca vira onça nenhuma.
    Nessa altura apareceu correndo, lá do outro lado da praça, um soldado. Vinha acelerado e parou na frente do homem que tinha mais estrelas do que os outros. Fez uma continência legal e avisou que não havia elefante na praia. Imediatamente recebeu ordens de ir pelas casas avisando para que todo mundo trancasse as portas por causa dos leões.
    ___ Manda espiar primeiro se o leão já não entrou, senão é fogo na jacutinga, trancar porta com leão dentro ___ gozou o mulato.
    O soldado explicou que não era preciso, porque não tinha leão. Nem leão, nem tigre, nem onça. Apenas um “popótis”.
    ___ Hipopótamo ___ corrigiu o que tinha mais estrelas do que os outros.
    Então ___ já conhecido o inimigo ___ começou o cerco ao “popótis”. Dos que estavam nas proximidades, poucos sabiam o que era um hipopótamo. Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menos, mas muito mais feroz. E nessa troca de informações ficaram até que surgiu um outro soldado, que, vindo correndo em diagonal pela praça, bateu continência e disse pro de mais estrelas:
    ___ O “popótis” se rendeu-se.
    ___ Hipopótamo ___ voltou a corrigir o chefe, deixando passar a abundância de pronomes.
    Soube-se que, realmente, o hipopótamo fora localizado dentro de um jardim, numa residência grã-fina, comendo girassóis. E logo depois apareceu na esquina o dono do circo, puxando um bicho que não era maior que um cachorro dinamarquês e que o acompanhava de passo pachorrento. Decepção geral, inclusive dos soldados, preparados para mais uma batalha que, como tantas outras, não houve.
    ___ Ainda por cima o bicho come flor ___ disse a preta gorda.
    ___ Come flor sim, uai! ___ explicou o de touca. ___ Então tu não sabia que “popótis” é veterinário?
                      ( Stanislau Ponte Preta )

VOCABULÁRIO
AMPLITUDE:extensão, grandeza, dimensão   / CORPORAÇÃO: órgão que administra serviço público/
PORTE MARCIAL: aparência guerreira   / PRESUMIR: supor    / PRONTIDÃO: soldado de serviço de uma delegacia de polícia      / REQUISITAR: requerer, exigir

1- Relacione as frases a seus significados.

a- Pare de “atiçar fogo” na discussão        
b- Quem gosta de “brincar com fogo”, acaba de queimando.    
c- Não se preocupe se cozinharmos a situação a “fogo brando”.
d- É horrível ficar “entre dois fogos”!                                                                                                                                      
e- Os jovens “pegaram fogo” ao som da banda de reggae.        
f- Menino, você “é fogo”!                                                              
(     ) difícil, trabalhoso          (     ) adiando a solução de um problema
(     ) animaram-se, entusiasmaram-se     (     ) correr riscos, meter-se em encrenca
(     ) pressionado do dois lados                (     ) fomentar discórdia
2- Transcreva o fragmento do texto em que o autor situa os fatos temporalmente.
3- Interprete a frase de acordo com o texto: “Foi aí que começou a ignorância.”
4- Que expressões revelam a ironia do autor ao referir-se aos funcionários da delegacia?
5- Que piada o mulato magrela faz a respeito da participação de um carro-socorro da Light no episódio? Cite suas palavras.
6- Releia o oitavo parágrafo. Transcreva o trecho em que o narrador mostra sua opinião sobre o nível de conhecimento das pessoas envolvidas no caso da fuga dos bichos. Cite suas palavras.
7- Transcreva o trecho em que o autor critica os meios de transportes públicos.
8- Por que o soldado fez continência para o homem que tinha mais estrelas do que os outros? O que significa, de acordo com o texto ter mais estrelas?
9- Identifique.
A- narração                         B- descrição          C- reflexão              D- hipótese
(    ) “Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada?”
(    ) “O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia.”
(    ) “___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão...”
(    ) “Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menor, mas muito mais feroz.”
10- A personagem de touca não sabia o significado da palavra veterinário. Qual foi o significado que atribuiu a essa palavra?
11- Retire o trecho que mostra  qual o espaço físico em que ocorrem os fatos narrados.

No limiar do labirinto

RESOLVER OS EXERCÍCIOS NO CADERNO.
NÃO HÁ NECESSIDADE DE SE COPIAR OS TEXTOS NO CADERNO.


 Quando lhe sugeriram que escrevesse a história de um personagem imaginário que, descontente consigo mesmo, se perguntava afinal que tipo de pessoa gostaria de ser, ele sentou-se junto à mesa de trabalho e deparou com um fato inesperado: pela primeira vez não conseguiu vencer um desafio daquele tipo que certos amigos, não raro, costumavam propor-lhe. Não conseguiu, por mais que insistisse, imaginar a história sugerida. Perdeu a conta do número de laudas iniciadas, apenas iniciadas, e logo abandonadas, eliminadas com fúria. Acabava sempre impulsionado a escrever sobre si mesmo, inexoravelmente. A situação de tantos anos finalmente invertia-se. Até então, jamais havia conseguido discorrer sobre suas próprias dúvidas, seus mistérios interiores, seu provável destino. Nunca conseguira, do mesmo modo, discutir qualquer assunto a não ser através dos jogos da imaginação. Sempre julgara superficial tratar dos fatos da vida de maneira como se apresentavam no mundo real, e ainda considerava o símbolo mais profundo que os objetos e fatos visíveis; a metáfora, melhor que a frase comum e cotidiana; o sonho, mais revelador que as observações da vigília; a alusão, mais eficiente que a frase explícita; e assim por diante. Mas esse período fecundo de sua existência exauria-se afinal. No entanto, perseverou. Continuou tentando imaginar o personagem cuja história teria necessariamente que começar com a crucial indagação: Quem eu gostaria de ser? Hoje sabemos (privamos de sua amizade; nós o conhecemos muitíssimo, estamos a par de tudo quanto escreveu e muito do que se escreveu sobre ele); sabemos, pois, que, para enfrentar o último desafio, tentou infrutiferamente lançar mão de todo o arcabouço de seus jogos literários,tão imaginosos, marca inconfundível, complexa teia em que seus personagens fatalmente enredavam-se e percebiam afinal que haviam chegado a um beco sem saída. De todos os jogos lembrados ou imaginados naqueles dias, apenas um não se demonstrou ineficaz, embora tampouco tenha demonstrado sua eficácia. Este amigo com quem hoje tanto nos preocupamos deixou de lado seus projetos literários anteriores e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando a que julga a única maneira possível de vencê-lo: começou por criar um novo personagem, certo escritor, ao qual um amigo de longa data sugere, incidentalmente, em meio a uma festa, que escreva a história de um personagem que, descontente consigo mesmo, pergunta-se afinal que tipo de pessoa gostaria de ser; mas o fato é que também o novo personagem senta-se à mesa de trabalho e não consegue imaginar a história sugerida, e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando aquela que julga a única maneira possível de vencê-lo, que é a de criar um personagem, um escritor, ao qual um amigo sugere que escreva a história de um personagem que se pergunta: Se estou tão descontente comigo mesmo, que tipo de pessoa, afinal, eu gostaria de ser?
 (FIORANI, Sílvio. Os estandartes de Átila. São Paulo: Lápis Lazuli; Companhia Editora Nacional, 2011, p. 41.)
Questões- responda em seu caderno
1) O conto “Nunca é tarde, sempre é tarde”, que você leu e estudou em aula, foi escrito pelo mesmo autor, Sílvio Fiorani. Explique a semelhança que existe entre os dois contos.
2)  “Nunca é tarde, sempre é tarde” pertence ao gênero fantástico, pois o leitor não pode decidir se Su é prisioneira do mundo do sonho (acontecimento maravilhoso) ou se ela apenas tem um longo sonho, com grande dificuldade de acordar (acontecimento estranho, mas compatível com a realidade). Explique por que o conto “No limiar do labirinto” não pode ser classificado e explicado da mesma maneira, ou seja, como uma narrativa fantástica

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O Pavão


             E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um
luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d´água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
            Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes
com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é
a simplicidade.
           Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
(BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 120)

02. No 2º parágrafo do texto, a expressão ATINGIR O MÁXIMO DE MATIZESsignifica o artista
(A)  fazer refletir, nas penas do pavão, as cores do arco-íris.
(B)  conseguir o maior número de tonalidades.
(C)  fazer com que o pavão ostente suas cores.
(D)  fragmentar a luz nas bolhas d’água.

filme "Sorte no Amor"

Trabalho sobre o filme “Sorte no Amor” .

1) Answer:

a) What is the name of the movie?
b) Who is the principal characters?
c) What about is the story?

2) Number the scenes:

a) (  ) The mirror broke
b) (  ) She kissed a boy
c) (  ) She had a party
d) (  ) She broke her shoes
e) (  ) She wrapped her dress
f) (  ) She was arrested
g) (  ) The dryhair broke

3) Complete with: has/have, is/are, can't.

a) She ______ an amazing job.
b) Ashley______ a desaster.
c) They ________ a rock band.
d) He________ doanything right.
e) She _______ a lucky girl.
f) He_________ an bad lucky boy.
g) They________ living in New York.
h) She_______ an apartment.

4) Write phrases related to the film using the words bellow:
a) Boy:

b) Present:

c) Hands:

d) Girls:

e) Glue:

f) Bad luck:

g) luck

h) Rock band:

O homem e a galinha

Interpretação de texto:                        
                                                                                                                                  Ruth Rocha
Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.
Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:
– Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
– Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha.
Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete. E a galinha todos os dias botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Pra que este luxo todo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló… Muito menos sorvete!
Vai que a mulher falou:
– É, mas esta é diferente. Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa:
– Acaba com isso, mulher. Galinha come é farelo.
Aí a mulher disse:
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim! – o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. – respondeu o marido.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Pra que este luxo de dar milho pra galinha? Ela que cate o de-comer no quintal!
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim – o marido falou.
Aí a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Um dia a galinha encontrou o portão aberto.
Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.

01 - O texto recebe o título de O  homem e a galinha.  Por que a história recebe esse título?
a) Porque eles são os personagens principais da história narrada.
b) Porque eles representam, respectivamente, o bem e o mal na história.
c) Porque são os narradores da história.
d) Porque ambos são personagens famosos de outras histórias.
e) Porque representam a oposição homem-animal.

02 - O marido não queria tratar a galinha de forma especial para:
a) economizar dinheiro.
b) ganhar fama.
c) não acostumá-la mal.
d) para não chamar atenção.
e) ser diferente.

03 - Na passagem “onde tratam dela a pão-de-ló”, a expressão destacada quer dizer:
a) desprezada.
b) infeliz.
c) humilhada.
d) bem tratada.
e) maltratada.

04- A mulher tratava bem a galinha porque ela era:
a) comum.
b) diferente.
c) pequena.
d) velha.
e) grande.

05 - Qual das características a seguir pode ser atribuída à galinha?
a) avareza
b) conformismo
c) ingratidão
d) revolta
e) hipocrisia

06 - A galinha foi embora para:
a) procurar outras galinhas.
b) mudar de galinheiro.
c) procurar boa comida.
d) fugir dos maus tratos.
e) para mudar de ambiente.

07 - Antes de dizer que a galinha deveria catar “o de-comer no quintal”, o que o marido mandou a mulher dar para a galinha?
a) Farelo.
b) Pão-de-ló.
c) Sorvete.
d) Ovos.
e) Milho.

08 - Qual das afirmativas a seguir não é correta em relação ao homem da fábula?
a) É um personagem preocupado com o corte de gastos.
b) Mostra ingratidão em relação à galinha.
c) Demonstra não ouvir as opiniões dos outros.
d) Identifica-se como autoritário em relação à mulher.
e) Revela sua maldade nos maus-tratos em relação à galinha.

09 - Era uma vez um homem que tinha uma  galinha. De que outro modo poderia ser dita a frase destacada?
a) Era uma vez uma galinha, que vivia com um homem.
b) Era uma vez um homem criador de galinhas.
c) Era uma vez um proprietário de uma galinha.
d) Era uma vez uma galinha que tinha uma propriedade.
e) Certa vez um homem criava uma galinha.

10 -  Procure no texto quatro substantivos, três verbos,  e cite aqui:
______________________________________________________________________

11- A segunda frase do texto diz ao leitor que a galinha era uma galinha como as outras. Qual o significado dessa frase?
a) A frase tenta enganar o leitor, dizendo algo que não é verdadeiro.
b) A frase mostra que era normal que as galinhas botassem ovos de ouro.
c) A frase indica que ela ainda não havia colocado ovos de ouro.
d) A frase mostra que essa história é de conteúdo fantástico.
e) A frase demonstra que o narrador nada conhecia de galinha.

12 - O que faz a galinha ser diferente das demais?
a) Botar ovos todos os dias independentemente do que comia.
b) Oferecer diariamente ovos a seu patrão avarento.
c) Pôr ovos de ouro antes da época própria.
d) Botar ovos de ouro a partir de um dia determinado.
e) Ser bondosa, apesar de sofrer injustiças.

13 – Que elementos demonstram que a galinha passou  a receber um bom tratamento, após botar o primeiro ovo de ouro?
a) pão-de-ló / mingau / sorvete
b) milho / farelo / sorvete
c) mingau / sorvete / milho
d) sorvete / farelo / pão-de-ló
e) farelo / mingau / sorvete

14 - Dizem, eu não sei... Quem é o responsável por essas palavras?
a) o homem    b) a galinha   c) o narrador   d) a mulher  e) o ovo

15 - Procure no texto palavras paroxítonas e cite-as aqui.
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________

16 – Escreva uma história com os seguintes substantivos: galinha, Santos Reis, estrada, primavera, agricultor, plantio, raposa, cão, ovo. Deve ter no mínimo 20 linhas.

Água: a crônica da falta de bom senso

Água: a crônica da falta de bom senso
Os problemas de abastecimento são reflexos do mau uso e desperdícios generalizados
Um calor acima do previsto e chuvas que não caem como em anos anteriores. Além disso, um consumo em alta e os reservatórios em baixa atingindo marcas históricas negativas. Todos esses fatores somados resultam na séria e concreta ameaça de racionamento de água na região Sudeste, a mais populosa do país.
É claro que esse estado de coisas deve ser considerado atípico, mas diante da crise anunciada e um iminente “apagão” no fornecimento desse líquido precioso, lá vamos nós caçar os culpados da hora!!
A mídia responsabiliza governos pela ausência de investimentos no setor. Os partidos pró e contra defendem ou atacam conforme a conveniência e a população reclama de todos afirmando que pagam suas contas em dia e, portanto, não aceitam abrir mão do direito de ter água nas torneiras e chuveiros sempre que quiserem fazer uso dela.
Afinal, foi o fenômeno climático, como consequência do aquecimento global, o maior responsável pelas altas temperaturas e pela ausência de chuvas?
Em parte podemos até afirmar que sim. Mas depender totalmente dos ciclos de chuva do bom comportamento climático, apenas revela um despreparo muito grande e que deve realmente assustar a todos nós.
Então, a quem cabe a maior responsabilidade? Acredito que seja da visão limítrofe generalizada que ainda é capaz de dar pouca importância a esse insumo fundamental para a vida de todos.
Façamos um exercício bastante simples. Imagine a falta de muitos serviços que temos à disposição dentro das nossas casas. Pense que durante um período você ficará totalmente sem energia elétrica, sem telefone ou mesmo sem dispor da internet e da televisão a cabo. Muito ruim sem dúvida e que podem trazer prejuízos diversos. Agora reflita sobre a total ausência de água. Sem entrar na individualização dos problemas acarretados por cada um desses serviços, o que naturalmente o obrigaria a sair de casa para buscar uma solução é exatamente a água. Ela não é apenas vital para o nosso dia a dia, pessoal ou profissionalmente como tantos outros, é basicamente uma questão de sobrevivência.
Agora, com raras exceções, o mais essencial é, invariavelmente, o mais barato de todos. É ao final das contas uma impressionante inversão de valores, o que é mais importante custa menos que o supérfluo... e vice-versa. Nessa hora prevalece a lógica do famigerado mercado tão pouco afeito a enxergar além do curto prazo.
Esse olhar distorcido é o primeiro responsável pela nossa crise de abastecimento de água. Depois dele tudo vai se complicando numa espiral de problemas sobrepostos.

por Reinaldo Canto — publicado 16/02/2014 12h44

PENSE SOBRE O ASSUNTO E FAÇA UMA RESENHA DE 20 A 25 LINHAS

SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES



    Retiradas as capas, o zunzum das conversas continuava. Ninguém tinha entrado no quarto fatídico. Todos o diziam e repetiam.
    Foi no meio dessas conversas que Sherlock Holmes cresceu dentro de mim . Anunciei:
    ___ Já sei quem roubou o anel.
    De todos os lados surgiam exclamações. Algumas pessoas se limitava a interjeições: “Ah!”,”Oh!”. Outras perguntavam quem tinha sido.
    Sherlock Holmes disse o que ia fazer, indicando um gabinete próximo:
    ___ Eu vou para aquele gabinete. Cada uma das senhoras aqui presentes fecha-se ali em minha companhia por cinco minutos.
    ___ Por cinco minutos? ___ indagou o Dr. Caldas.
    ___ Porque eu quero estar o mesmo tempo com cada uma, para não poder se concluir da maior demora com qualquer uma delas que essa é a culpada. Serão para cada uma cinco minutos cronométricos.
    O Dr. Caldas gracejando:
    ___ Mas veja o que você faz. Não procure namorar minha mulher, senão eu lhe dou um tiro.
    Houve uma hesitação. Algumas diziam estar acima de qualquer suspeita, outras que não se submetiam a nenhum inquérito policial. Venceu, porém, o partido das que diziam “quem não deve não teme”. Eu esperava, paciente. Por fim, quando vi que todas estavam resolvidas, lembrei que seria melhor quem fosse saindo, despedir-se e partir.
    E a cerimônia começou. Cada uma das senhoras esteve trancada comigo justamente os cinco minutos que eu marcara.
    Quando a última partiu, saiu do gabinete, achei à porta, ansiosa, Madame Guimarães:
    ___ Venha comigo ___ disse-lhe eu.
    Aproximei-me do telefone, chamei o Alves Calado e disse-lhe que não precisava mais tomar providência alguma, porque o anel fora achado.
    Voltando-me para Madame Guimarães entreguei-o então. Ela estava tão nervosa que me abraçou e beijou freneticamente. Quando, porém, quis saber quem fora a ladra,não me arrancou nem uma palavra.
    No quarto, ao ver sinhazinha Ramos entrar, tínhamos tido mais ou menos, a seguinte conversa:
    ___ Eu não vou deitar verdes para colher maduros, não vou armar cilada alguma. Sei que foi a senhora que tirou a joia de sua tia.
   Ela ficou lívida. Podia ser medo. Podia se cólera. Mas respondeu firmemente:
    ___ Insolente! É assim que o senhor está fazendo com todas, para descobrir a culpada?
    ___ Está enganada. Com as outras eu apenas converso. Com a senhora, não; exijo que me entregue o anel.
    Mostrei-lhe o relógio para que visse que o tempo estava passando.
    ___ Note ___ disse eu___ que tenho uma prova, posso fazer ver a todos.
    Ela se traiu, pedindo:
    ___ Dê sua palavra de honra que tem essa prova!
    Dei. Mas o meu sorriso lhe mostrou que ela, sem dar por isso, confessara indiretamente o fato.
    ___ E já agora ___ acrescentei ___ dou-lhe também a minha palavra de honra que ninguém saberá por mim o que fez.
    Ela tremia toda.
    ___ Veja que falta um minuto. Não chore. Lembre-se que precisa sair daqui com uma fisionomia jovial. Diga que estivemos falando de moda.
    Ela tirou a joia do seio, deu-ma e perguntou:
    ___ Qual é a prova?
    ___ Esta ___ disse-lhe eu apontando para uma esplêndida rosa-chá que ela trazia. ___ É a única pessoa, esta noite, que tem aqui uma rosa amarela. Quando foi ao quarto de sua tia, teve a infelicidade de deixar cair duas pétalas dela. Estão junto da mesa-de-cabeceira.
    Abri a porta. Sinhazinha compôs magicamente, imediatamente, o mais encantador, o mais natural dos sorrisos e saiu dizendo:
    ___ Se este Sherlock fez com todas o que fez comigo, vai ser um fiasco absoluto.
    Não foi fiasco, mas foi pior.
    Quando Sinhazinha chegara, subira logo. Graças à intimidade que tinha na casa, onde vivera até a data do casamento, podia fazer isso naturalmente. Ia só para deixar a sua capa dentro do armário. Mas, à procura de um alfinete, abriu a mesinha-de-cabeceira, viu o anel, sentiu a tentação de roubá-lo e assim o fez . Lembrou-se de que tinha de ir para a Europa daí um mês. Lá venderia a joia. Desceu então novamente com a capa e mandou pô-la no automóvel. E como ninguém a tinha visto subir, pôde afirmar que não fora ao andar superior.
    Eu estraguei tudo.
    Mas a mulherzinha se vingou: a todos insinuou que provavelmente o ladrão tinha sido eu mesmo. E, vendo o caso descoberto antes da minha retirada, armara aquela encenação para atribuir a outrem o meu crime.
    O que sei é que madame Guimarães, que sempre me convidava para as suas recepções, não me convidou para  a de ontem... Terá talvez sido a primeira a acreditar na sobrinha.
                                          ( Medeiros e Albuquerque )

DEPOIS DE LER O TEXTO ATENTAMENTE, FAÇA O QUE SE PEDE.
1- Relacione as palavras destacadas a seus significados.
a- “Ninguém tinha entrado no quarto fatídico.”                     (  ) pálida
b- “Ela ficou lívida.”                                                               (  ) fatal, trágico
c -“___Insolente!”                                                                   (  ) alegre
d- “... precisa sair daqui ... fisionomia jovial.”                        (  ) atrevido

2- Qual é o significado da expressão: “___ Eu não vou deitar verdes para colher maduros...”_______________________________________________________________

3- Quem é o narrador-personagem? ____________________________________________

4- Em torno de qual fato gira a história? _________________________________________

5- Qual o espaço da narrativa (onde acontece)? __________________________________

6- Que decisão do narrador indica que uma mulher havia furtado o anel? ______________
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7-Que sentimentos , dos abaixo relacionados, estão expressos nas falas das personagens?
a- honradez       b- ofensa       c- culpa               d- autoridade
 (   ) (Sinhazinha Ramos) “___ Insolente!”
 (   ) (Narrador) “Com a senhora, não, exijo que me entregue o anel.”
(   ) (Sinhazinha Ramos) “___ Dê sua palavra de honra que tem essa prova!”
(   ) (Narrador) “... dou-lhe a minha palavra de honra que nunca ninguém saberá por mim o que fez.”

8- Por que o narrador pediu à ladra que saísse do gabinete com fisionomia jovial?
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9- Qual foi a prova do crime?__________________________________________________
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10-Que estratégia a jovem usou para roubar o anel? _______________________________
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11- Qual foi a vingança da ladra e qual foi a consequência disso no final da história?

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Inadiável partida


                                                   

Muitas vezes desfiz malas recém-feitas muitas vezes abri mão de novos ares.
Viajar, viajar, viajar, e eu presa ao chão, parafuso em mil voltas enfincado.
Não importa.
Dia virá em que partirei sem malas e habitarei definitiva o país longínquo – meta de hipóteses e sonhos.


                         (CABRAL, Astrid. De déu em déu - poesia reunida. Rio de Janeiro: Sete Letras, 1998, p. 316.)

 Assinale a melhor interpretação do poema:
 a) O tema do poema é a insatisfação com a vida na terra natal e o desejo de mudar-se para outro país.
 b) O tema do poema é a frustração de uma mulher que não quer viajar.
c) O significado das palavras “partida”, “viajar” e “partir” transforma-se ao longo do texto, tornando-se metafórico.
d) O eu lírico tem medo de viajar, pois, embora esteja consciente da necessidade da partida (título), prorroga indefinidamente a decisão (verso 5).



ESOPO

 
Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
-- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está á venda no mercado.
-- Como? – perguntou o amo, surpreso – Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?
-- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para se explicar.
-- Meu amo, não vos enganei – retrucou Esopo --- A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
-- Boa, meu caro – retrucou o amo – Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?
-- É perfeitamente possível, senhor. E com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda Terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o escravo e obteve dele surpreendente resposta:
-- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? – indagou Esopo.
Impressionado com a inteligência invulgar do serviçal, o senhor calou-se, comovido, e, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas histórias até hoje se espalham por todo o mundo.
(Autor desconhecido)

1) Essa narrativa tem como protagonistas:
a-( ) o amo e o patrão                               b-( ) o chefe militar e o escravo
c-( ) o companheiro e o patrão               d-( ) o servo e o escravo

2) A passagem “indagou Esopo” pode ser escrita, mantendo-se o mesmo sentido, como:
a-( ) respondeu Esopo;                                b-( ) percebeu Esopo;
c-( ) perguntou Esopo;                                 d-( ) assegurou Esopo;

3) Segundo o texto, a língua tanto serve para as virtudes quanto para os vícios do mundo. Como exemplo de virtude e vício, respectivamente, podem-se citar:
a-( ) ensinamentos filosóficos e conceitos religiosos;
b-( ) discussões infrutíferas e obras literárias;
c-( ) rede de intrigas e desentendimentos;
d-( ) ensinamento das verdades santas e criação de anedotas vulgares;

4) Em “impressionado com a inteligência invulgar do serviçal...”, o adjetivo destacado significa:
a-( ) rara                                                       b-( ) medíocre
c-( ) impopular                                            d-( ) respeitosa

5) Em “Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?”, a oração destacada tem o sentido de:
a-( ) finalidade                                                b-( ) condição                                              
c-( ) causa                                                         d-( ) consequência

6) De acordo com o texto, quando a língua é mal utilizada, intrigas e violências verbais podem ser:
a-( ) confrontadas                                         b-( ) armadas
c-( ) superadas                                              d-( ) rejeitadas

7) Em “por ela mesma ensinadas...”, a palavra destacada está no feminino plural em concordância com:
a-( ) “violências”                                         b-( ) “anedotas”
c-( ) “verdades”                                          d-( ) “discussões”

8) Em “Ao abri-lo”, o pronome foi usado para substituir a seguinte palavra:
a-( ) pacote                                                 b-( ) amo
c-( ) primeiro                                              d-( ) Esopo

9) O sentido de negação, em determinadas palavras, é dado por prefixos, como em:
a-( ) “impressionado” e “intrigas”
b-( ) “infrutíferas” e “desentendimentos”
c-( ) “desapontado” e “inteligência”
d-( ) “interrogou” e “ensinadas”

10) Nessa história, a libertação do escravo se deve ao fato de Esopo:
a-( ) fazer boas compras                             b-( ) ser educado
c-( ) falar muito bem                                   d-( ) ter grande sabedoria

A DESCOBERTA DO MUNDO


O que eu quero contar é tão delicado quanto a própria vida. E eu queria poder usar a delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
Quando criança, e depois de adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesma, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria a minha ignorância um modo sonso e inconsciente de manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube de coisas que eu nem mesmo sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que um dia, já passados os treze anos, como só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e que fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia antes fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo na esquina de esclarecer o mistério da vida. Só que ela também era uma menina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? Mas para quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizante – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca ia me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como a mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde. Tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me conciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de contar como era o amor. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino. Pois juro que a vida é bonita. ( Clarice Lispector )




VOCABULÁRIO:
PRECOCE: PREMATURO / TURVAR: TOLDAR, ESCURECER / INTACTO: INTEIRO / LUCIDEZ: CLAREZA, PERSPICÁCIA / PUDOR: VERGONHA /SONSO:FINGIDO, DISSIMULADO / PRECEDER: REVELAR-SE ANTES DE...

1- Por que o texto tem o título “A descoberta do mundo”?
2- A que a narradora se refere quando menciona “os fatos da vida”?
3- Como se sentia a narradora em relação às colegas? E como se comportava diante delas?
4- Qual o caminho imediato que encontrou para suprir sua ignorância?
5- Como a narradora se descreve psicologicamente e fisicamente?
6- A narradora se diz atrasada em relação a certos fatos da vida e se diz precoce em relação a outros. Em que consistia sua precocidade?
7- Como ela explica o fato de continuar, mesmo adulta, ainda atrasada em muitos terrenos?
8- Como a narradora se sentiu quando ouviu as explicações dadas pela colega? Por quê?
9- Por que a narradora demorou tanto para reunir coragem e fazer a pergunta à amiga?
10- Que descoberta você acha que a narradora fez que a deixou tão chocada?
11- O que a narradora quer dizer com: “ a vida é bonita”, o que é bonito?
12- Qual o foco narrativo utilizado no texto? E que tipo de narrador?
13- Foi utilizado o discurso direto? Justifique sua resposta.
14- Há no texto uma comparação. Retire-a.
15- Explique a colocação pronominal em: "Enfeitar-me aos onze anos de idade...", "Eu me sentia pronta...".

A CARTOMANTE

A cartomante
Machado de Assis


Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
- Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “ A senhora gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você esquecesse, mas que não era verdade...
- Errou! interrompeu Camilo, rindo.
- Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
- Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
- Onde é a casa?
- Aqui perto, na Rua da Guarda Velha, não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.
Camilo riu outra vez.
- Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.
Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.
Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.
- É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.
Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.
Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; - ela mal, - ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as coisas que o cercam.
Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima das ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava de imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: - a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.
Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
- Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camila devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelaram-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.
No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão afigurou-se trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
- Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, - repetia ele com os olhos no papel.
Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando da pena e escrevendo-lhe o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.
Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, - o que era ainda pior, - eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Ditas assim, pela voz do outro, tinha um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéias, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
“Quanto antes melhor”, pensou; “não posso estar assim...”
Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente na rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
Camilo reclinou-se no tílburi, para anão ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:
- Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí a pouco estaria removendo o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: “Vem, já, já...” E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas, a voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários, e a mesma frase do príncipe da Dinamarca reboava-lhe dentro: “Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia...” Que perdia ele, se...?
Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve a idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.
A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
- Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.
- E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
- A mim e a ela, explicou vivamente ele.
A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
- As cartas dizem-me...
Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que o ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
- A senhora restituiu-me a paz de espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.
Esta levantou-se, rindo.
- Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe a testa. Camilo estremeceu, como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.
- Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?
- Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, deu-lhe uma. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.
- Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
A cartomante já tinha guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
- Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignorava vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.
A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
- Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
Vilela não lhe respondeu: tinhas as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: - ao fundo, sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-a pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Assis, Machado. Contos. Série Bom Livro. 26ª ed. Editora Ática: 2002. p. 91-98.

Depois de ler o conto, complete os elementos da narrativa:
1) Personagens:
2) Tempo:
3) Tipo de narrador:

Em relação ao enredo, descreva:
4) Situação inicial:
5) Conflito:
6) Clímax:
7) Desfecho:



A DESPEDIDA

A DESPEDIDA

              Zeca entendeu tudo na hora. Deu um grande abraço no irmão. Trocaram um olhar, e meio que combinaram tudo, sem dizer nenhuma palavra. Foram detrás do prédio. Não acharam nenhum lugar de que gostassem. Caminharam um pouco mais e chegaram num terreno baldio. Pararam perto duma árvore, cavaram a terra com as pazinhas que tinham trazido. Enterraram o hamster no maior silêncio.
              Cobriram a cova com a terra. Com tristeza, com dor, Zeca fez uma cruz com dois paus de madeira que encontrou pelo caminho e amarrou com elástico. Com uma caneta escreveram: “Olhos vermelhos. Dez meses de idade. Saudades de Edu e Zeca.”
              Voltaram para casa chorando. Edu se apoiava em Zeca, que caminhava devagarinho, sentindo que a ocasião não era pra nenhuma estabanação. Deu o tempo que o Edu precisava. Não disse nada, nem ouviu nada. Só silêncio e lágrimas rolando.
              Em casa, Edu se trancou no quarto. Não quis saber de mais nada. Nem de jantar, muito menos de conversar ou ver tevê. Zeca até emprestou o seu videogame, mas nem isso animou o Edu. Deitado na cama, olhos fechados, coberto até o pescoço, porque estava sentindo frio, só pensava na falta que Olhos Vermelhos ia fazer. Chorou até dormir. Dormiu de cansaço.
              Edu sofria, Zeca chamava o irmão pra ler suas revistinhas, mas Edu nem se interessava... A mãe insistia pra que ele fosse dar umas voltas, brincar com os amigos, jogar futebol, apostar corrida, pedalar na bicicleta. Ele só queria ficar em casa. Pensando.
              Resolveu desenhar num caderno grosso tudo o que lembrava as aprontações e da carinha marota de Olhos Vermelhos. Ficava horas nisso... Tinha perdido alguém que adorava! E quem perde alguém tão querido não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina. Os pais tinham que entender que perder o melhor amigo era duro. Muito duro. Talvez mais tarde encontrasse alguma coisa que o consolasse. Agora, por enquanto, nesse momento, não tinha nada, nadinha! Só um coração vazio.
(ABRAMOVICH, FANNY.IN: OLHOS VERMELHOS .SÃO PAULO: MODERNA ,1995.)

Interpretação e análise
1.Qual é a autoria do texto? Em qual livro está publicado?
2.Qual o tema principal de A despedida?Assinale apenas uma alternativa:
(  ) animal de estimação           (   ) lidar com as perdas de algo ou alguém
(   ) amizade                           (   ) afeto entre irmãos
3. Quem era Olhos Vermelhos?
4. Quem eram Edu e Zeca?
5.Qual dos dois meninos  ficou  mais triste pela perda? Qual poderia  seria o motivo?
6.Qual a relação entre o título A despedida  e o texto? Explique com suas palavras
7. Que outro título você daria, considerando a relação com o texto?
8. Escreva duas ações que estão no texto comprovando que Zeca se importava com o sofrimento do irmão.
9.”E quem perde alguém tão querido assim não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina.” Você concorda com essa ideia? Justifique sua resposta.
10. Você já sofreu uma grande perda? Se quiser, relate em um parágrafo a sua experiência e como lidou com isso.

A CONSULTA


Nosso herói, Coitado de Tal, é um trabalhador doente, com dores constantes. Já procurou terreiro, curadores, tomou chás, fez “simpatias”. Agora, vai tentar a medicina. Está diante de um médico, no consultório. Conseguirá  a cura para o seu mal? Leia o texto teatral para saber.
A CONSULTA
Domingos Pellegrini
1. Doutor: Bom dia. (Examina rapidamente a ficha de Coitado, que uma secretária trouxe) Coitado de Tal – confere, seu Coitado?
2. Coitado: Sou eu mesmo, doutor.
3. Doutor: Quarenta e dois anos, casado, rua 1º de Maio – confere?
4. Coitado: Confere, doutor, sou eu mesmo.
5. Doutor: Porque tem muito Coitado de Tal no fichário, pode confundir.
6. Coitado: Mas por falar em coitado, doutor, eu vim aqui porque…
7. Doutor: O senhor pode ficar à vontade. (Faz Coitado sentar ao lado de uma máquina registradora) Muito bem, vamos com isso – o que é que o senhor sente, seu Coitado?
8. Coitado: Bom, doutor, eu sinto que estou morrendo.
9. Doutor: (Vai anotando na ficha) Muito bem, então o senhor sente que está morrendo. Todo dia, seu Coitado?
10. Coitado: Todo dia, doutor. Tem dia que eu acho até que já morri, de tanta dor e fraqueza.
11. Doutor: (Anotando) Acha que já morreu, muito bem. O senhor precisa ver um médico da cabeça, seu Coitado, um psiquiatra. Vou dar o endereço de um para o senhor. (Aciona a manivela da caixa registradora, tira um cartão da gaveta) O senhor entregue a ele este cartão, diga que fui eu quem mandei.
12. Coitado: Muito obrigado, doutor – mas o senhor acha que o caso é na cabeça?
13. Doutor: Não se incomode, seu Coitado, que o senhor já morreu. Mas me diga: e a urina?
14. Coitado: Pois é, doutor, a urina…
15. Doutor: Era o que eu pensava – vou indicar pro senhor um especialista em urina, um urologista. (Retira mais um cartão da registradora, entrega a Coitado) E as tonturas, seu Coitado?
16. Coitado: Que tontura, doutor?
17. Doutor: O senhor não disse que sente umas tonturas?
18. Coitado: Deve ter sido outro coitado, eu não, doutor.
19. Doutor: O senhor não deve esconder nada do médico, eu estou aqui para ajudar o senhor.
20. Coitado: Pois é, doutor, mas…
21. Doutor: Se o senhor me sonega alguma informação eu não posso estruturar o quadro clínico simplesmente porque foi solapada a anamnese, e o levantamento sindromático é  base do quadro clínico. Toda a moderna medicina está pautada no relacionamento médico-paciente, entre os quais a confiança é fundamental.
22. Coitado: O senhor tem razão, doutor, eu… eu não sabia que estava tão ruim.
23. Doutor: Então só me responda sim ou não, por favor.
24. Coitado: Tá certo, doutor, mas é que com tanta pergunta eu fico até meio tonto…
25. Doutor: Ah! Que tipo de tontura, seu Coitado?
26. Coitado: O senhor quem sabe, ué, doutor.
27. Doutor: Não, não sei, seu Coitado, isto requer um especialista – vou indicar para o senhor um ótimo neurologista. (Retira um cartão da registradora, entrega a Coitado) E o apetite vai bem?
28. Coitado: O meu, doutor? Nem me fale…
29. Doutor: Não vou falar nada mesmo, seu Coitado, quem vai falar é um especialista – vou indicar um ótimo apetitista para o senhor. (Outro cartão)
30. Coitado: Muito obrigado, doutor, mas o que eu sinto mesmo…
31. Doutor: Com um bom tratamento o senhor não vai sentir mais nada. (Rapidamente levanta a camisa de Coitado e lhe ausculta as costas com o estetoscópio) Respire fundo. (Entra a enfermeira)
32. Enfermeira: Telefone da clínica, doutor.
33. Doutor: (Transfere o estetoscópio para o peito de Coitado) O senhor segura isto aqui no peito, assim, e vai respirando fundo. (O doutor sai. Coitado fica segurando o estetoscópio no peito e respirando fundo. Depois de algum tempo, o doutor volta, retira o estetoscópio)
34. Doutor: Muito bem, seu Coitado. (Anota na ficha) Abra a boca e os olhos bem abertos. (Examina boca e olhos ao mesmo tempo) Deita. (Faz Coitado deitar rapidamente, lhe enfia o termômetro na boca, enquanto lhe apalpa a barriga e lhe dá pancadinhas com os dedos e marteladas nos joelhos) Sente alguma coisa, seu Coitado? Dói aqui? O que é que o senhor sente quando aperto aqui? E me diga uma coisa: o senhor bebe muito?
35. Coitado: Eu…
36. Doutor: Então o senhor controla a bebida, seu Coitado, controla para seu próprio bem. Pode levantar.
37. Enfermeira: (Entrando rapidamente de novo) Estão chamando da clínica, doutor.
38. Doutor: Vou receitar uns medicamentos (vai escrevendo a receita), mas o senhor não deve deixar de seguir as outras orientações.
39. Coitado: Mas, doutor, eu queria saber…
40. Doutor: O senhor não se incomode que isso vai passar, na vida tudo passa. O senhor volte aqui me trazendo um relatório de cada um dos especialistas que indiquei, e mais resulktados de raio-x e dos outros exames que eles pedirem, de sangue, de urina, de fezes, eletroencefalograma, etc.
41. Coitado: Mas até lá eu posso estar morto, doutor…!
42. Doutor: O senhor já morreu demais, seu Coitado.
______________________________________________________
Após a leitura do texto teatral, responda a estas questões:
1. Que diferença há entre doutor e médico?
2. Nas frases abaixo foi usada a palavra “simpatia” com significados diferentes. Dê o significado da palavra usada em cada frase.
a)     A simpatia dessa mulher me faz esquecer que ela é muito feia.
b)     Tomara que dê certo a simpatia que ela ensinou.
3. No texto teatral, há dois instrumentos médicos: estetoscópio e termômetro. Para serve cada um deles?
4. O paciente não entendeu a fala do médico (parágrafo 21) e supôs que, pelo palavreado, estivesse muito mal. Como você daria essa mesma explicação de modo que o paciente entendesse?
5. A medicina atual é altamente especializada e, por isso, muita gente se atrapalha na escolha de médico. Complete as lacunas com a palavra correta da especialidade médica a que se refere a frase:
a) Eu tive uns problemas de urina e fui a um _________________
b) Minha prima teve umas complicações próprias de mulher e procurou um _____________________
c) Meu sobrinho teve uns problemas nos pulmões e consultou um ________
d) Eu estou com uns problemas de vista. Vou ao ______________
e) Estou com meu coração batendo muito depressa e sempre me  dá falta de ar. Que você aconselha? Vá a um ________
f) Estou com problemas de falta de dinheiro. O que eu faço? Ora, vá… (trabalhar!)
6. Podemos afirmar que o paciente procurou o médico tão logo percebeu sintomas de doença? Explique.
7. Dando ao paciente o nome de Coitado de Tal, o autor pretendeu:
a. (   ) demonstrar que as tentativas de cura fora da medicina maltratam as pessoas.
b. (   ) fazê-lo representar qualquer pessoa, sem lhe atribuir individualidade.
c. (  ) evitar que o nome coincidisse com o de qualquer outra pessoa e a melindrasse.
d. (   ) deixar claro que todos os doentes são iguais e merecem tratamentos iguais.
8. Que especialistas o médico indicou ao paciente?
9. No Parágrafo 22, Coitado de Tal disse: “eu não sabia que estava tão ruim”. O que o fez pensar assim?
10. A enfermeira interrompeu a consulta duas vezes para anunciar chamado da clínica. O modo de agir do médico nas duas ocasiões insinua que ele:
a. (   ) resolvia os casos de sua clínica por telefone, em horário de atendimento aos pacientes.
b. (   ) dava prioridade a quem o procurava pessoalmente.
c. (   ) considerava inoportunos os telefonemas da clínica.
d. (   ) se preocupava muito mais com sua clínica particular.
11. A caixa registradora é um elemento estranho a um consultório médico. Por que o autor a incluiu no cenário?
12. Na sua opinião, a medicina é um comércio ou apenas há médicos que fazem da medicina um comércio?



















quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Literatura entrelinhas - 30 de agosto de 2016



ANTONIE SAINT-EXUPERY - O PEQUENO PRÍNCIPE

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Pintores

1.Pesquise os pintores desta lista abaixo e realize a tarefa:
Cada pintor deve ser pesquisado e entregue com respostas completas em 30 dias.

Renoir
Tiziano Vecellio
Rembrandt Harmenszoon
Van Gogh
Luca Giordano
Tintoretto
Miguel Ângelo
Paul Gauguin
Leonardo Da Vinci
Pissarro
Paul Cézanne
Pablo Picasso
Sandro Botticelli
Diego Velasquez
Vieira da Silva
Paula Rego
Edgar Degas
Salvador Dali
Cândido Portinari
2.Escreva quando nasceu o pintor e morreu.
3. Escolha uma das telas e diga o que você achou desta tela.
4. Quais as cores e formas mais usadas pelo pintor?

5. Qual o nome da tela que você escolheu?

Volte sempre!

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