Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

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domingo, 18 de setembro de 2016

Redação

Leia as orientações com atenção
Prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
Não deve conter rasuras. Use um rascunho se necessário e passe a limpo.
Os rascunhos devem ser entregues juntos.
Serão avaliados os seguintes itens: ortografia, concordância verbal e nominal, acentuação, parágrafo, letra maiúscula quando necessário e uso da língua padrão (sem uso de gírias ou linguagem de internet).

1) Escreva um resumo do primeiro capítulo do livro que você leu, citando qual o nome do livro, o que acontece com o personagem logo no início, o que ele fala ou pensa ou agi. ( 12 linhas)

2) REDAÇÃO TEMA: O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE
Leia o texto abaixo.
                                         Qual é o problema do lixo?

      Todos temos ouvido falar muito que o lixo é um problema. Mas ao cidadão comum parece que o problema do lixo só existe quando há interrupção na coleta do lixo e os lixeiros deixam de passar na sua porta.
      O que é preciso entender é que, mesmo quando o lixo é recolhido pelos lixeiros, ele não desaparece, apenas é levado para outro lugar. E é preciso muito cuidado para que ele não cause os problemas que estava causando na porta de sua casa e em outro lugar. Afinal, a cidade também é nossa casa, assim como o país, o continente e... o Planeta.
       O lixo, como os demais problemas ambientais, tornou-se uma questão que excede à capacidade dos órgãos governamentais e necessita da participação da sociedade para sua solução. Disponível em: http.www.institutogea.org.br|oproblemadolixo.html. Acesso em: 1junho2012. Fragmento.                                                                                                                                                                                       Com base no texto apresentado e nos conhecimentos individuais, redija um texto, na modalidade culta da Língua Portuguesa, com aproximadamente (20 linhas), sobre o seguinte tema:  O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE.
Fale sobre a responsabilidade de cada pessoa em relação ao lixo, mostrando quais problemas ele pode trazer futuramente para a sociedade e o que precisa ser feito para que o lixo não provoque estragos ainda maiores ao meio ambiente e, conseqüentemente, à vida no planeta.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

TENTAÇÃO


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
   Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
   Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
   Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
   A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
   Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
   No meio de tanta vaga  impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
   Mas ambos eram comprometidos.
   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
   A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

   Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
Após ler o texto, responda:
1 Quem são as personagens principais? O que elas têm em comum?
2. O que a menina fazia sentada na porta de casa, às duas horas da tarde?
3. Onde se passa a história? Retire do texto uma frase que apresenta uma característica marcante do cenário.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Poesia e Interpretação

Pois é
Falaram tanto que desta vez
A morena foi embora
Disseram que era maioral
E eu é que não quis acreditar
Endeusaram a morena tanto tanto
Que ela resolveu me abandonar
A maldade dessa gente é uma arte
Tanto fizeram que houve a separação.
Mulher a gente encontra em toda parte
Mas não se encontra a mulher
Que a gente tem no coração.                                            (CD Leva meu samba. Som Livre- autor: Ataulfo Alves)

1) Como você sabe, a voz que fala nos versos de um poema ou de uma canção é o eu lírico. Nessa canção, o eu lírico se sente vítima do diz-que-mediz de alguém.
a) O que devem ter dito à morena?
b) Levante hipóteses: O que devem ter falado à morena sobre o eu lírico?
c) Que expressão, empregada na 2ª estrofe, revela a opinião do eu lírico de que sua separação foi resultado do mau-caratismo de alguém?

Realidade
Existe, sim,menina,
Tudo: disco-voador,
Oitavo sentido, utopia,
Pedra filosofal,
Feng Shui, astrologia,
Cromoterapia, bobagens
Que surgem do nada.
Mas existirá
Coração em cada corpo?
Sim, não, n.d.a?                                      (Ulisses Tavares. Diário de uma paixão. São Paulo: Geração Editorial, 2005)
2)No início do poema, o eu lírico afirma que existe tudo. Essa afirmação, no contexto, expressa certeza ou dúvida? Justifique sua resposta com palavras do texto.
3)No final do poema, o eu lírico pergunta: “existirá coração em cada corpo?”.A palavra coração foi empregada com qual sentido?
4)Conclua: Qual é a condição emocional do eu lírico?
5)No  último verso, o eu lírico enumera três opções: sim, não, n.d.a.. O que significa a expressão n.d.a.? Em que contexto ela costume ser empregada?

INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA
A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...
( Mário Quintana. Esconderijos do tempo. São Paulo: Globo.)
Glossário:
Salamandra: tipo de anfíbio que, segundo uma lenda antiga, pode atravessar o fogo sem se queimar.
Toro: tronco de árvore cortada
6)Na primeira estrofe do poema, Mário Quintana usa uma metáfora para definir a vida.
a)Qual é essa metáfora?
7)Proponha outra metáfora para conceituar a vida e explique como criou essa metáfora.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

No limiar do labirinto

RESOLVER OS EXERCÍCIOS NO CADERNO.
NÃO HÁ NECESSIDADE DE SE COPIAR OS TEXTOS NO CADERNO.


 Quando lhe sugeriram que escrevesse a história de um personagem imaginário que, descontente consigo mesmo, se perguntava afinal que tipo de pessoa gostaria de ser, ele sentou-se junto à mesa de trabalho e deparou com um fato inesperado: pela primeira vez não conseguiu vencer um desafio daquele tipo que certos amigos, não raro, costumavam propor-lhe. Não conseguiu, por mais que insistisse, imaginar a história sugerida. Perdeu a conta do número de laudas iniciadas, apenas iniciadas, e logo abandonadas, eliminadas com fúria. Acabava sempre impulsionado a escrever sobre si mesmo, inexoravelmente. A situação de tantos anos finalmente invertia-se. Até então, jamais havia conseguido discorrer sobre suas próprias dúvidas, seus mistérios interiores, seu provável destino. Nunca conseguira, do mesmo modo, discutir qualquer assunto a não ser através dos jogos da imaginação. Sempre julgara superficial tratar dos fatos da vida de maneira como se apresentavam no mundo real, e ainda considerava o símbolo mais profundo que os objetos e fatos visíveis; a metáfora, melhor que a frase comum e cotidiana; o sonho, mais revelador que as observações da vigília; a alusão, mais eficiente que a frase explícita; e assim por diante. Mas esse período fecundo de sua existência exauria-se afinal. No entanto, perseverou. Continuou tentando imaginar o personagem cuja história teria necessariamente que começar com a crucial indagação: Quem eu gostaria de ser? Hoje sabemos (privamos de sua amizade; nós o conhecemos muitíssimo, estamos a par de tudo quanto escreveu e muito do que se escreveu sobre ele); sabemos, pois, que, para enfrentar o último desafio, tentou infrutiferamente lançar mão de todo o arcabouço de seus jogos literários,tão imaginosos, marca inconfundível, complexa teia em que seus personagens fatalmente enredavam-se e percebiam afinal que haviam chegado a um beco sem saída. De todos os jogos lembrados ou imaginados naqueles dias, apenas um não se demonstrou ineficaz, embora tampouco tenha demonstrado sua eficácia. Este amigo com quem hoje tanto nos preocupamos deixou de lado seus projetos literários anteriores e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando a que julga a única maneira possível de vencê-lo: começou por criar um novo personagem, certo escritor, ao qual um amigo de longa data sugere, incidentalmente, em meio a uma festa, que escreva a história de um personagem que, descontente consigo mesmo, pergunta-se afinal que tipo de pessoa gostaria de ser; mas o fato é que também o novo personagem senta-se à mesa de trabalho e não consegue imaginar a história sugerida, e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando aquela que julga a única maneira possível de vencê-lo, que é a de criar um personagem, um escritor, ao qual um amigo sugere que escreva a história de um personagem que se pergunta: Se estou tão descontente comigo mesmo, que tipo de pessoa, afinal, eu gostaria de ser?
 (FIORANI, Sílvio. Os estandartes de Átila. São Paulo: Lápis Lazuli; Companhia Editora Nacional, 2011, p. 41.)
Questões- responda em seu caderno
1) O conto “Nunca é tarde, sempre é tarde”, que você leu e estudou em aula, foi escrito pelo mesmo autor, Sílvio Fiorani. Explique a semelhança que existe entre os dois contos.
2)  “Nunca é tarde, sempre é tarde” pertence ao gênero fantástico, pois o leitor não pode decidir se Su é prisioneira do mundo do sonho (acontecimento maravilhoso) ou se ela apenas tem um longo sonho, com grande dificuldade de acordar (acontecimento estranho, mas compatível com a realidade). Explique por que o conto “No limiar do labirinto” não pode ser classificado e explicado da mesma maneira, ou seja, como uma narrativa fantástica

terça-feira, 30 de agosto de 2016

ESOPO

 
Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
-- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está á venda no mercado.
-- Como? – perguntou o amo, surpreso – Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?
-- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para se explicar.
-- Meu amo, não vos enganei – retrucou Esopo --- A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
-- Boa, meu caro – retrucou o amo – Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?
-- É perfeitamente possível, senhor. E com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda Terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o escravo e obteve dele surpreendente resposta:
-- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? – indagou Esopo.
Impressionado com a inteligência invulgar do serviçal, o senhor calou-se, comovido, e, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas histórias até hoje se espalham por todo o mundo.
(Autor desconhecido)

1) Essa narrativa tem como protagonistas:
a-( ) o amo e o patrão                               b-( ) o chefe militar e o escravo
c-( ) o companheiro e o patrão               d-( ) o servo e o escravo

2) A passagem “indagou Esopo” pode ser escrita, mantendo-se o mesmo sentido, como:
a-( ) respondeu Esopo;                                b-( ) percebeu Esopo;
c-( ) perguntou Esopo;                                 d-( ) assegurou Esopo;

3) Segundo o texto, a língua tanto serve para as virtudes quanto para os vícios do mundo. Como exemplo de virtude e vício, respectivamente, podem-se citar:
a-( ) ensinamentos filosóficos e conceitos religiosos;
b-( ) discussões infrutíferas e obras literárias;
c-( ) rede de intrigas e desentendimentos;
d-( ) ensinamento das verdades santas e criação de anedotas vulgares;

4) Em “impressionado com a inteligência invulgar do serviçal...”, o adjetivo destacado significa:
a-( ) rara                                                       b-( ) medíocre
c-( ) impopular                                            d-( ) respeitosa

5) Em “Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?”, a oração destacada tem o sentido de:
a-( ) finalidade                                                b-( ) condição                                              
c-( ) causa                                                         d-( ) consequência

6) De acordo com o texto, quando a língua é mal utilizada, intrigas e violências verbais podem ser:
a-( ) confrontadas                                         b-( ) armadas
c-( ) superadas                                              d-( ) rejeitadas

7) Em “por ela mesma ensinadas...”, a palavra destacada está no feminino plural em concordância com:
a-( ) “violências”                                         b-( ) “anedotas”
c-( ) “verdades”                                          d-( ) “discussões”

8) Em “Ao abri-lo”, o pronome foi usado para substituir a seguinte palavra:
a-( ) pacote                                                 b-( ) amo
c-( ) primeiro                                              d-( ) Esopo

9) O sentido de negação, em determinadas palavras, é dado por prefixos, como em:
a-( ) “impressionado” e “intrigas”
b-( ) “infrutíferas” e “desentendimentos”
c-( ) “desapontado” e “inteligência”
d-( ) “interrogou” e “ensinadas”

10) Nessa história, a libertação do escravo se deve ao fato de Esopo:
a-( ) fazer boas compras                             b-( ) ser educado
c-( ) falar muito bem                                   d-( ) ter grande sabedoria

Aula de produção textual

Produção textual
Assunto: Introdução de dissertação
“É o início do texto, contendo o tema a ser desenvolvido, exposto com muita clareza. Envolve o problema a ser analisado. Geralmente pode ser exposto em apenas um parágrafo.” Fonte: http://www.infoescola.com/redacao/introducao-desenvolvimento-e-conclusao/

Leia o texto abaixo.
Artigo de Opinião: Maioridade Penal
Maioridade penal, reduzir ou não?
         A Constituição Brasileira, o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente dizem que a maioridade penal em nosso país é de 18 anos. Cidadãos com idade inferior a essa não podem ser julgados e receber punições iguais à de um adulto. Porém, há diversas propostas para que haja  redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos.
         Se lembrarmos de alguns crimes hediondos cometidos por menores, como o caso do garoto João Hélio, que foi arrastado pelo carro por sete quilômetros, em fevereiro de 2007 e da jovem Liana, morta em Embu-Guaçu – SP, com  quinze facadas após sofrer estupro, certamente seremos a favor, não só da redução da maioridade penal, mas de sua total eliminação. Afinal, em países como Estados Unidos e Inglaterra, não existe idade mínima para a aplicação de penas e na Índia, a idade limite é de sete anos.
         De acordo com o juiz Bismarque Leite, entre os principais motivos do aumento da violência está a ausência do Estado e o desajuste familiar -  “Há muitos casos de pais que não estão presentes na educação dos filhos. Os menores se desligam da escola e são aliciados por adultos para participar de delitos, o que para nós são atos infracionais”.
         Logo, é necessária uma reforma na educação, na sociedade e na legislação. É dever do Estado oferecer ensino de qualidade e infraestrutura para que a família possa criar e educar seus filhos com base nos valores morais e éticos, de acordo com seus princípios. Além disso, é preciso rever as leis que protegem amplamente os menores de idade e deixam a sociedade desprotegida.
         Finalmente, punir de acordo com o crime cometido é preciso, para que o infrator não volte a praticar outros delitos e os jovens da mesma faixa etária sintam que o castigo é severo e que o crime não compensa.

Ângela Maria Cereli Romazzini,
 Professora de Língua Portuguesa                                                                      

Fonte: http://pensartigo.blogspot.com.br/2011/11/artigo-de-opiniao-maioridade-penal.html-acesso em 21.04.2013
A autora é contra ou a favor? Justifique com os argumentos utilizados no texto.
Escreva uma introdução para o mesmo tema. ( Um parágrafo, com três a cinco linhas)

Poesia e Prosa - diferença e exercício prático

Texto I -   A FLORESTA DO CONTRÁRIO
     Todas as florestas existem antes dos homens. Elas estão lá e então o homem chega, vai destruindo, derruba as árvores, começa a construir prédios, casas, tudo com muito tijolo e concreto. E poluição também. Mas esta floresta aconteceu o contrário. O que havia antes era uma cidade dos homens, dessas bem poluídas, feia, suja, meio neurótica. Então as árvores foram chegando, ocupando novamente o espaço, conseguiram expulsar toda aquela sujeira e se instalaram no lugar. É o que poderia se chamar de vingança da natureza, foi assim que terminou o seu relato, o amigo beija-flor. Por isso ele estava tão feliz, beijocando todas as flores, aliás, um colibri bem assanhado, passava flor por ali, ele já sapecava um beijão. Agora o Nan havia entendido por que uma ou outra árvore tinha parede por dentro, e ele achou bem melhor assim. Algumas árvores chegaram a engolir casas inteiras. Era um lugar muito bonito, gostoso de se ficar. Só que o Nan não podia, precisava partir sem demora. Foi se despedir do colibri, mas ele já estava namorando apertado uma outra florzinha, era melhor não atrapalhar.
                                                                     (Fragmento do livro “Em busca do tesouro de Magritte.)

Texto II - CIMENTO ARMADO

Batem estacas no terreno morto.
No terreno morto surge vida nova.
As goiabeiras do velho parque
E os roseirais, abandonados,
Serão cortados
E derrubados.
Um prédio novo de dez andares,
Frio e cinzento,
Terá seu corpo de cimento armado
Enraizado no velho parque
De goiabeiras
De roseirais.

Batem estacas no terreno morto.
Século vinte...
Vida de aço...
Cimento armado!
Batem estacas
No prédio novo de dez andares,
Terraços tristes
Pássaros presos,
Rosas suspensas
Flores da vida,
Rosas de dor

INTERPRETAÇÃO DO TEXTO
 Assinale a opção correta.
1) Os autores dos dois textos falam sobre o mesmo assunto. O assunto abordado nos dois textos é:
(     ) A devastação e destruição da natureza causada pelo homem.
(     ) A preservação dos recursos naturais.
(     ) Nenhuma das alternativas anteriores.

2) Apesar de abordarem o mesmo assunto, os resultados são diferentes em cada texto, porque:
(   ) no primeiro texto a natureza saiu vitoriosa ao recuperar seu espaço outrora perdido, enquanto no segundo texto os pássaros e as rosas sofrem a consequência da construção de mais um prédio de dez andares.
(   ) no segundo texto a natureza saiu vitoriosa ao recuperar seu espaço outrora perdido, enquanto no primeiro texto os pássaros e as rosas sofrem a consequência da construção de mais um prédio de dez andares.

3) Para “expulsar toda aquela sujeira” e se instalarem no seu lugar, as árvores tiveram que lutar. A parte do texto que confirma o fato de certas árvores conservarem os sinais de sua luta é :
(       ) “ Todas as florestas existem antes dos homens.”
(    ) “ Algumas árvores chegaram a engolir casas inteiras, por isso uma ou outra árvore tinha parede por dentro.”

4) No texto II o poeta fala do prédio como se ele fosse uma pessoa em :
(     ) ” Um prédio de dez andares.”
(     ) “ Terá seu corpo de cimento armado.”

5) O poeta se refere a pássaros presos, terraços tristes, porque :
(     ) os terraços são pintados de preto e cinza.
(   ) os terraços ocuparam o espaço da vegetação, a alegria dos animais e com o agravante de que nas cidades, as pessoas costumam prender os pássaros em gaiolas.

6) Escreva certo ou errado de acordo com os textos:
a) No texto II o autor utiliza a palavra “enraizado” como se o prédio fosse uma árvore.
(                                         )
b) As goiabeiras e os roseiras foram conservadas após a construção do novo prédio.
(                                         )
c) No texto I a história é fato real, enquanto que no texto II é imaginário, pois jamais destruiriam a natureza para construir um prédio. (                                           )
d) No texto I, ao tomar a cidade e devolver a vida aos seres da floresta, as árvores consideraram uma vingança da natureza. (                                         )
e)Os pássaros do Texto II eram tão felizes quanto os pássaros do texto I.
(                                            )

7- Identifique:
a- Texto poético: _______________________________________________________
b- Texto em prosa:______________________________________________________

8-  Diga qual o tipo de narrador do texto 1.
9- No texto 1, como são descritas as cidades? Essa descrição é objetiva ou subjetiva?
10- No texto 2, como é descrito:
a- o terreno ___________________________________________________________
b- o parque____________________________________________________________
c- o prédio_____________________________________________________________
d- os terraços__________________________________________________________
e- os pássaros_________________________________________________________
f- as rosas_____________________________________________________________

A DESCOBERTA DO MUNDO


O que eu quero contar é tão delicado quanto a própria vida. E eu queria poder usar a delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
Quando criança, e depois de adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesma, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria a minha ignorância um modo sonso e inconsciente de manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube de coisas que eu nem mesmo sei que sei.
As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
Até que um dia, já passados os treze anos, como só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e que fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia antes fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo na esquina de esclarecer o mistério da vida. Só que ela também era uma menina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? Mas para quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizante – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca ia me casar.
Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como a mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde. Tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
Antes de me conciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de contar como era o amor. Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino. Pois juro que a vida é bonita. ( Clarice Lispector )




VOCABULÁRIO:
PRECOCE: PREMATURO / TURVAR: TOLDAR, ESCURECER / INTACTO: INTEIRO / LUCIDEZ: CLAREZA, PERSPICÁCIA / PUDOR: VERGONHA /SONSO:FINGIDO, DISSIMULADO / PRECEDER: REVELAR-SE ANTES DE...

1- Por que o texto tem o título “A descoberta do mundo”?
2- A que a narradora se refere quando menciona “os fatos da vida”?
3- Como se sentia a narradora em relação às colegas? E como se comportava diante delas?
4- Qual o caminho imediato que encontrou para suprir sua ignorância?
5- Como a narradora se descreve psicologicamente e fisicamente?
6- A narradora se diz atrasada em relação a certos fatos da vida e se diz precoce em relação a outros. Em que consistia sua precocidade?
7- Como ela explica o fato de continuar, mesmo adulta, ainda atrasada em muitos terrenos?
8- Como a narradora se sentiu quando ouviu as explicações dadas pela colega? Por quê?
9- Por que a narradora demorou tanto para reunir coragem e fazer a pergunta à amiga?
10- Que descoberta você acha que a narradora fez que a deixou tão chocada?
11- O que a narradora quer dizer com: “ a vida é bonita”, o que é bonito?
12- Qual o foco narrativo utilizado no texto? E que tipo de narrador?
13- Foi utilizado o discurso direto? Justifique sua resposta.
14- Há no texto uma comparação. Retire-a.
15- Explique a colocação pronominal em: "Enfeitar-me aos onze anos de idade...", "Eu me sentia pronta...".

REDAÇÃO - A CRISE DA ÁGUA E A OSTENTAÇÃO DA BURRICE

A CRISE DA ÁGUA E A OSTENTAÇÃO DA BURRICE, de André Ferrer
Superpopulosa, a cidade de Los Angeles cruza a maior crise hídrica da sua história. Ainda na metade do século passado, a administração pública submetia a população a frequentes racionamentos porque o abastecimento de água tornava-se, a cada ano, insuficiente. Então, o prefeito imaginou uma solução: a água poderia chegar à cidade vinda do Owens Valley. O problema era que um aqueduto só seria construído à custa de muito conflito entre políticos, agricultores e ambientalistas.
O parágrafo acima é atual ou está mais para um argumento de filme apocalíptico ambientado num futuro próximo? Embora o texto se encaixe perfeitamente nas duas classificações, trata-se de um enredo que, além de verídico, é bastante antigo.
As chamadas “Guerras da Água na Califórnia” tiveram início no final do século XIX e não terminaram em 1913 quando o tal aqueduto entre Owens Valley e Los Angeles foi inaugurado. Ainda na década de 1920, os agricultores de Owens Valley tentaram destruir o aqueduto que já exauria as reservas do lugar. As “Guerras da Água”, como é de se imaginar, também abriram espaço, no meio político, para a corrupção e a especulação. Em 1926, conforme muitos técnicos advertiam, o Lago Owens ficou completamente seco. Isto levou à busca de uma série de soluções paliativas e bastante nocivas para a natureza ao longo de todo o século XX. Atualmente, grande parte da água que abastece Los Angeles ainda vem da bacia de Owens, contudo a captação é subterrânea.
Sem dúvida, foi a crise hídrica paulistana que me levou a ler alguns artigos a respeito de como, em determinadas regiões bastante secas dos EUA, principalmente no Sul da Califórnia, recalcitrantes crises de água são enfrentadas desde a virada do século XIX para o XX até aqui. As diversas teorias conspiratórias na imprensa e nas redes sociais também serviram de motivação. Porém, o que mais me atraia enquanto me aprofundava no assunto era um grande filme rodado em Hollywood em 1974.
É sempre emocionante constatar como uma grande nação e, consequentemente, uma “grande cultura” plasmam as suas questões na arte que inventam. O filme a que me refiro foi selecionado pela Biblioteca do Congresso Americano e agora é preservado no “National Film Registry” por figurar entre as obras cinematográficas "culturalmente, historicamente ou esteticamente significantes" para a nação. Decerto, um país está doente quando uma das formas de se debruçar sobre os próprios problemas, a arte, é pobre, descartável, vazia de sentido ou só consegue reproduzir o pensamento na sua forma mais superficial. (Alguém aí conhece um país assim?!)
Curiosamente, a crise hídrica de Los Angeles é a premissa de “Chinatown”, filme do diretor Roman Polanski e do roteirista Robert Towne (a obra tem um Oscar justamente de Roteiro Original). Na trama, Jack Nicholson arrebenta na pele de um clássico detetive “noir”, J. J. Gittes, que se enrosca todo num caso de traição, corrupção e morte em plenas “Guerras da Água na Califórnia”. Vale a pena se divertir com a trama policiesca, vendo ou revendo Chinatown, e descobrir como, de fato, não há nada de novo debaixo do sol. Principalmente, vale a pena constatar o processo utilizado por uma nação que se avalia e que reflete com seriedade mediante a arte cinematográfica.
Uma pátria verdadeiramente “educadora” ressuma o pensamento do seu povo a respeito das grandes questões nacionais. Cada poro está envolvido. Temas importantes, assim, aparecem e enriquecem até mesmo o entretenimento supostamente banal. A reflexão, nestes casos, exterioriza-se nos aspectos mais simples da comunidade quando há, por exemplo, um interesse profundo por um tema como a política - evidentemente, um interesse que vai além do clientelismo e nada tem a ver com uma esperança doentia na troca de favores. O engajamento requer educação, estudo, leitura, reflexão; caso contrário, dá origem a certas aberrações disfarçadas de “vozes autênticas” tal como acontece, aqui no Brasil, com produtos culturais que vão do “favela movie” (modinha de filmes sobre a vida nas favelas), passando pela “música” (?!), rap, funk, até programas de TV como o Esquenta.
Enquanto as grandes questões passam ao largo do “pensamento”, nossos “mcs” (decerto, a mais nova “espécie” de formadores de opinião no Brasil) vivem preocupados com a própria ascensão financeira. Eles cantam a grana, ostentam o consumo que “agora” podem praticar, exibem o sexo pelo qual “agora” conseguem pagar. “Ídolos” que, infelizmente, fazem a “cabecinha” dos brasileiros. A nossa completa ruína no enfrentamento de futuras crises nacionais.


LEIA E REFLITA
Faça uma resenha crítica sobre o texto acima. No máximo 20 linhas.

A CARTOMANTE

A cartomante
Machado de Assis


Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
- Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “ A senhora gosta de uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você esquecesse, mas que não era verdade...
- Errou! interrompeu Camilo, rindo.
- Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...
Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...
- Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.
- Onde é a casa?
- Aqui perto, na Rua da Guarda Velha, não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.
Camilo riu outra vez.
- Tu crês deveras nessas cousas? perguntou-lhe.
Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.
Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.
Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga Rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela Rua das Mangueiras na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.
Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.
- É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.
Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.
Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.
Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; - ela mal, - ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as coisas que o cercam.
Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima das ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.
Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava de imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: - a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.
Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.
- Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...
Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camila devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelaram-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.
No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão afigurou-se trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.
- Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, - repetia ele com os olhos no papel.
Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando da pena e escrevendo-lhe o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.
Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, - o que era ainda pior, - eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Ditas assim, pela voz do outro, tinha um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéias, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do Largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.
“Quanto antes melhor”, pensou; “não posso estar assim...”
Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da Rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente na rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.
Camilo reclinou-se no tílburi, para anão ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:
- Anda! agora! empurra! vá! vá!
Daí a pouco estaria removendo o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: “Vem, já, já...” E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas, a voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários, e a mesma frase do príncipe da Dinamarca reboava-lhe dentro: “Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia...” Que perdia ele, se...?
Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve a idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.
A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:
- Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...
Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.
- E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma cousa ou não...
- A mim e a ela, explicou vivamente ele.
A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.
- As cartas dizem-me...
Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que o ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.
- A senhora restituiu-me a paz de espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.
Esta levantou-se, rindo.
- Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...
E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe a testa. Camilo estremeceu, como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.
- Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?
- Pergunte ao seu coração, respondeu ela.
Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, deu-lhe uma. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.
- Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...
A cartomante já tinha guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante, alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.
Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.
- Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.
E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignorava vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.
A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.
Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.
- Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?
Vilela não lhe respondeu: tinhas as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: - ao fundo, sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-a pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Assis, Machado. Contos. Série Bom Livro. 26ª ed. Editora Ática: 2002. p. 91-98.

Depois de ler o conto, complete os elementos da narrativa:
1) Personagens:
2) Tempo:
3) Tipo de narrador:

Em relação ao enredo, descreva:
4) Situação inicial:
5) Conflito:
6) Clímax:
7) Desfecho:



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Vozes verbais

Responda com atenção:
1. Transforme em voz ativa as seguintes orações:
a) O jogador foi homenageado pelos diretores.

b) Los Angeles foi destruída por um terremoto.

c) Muitos erros foram cometidos pelo treinador da seleção.

d) O verdadeiro motivo do crime foi descoberto pela imprensa e pela polícia.

e) Propagandas enganosas eram feitas por aquela empresa.

f) Várias aves exóticas foram criadas pelos ecologistas.


2. Transforme a voz ativa em voz passiva.
a) Grandes poetas escreveram poemas deliciosos.

b) A ilha era habitada por pessoas extremamente pobres.

c) As plantas foram regadas pela chuvarada.

d) A polícia florestal prendeu caçadores de jacaré.

e) O mecânico desmontou o motor do carro.

f) Os alunos procuravam textos agradáveis.

g) O ser humano persegue incessantemente a liberdade.


3) Transforme a voz passiva analítica em passiva sintética.

a) Os carros serão lavados.

b) O juiz criminoso foi enquadrado.

c) A proposta do deputado foi estendida.

d) As tarefas são feitas diariamente.

e) Velhas cantigas eram cantadas pela turma.


Past Continuous


Leia com atenção e responda:
1. Preencha as lacunas com Past Continuouns:
  1. Fred ________________ (dance) with his girlfriend. (Fred estava dançando com sua namorada.)
  2. I _______________( talk) to my boss when you called me yesterday afternoon. (Eu estava falando com meu chefe quando você me ligou ontem à tarde.)
  3. At 7:00 a.m., I _______________ (fly) over San Francisco. (Às 7:00 eu estava voando sobre São Francisco.)
  4. My father arrived when my mother ______________(cook). (Meu pai chegou quando minha mãe estava cozinhando.)
  5. In 2001 he ______________________(live) in Dublin. (Em 2001 ele estava morando em Dublin.)
  6. They _______________(scream) last night. (Eles estavam gritando ontem à noite.)
  7. It _______________(rain) this morning. (Estava chovendo hoje de manhã.)

2. Passe as frases do exercício 1 para a interrogativa do Past Continuouns:
a) ______________________________________________________________________
b)______________________________________________________________________
c)______________________________________________________________________
d)______________________________________________________________________
e)______________________________________________________________________
f)______________________________________________________________________
g) ______________________________________________________________________
3. Complete com o Past Continuouns usando o pronome e o verbo que estão entre parênteses
a) _______________ (He, go) to the supermarket.
b) __________________ (you, park) your car just ten minutes ago.
c) ______________ (I, look for) a new jacket.
d) ______________ (It, rain) this morning, so we had to take an umbrella with us.
e)________________ (We, fix) the computer.
f) Linda, _________________ (she, wear) skirts.
g) __________________ (They, talk) to our friends.
h)________________ (Lisa, drive) your car this morning.
4. Passe as frases do exercício 3 para a negativa do Past Continuouns:
a) ______________________________________________________________________
b)______________________________________________________________________
c)______________________________________________________________________
d)______________________________________________________________________
e)______________________________________________________________________
f)______________________________________________________________________
g) ______________________________________________________________________
h)______________________________________________________________________

5. Escreva como o Past Continuouns é formado e dê um exemplo:

Crase

Crase

Em gramática, dá-se o nome de CRASE à junção de duas vogais iguais. A forma mais comum de crase é a fusão entre a preposição "a" e o artigo definido feminino "a". Lembrem-se, alunos, de que crase não é o nome do acento. O acento indicador da ocorrência de crase chama-se ACENTO GRAVE..

Regras da crase

Ocorre crase

- Fusão entre a preposição "a" e o artigo definido "a"

Assisti à peça dos meus amigos de infância.

- Fusão entre a preposição "a" e os pronomes demonstrativos "aquele", "aquela" e "aquilo"


- Indicação de horas

às 13h, à uma hora, às 12h.

- Expressões adverbiais femininas

às vezes, às pampas, à vontade, à revelia, à tarde, à noite, à primeira vista, às avessas, às escondidas, às escuras, às pressas, às tontas, à direita, à esquerda, à toa, à francesa, à beça, etc.

- Expressões prepositivas e conjuntivas femininas

à medida que, à proporção que, às custas de, à custa de, à procura de, à maneira de, à moda de, à espera de, à exceção de, etc.


Não ocorre crase

- Antes de verbos

- Antes de nomes masculinos

Exceção: caso haja as expressões "à moda de" ou "à maneira de",  implícitas ou não na oração.

Fez um gol à Romário.

- Antes de pronomes em geral

- Antes de numerais em geral

- Antes de palavras no plural que não requeira o artigo definido "as"

Uso opcional do acento grave indicador de crase

- Com a preposição até

- Pronome possessivo feminino - minha, sua, vossa,


Regras para nomes de lugares

A regra mais básica consiste na pergunta: Voltei de ou  voltei da. Caso a resposta seja "voltei da", significa que a localidade referida requer o artigo definido feminino "a", logo haverá a ocorrência de crase.

Vou a Alemanha. Voltei DA Alemanha.
Ocorre crase: Vou À Alemanha.

Vou a Argentina. Voltei DA Argentina.
Ocorre crase: Vou À Argentina.

Vou a Portugal. Voltei DE Portugal.
Não ocorre crase: VOU A PORTUGAL.

Vou a Marrocos. Voltei DE Marrocos.
Não ocorre crase: VOU A MARROCOS.

Nomes de cidades

Geralmente, nomes de cidades não admitem o artigo definido feminino "a", portanto não haverá a ocorrência de crase.

Vou a Porto Alegre. Voltei de Porto Alegre.

No entanto, caso haja alguma especificação em relação à cidade, haverá a ocorrência de crase.

Vou à maravilhosa Porto Alegre. Voltei da maravilhosa Porto Alegre.
Vou à Paris dos grandes museus. Voltei da Paris dos grandes museus.

Regra geral

Uma das formas mais precisas para se verificar a ocorrência de crase consiste em substituir a palavra feminina da expressão por uma masculina. Caso a palavra masculino requeira o artigo definido masculino "o", o termo feminino requererá o artigo definido feminino "a", resultando na obrigatoriedade do acento grave indicador de crase.

Exemplos:

Cheguei cedo a escola.

Cheguei cedo ao colégio.

Logo,

Cheguei cedo à escola.

Ela se dirigiu a sala de estar.
Ela se dirigiu ao salão de jogos.

Logo,
Ela se dirigiu à sala de estar.

Meu tio comprou a casa de praia
Meu tio comprou o apartamento na praia


01) Em qual das alternativas o uso do acento indicativo de crase é facultativo?

a) Minhas ideias são semelhantes às ideias dele.
 
b) Ele tem um estilo à Eça de Queiroz
 
c) Dei um presente à Mariana.
 
d) Fizemos alusão à mesma teoria.
 
e) Cortou o cabelo à Gal Costa.
02) "O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que acontece ao seu redor".

a) à - a - aquilo
 
b) a - a - àquilo
 
c) a - à - àquilo
 
d) à - à - aquilo
 
e) à - à - àquilo
03) "A casa fica ___ direita de quem sobe a rua, ___ duas quadras da Avenida Central".

a) à - há
 
b) a - à
 
c) a - há
 
d) à - a
 
e) à - à

04) "O grupo obedece ___ comando de um pernambucano, radicado ___ tempos em São Paulo, e se exibe diariamente ___ hora do almoço".

a) o - à - a
 
b) ao - há - à
 
c) ao - a - a
 
d) o - há - a
 
e) o - a - a

05) "Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias".

a) à - àqueles - a - há
 
b) a - àqueles - a - há
 
c) a - aqueles - à - a
 
d) à - àqueles - a - a
 
e) a - aqueles - à - há
06) Assinale a frase gramaticalmente correta:

a) O Papa caminhava à passo firme.
 
b) Dirigiu-se ao tribunal disposto à falar ao juiz.
 
c) Chegou à noite, precisamente as dez horas.
 
d) Esta é a casa à qual me referi ontem, às pressas.
 
e) Ora aspirava a isto, ora aquilo, ora a nada.

07) O Ministro informou que iria resistir _____ pressões contrárias _____ modificações relativas _____ aquisição da casa própria.

a) às - àquelas _ à 
b) as - aquelas - a
 
c) às àquelas - a
 
d) às - aquelas - à
 
e) as - àquelas - à

08) A alusão _____ lembranças da casa materna trazia _____ tona uma vivência _____ qual já havia renunciado.

a) às - a - a
 
b) as - à - há
 
c) as - a - à
 
d) às - à - à
 
e) às - a - há

09) _____ Igreja cabe propugnar pelos princípios éticos e morais que devem reger _____ vida das comunidades, enquanto _____ política deve visar ao bem comum.

a) A - à - à
 
b) À - a - a
 
c) À - à - a
 
d) À - à - à
 
e) A - a - a

10) _____ dias não se consegue chegar _____ nenhuma das localidades _____ que os socorros se destinam.

a) Há - à - a
 
b) A - a - a
 
c) À - à - a
 
d) Há - a - a
 
e) À - a - a
11)  Fique _____ vontade; estou _____ seu inteiro dispor para ouvir o que tem _____ dizer.

a) a - à - a
 
b) à - a - a
 
c) à - à - a
 
d) à - à - à
 
e) a - a - a

12) No tocante _____ empresa _____ que nos propusemos _____ dois meses, nada foi possível fazer.

a) àquela - à - à
 
b) aquela - a - a
 
c) àquela - à - há
 
d) aquela - à - à
 
e) àquela - a - há

13) Chegou-se _____ conclusão de que a escola também é importante devido _____ merenda escolar que é distribuída gratuitamente _____ todas as crianças.

a) à - à - à
 
b) a - à - a
 
c) a - à - à
 
d) à - à - a
 
e) à - a - a

14) A tese _____ aderimos não é aquela _____ defendêramos no debate sobre os resultados da pesquisa.


a) a qual - que
 
b) a que - que
 
c) à que - a que
 
d) a que - a que
 
e) a qual a que
15) Em relação _____ mímica, deve-se dizer que ela exerce função paralela _____ da linguagem.

a) a - a
 
b) à - a
c) a - à
 
d) à - àquela
 
e) a - àquela

1.Agradeço ( _ ) Vossa Senhoria ( _ ) oportunidade para manifestar minha opinião ( _ ) respeito.

a) a – a – a;
b) à – à – a;
c) à – a – a;
d) a – à – a;
e) à – a – à.

2. Assinale a frase com erro de regência:

a) o deputado presidiu a reunião até o fim;
b) proibimos os alunos de usar os cadernos para fazer a prova;
c) certificamos nossa família de vossa decisão;
d) paguei os operários no sábado;
e) atendemos ao seu desejo.

3.“Peço __ senhora que estude, uma __ uma, as questões submetidas __ aprovação”:

a) à - a - à;
b) a - a - à;
c) a - à - à;
d) à - à - à;
e) à - à - a

4. Há uma opção em que não se atendeu ao emprego da crase. Indique-a:

a) a cem milhas horárias você encontrará um posto à direita, a meia hora daqui;
b) às brutas entrou porta a dentro;
c) responda à sua senhoria com a consideração a que está acostumado;
d) saiu-se à mãe, esta se parece à avó;
e) dispostas a ouvi-la, postaram-se à porta de sua casa.

5. “Dê ciência ___ todos de que não mais se atenderá___ pedidos que não forem dirigidos ___ diretoria”:

a) a - a - a;
b) a - à - a;
c) a - a - à;
d) à - à - a;
e) à - a - a.

6. Marque a frase em que o “a” deva ser craseado:

a) ele atacou o adversário a tiro;
b) Maria não foi a aula hoje;
c) João fez uma viagem a Mato Grosso;
d) Conversei com a diretoria do colégio sobre esse assunto;
e) o adversário atacou a cacetadas.

7. “ ___ hora prevista, todos se dirigiram ___ sala principal para assistir ___ cerimônia”.

a) a - a - a;
b) a - à - a;
c) à - à - à;
d) há - à - à;
e) há – a – a .

8. Assinale a frase em que o “a” sublinhado deve receber o acento de crase:

a) obedeça as regras de trânsito;
b) encontraram-se face a face;
c) dirijo-me agora a vossa excelência;
d) é uma campanha digna, a cuja disposição me ponho;
e) peço a você que não deponha o candidato.

9.“Para ganhar mais dinheiro, Manoel passou ___entregar compras ___ domicilio ___ segundasfeiras”.

a) a - a - as;
b) a - a - às;
c) a - à - às;
d) à - a - as;
e) à - à - às.

10.Que expressões completariam as lacunas?

“Não me refiro _____ estava sentada, mas sim______ pessoa ______ tu também te referias”.

a) a que - à - que;
b) aquela que - à - que;
c) àquela que - à - à que;
d) à que - a - à que;
e) à que - à - a que.

11. “Foi obrigado ____ embarcar no trem que saia ____onze horas, mas mostrou ____ todos seu descontentamento”.

a) a - as - à;
b) às - as - a;
c) a - às - a;
d) à - às - a;
e) a - às - à.

12. “A disciplina naquela escola podia ser comparada___ dos militares, mas nem por isso permitia tranqüilidade____ professoras”.

a) a - a;
b) à - às;
c) a - as;
d) a - às;
e) a - as.

13. Aponte a frase em que o “a” ou “as” não deve levar sinal indicativo de crase:

a) dirijo-me apressado àquela farmácia;
b) refiro-me àquele rapaz que foi teu colega;
c) àquela hora todos já se tinham recolhido;
d) quero agradecer àquele rapaz as atenções que me dispensou;
e) fui para aquela praça, mas não à encontrei !

14. Na frase: “Tende a satisfazer as exigências do mercado”, substituindo-se “satisfazer” por “satisfação”, tem-se a forma correta:

a) tende à satisfação as exigências do mercado;
b) tende a satisfação as exigências do mercado;
c) tende a satisfação das exigências do mercado;
d) tende a satisfação às exigências do mercado;
e) tende à satisfação das exigências do mercado.

15. “ ______ tarde, diriji-me ______ casa, embora______ hora todos já estivessem ____ dormir”:

a) À - à - àquela - a;
b) A - a - aquela - à;
c) À - a - àquela - a;
d) À - a - aquela - à;
e) À - a - àquela - a.

16. Marque o caso em que não houve erro, quanto a omissão ou presença de crase:

a) veio à toda, quando se pôs a frear, já era tarde;
b) a proposta, à cuja aceitação estamos presos, nem foi estudada;
c) uma à uma, gota à gota, ingeriu todo o conteúdo;
d) perspicácia a toda prova, resposta às pressas, era exigido;
e) a assistência às aulas é de lei.

17. “ainda ____ pouco, eu ____ vi atravessando aquela rua, ali ___ direita”:

a) há – a – à;
b) há – a – a;
c) a – a – a;
d) a – à – à;
e) à – a – a .

18. Assinale a frase em que há o uso errado da crase:

a) quando o navio chegou, ele desceu logo à terra;
b) vou à cidade hoje;
c) vou à reunião contigo;
d) pagou tudo à vendedora;
e) chegou tarde à missa.

19. “Descendo ___ rua ___ noite, o marinheiro viu um homem que vinha ___ pé.

a) à – à – à;
b) a – à – à;
c) a - à - a;
d) à – a – a;
e) a – a – a.

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