Miscelâneas do Eu
Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.
Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.
A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.
Nana Pimentel
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terça-feira, 20 de setembro de 2016
HISTÓRIA DE BEM-TE-VI
(Cecília Meireles)
Com estas florestas de arrranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outros até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima…”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é literatura…
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborrecia.
O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “…te-vi! …te-vi!”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior.
Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar daqui, dali, invisível e brincalhão: “…Vi! …Vi! …Vi!”, o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.
Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava asim; “Bem-bem-bem-bem… te-vi!” Pensei: ‘É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!…” Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te … vi!” Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha… Estará soletrando…”. E o passarinho: “Bem-bem-bem … te-te-te … vi-vi-vi!”
Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”
(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira…!)
__________________________________________________________
Vocabulário:
Ornitólogo – aquele que estuda as aves
Querejuá – nome de pássaro de plumas de cores vivas e variadas, comum na região litorânea da Bahia e Rio de Janeiro. Também conhecido como cotinga, catingá, crejoá, quereiná e quiruá.
Twist – dança de origem americana, da década de 1960.
Team – palavra da língua inglesa traduzida em português como “time”, isto é, grupo esportivo.
___________________________________________________________
Após a leitura do texto, responda às questões abaixo:
A. Marque a alternativa que substitui a expressão que está em destaque nas frases:
1. Muita gente acha que passarinho seja apenas antiguidade de museu.
a.( ) coisa que não existe mais b.( ) coisa inútil
c.( ) coisa muita antiga d.( ) coisa já esquecida
2. O canto do bem-te-vi seria um sobressalto providencial em todas as repartições.
a.( ) um grande susto b.( ) uma surpresa agradável
c.( ) um aviso atrasado d.( ) um acontecimento inesperado e agradável
3. Um bem-te-vi caprichoso se recusava articular seu nome completo.
a.( ) dizer b.( ) pronunciar c.( ) cantar d.( ) explicar
4. O passarinho limita-se a gritar: “…te-vi!…”
a.( ) começa a b.( ) contenta-se com c.( ) excede-se em d.( ) restringe-se a
5. O bem-te-vi gritava com a maior irreverência grammatical.
a.( ) desrespeito b.( ) prudência c.( ) correção d.( ) despreocupação
6. O bem-te-vi devia estar em todas as repartições para no momento oportuno anunciar sua presença.
a.( ) marcado b.( ) favorável c.( ) impróprio d.( ) previsto
7. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural seu comportamento.
a.( ) revoltadas b.( ) precipitadas c.( ) descuidadas d.( ) impacientes
B. Assinale a alternativa adequada para completar as frases seguintes, de acordo com o texto:
1. No texto, o fato é narrado sobretudo com:
a.( ) ironia b.( ) tristeza c.( ) bom humor d.( ) saudosismo
2. No primeiro parágrafo do texto, diz-se que a relação entre o homem e a natureza será:
a.( ) cada vez menos frequente b.( ) sempre importante
c.( ) um privilégio para poucos d.( ) coisa esquecida e desnecessária
3. Em repartições públicas, canto do bem-te-vi seria uma agradável surpresa porque:
a.( ) alegraria os funcionários no trabalho
b.( ) lembraria a natureza num local caracteristicamente urbano
c.( ) distrairia funcionários e visitantes
d.( ) despertaria a curiosidade das pessoas da cidade
4. O fato interessante que o texto mostra a respeito do passarinho é:
a.( ) seu aparecimento no quintal dos vizinhos
b.( ) sua viagem com um time de futebol
c.( ) a mudança observada no seu canto
d.( ) a mudança nas cores de suas penas
5. O canto “…te-vi! …te-vi!…” seria uma irreverência gramatical porque:
a.( ) o verbo deve concordar com o sujeito
b.( ) não se deve começar uma frase com pronome pessoal oblique
c.( ) deve-se pronunciar corretamente as palavras
d.( ) deve-se iniciar frases sempre com maiúsculas
C. Assinale mais de uma alterntiva de acordo com o texto:
6. O texto sugere várias causas para o comportamento do bem-te-vi, entre elas:
a.( ) o bem-te-vi estava cansado
b.( ) estava soletrando sua cartilha
c.( ) estava brincando
d.( ) o passarinho era gago
e.( ) estava fazendo poesia nova
f.( ) era um passarinho preguiçoso
D. Para você pensar e tirar suas conclusões.
1. O texto fala sobre a possiblidade de haver passarinhos nas repartiçoes públicas. É possível isso acontecer atualmente? ( ) sim ( ) não Por quê?
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8º ano,
Interpretação de texto,
português
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
domingo, 18 de setembro de 2016
Redação
Leia as orientações com atenção
Prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
Não deve conter rasuras. Use um rascunho se necessário e passe a limpo.
Os rascunhos devem ser entregues juntos.
Serão avaliados os seguintes itens: ortografia, concordância verbal e nominal, acentuação, parágrafo, letra maiúscula quando necessário e uso da língua padrão (sem uso de gírias ou linguagem de internet).
1) Escreva um resumo do primeiro capítulo do livro que você leu, citando qual o nome do livro, o que acontece com o personagem logo no início, o que ele fala ou pensa ou agi. ( 12 linhas)
2) REDAÇÃO TEMA: O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE
Leia o texto abaixo.
Qual é o problema do lixo?
Todos temos ouvido falar muito que o lixo é um problema. Mas ao cidadão comum parece que o problema do lixo só existe quando há interrupção na coleta do lixo e os lixeiros deixam de passar na sua porta.
O que é preciso entender é que, mesmo quando o lixo é recolhido pelos lixeiros, ele não desaparece, apenas é levado para outro lugar. E é preciso muito cuidado para que ele não cause os problemas que estava causando na porta de sua casa e em outro lugar. Afinal, a cidade também é nossa casa, assim como o país, o continente e... o Planeta.
O lixo, como os demais problemas ambientais, tornou-se uma questão que excede à capacidade dos órgãos governamentais e necessita da participação da sociedade para sua solução. Disponível em: http.www.institutogea.org.br|oproblemadolixo.html. Acesso em: 1junho2012. Fragmento. Com base no texto apresentado e nos conhecimentos individuais, redija um texto, na modalidade culta da Língua Portuguesa, com aproximadamente (20 linhas), sobre o seguinte tema: O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE.
Fale sobre a responsabilidade de cada pessoa em relação ao lixo, mostrando quais problemas ele pode trazer futuramente para a sociedade e o que precisa ser feito para que o lixo não provoque estragos ainda maiores ao meio ambiente e, conseqüentemente, à vida no planeta.
Prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
Não deve conter rasuras. Use um rascunho se necessário e passe a limpo.
Os rascunhos devem ser entregues juntos.
Serão avaliados os seguintes itens: ortografia, concordância verbal e nominal, acentuação, parágrafo, letra maiúscula quando necessário e uso da língua padrão (sem uso de gírias ou linguagem de internet).
1) Escreva um resumo do primeiro capítulo do livro que você leu, citando qual o nome do livro, o que acontece com o personagem logo no início, o que ele fala ou pensa ou agi. ( 12 linhas)
2) REDAÇÃO TEMA: O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE
Leia o texto abaixo.
Qual é o problema do lixo?
Todos temos ouvido falar muito que o lixo é um problema. Mas ao cidadão comum parece que o problema do lixo só existe quando há interrupção na coleta do lixo e os lixeiros deixam de passar na sua porta.
O que é preciso entender é que, mesmo quando o lixo é recolhido pelos lixeiros, ele não desaparece, apenas é levado para outro lugar. E é preciso muito cuidado para que ele não cause os problemas que estava causando na porta de sua casa e em outro lugar. Afinal, a cidade também é nossa casa, assim como o país, o continente e... o Planeta.
O lixo, como os demais problemas ambientais, tornou-se uma questão que excede à capacidade dos órgãos governamentais e necessita da participação da sociedade para sua solução. Disponível em: http.www.institutogea.org.br|oproblemadolixo.html. Acesso em: 1junho2012. Fragmento. Com base no texto apresentado e nos conhecimentos individuais, redija um texto, na modalidade culta da Língua Portuguesa, com aproximadamente (20 linhas), sobre o seguinte tema: O PERIGO DO LIXO PARA O MEIO AMBIENTE.
Fale sobre a responsabilidade de cada pessoa em relação ao lixo, mostrando quais problemas ele pode trazer futuramente para a sociedade e o que precisa ser feito para que o lixo não provoque estragos ainda maiores ao meio ambiente e, conseqüentemente, à vida no planeta.
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
domingo, 11 de setembro de 2016
Redação
Leia
com atenção!
“A
notícia é composta de duas partes: a manchete e o
texto.
Manchete: resume a notícia em poucas linhas (2 a 3) e tem o objetivo de atrair o leitor para ler o texto.
Texto: os fatos narrados do acontecimento em questão.”
Manchete: resume a notícia em poucas linhas (2 a 3) e tem o objetivo de atrair o leitor para ler o texto.
Texto: os fatos narrados do acontecimento em questão.”
http://www.brasilescola.com/redacao/generos-textuais-universo-jornalistico.htm.
. Acesso em 07.08.13
Observe
as imagens a abaixo. Escolha uma delas e escreva uma notícia, de
acordo com os critérios estudados em sala de aula. Se quiser
escolher outra, acesse o site:
http://noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2013/08/07/imagens-do-dia---7-de-agosto-de-2013.htm?abrefoto=14,
há imagens fantásticas. Não esqueça! Seu texto deverá responder
às questões:
Quem?
Onde? O que? Como? Quando? Por quê?
Seu
texto deverá ser feito em folha separada.
Marcadores:
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Interpretação de texto,
português,
redação
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Primeira aventura de Alexandre
Leia atentamente o fragmento do texto e dê uma continuidade a ele.
Você deverá dar ênfase ao clímax e ao desfecho.
Poderá colocar mais personagens, criar o ambiente,dar falas aos personagens, ou seja, poderá usar a criatividade e desenvolver um texto interessante. Use linguagem formal e não rasure!! Em folha separada
Bom trabalho!!!
Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras. Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal, agachava-se na esteira cochichando com Cesária.
– Vou contar aos senhores… principiou Alexandre, amarrando o cigarro de palha.
Os amigos abriram os ouvidos e Das Dores interrompeu o cochicho:
– Conte, meu padrinho.
Alexandre acendeu o cigarro ao candeeiro de folha, escanchou-se na rede e perguntou:
– Os senhores já sabem por que é que eu tenho um olho torto?
Mestre Gaudêncio respondeu que não sabia e acomodou-se num cepo que servia de cadeira.
– Pois eu digo, continuou Alexandre. Mas talvez nem possa escorrer tudo hoje, porque essa história nasce de outra,
Então , tudo começou....
Você deverá dar ênfase ao clímax e ao desfecho.
Poderá colocar mais personagens, criar o ambiente,dar falas aos personagens, ou seja, poderá usar a criatividade e desenvolver um texto interessante. Use linguagem formal e não rasure!! Em folha separada
Bom trabalho!!!
Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras. Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal, agachava-se na esteira cochichando com Cesária.
– Vou contar aos senhores… principiou Alexandre, amarrando o cigarro de palha.
Os amigos abriram os ouvidos e Das Dores interrompeu o cochicho:
– Conte, meu padrinho.
Alexandre acendeu o cigarro ao candeeiro de folha, escanchou-se na rede e perguntou:
– Os senhores já sabem por que é que eu tenho um olho torto?
Mestre Gaudêncio respondeu que não sabia e acomodou-se num cepo que servia de cadeira.
– Pois eu digo, continuou Alexandre. Mas talvez nem possa escorrer tudo hoje, porque essa história nasce de outra,
Então , tudo começou....
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
terça-feira, 6 de setembro de 2016
Redação
“Como as plantas a amizade não deve ser muito nem pouco regada.”
Carlos Drummond de Andrade
Leia o poema abaixo para fazer sua produção textual. Observe que há personagens , os quais têm desencontros amorosos. Porém, você escreverá sobre os personagens: Lili e J. Pinto Fernandes. Acrescente características, diálogos, espaço, poderá ser linear o alinear. O texto será em prosa, a linguagem deverá ser a padrão.
Coloque um título interessante e utilize, no mínimo, 25 e máximo 35 linhas para seu texto. Bom trabalho.
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/Mzk0MDY/
Carlos Drummond de Andrade
Leia o poema abaixo para fazer sua produção textual. Observe que há personagens , os quais têm desencontros amorosos. Porém, você escreverá sobre os personagens: Lili e J. Pinto Fernandes. Acrescente características, diálogos, espaço, poderá ser linear o alinear. O texto será em prosa, a linguagem deverá ser a padrão.
Coloque um título interessante e utilize, no mínimo, 25 e máximo 35 linhas para seu texto. Bom trabalho.
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/Mzk0MDY/
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Redação
Produção textual.
Acesse os links abaixo, leia os texto e, em seguida, responda às questões em seu caderno:
O quê?
Quem?
Quando?
Como?
Onde?
Por quê?
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/03/maior-crescimento-de-casos-de-aids-esta-entre-jovens-de-15-24-anos.html. Acesso em 10.08.14
http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=5467. Acesso em 10.08.2014
http://noticias.r7.com/saude/mais-de-2-milhoes-de-adolescentes-tem-hiv-e-mortalidade-aumenta-nesta-faixa-etaria-25112013. Acesso em 10.08.2014
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
Alexandre Guy de Maupassant
1 Naquele dia, às quatro horas, como todos os dias, Alexandre conduziu até a porta da pequena residência do casal Maramballe a cadeira de rodas, com a qual levava a passear, por ordem médica, sua velha e impotente patroa. 2 Colocou o leve veículo no degrau, precisamente onde podia fazer subir a gorda senhora, entrou na residência, e logo se escutou, no interior, uma voz furiosa, uma voz enrouquecida de velho soldado, que vociferava blasfêmias: era a do patrão, o ex-capitão de infantaria aposentado, Joseph Maramballe. 3 Seguiu-se ruído de portas fechadas com violência, ruído de cadeiras empurradas, ruído de passos agitados, depois nada mais e, após alguns instantes, Alexandre reapareceu na soleira da porta, segurando com toda força a senhora Maramballe, extenuada pela descida da escada. Após colocá-la, não sem esforço, na cadeira de rodas, Alexandre passou por trás, pegou a barra que servia para empurrar o veículo e seguiu em direção à margem do rio. 4 Eles atravessavam assim todos os dias a cidadezinha, em meio a cumprimentos respeitosos que se endereçavam tanto ao servidor como à patroa, pois se ela era amada e considerada por todos, ele era tido, esse velho soldado de barbas brancas como as de um patriarca, o modelo dos empregados. 5 O sol de julho caía brutalmente sobre a rua, inundando as casas baixas com sua luz triste, extremamente ardente e forte. 6 Cachorros dormiam sobre as calçadas à sombra dos muros. Alexandre, resfolegando um pouco, apressava o passo a fim de chegar mais rápido à avenida que levava ao rio. 7 A senhora Maramballe já dormitava sob sua sombrinha branca, cuja ponta, solta, algumas vezes ia se apoiar no rosto impassível do homem. 8 No momento em que atingiram a alameda Tilleuls, ela despertou imediatamente sob a sombra das árvores, e disse com uma voz afável:
9 — Mais devagar, meu pobre rapaz. Assim você vai se matar com esse calor.
10 Ela não pensa, no seu egoísmo ingênuo, que, se desejava ir mais devagar, era justamente porque acabavam de ganhar o abrigo das folhas.
11 A pequena distância desse caminho coberto por velhas tílias talhadas em abóbadas, a Embarcação deslizava num leito tortuoso entre duas cercas de salgueiro. O borbulhar das contracorrentes, os respingos sobre as rochas, os bruscos rodeios de corrente, semeavam, ao longo desse passeio, uma doce canção de água e um frescor de ar molhado
12 Após ter longamente respirado e saboreado o encanto úmido desse lugar, a senhora Maramballe murmurou:
13 — Vamos, agora está tudo bem. Hoje ele não estava muito bem comportado.
14 Alexandre respondeu:
15 — Realmente, senhora.
16 Há 35 anos ele está a serviço dessa família, primeiro como ordenança do oficial, depois como simples criado que não quis deixar seus patrões; e há seis anos passeia toda a tarde com sua patroa pelos estreitos caminhos ao redor da cidade.
17 Desse longo serviço devotado, dessa conversação cotidiana, resultou entre a velha senhora e o velho servidor uma espécie de familiaridade, afetuosa nela, deferente nele.
18 Falavam dos negócios da casa como se faz entre iguais. O principal tema de conversa e inquietação entre eles era, aliás, o mau gênio do capitão, amargurado por uma longa carreira debutada com brilho, corrida sem avanços e terminada sem glória.
19 A senhora Maramballe retomou:
20 — Ele foi muito mal educado. Isso tem acontecido com frequência desde que deixou o serviço.
21 Alexandre, com um suspiro, completou o pensamento de sua patroa:
22 — Ora, senhora, pode-se dizer que acontece todos os dias e que acontecia também antes dele ter deixado o exército.
23 — É verdade. Mas ele não teve sorte, coitado. Por um ato de bravura foi condecorado aos vinte anos, e dos vinte aos cinquenta não passou de capitão, quando contava, pelo menos, chegar a coronel na aposentadoria.
24 — Apesar de tudo, senhora, pode-se dizer que a culpa foi dele. Se não tivesse sido sempre suave como um coice, seus chefes o teriam amado e protegido mais. De nada serve ser rude. É preciso agradar às pessoas para ser querido. Que ele nos trate dessa maneira, a culpa é nossa, já que nos agrada ficar ao seu lado. Mas com os outros é diferente.
25 A senhora Maramballe refletia. Há anos pensava todos os dias nas brutalidades do marido que tinha outrora desposado, há muito tempo, porque era um belo oficial, condecorado bem jovem, e cheio de futuro, diziam. Como nos enganamos na vida!
26 Ela murmurou:
27 — Paremos um pouco, meu pobre Alexandre, e repouse no banco.
28 Era um pequeno banco de madeira, em parte podre, colocado na curva da alameda para os passeantes de domingo.
29 Toda vez que passavam nesse ponto, Alexandre costumava respirar alguns minutos no banco.
30 Sentou tomando nas mãos, num gesto familiar e cheio de orgulho, sua bela barba branca aberta como um leque. Agarrou-a e escorregou a mão, fechando os dedos na ponta, retendo-a por uns instantes sobre a cavidade do estômago, como que para fixá-la ali e constatar, mais uma vez, o comprimento dessa vegetação.
31 A senhora Maramballe retomou:
32 — Eu, o desposei; é justo e natural que suporte suas injustiças, mas o que não compreendo é que você tenha também que aturá-lo, meu bravo Alexandre!
33 Ele fez um vago movimento com os ombros e disse apenas:
34 — Oh! Eu... senhora.
35 Ela acrescentou:
36 — De fato. Sempre pensei. Você era seu ordenança quando o desposei e não podia agir de outra maneira senão suportá-lo. Mas, depois, por que permaneceu conosco, que lhe pagamos tão pouco e o tratamos tão mal, já que poderia fazer como todo mundo, estabelecer-se, casar, ter filhos, formar uma família?
37 Ele repetiu: abril educação — Oh! Eu, senhora... Não é isso. Depois se calou, mas puxava a barba como se badalasse um sino, como se tentasse arrancá-la, revirava os olhos assustados, imerso no embaraço.
39 A senhora Maramballe seguia seu pensamento.
40 — Você não é camponês. Recebeu educação.
41 Ele interrompeu com orgulho:
42 — Estudei para ser agrimensor, senhora.
43 — Então, por que permaneceu ao nosso lado, estragando sua existência?
44 Ele balbuciou:
45 — A vida é assim! É culpa de minha natureza.
46 — Como assim, de sua natureza?
47 — Quando eu me apego, me apego e está terminado.
48 Ela riu.
49 — Vejamos, você não vai me fazer crer que o bom comportamento e a doçura de Maramballe o prenderam por toda a vida?
50 Ele se agitava sobre o banco, visivelmente perdido e resmungou entre os longos pelos de seu bigode:
51 — Não por ele, mas pela senhora.
52 A velha dama, que tinha o rosto muito doce, coroado entre a testa e a cabeleira por uma linha, branca como a neve, de cabelos ondulados, enrolados todos os dias com cuidado e brilhantes como as plumas de um cisne, fez um movimento na cadeira de rodas e contemplou seu criado com os olhos surpresos.
53 — Eu, meu pobre Alexandre? Como assim?
54 Ele olhou para o céu, depois de lado, depois ao longe, girando a cabeça, como fazem os homens tímidos forçados a confessar segredos íntimos. Depois, calou-se e declarou com a coragem de soldado a quem se ordena enfrentar a linha de fogo:
55 — Foi assim: na primeira vez que levei à senhorita uma carta do tenente e a senhorita me deu vinte soldos e um sorriso, ficou tudo decidido.
56 Ela insistia, compreendendo mal.
57 — Vejamos. Explique.
58 Então, ele afirmou com o pavor de um miserável que, perdido, confessa um crime:
59 — Eu tive um sentimento pela senhora. Eis tudo.
60 Ela nada respondeu, parou de olhá-lo, baixou a cabeça e pensou. Era boa, correta, cheia de doçura, inteligente e sensível.
61 Ela pensou, num segundo, no imenso devotamento desse pobre ser que havia renunciado a tudo para viver ao seu lado sem nada dizer. Teve vontade de chorar.
62 Depois, com semblante mais grave, mas nem um pouco zangada:
63 — Voltemos — disse ela.
64 Ele se levantou, ficou atrás da cadeira de rodas, e começou a empurrá-la.
65 Quando se aproximavam da cidade, perceberam, no meio do caminho, o capitão Maramballe vindo na direção deles.
66 Assim que se encontraram, o capitão disse à sua mulher com visível desejo de se irritar:
67 — O que teremos para o jantar?
68 — Um franguinho e feijão branco.
69 Ele se encolerizou. abril educação –
70 — Um frango, ainda frango, sempre frango, meu Deus! Você não tem outra ideia na cabeça além de me fazer comer todos os dias a mesma coisa?
71 Ela respondeu, resignada:
72 — Mas, meu querido, você sabe que o doutor receitou. É ainda o que há de melhor para seu estômago. Se não tivesse o estômago doente, eu o faria comer coisas que não ouso servir.
73 Então ele se plantou, exasperado, diante de Alexandre:
74 — É culpa deste imbecil se tenho o estômago doente! Há 35 anos que me envenena com sua cozinha suja!
75 A senhora Maramballe, bruscamente, virou a cabeça no mesmo instante para observar o velho empregado. Seus olhos então se encontraram e ambos disseram, neste único olhar: “Obrigado”.
Tradução de Solange Lisboa. In Contos Universais. Série Para Gostar de ler. vol. 11. 8a ed. São Paulo: Ática, 2002.
A história passa-se no século XIX. Considerando o desenvolvimento temporal da narrativa, responda:
a) A narração abrange quantos anos da convivência entre Alexandre e o casal Maramballe?
b) Explique por que podemos afirmar que este conto é apenas o ponto culminante de uma longa história?
Este conto pode ser considerado é uma história de amor, mas, ao mesmo tempo, como sempre ocorre nas obras de Guy de Maupassant, possui algumas características próprias da narrativa de mistério.
a) Em quais parágrafos se formula claramente “um mistério”?
b) Em qual parágrafo ocorre a solução desse mistério? Explique.
c) Revelado o mistério, pode-se perceber, retrospectivamente, que o narrador distribuiu alguns índices que possibilitavam ao leitor formular uma previsão. Indique pelo menos dois desses índices.
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
domingo, 4 de setembro de 2016
ALEXANDRE E A COBRA
De repente, quando mal me precatava, senti uma pancada no pé direito. Puxei a rédea, parei, ouvi um barulho de guiso, virei-me para saber de que se tratava e avistei uma cascavel assanhada, enorme, com dois metros de comprimento.
___ Dois metros, seu Alexandre? inquiriu o cego preto Firmino. ____ Talvez seja muito.
___ Espere, seu Firmino - bradou Alexandre zangado. ___ Quem viu a cobra foi o senhor ou fui eu?
___ Foi o senhor – confessou o negro.
___ Então escute. O senhor, que não vê, quer enxergar mais que os outros que têm vista. Assim é difícil a gente se entender, seu Firmino. Ouça calado, pelo amor de Deus. Se achar falha na história, fale depois e me xingue de potoqueiro.
___ Perdoe – rosnou o cego. ___ É que eu gosto de saber as coisas por miúdo.
___ Saberá, seu Firmino, - berrou Alexandre. ___ Quem disse que o senhor não saberá? Saberá. Mas não me interrompa, com os diabos. Ora muito bem. A cascavel mexia-se com raiva chocalhando e preparando-se para armar novo bote. Tinha dado o primeiro, de que falei, uma pancada aqui no pé direito. “___ Os dentes não me alcançaram porque estou bem calçado”, foi o que presumi. Saltei no chão e levantei o chicote, pois ali perto não havia pedra nem pau. A miserável enrolava-se, os olhos redondos pregados em mim, e a língua fora da boca. Zás! Desmanchei-lhe a rodilha com uma chicotada. Tentou endireitar-se, estraguei-lhe os planos com o chicote e fui batendo, batendo, até que, desanimada, ela meteu o rabo entre as pernas e botou-se devagarinho para um monte de garranchos de coivara.
___ Como é isso, seu Alexandre? – perguntou o cego. ___ A cascavel meteu o rabo entre as pernas? Cascavel não tem pernas.
___ Está claro que não tem – respondeu Alexandre. ___ Quando a gente diz que uma criatura mete o rabo entre as pernas, quer dizer que ela se encolhe, capionga, percebe? Foi o que se deu. Não é preciso um bicho ter pernas para meter o rabo entre as pernas. Seu Firmino é pessoa de entendimento curto e não compreende isso. A cascavel, que não tinha pernas, meteu o rabo entre as pernas e esgueirou-se para os garranchos e folhas secas que havia junto da estrada. Corri atrás dela e obriguei-a a voltar. Amiudei os golpes, a desgraçada bambeou e nem pediu fogo para o cachimbo. Machuquei-lhe a cabeça com o salto da bota. Estrebuchou, fez o que pôde para arrumar-se em novelo, depois se aquietou e ficou estirada na poeira. Baixei-me e medi o corpo mole: nove palmos e meio espichados. Isto é com o senhor, seu Firmino. Nove palmos e meio, entendeu? Mais de dois metros, penso eu.
( Ramos, Graciliano. “O estribo de prata”. 18ª. ed. São Paulo. Ed. Record, 1979 )
1- Estabeleça relação entre as colunas.
a- precatar ( ) mentiroso, loroteiro
b- potoqueiro ( ) agitar-se com violência, debater-se
c- rodilha ( ) prevenir, precaver, acautelar
d- coivara ( ) em forma de rolo, enrodilhado
e- estrebuchar ( ) pilha de ramagens que se queima, no campo, para limpar o terreno
f- inquiriu ( ) vacilou
g- capionga ( ) perguntou
h- bambeou ( ) tristonha
2- “A cascavel mexia-se com raiva ... para armar um novo bote”. “Bote” tem aí o sentido de:
( ) pôr, colocar, ( ) embarcação pequena, ( ) salto do animal sobre a presa, ( ) ataque, investida.
3- “A cascavel meteu o rabo entre as pernas?”, que explicação Alexandre deu a seu Firmino sobre a expressão “ meteu o rabo entre as pernas”?
4- Explique a expressão: “Seu Firmino é “pessoa de entendimento curto” e não compreende isto.”
5- De acordo com o texto atribua as características, usando A para Alexandre e F para Firmino:
( ) mentiroso ( ) cego ( ) minucioso ( ) exagerado.
6- O cego Firmino colocava em dúvida as histórias contadas por Alexandre. Retire do texto a passagem que comprova isto
1ª)
2ª)
7- ”Saltei no chão e puxei o chicote”. Onde se encontrava Alexandre para ter saltado no chão? Retire do texto a passagem que comprova a sua resposta.
8- Qual era a reação de Alexandre quando desconfiavam de suas histórias?
9- “O senhor, que não vê, quer enxergar mais que os que têm vista?”. Para Alexandre, o cego queria: ( ) ser muito inteligente; ( ) conhecer bem o assunto; ( ) saber mais do que os outros
( ) adivinhar o futuro?
10- De acordo com a descrição de Alexandre, como era a cascavel que ele encontrou?
11- Algumas frases do texto estão colocadas abaixo, fora de ordem. Numere-as tendo em vista a sequência de acordo com o texto.
( ) “Se achar falha na história, fale depois e me xingue de potoqueiro.”
( ) “... avistei uma cascavel assanhada, enorme, com dois metros de comprimento.”
( ) “Amiudei os golpes, a desgraçada bambeou e nem pediu fogo para o cachimbo.”
( ) “Saltei no chão e levantei o chicote, pois ali perto não havia pedra nem pau.”
( ) “___ Dois metros, seu Alexandre?”
12- De acordo com o texto a quem se referem as palavras abaixo destacadas?
a- “... e preparando-se para armar novo bote.” ____________________________________
b- “... os olhos redondos pregados em mim...” ____________________________________
c- “... estraguei-lhe os planos com o chicote ...” ___________________________________
“... e obriguei-a a voltar.” _____________________________________________________
d- “Baixei-me e medi o corpo...” ______________________________________________
13- No texto foi utilizado o discurso direto. Retire um trecho que confirme essa afirmação.
14- Que tipo de narrador o texto apresenta? Comprove sua resposta.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016
O pé da múmia
1— Cinco luíses pelo pé da princesa Hermonthis é pouco, muito pouco, na verdade. Trata-se de um pé autêntico — disse o vendedor balançando a cabeça e girando os olhos nas órbitas. — Vamos, leve-o, e ainda lhe dou a embalagem de presente — acrescentou, enrolando-o num velho pano adamascado —; muito bonito, damasco verdadeiro, damasco das Índias, que nunca foi tingido de novo, forte, macio — murmurava passeando os dedos pelo tecido puído, com um resquício de hábito comercial que o fazia elogiar um objeto de tão pouco valor que ele mesmo o considerava digno de ser dado.
2 Ele colocou as moedas de ouro numa espécie de bolsa medieval presa à cintura, repetindo:
3 — O pé da princesa Hermonthis para servir de peso de papel!
4 Depois, fixando em mim suas pupilas fosfóricas, disse numa voz estridente como o miado de um gato que acabou de engolir uma espinha:
5 — O velho faraó não ficará contente, ele amava a filha, o grande homem.
6 — O senhor fala como se fosse seu contemporâneo. Apesar de velho, o senhor não é do tempo da pirâmides do Egito — respondi-lhe rindo, da porta da loja.
7 Voltei para casa bastante satisfeito com minha aquisição. Para fazer bom uso dela imediatamente, coloquei o pé da divina princesa Hermonthis sobre uma pilha de papéis. Eram esboços de versos e um mosaico indecifrável de rasuras: artigos começados, cartas esquecidas e engavetadas, algo que acontece com frequência com os distraídos. O efeito era encantador, bizarro e romântico.
8 Satisfeitíssimo com aquele embelezamento, desci para a rua e fui passear com a gravidade apropriada e o orgulho de um homem que tem, sobre todas as pessoas por quem passa, a extraordinária vantagem de possuir um pedaço da princesa Hermonthis, filha do faraó. Téophile Gauthier. In Hélène Montardre.
Medo: Histórias de terror. Trad. Júlia da Rosa Simões. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 13. 1
1) O clima de mistério do conto, já instaurado pela estranheza do produto vendido na loja de antiguidades, é acentuado por alguns índices sutilmente distribuídos ao longo dessa estranha negociação. Indique três desses índices e levante hipóteses sobre o significado deles.
2) Qual é o foco narrativo do conto? Como a escolha desse foco narrativo pôde contribuir para a instauração do mistério?
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016
A CAUSA DA CHUVA
(MILLOR FERNANDES, Fábulas Fabulosas)
1. Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.
2. – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.
3. – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.
4. – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.
5. Nesse momento começou a chover.
6. - Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!
7. – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.
8. – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores?
RESPONDA: Assinale a única opção correta de acordo com o texto:
1. Percebe-se claramente que a causa principal da inquietação dos animais era:
a.( ) a chuva que caía b.( ) a falta de chuva
c.( ) as discussões sobre animais d.( ) a conclusão a que chegaram
2. A resposta à questão 1 é evidenciada pela seguinte frase do texto:
a.( ) “Uns diziam que ia chover…” (parágrafo 1)
b.( ) “… outros diziam que ainda ia demorar.” (parágrafo 1)
c.( ) “Mas não chegavam a uma conclusão.” (parágrafo 1)
d.( ) “Não chovia há muitos e muitos meses.” (parágrafo 1)
3. O sapo achou que o esclarecimento feito pela galinha era:
a.( ) correto b.( ) aceitável c.( ) absurdo d.( ) científico
4. A expressão do texto que justifica a resposta da questão 3 é:
a.( ) “Como assim?” (par. 4) b.( ) “Viram?” (par. 6)
c.( ) “Ora, que bobagem!” (par. 3) d.( ) “Parecem cegos?”
5. A atitude da lebre diante das explicações dadas pelos outros animais foi de:
a.( ) dúvida interrogativa b.( ) aceitação resignada
c.( ) conformismo exagerado d.( ) negação peremptória
6. A expressão do texto que confirma a resposta à questão 5 é:
a.( ) “Como assim?” (par. 4) b.( ) “Viram?” (par. 6)
c.( ) “Ora, que bobagem!” (par. 3) d.( ) “Parecem cegos?” (par.
7. A fábula de Millôr Fernandes é uma afirmativa de que:
a.( ) as pessoas julgam os fatos pela aparência
b.( ) cada pessoa vê as coisas conforme o seu estado e seu ponto de vista
c.( ) todos tem uma visão intuitiva dos fenômenos naturais
d.( ) o mundo é repleto de cientistas
8. O relato nos leva a concluir que:
a.( ) a galinha tinha razão b.( ) a razão estava com o sapo
c.( ) A lebre julgava-se dona da verdade.
d.( ) as opiniões estavam objetivamente erradas.
9. Cada um dos animais teve sua afirmação satisfeita quando:
a.( ) a discussão terminou b.( ) chegaram a um acordo
c.( ) começou a chover d.( ) foram apartados por outro animal
10. Toda fábula encerra um ensinamento. Podemos sintetizar o ensino desta fábula através da frase:
a.( ) A mentira tem pernas curtas.
b.( ) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
c.( ) As aparência enganam. d.( ) Não julgueis e não sereis julgados.
ESCOLA ______________________________________________LÍNGUA PORTUGUESA
PROF ADRIANA T PIMENTEL ( ) Avaliação ( ) Trabalho ( ) tarefa de casa
NOME __________________________________ DATA ___________ANO: ____
: O índio
- Meu Deus,é ele!
Quem já conversou com um índio, assim um papo aberto, sobre futebol, religião, amor... ? A primeira ideia que nos vem é a da impossibilidade desse diálogo,risos, preconceito, talvez. O que dizer então da visão dos estrangeiros ,que pensam que andamos nus, atiramos em capivaras com flechas envenenadas e dançamos literalmente a dança da chuva pintados com urucu na praça da Sé ou na avenida Paulista?
Pois na minha escola no ano de 1995 ocorreu a matrícula de um índio. Um genuíno adolescente pataxó.
A funcionária da secretaria não conseguiu esconder o espanto quando na manhã de segunda-feira abriu preguiçosamente a portinhola e deparou-se com um pataxó sem camisa com o umbigo preto para fora, dois penachos brancos na cabeça e a senha número "um" na mão, que sem delongas disse:
– Vim matricular meu filho.
E foi o que ocorreu, preenchidos os papéis, apresentados os documentos, fotografias, certidões, transferências, alvarás, licenças etc. A notícia subiu e desceu rapidamente os corredores do colégio, atravessou as ruas do bairro, transpôs a sala dos professores e chegou à sala da diretora, que levantou e, em brado forte e retumbante, proclamou:
– Mas é um índio mesmo?
Era um índio mesmo. O desespero tomou a alma da pobre mulher; andava de um lado para o outro, olhava a ficha do novo aluno silvícola, ia até os professores, chamava dois ou três, contava-lhes, voltava à sala, ligava para outros diretores pedindo auxílio, até que teve uma idéia: pesquisaria na biblioteca. Chegando lá, revirou Leis, Decretos, Portarias, Tratados, o Atlas, Mapas históricos e nada. Curiosa com a situação, a funcionária questionou: – qual o problema para tanto barulho?
– Precisamos ver se podemos matricular um índio; ele tem proteção federal, não sabemos que língua fala, seus costumes, se pode viver fora da reserva; enfim, precisamos de amparo legal. E se ele resolver vir nu estudar, será que podemos impedir?
Passam os dias e enfim chega o primeiro dia de aula, a vinda do índio já era notícia corrente, foi amplamente divulgada pelo jornal do bairro, pelas comadres nos portões, pelo japonês tomateiro da feira, pelos aposentados da praça, não se falava noutra coisa. Uma multidão aguardava em frente da escola a chegada do índio, pelas frestas da janela, que dava para o portão principal, em cima das cadeiras e da mesa, disputavam uma melhor visão os professores – sem nenhuma falta –, a diretora, a supervisora de ensino e o delegado.
O porteiro abriu o portão – sem que ninguém entrasse – e fitou ao longe o final da avenida; surgiu entre a poeira e o derreter do asfalto um fusca, pneus baixos, rebaixado, parou em frente da escola, o rádio foi desligado, tal o silêncio da multidão que se ouviu o rangido da porta abrir, desceu um menino roliço, chicletes, boné do Chicago Bulls, tênis Reebok, calça jeans, camiseta, walkman nas orelhas, andou até o porteiro e perguntou:
– Pode assistir aula de walkman?
Edson Rodrigues dos Passos. In: Nós e os outros: histórias de diferentes culturas.São Paulo. Ática, 2001.
RESPONDA AS PERGUNTAS ABAIXO:
1. Na escola, tudo corria tranquilamente. O que vem mudar esta situação?
2. Por que a diretora consultou os documentos citados no texto?
3. Em quais documentos a diretora poderia encontrar amparo legal para matricular o índio?
4. Por que a comunidade tinha expectativa pela chegada do índio?
5. O menino pataxó correspondeu à expectativa que a comunidade tinha a respeito dele?
6. O menino chega mascando chicletes, usando boné do Chicago Bulls, tênis Recep, calça jeans, walkman nas orelhas. A que cultura associou os elementos citados?
7. Das frases abaixo, qual é a que mais se aproxima da questão cultural indígena tratada no texto?
a) É bom que todos tenham a oportunidade de partilhar os avanços tecnológicos.
b) É uma pena que os povos percam sua identidade.
c) Eu uso esses produtos, mas o índio usando é estranho.
8. A expressão brado retumbante aparece em um importante texto brasileiro. Você sabe qual?
9. Como o conflito se resolve no final
10. Você acha normal a reação das pessoas ao ver um índio? Você também teria esta reação? Justifique sua resposta.
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
Leia e pense!
Coreógrafa e neto com doença rara quase são impedidos de embarcar em voo
A bailarina e coreógrafa carioca Deborah Colker, da Cia de Dança Deborah Colker, quase foi impedida nesta segunda-feira (19) de embarcar em um avião da Gol que saiu de Salvador rumo a Porto Alegre, com conexão no Rio de Janeiro.
A justificativa dada pela tripulação do voo seria o fato de ela estar acompanhada do neto, que possui uma doença de pele.
"Estou muito triste com tudo isso que aconteceu, a única coisa que posso falar no momento é que amo muuuuito o meu neto!", publicou em seu perfil no Facebook.
O garoto, chamado Theo, possui uma doença genética da pele, caracterizada pela ausência de aderência entre a epiderme e a derme, a epidermólise bolhosa, que causa manchas vermelhas e não é contagiosa.
Segundo a filha de Deborah, Clara Colker, mãe do garoto, o comandante da Gol só autorizou a partida após a expedição de um atestado que comprovasse que a doença não é contagiosa, o que precisou ser feito de forma improvisada em uma folha em branco, por um médico dentro do avião.
"Minha vontade era descer do avião (...). Estavam todas as pessoas do avião super solidárias, preocupadas com o constrangimento com o Theo. (...) Nisso já passava uma hora de atraso, e o constrangimento [era] mega. Theo me viu chorando. Tentei disfarçar que o avião inteiro não estava atrasado por causa dele", publicou Clara no Facebook.
Segundo ela, o voo chegaria no Rio às 13h50, mas tocou o solo apenas às 16h10. Quando chegou no Rio, Deborah recebeu um telefonema do presidente da Gol, Paulo Kakinoff, se desculpando pelo ocorrido. A coreógrafa, no entanto, afirmou que irá processar a empresa por danos morais.
Procurada pelo UOL, a Cia de Dança Deborah Colker afirmou que, se houver qualquer ganho monetário com a causa, ele será direcionado integralmente para uma instituição de pesquisa que estude a epidermólise bolhosa, doença que atinge cerca de 5 milhões brasileiros e que não tem cura. Segundo a Cia, a coreógrafa vem se mobilizando há três anos para combater o preconceito e promover pesquisas na área.
"Eles começaram uma abordagem deselegante, arrogante, na frente do Theo. Extremamente constrangedor. Falei para eles: tenho companhia de dança, já viajei o mundo todo com ele e nunca passei por isso. Se fosse doença contagiosa, eu estaria infectada", afirmou por telefone ao "Jornal Hoje", da Rede Globo.
A Gol afirma que ainda que está analisando o caso e que vai tomar as medidas cabíveis. Em nota, a empresa diz que as medidas foram tomadas visando o bem-estar dos passageiros do voo e seguindo normas da Anvisa e da Associação Internacional de Transportes Aéreos. A empresa também pede desculpas e diz lamentar "profundamente os transtornos causados à família com relação à forma como foi conduzido o cumprimento de tais recomendações".
Disponível em: http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/20/coreografa-carioca-quase-e-impedida-de-embarcar-em-voo-da-gol.htm. Acesso em 20/08/2013.
1) Qual a manchete do texto?
2) Qual o lide? Escreva-o.
3) Qual o veículo utilizado para publicar a reportagem?
4) Há a estrutura de pirâmide invertida? Explique.
A bailarina e coreógrafa carioca Deborah Colker, da Cia de Dança Deborah Colker, quase foi impedida nesta segunda-feira (19) de embarcar em um avião da Gol que saiu de Salvador rumo a Porto Alegre, com conexão no Rio de Janeiro.
A justificativa dada pela tripulação do voo seria o fato de ela estar acompanhada do neto, que possui uma doença de pele.
"Estou muito triste com tudo isso que aconteceu, a única coisa que posso falar no momento é que amo muuuuito o meu neto!", publicou em seu perfil no Facebook.
O garoto, chamado Theo, possui uma doença genética da pele, caracterizada pela ausência de aderência entre a epiderme e a derme, a epidermólise bolhosa, que causa manchas vermelhas e não é contagiosa.
Segundo a filha de Deborah, Clara Colker, mãe do garoto, o comandante da Gol só autorizou a partida após a expedição de um atestado que comprovasse que a doença não é contagiosa, o que precisou ser feito de forma improvisada em uma folha em branco, por um médico dentro do avião.
"Minha vontade era descer do avião (...). Estavam todas as pessoas do avião super solidárias, preocupadas com o constrangimento com o Theo. (...) Nisso já passava uma hora de atraso, e o constrangimento [era] mega. Theo me viu chorando. Tentei disfarçar que o avião inteiro não estava atrasado por causa dele", publicou Clara no Facebook.
Segundo ela, o voo chegaria no Rio às 13h50, mas tocou o solo apenas às 16h10. Quando chegou no Rio, Deborah recebeu um telefonema do presidente da Gol, Paulo Kakinoff, se desculpando pelo ocorrido. A coreógrafa, no entanto, afirmou que irá processar a empresa por danos morais.
Procurada pelo UOL, a Cia de Dança Deborah Colker afirmou que, se houver qualquer ganho monetário com a causa, ele será direcionado integralmente para uma instituição de pesquisa que estude a epidermólise bolhosa, doença que atinge cerca de 5 milhões brasileiros e que não tem cura. Segundo a Cia, a coreógrafa vem se mobilizando há três anos para combater o preconceito e promover pesquisas na área.
"Eles começaram uma abordagem deselegante, arrogante, na frente do Theo. Extremamente constrangedor. Falei para eles: tenho companhia de dança, já viajei o mundo todo com ele e nunca passei por isso. Se fosse doença contagiosa, eu estaria infectada", afirmou por telefone ao "Jornal Hoje", da Rede Globo.
A Gol afirma que ainda que está analisando o caso e que vai tomar as medidas cabíveis. Em nota, a empresa diz que as medidas foram tomadas visando o bem-estar dos passageiros do voo e seguindo normas da Anvisa e da Associação Internacional de Transportes Aéreos. A empresa também pede desculpas e diz lamentar "profundamente os transtornos causados à família com relação à forma como foi conduzido o cumprimento de tais recomendações".
Disponível em: http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2013/08/20/coreografa-carioca-quase-e-impedida-de-embarcar-em-voo-da-gol.htm. Acesso em 20/08/2013.
1) Qual a manchete do texto?
2) Qual o lide? Escreva-o.
3) Qual o veículo utilizado para publicar a reportagem?
4) Há a estrutura de pirâmide invertida? Explique.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
A BATALHA DO LEBLON
Foi à noitinha, aí por volta das 20 horas, que a notícia correu pelas esquinas do Leblon, ganhou amplitude, espalhou-se pelo bairro e foi explodir como uma bomba na Delegacia de Polícia. Os bichos do circo armado perto da pracinha tinham picado a mula. Foi aí que começou a ignorância. O delegado não estava, é claro. O comissário também não, é lógico, e a coisa sobrou na mão do prontidão.
___ Chamem a polícia! ___ berrou o infeliz.
___ Mas a polícia somos nós ___ advertiu um outro guarda.
Refeito da distração, o prontidão começou a procurar seus superiores para saber como agir. A muito custo conseguiu telefonar para um primo da noiva do comissário e localizar o distinto.
___ Peçam uma patrulha do Exército ___ recomendou o comissário.
Pediu-se. Mas havia outras corporações disponíveis. E apelou-se para o Corpo de Bombeiros, para a Polícia Militar, Radiopatrulha e ___ ninguém até agora sabe explicar por quê ___ um carro-socorro da Light.
___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão ___ disse um mulato magrela, com cara de gozador.
O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia. Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada? O povo dava palpites e, como sempre, do povo saiu um mais bem informado pouquinha coisa, para dizer que na África nada sim, mas não era o caso desse, que se chamava Bômbolo, e que nascera num outro circo e nunca vira água a não ser em balde.
Já então havia uma multidão apreciando as manobras. A praça era uma das trincheiras, o Jardim de Alá era a retaguarda das tropas. Pela rua principal não passaria nenhum bicho que mata gente, salvo lotações, mas estes têm licença especial pra matar.
Um homem de porte marcial, com muito mais estrelas do que os outros, reclamava contra a demora do tanque. Sim, ele requisitara um tanque-de-guerra e isto começou a parecer ridículo a uns tantos e emocionante para outros. A preta gorda, que mal acabara de servir o jantar dos patrões, palpitou:
___ Só onça tem umas quatro.
Mas o garoto que estava perto desmentiu, dizendo que estava farto de ir àquele circo e nunca vira onça nenhuma.
Nessa altura apareceu correndo, lá do outro lado da praça, um soldado. Vinha acelerado e parou na frente do homem que tinha mais estrelas do que os outros. Fez uma continência legal e avisou que não havia elefante na praia. Imediatamente recebeu ordens de ir pelas casas avisando para que todo mundo trancasse as portas por causa dos leões.
___ Manda espiar primeiro se o leão já não entrou, senão é fogo na jacutinga, trancar porta com leão dentro ___ gozou o mulato.
O soldado explicou que não era preciso, porque não tinha leão. Nem leão, nem tigre, nem onça. Apenas um “popótis”.
___ Hipopótamo ___ corrigiu o que tinha mais estrelas do que os outros.
Então ___ já conhecido o inimigo ___ começou o cerco ao “popótis”. Dos que estavam nas proximidades, poucos sabiam o que era um hipopótamo. Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menos, mas muito mais feroz. E nessa troca de informações ficaram até que surgiu um outro soldado, que, vindo correndo em diagonal pela praça, bateu continência e disse pro de mais estrelas:
___ O “popótis” se rendeu-se.
___ Hipopótamo ___ voltou a corrigir o chefe, deixando passar a abundância de pronomes.
Soube-se que, realmente, o hipopótamo fora localizado dentro de um jardim, numa residência grã-fina, comendo girassóis. E logo depois apareceu na esquina o dono do circo, puxando um bicho que não era maior que um cachorro dinamarquês e que o acompanhava de passo pachorrento. Decepção geral, inclusive dos soldados, preparados para mais uma batalha que, como tantas outras, não houve.
___ Ainda por cima o bicho come flor ___ disse a preta gorda.
___ Come flor sim, uai! ___ explicou o de touca. ___ Então tu não sabia que “popótis” é veterinário?
( Stanislau Ponte Preta )
VOCABULÁRIO
AMPLITUDE:extensão, grandeza, dimensão / CORPORAÇÃO: órgão que administra serviço público/
PORTE MARCIAL: aparência guerreira / PRESUMIR: supor / PRONTIDÃO: soldado de serviço de uma delegacia de polícia / REQUISITAR: requerer, exigir
1- Relacione as frases a seus significados.
a- Pare de “atiçar fogo” na discussão
b- Quem gosta de “brincar com fogo”, acaba de queimando.
c- Não se preocupe se cozinharmos a situação a “fogo brando”.
d- É horrível ficar “entre dois fogos”!
e- Os jovens “pegaram fogo” ao som da banda de reggae.
f- Menino, você “é fogo”!
( ) difícil, trabalhoso ( ) adiando a solução de um problema
( ) animaram-se, entusiasmaram-se ( ) correr riscos, meter-se em encrenca
( ) pressionado do dois lados ( ) fomentar discórdia
2- Transcreva o fragmento do texto em que o autor situa os fatos temporalmente.
3- Interprete a frase de acordo com o texto: “Foi aí que começou a ignorância.”
4- Que expressões revelam a ironia do autor ao referir-se aos funcionários da delegacia?
5- Que piada o mulato magrela faz a respeito da participação de um carro-socorro da Light no episódio? Cite suas palavras.
6- Releia o oitavo parágrafo. Transcreva o trecho em que o narrador mostra sua opinião sobre o nível de conhecimento das pessoas envolvidas no caso da fuga dos bichos. Cite suas palavras.
7- Transcreva o trecho em que o autor critica os meios de transportes públicos.
8- Por que o soldado fez continência para o homem que tinha mais estrelas do que os outros? O que significa, de acordo com o texto ter mais estrelas?
9- Identifique.
A- narração B- descrição C- reflexão D- hipótese
( ) “Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada?”
( ) “O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia.”
( ) “___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão...”
( ) “Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menor, mas muito mais feroz.”
10- A personagem de touca não sabia o significado da palavra veterinário. Qual foi o significado que atribuiu a essa palavra?
11- Retire o trecho que mostra qual o espaço físico em que ocorrem os fatos narrados.
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terça-feira, 30 de agosto de 2016
O Pavão
E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um
luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d´água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes
com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é
a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
(BRAGA, Rubem. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 120)
02. No 2º parágrafo do texto, a expressão ATINGIR O MÁXIMO DE MATIZESsignifica o artista
(A) fazer refletir, nas penas do pavão, as cores do arco-íris.
(B) conseguir o maior número de tonalidades.
(C) fazer com que o pavão ostente suas cores.
(D) fragmentar a luz nas bolhas d’água.
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
filme "Sorte no Amor"
Trabalho sobre o filme “Sorte no Amor” .
1) Answer:
a) What is the name of the movie?
b) Who is the principal characters?
c) What about is the story?
2) Number the scenes:
a) ( ) The mirror broke
b) ( ) She kissed a boy
c) ( ) She had a party
d) ( ) She broke her shoes
e) ( ) She wrapped her dress
f) ( ) She was arrested
g) ( ) The dryhair broke
3) Complete with: has/have, is/are, can't.
a) She ______ an amazing job.
b) Ashley______ a desaster.
c) They ________ a rock band.
d) He________ doanything right.
e) She _______ a lucky girl.
f) He_________ an bad lucky boy.
g) They________ living in New York.
h) She_______ an apartment.
4) Write phrases related to the film using the words bellow:
a) Boy:
b) Present:
c) Hands:
d) Girls:
e) Glue:
f) Bad luck:
g) luck
h) Rock band:
1) Answer:
a) What is the name of the movie?
b) Who is the principal characters?
c) What about is the story?
2) Number the scenes:
a) ( ) The mirror broke
b) ( ) She kissed a boy
c) ( ) She had a party
d) ( ) She broke her shoes
e) ( ) She wrapped her dress
f) ( ) She was arrested
g) ( ) The dryhair broke
3) Complete with: has/have, is/are, can't.
a) She ______ an amazing job.
b) Ashley______ a desaster.
c) They ________ a rock band.
d) He________ doanything right.
e) She _______ a lucky girl.
f) He_________ an bad lucky boy.
g) They________ living in New York.
h) She_______ an apartment.
4) Write phrases related to the film using the words bellow:
a) Boy:
b) Present:
c) Hands:
d) Girls:
e) Glue:
f) Bad luck:
g) luck
h) Rock band:
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interpretação de filme
Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
SE EU FOSSE SHERLOCK HOLMES
Retiradas as capas, o zunzum das conversas continuava. Ninguém tinha entrado no quarto fatídico. Todos o diziam e repetiam.
Foi no meio dessas conversas que Sherlock Holmes cresceu dentro de mim . Anunciei:
___ Já sei quem roubou o anel.
De todos os lados surgiam exclamações. Algumas pessoas se limitava a interjeições: “Ah!”,”Oh!”. Outras perguntavam quem tinha sido.
Sherlock Holmes disse o que ia fazer, indicando um gabinete próximo:
___ Eu vou para aquele gabinete. Cada uma das senhoras aqui presentes fecha-se ali em minha companhia por cinco minutos.
___ Por cinco minutos? ___ indagou o Dr. Caldas.
___ Porque eu quero estar o mesmo tempo com cada uma, para não poder se concluir da maior demora com qualquer uma delas que essa é a culpada. Serão para cada uma cinco minutos cronométricos.
O Dr. Caldas gracejando:
___ Mas veja o que você faz. Não procure namorar minha mulher, senão eu lhe dou um tiro.
Houve uma hesitação. Algumas diziam estar acima de qualquer suspeita, outras que não se submetiam a nenhum inquérito policial. Venceu, porém, o partido das que diziam “quem não deve não teme”. Eu esperava, paciente. Por fim, quando vi que todas estavam resolvidas, lembrei que seria melhor quem fosse saindo, despedir-se e partir.
E a cerimônia começou. Cada uma das senhoras esteve trancada comigo justamente os cinco minutos que eu marcara.
Quando a última partiu, saiu do gabinete, achei à porta, ansiosa, Madame Guimarães:
___ Venha comigo ___ disse-lhe eu.
Aproximei-me do telefone, chamei o Alves Calado e disse-lhe que não precisava mais tomar providência alguma, porque o anel fora achado.
Voltando-me para Madame Guimarães entreguei-o então. Ela estava tão nervosa que me abraçou e beijou freneticamente. Quando, porém, quis saber quem fora a ladra,não me arrancou nem uma palavra.
No quarto, ao ver sinhazinha Ramos entrar, tínhamos tido mais ou menos, a seguinte conversa:
___ Eu não vou deitar verdes para colher maduros, não vou armar cilada alguma. Sei que foi a senhora que tirou a joia de sua tia.
Ela ficou lívida. Podia ser medo. Podia se cólera. Mas respondeu firmemente:
___ Insolente! É assim que o senhor está fazendo com todas, para descobrir a culpada?
___ Está enganada. Com as outras eu apenas converso. Com a senhora, não; exijo que me entregue o anel.
Mostrei-lhe o relógio para que visse que o tempo estava passando.
___ Note ___ disse eu___ que tenho uma prova, posso fazer ver a todos.
Ela se traiu, pedindo:
___ Dê sua palavra de honra que tem essa prova!
Dei. Mas o meu sorriso lhe mostrou que ela, sem dar por isso, confessara indiretamente o fato.
___ E já agora ___ acrescentei ___ dou-lhe também a minha palavra de honra que ninguém saberá por mim o que fez.
Ela tremia toda.
___ Veja que falta um minuto. Não chore. Lembre-se que precisa sair daqui com uma fisionomia jovial. Diga que estivemos falando de moda.
Ela tirou a joia do seio, deu-ma e perguntou:
___ Qual é a prova?
___ Esta ___ disse-lhe eu apontando para uma esplêndida rosa-chá que ela trazia. ___ É a única pessoa, esta noite, que tem aqui uma rosa amarela. Quando foi ao quarto de sua tia, teve a infelicidade de deixar cair duas pétalas dela. Estão junto da mesa-de-cabeceira.
Abri a porta. Sinhazinha compôs magicamente, imediatamente, o mais encantador, o mais natural dos sorrisos e saiu dizendo:
___ Se este Sherlock fez com todas o que fez comigo, vai ser um fiasco absoluto.
Não foi fiasco, mas foi pior.
Quando Sinhazinha chegara, subira logo. Graças à intimidade que tinha na casa, onde vivera até a data do casamento, podia fazer isso naturalmente. Ia só para deixar a sua capa dentro do armário. Mas, à procura de um alfinete, abriu a mesinha-de-cabeceira, viu o anel, sentiu a tentação de roubá-lo e assim o fez . Lembrou-se de que tinha de ir para a Europa daí um mês. Lá venderia a joia. Desceu então novamente com a capa e mandou pô-la no automóvel. E como ninguém a tinha visto subir, pôde afirmar que não fora ao andar superior.
Eu estraguei tudo.
Mas a mulherzinha se vingou: a todos insinuou que provavelmente o ladrão tinha sido eu mesmo. E, vendo o caso descoberto antes da minha retirada, armara aquela encenação para atribuir a outrem o meu crime.
O que sei é que madame Guimarães, que sempre me convidava para as suas recepções, não me convidou para a de ontem... Terá talvez sido a primeira a acreditar na sobrinha.
( Medeiros e Albuquerque )
DEPOIS DE LER O TEXTO ATENTAMENTE, FAÇA O QUE SE PEDE.
1- Relacione as palavras destacadas a seus significados.
a- “Ninguém tinha entrado no quarto fatídico.” ( ) pálida
b- “Ela ficou lívida.” ( ) fatal, trágico
c -“___Insolente!” ( ) alegre
d- “... precisa sair daqui ... fisionomia jovial.” ( ) atrevido
2- Qual é o significado da expressão: “___ Eu não vou deitar verdes para colher maduros...”_______________________________________________________________
3- Quem é o narrador-personagem? ____________________________________________
4- Em torno de qual fato gira a história? _________________________________________
5- Qual o espaço da narrativa (onde acontece)? __________________________________
6- Que decisão do narrador indica que uma mulher havia furtado o anel? ______________
__________________________________________________________________________
7-Que sentimentos , dos abaixo relacionados, estão expressos nas falas das personagens?
a- honradez b- ofensa c- culpa d- autoridade
( ) (Sinhazinha Ramos) “___ Insolente!”
( ) (Narrador) “Com a senhora, não, exijo que me entregue o anel.”
( ) (Sinhazinha Ramos) “___ Dê sua palavra de honra que tem essa prova!”
( ) (Narrador) “... dou-lhe a minha palavra de honra que nunca ninguém saberá por mim o que fez.”
8- Por que o narrador pediu à ladra que saísse do gabinete com fisionomia jovial?
_________________________________________________________________________
9- Qual foi a prova do crime?__________________________________________________
__________________________________________________________________________
10-Que estratégia a jovem usou para roubar o anel? _______________________________
_________________________________________________________________________
11- Qual foi a vingança da ladra e qual foi a consequência disso no final da história?
__________________________________________________________________________
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
Inadiável partida
Muitas vezes desfiz malas recém-feitas muitas vezes abri mão de novos ares.
Viajar, viajar, viajar, e eu presa ao chão, parafuso em mil voltas enfincado.
Não importa.
Dia virá em que partirei sem malas e habitarei definitiva o país longínquo – meta de hipóteses e sonhos.
(CABRAL, Astrid. De déu em déu - poesia reunida. Rio de Janeiro: Sete Letras, 1998, p. 316.)
Assinale a melhor interpretação do poema:
a) O tema do poema é a insatisfação com a vida na terra natal e o desejo de mudar-se para outro país.
b) O tema do poema é a frustração de uma mulher que não quer viajar.
c) O significado das palavras “partida”, “viajar” e “partir” transforma-se ao longo do texto, tornando-se metafórico.
d) O eu lírico tem medo de viajar, pois, embora esteja consciente da necessidade da partida (título), prorroga indefinidamente a decisão (verso 5).
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
A DESPEDIDA
A DESPEDIDA
Zeca entendeu tudo na hora. Deu um grande abraço no irmão. Trocaram um olhar, e meio que combinaram tudo, sem dizer nenhuma palavra. Foram detrás do prédio. Não acharam nenhum lugar de que gostassem. Caminharam um pouco mais e chegaram num terreno baldio. Pararam perto duma árvore, cavaram a terra com as pazinhas que tinham trazido. Enterraram o hamster no maior silêncio.
Cobriram a cova com a terra. Com tristeza, com dor, Zeca fez uma cruz com dois paus de madeira que encontrou pelo caminho e amarrou com elástico. Com uma caneta escreveram: “Olhos vermelhos. Dez meses de idade. Saudades de Edu e Zeca.”
Voltaram para casa chorando. Edu se apoiava em Zeca, que caminhava devagarinho, sentindo que a ocasião não era pra nenhuma estabanação. Deu o tempo que o Edu precisava. Não disse nada, nem ouviu nada. Só silêncio e lágrimas rolando.
Em casa, Edu se trancou no quarto. Não quis saber de mais nada. Nem de jantar, muito menos de conversar ou ver tevê. Zeca até emprestou o seu videogame, mas nem isso animou o Edu. Deitado na cama, olhos fechados, coberto até o pescoço, porque estava sentindo frio, só pensava na falta que Olhos Vermelhos ia fazer. Chorou até dormir. Dormiu de cansaço.
Edu sofria, Zeca chamava o irmão pra ler suas revistinhas, mas Edu nem se interessava... A mãe insistia pra que ele fosse dar umas voltas, brincar com os amigos, jogar futebol, apostar corrida, pedalar na bicicleta. Ele só queria ficar em casa. Pensando.
Resolveu desenhar num caderno grosso tudo o que lembrava as aprontações e da carinha marota de Olhos Vermelhos. Ficava horas nisso... Tinha perdido alguém que adorava! E quem perde alguém tão querido não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina. Os pais tinham que entender que perder o melhor amigo era duro. Muito duro. Talvez mais tarde encontrasse alguma coisa que o consolasse. Agora, por enquanto, nesse momento, não tinha nada, nadinha! Só um coração vazio.
(ABRAMOVICH, FANNY.IN: OLHOS VERMELHOS .SÃO PAULO: MODERNA ,1995.)
Interpretação e análise
1.Qual é a autoria do texto? Em qual livro está publicado?
2.Qual o tema principal de A despedida?Assinale apenas uma alternativa:
( ) animal de estimação ( ) lidar com as perdas de algo ou alguém
( ) amizade ( ) afeto entre irmãos
3. Quem era Olhos Vermelhos?
4. Quem eram Edu e Zeca?
5.Qual dos dois meninos ficou mais triste pela perda? Qual poderia seria o motivo?
6.Qual a relação entre o título A despedida e o texto? Explique com suas palavras
7. Que outro título você daria, considerando a relação com o texto?
8. Escreva duas ações que estão no texto comprovando que Zeca se importava com o sofrimento do irmão.
9.”E quem perde alguém tão querido assim não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina.” Você concorda com essa ideia? Justifique sua resposta.
10. Você já sofreu uma grande perda? Se quiser, relate em um parágrafo a sua experiência e como lidou com isso.
Zeca entendeu tudo na hora. Deu um grande abraço no irmão. Trocaram um olhar, e meio que combinaram tudo, sem dizer nenhuma palavra. Foram detrás do prédio. Não acharam nenhum lugar de que gostassem. Caminharam um pouco mais e chegaram num terreno baldio. Pararam perto duma árvore, cavaram a terra com as pazinhas que tinham trazido. Enterraram o hamster no maior silêncio.
Cobriram a cova com a terra. Com tristeza, com dor, Zeca fez uma cruz com dois paus de madeira que encontrou pelo caminho e amarrou com elástico. Com uma caneta escreveram: “Olhos vermelhos. Dez meses de idade. Saudades de Edu e Zeca.”
Voltaram para casa chorando. Edu se apoiava em Zeca, que caminhava devagarinho, sentindo que a ocasião não era pra nenhuma estabanação. Deu o tempo que o Edu precisava. Não disse nada, nem ouviu nada. Só silêncio e lágrimas rolando.
Em casa, Edu se trancou no quarto. Não quis saber de mais nada. Nem de jantar, muito menos de conversar ou ver tevê. Zeca até emprestou o seu videogame, mas nem isso animou o Edu. Deitado na cama, olhos fechados, coberto até o pescoço, porque estava sentindo frio, só pensava na falta que Olhos Vermelhos ia fazer. Chorou até dormir. Dormiu de cansaço.
Edu sofria, Zeca chamava o irmão pra ler suas revistinhas, mas Edu nem se interessava... A mãe insistia pra que ele fosse dar umas voltas, brincar com os amigos, jogar futebol, apostar corrida, pedalar na bicicleta. Ele só queria ficar em casa. Pensando.
Resolveu desenhar num caderno grosso tudo o que lembrava as aprontações e da carinha marota de Olhos Vermelhos. Ficava horas nisso... Tinha perdido alguém que adorava! E quem perde alguém tão querido não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina. Os pais tinham que entender que perder o melhor amigo era duro. Muito duro. Talvez mais tarde encontrasse alguma coisa que o consolasse. Agora, por enquanto, nesse momento, não tinha nada, nadinha! Só um coração vazio.
(ABRAMOVICH, FANNY.IN: OLHOS VERMELHOS .SÃO PAULO: MODERNA ,1995.)
Interpretação e análise
1.Qual é a autoria do texto? Em qual livro está publicado?
2.Qual o tema principal de A despedida?Assinale apenas uma alternativa:
( ) animal de estimação ( ) lidar com as perdas de algo ou alguém
( ) amizade ( ) afeto entre irmãos
3. Quem era Olhos Vermelhos?
4. Quem eram Edu e Zeca?
5.Qual dos dois meninos ficou mais triste pela perda? Qual poderia seria o motivo?
6.Qual a relação entre o título A despedida e o texto? Explique com suas palavras
7. Que outro título você daria, considerando a relação com o texto?
8. Escreva duas ações que estão no texto comprovando que Zeca se importava com o sofrimento do irmão.
9.”E quem perde alguém tão querido assim não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina.” Você concorda com essa ideia? Justifique sua resposta.
10. Você já sofreu uma grande perda? Se quiser, relate em um parágrafo a sua experiência e como lidou com isso.
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
A CONSULTA
Nosso herói, Coitado de Tal, é um trabalhador doente, com dores constantes. Já procurou terreiro, curadores, tomou chás, fez “simpatias”. Agora, vai tentar a medicina. Está diante de um médico, no consultório. Conseguirá a cura para o seu mal? Leia o texto teatral para saber.
A CONSULTA
Domingos Pellegrini
1. Doutor: Bom dia. (Examina rapidamente a ficha de Coitado, que uma secretária trouxe) Coitado de Tal – confere, seu Coitado?
2. Coitado: Sou eu mesmo, doutor.
3. Doutor: Quarenta e dois anos, casado, rua 1º de Maio – confere?
4. Coitado: Confere, doutor, sou eu mesmo.
5. Doutor: Porque tem muito Coitado de Tal no fichário, pode confundir.
6. Coitado: Mas por falar em coitado, doutor, eu vim aqui porque…
7. Doutor: O senhor pode ficar à vontade. (Faz Coitado sentar ao lado de uma máquina registradora) Muito bem, vamos com isso – o que é que o senhor sente, seu Coitado?
8. Coitado: Bom, doutor, eu sinto que estou morrendo.
9. Doutor: (Vai anotando na ficha) Muito bem, então o senhor sente que está morrendo. Todo dia, seu Coitado?
10. Coitado: Todo dia, doutor. Tem dia que eu acho até que já morri, de tanta dor e fraqueza.
11. Doutor: (Anotando) Acha que já morreu, muito bem. O senhor precisa ver um médico da cabeça, seu Coitado, um psiquiatra. Vou dar o endereço de um para o senhor. (Aciona a manivela da caixa registradora, tira um cartão da gaveta) O senhor entregue a ele este cartão, diga que fui eu quem mandei.
12. Coitado: Muito obrigado, doutor – mas o senhor acha que o caso é na cabeça?
13. Doutor: Não se incomode, seu Coitado, que o senhor já morreu. Mas me diga: e a urina?
14. Coitado: Pois é, doutor, a urina…
15. Doutor: Era o que eu pensava – vou indicar pro senhor um especialista em urina, um urologista. (Retira mais um cartão da registradora, entrega a Coitado) E as tonturas, seu Coitado?
16. Coitado: Que tontura, doutor?
17. Doutor: O senhor não disse que sente umas tonturas?
18. Coitado: Deve ter sido outro coitado, eu não, doutor.
19. Doutor: O senhor não deve esconder nada do médico, eu estou aqui para ajudar o senhor.
20. Coitado: Pois é, doutor, mas…
21. Doutor: Se o senhor me sonega alguma informação eu não posso estruturar o quadro clínico simplesmente porque foi solapada a anamnese, e o levantamento sindromático é base do quadro clínico. Toda a moderna medicina está pautada no relacionamento médico-paciente, entre os quais a confiança é fundamental.
22. Coitado: O senhor tem razão, doutor, eu… eu não sabia que estava tão ruim.
23. Doutor: Então só me responda sim ou não, por favor.
24. Coitado: Tá certo, doutor, mas é que com tanta pergunta eu fico até meio tonto…
25. Doutor: Ah! Que tipo de tontura, seu Coitado?
26. Coitado: O senhor quem sabe, ué, doutor.
27. Doutor: Não, não sei, seu Coitado, isto requer um especialista – vou indicar para o senhor um ótimo neurologista. (Retira um cartão da registradora, entrega a Coitado) E o apetite vai bem?
28. Coitado: O meu, doutor? Nem me fale…
29. Doutor: Não vou falar nada mesmo, seu Coitado, quem vai falar é um especialista – vou indicar um ótimo apetitista para o senhor. (Outro cartão)
30. Coitado: Muito obrigado, doutor, mas o que eu sinto mesmo…
31. Doutor: Com um bom tratamento o senhor não vai sentir mais nada. (Rapidamente levanta a camisa de Coitado e lhe ausculta as costas com o estetoscópio) Respire fundo. (Entra a enfermeira)
32. Enfermeira: Telefone da clínica, doutor.
33. Doutor: (Transfere o estetoscópio para o peito de Coitado) O senhor segura isto aqui no peito, assim, e vai respirando fundo. (O doutor sai. Coitado fica segurando o estetoscópio no peito e respirando fundo. Depois de algum tempo, o doutor volta, retira o estetoscópio)
34. Doutor: Muito bem, seu Coitado. (Anota na ficha) Abra a boca e os olhos bem abertos. (Examina boca e olhos ao mesmo tempo) Deita. (Faz Coitado deitar rapidamente, lhe enfia o termômetro na boca, enquanto lhe apalpa a barriga e lhe dá pancadinhas com os dedos e marteladas nos joelhos) Sente alguma coisa, seu Coitado? Dói aqui? O que é que o senhor sente quando aperto aqui? E me diga uma coisa: o senhor bebe muito?
35. Coitado: Eu…
36. Doutor: Então o senhor controla a bebida, seu Coitado, controla para seu próprio bem. Pode levantar.
37. Enfermeira: (Entrando rapidamente de novo) Estão chamando da clínica, doutor.
38. Doutor: Vou receitar uns medicamentos (vai escrevendo a receita), mas o senhor não deve deixar de seguir as outras orientações.
39. Coitado: Mas, doutor, eu queria saber…
40. Doutor: O senhor não se incomode que isso vai passar, na vida tudo passa. O senhor volte aqui me trazendo um relatório de cada um dos especialistas que indiquei, e mais resulktados de raio-x e dos outros exames que eles pedirem, de sangue, de urina, de fezes, eletroencefalograma, etc.
41. Coitado: Mas até lá eu posso estar morto, doutor…!
42. Doutor: O senhor já morreu demais, seu Coitado.
______________________________________________________
Após a leitura do texto teatral, responda a estas questões:
1. Que diferença há entre doutor e médico?
2. Nas frases abaixo foi usada a palavra “simpatia” com significados diferentes. Dê o significado da palavra usada em cada frase.
a) A simpatia dessa mulher me faz esquecer que ela é muito feia.
b) Tomara que dê certo a simpatia que ela ensinou.
3. No texto teatral, há dois instrumentos médicos: estetoscópio e termômetro. Para serve cada um deles?
4. O paciente não entendeu a fala do médico (parágrafo 21) e supôs que, pelo palavreado, estivesse muito mal. Como você daria essa mesma explicação de modo que o paciente entendesse?
5. A medicina atual é altamente especializada e, por isso, muita gente se atrapalha na escolha de médico. Complete as lacunas com a palavra correta da especialidade médica a que se refere a frase:
a) Eu tive uns problemas de urina e fui a um _________________
b) Minha prima teve umas complicações próprias de mulher e procurou um _____________________
c) Meu sobrinho teve uns problemas nos pulmões e consultou um ________
d) Eu estou com uns problemas de vista. Vou ao ______________
e) Estou com meu coração batendo muito depressa e sempre me dá falta de ar. Que você aconselha? Vá a um ________
f) Estou com problemas de falta de dinheiro. O que eu faço? Ora, vá… (trabalhar!)
6. Podemos afirmar que o paciente procurou o médico tão logo percebeu sintomas de doença? Explique.
7. Dando ao paciente o nome de Coitado de Tal, o autor pretendeu:
a. ( ) demonstrar que as tentativas de cura fora da medicina maltratam as pessoas.
b. ( ) fazê-lo representar qualquer pessoa, sem lhe atribuir individualidade.
c. ( ) evitar que o nome coincidisse com o de qualquer outra pessoa e a melindrasse.
d. ( ) deixar claro que todos os doentes são iguais e merecem tratamentos iguais.
8. Que especialistas o médico indicou ao paciente?
9. No Parágrafo 22, Coitado de Tal disse: “eu não sabia que estava tão ruim”. O que o fez pensar assim?
10. A enfermeira interrompeu a consulta duas vezes para anunciar chamado da clínica. O modo de agir do médico nas duas ocasiões insinua que ele:
a. ( ) resolvia os casos de sua clínica por telefone, em horário de atendimento aos pacientes.
b. ( ) dava prioridade a quem o procurava pessoalmente.
c. ( ) considerava inoportunos os telefonemas da clínica.
d. ( ) se preocupava muito mais com sua clínica particular.
11. A caixa registradora é um elemento estranho a um consultório médico. Por que o autor a incluiu no cenário?
12. Na sua opinião, a medicina é um comércio ou apenas há médicos que fazem da medicina um comércio?
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Uma brasileira que está passando pela vida com garra, luta e tentando aprender mais sobre si e dos outros.
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
REDAÇÃO
Água e as perspectivas futuras
Marcelo Buzaglo Dantas – São Paulo - SP
O ano de 2014 no Brasil foi marcado, dentre outras coisas, pela escassez de água. Fenômeno até então pouco conhecido fora dos limites do Norte e do Nordeste do país, a seca chegou ao Sudeste e região. Fruto da ausência de chuvas, possivelmente associada às mudanças climáticas, mas outros fatores também contribuíram para a terrível (e ainda não solucionada) situação a que chegamos. A falta de cuidado com a vegetação ciliar onde ela ainda existe é também apontada por especialistas como uma das causas do problema, na medida em que a devastação das áreas circundantes de rios, cursos d’água, lagos, lagoas, reservatórios e similares contribui para o assoreamento e, portanto, para as perdas qualitativas e quantitativas dos elementos hídricos e de suas funções ecológicas.
Por isso, a contundente crítica dirigida ao Novo Código Florestal quando, no particular, reduz os limites de proteção da mata ciliar, já que a faixa de Área de Preservação Permanente (APP) passa a ter a metragem contada a partir da “borda da calha do leito regular” do rio – e não mais do seu “nível mais alto”, como outrora –, deixando desguarnecidas áreas alagadiças que exercem importantes funções ambientais.
De todo modo, mesmo no regime florestal anterior, as dificuldades de fazer implementar a legislação ambiental no Brasil sempre foram muitas, a ponto de ter se tornado lugar comum afirmar que o país possui um dos mais bem estruturados sistemas legais de proteção ao meio ambiente do mundo, o qual, contudo, carece de efetividade.
A cultura que se desenvolveu no país nunca foi a da preservação. Por aqui, sempre se preferiu investir na reparação dos danos a propriamente prevenir para que aqueles não acontecessem. No caso dos recursos hídricos, jamais fizemos como os nova-iorquinos: preservar os mananciais para não ter de investir em saneamento. O resultado é conhecido: o povo daquele estado americano altamente industrializado possui uma das águas de melhor qualidade do planeta.
No Brasil, contudo, a preocupação com a água nunca foi a tônica dos setores público e privado. Exceção feita a poucas iniciativas aqui e acolá, a regra sempre foi a poluição dos elementos hídricos. Desnecessário citar exemplos, infelizmente.
Por outro lado, é incontestável que os instrumentos de comando e controle, tão enaltecidos por muitos, não tiveram o condão de diminuir os efeitos da degradação do meio ambiente. Não fosse assim, o Código Florestal anterior, aliado a uma série de outras normas legais (Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei da Mata Atlântica etc.), teria sido responsável pela redução do desmatamento. Não foi, contudo, o que aconteceu.
Logo, torna-se necessário partir-se para uma nova era. Um tempo em que se passe a investir intensamente na valorização e na recompensa daqueles que realizam serviços ambientais.
A lógica é simples: em vez de simplesmente punir aquele que descumpre a legislação – o que, repita-se, revelou-se ineficaz –, remunera-se quem preserva. É uma inversão total daquilo que sempre se praticou no Brasil. Em vez de “poluidor-pagador”, passa-se para a tônica do “protetor-recebedor”.
Iniciativas como essas vão desde a remuneração financeira aos pequenos proprietários rurais que preservam a vegetação que protege as águas, passando por incentivos tributários à preservação ecológica (IPTU verde, ICMS ecológico, redução de IPI para produtos ambientalmente sustentáveis etc.), maior incentivo financeiro à criação de reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs), estímulo à comercialização de créditos de logística reversa e de cotas de reserva ambiental, entre outros. Ganham as pessoas, ganha o meio ambiente e ganha a sustentabilidade.
Já está mais do que na hora de se reconhecer que a proteção do meio ambiente não é apenas uma fonte geradora de despesas, mas pode se tornar uma grande oportunidade para se obter recompensas financeiras efetivas, ao mesmo tempo em que se contribui para a melhoria da qualidade ambiental das presentes e futuras gerações.
Marcelo Buzaglo Dantas, advogado e pós-doutor em Direito, é consultor jurídico na área ambiental e membro da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RJ, e da Comissão Permanente de Direito Ambiental do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
REFLITA E FAÇA UMA RESENHA DE 20 A 25 LINHAS SOBRE O ASSUNTO.
Marcelo Buzaglo Dantas – São Paulo - SP
O ano de 2014 no Brasil foi marcado, dentre outras coisas, pela escassez de água. Fenômeno até então pouco conhecido fora dos limites do Norte e do Nordeste do país, a seca chegou ao Sudeste e região. Fruto da ausência de chuvas, possivelmente associada às mudanças climáticas, mas outros fatores também contribuíram para a terrível (e ainda não solucionada) situação a que chegamos. A falta de cuidado com a vegetação ciliar onde ela ainda existe é também apontada por especialistas como uma das causas do problema, na medida em que a devastação das áreas circundantes de rios, cursos d’água, lagos, lagoas, reservatórios e similares contribui para o assoreamento e, portanto, para as perdas qualitativas e quantitativas dos elementos hídricos e de suas funções ecológicas.
Por isso, a contundente crítica dirigida ao Novo Código Florestal quando, no particular, reduz os limites de proteção da mata ciliar, já que a faixa de Área de Preservação Permanente (APP) passa a ter a metragem contada a partir da “borda da calha do leito regular” do rio – e não mais do seu “nível mais alto”, como outrora –, deixando desguarnecidas áreas alagadiças que exercem importantes funções ambientais.
De todo modo, mesmo no regime florestal anterior, as dificuldades de fazer implementar a legislação ambiental no Brasil sempre foram muitas, a ponto de ter se tornado lugar comum afirmar que o país possui um dos mais bem estruturados sistemas legais de proteção ao meio ambiente do mundo, o qual, contudo, carece de efetividade.
A cultura que se desenvolveu no país nunca foi a da preservação. Por aqui, sempre se preferiu investir na reparação dos danos a propriamente prevenir para que aqueles não acontecessem. No caso dos recursos hídricos, jamais fizemos como os nova-iorquinos: preservar os mananciais para não ter de investir em saneamento. O resultado é conhecido: o povo daquele estado americano altamente industrializado possui uma das águas de melhor qualidade do planeta.
No Brasil, contudo, a preocupação com a água nunca foi a tônica dos setores público e privado. Exceção feita a poucas iniciativas aqui e acolá, a regra sempre foi a poluição dos elementos hídricos. Desnecessário citar exemplos, infelizmente.
Por outro lado, é incontestável que os instrumentos de comando e controle, tão enaltecidos por muitos, não tiveram o condão de diminuir os efeitos da degradação do meio ambiente. Não fosse assim, o Código Florestal anterior, aliado a uma série de outras normas legais (Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei da Mata Atlântica etc.), teria sido responsável pela redução do desmatamento. Não foi, contudo, o que aconteceu.
Logo, torna-se necessário partir-se para uma nova era. Um tempo em que se passe a investir intensamente na valorização e na recompensa daqueles que realizam serviços ambientais.
A lógica é simples: em vez de simplesmente punir aquele que descumpre a legislação – o que, repita-se, revelou-se ineficaz –, remunera-se quem preserva. É uma inversão total daquilo que sempre se praticou no Brasil. Em vez de “poluidor-pagador”, passa-se para a tônica do “protetor-recebedor”.
Iniciativas como essas vão desde a remuneração financeira aos pequenos proprietários rurais que preservam a vegetação que protege as águas, passando por incentivos tributários à preservação ecológica (IPTU verde, ICMS ecológico, redução de IPI para produtos ambientalmente sustentáveis etc.), maior incentivo financeiro à criação de reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs), estímulo à comercialização de créditos de logística reversa e de cotas de reserva ambiental, entre outros. Ganham as pessoas, ganha o meio ambiente e ganha a sustentabilidade.
Já está mais do que na hora de se reconhecer que a proteção do meio ambiente não é apenas uma fonte geradora de despesas, mas pode se tornar uma grande oportunidade para se obter recompensas financeiras efetivas, ao mesmo tempo em que se contribui para a melhoria da qualidade ambiental das presentes e futuras gerações.
Marcelo Buzaglo Dantas, advogado e pós-doutor em Direito, é consultor jurídico na área ambiental e membro da Comissão de Direito Ambiental da OAB/RJ, e da Comissão Permanente de Direito Ambiental do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Denotação e Conotação
II - Analisando as frases, escreva ao lado se tem sentido denotativo ou conotativo.
- Exemplo: Você vai comer asfalto. SENTIDO DENOTATIVO
- As ovelhas são animais gregários, sensíveis e inteligentes.
- “Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada...” (Gregório de Matos)
- Meu avô fará uma cirurgia no coração.
- João mora no coração da Amazônia.
- Pescamos várias traíras no sábado.
- Sempre desconfiei de que ele fosse um traíra.
- Queimei a mão ao preparar o almoço.
- “Sinto que o tempo sobre mim abate sua mão pesada.” (Carlos Drummond de Andrade)
- Esqueci as chaves do carro em casa.
- Um dia descubro a chave do seu coração.
- As baleias correm sérios riscos no futuro.
- O André está uma verdadeira baleia.
- Seus olhos estavam lacrimejando.
- Fura os olhos do tempo... (Miguel Torga)
- O Instituto Butantan possui as mais diversas espécies de cobras.
- Minha sogra é uma cobra.
- A gata não parava de miar.
- A atriz Jennifer Connely é uma gata.
- Um filhote de pantera de apenas 2 semanas foi adotado por uma cadela no zoológico de Belgrado.
- “Somente a ingratidão, esta pantera, foi sua companheira inseparável.” (Augusto dos Anjos)
- Você vai comer maças.
- Estou morto de fome.
- Matutu apareceu morto.
- A ameaça terrorista aconteceu em Londres.
- A ameaça terrorista aconteceu. Foi matá-los se não estudarem.
- A garota está com a pulga atrás da orelha.
- A gata está com pulga.
- Nossa! Godofredo é uma cobra!
- Matamos outra cobra no pátio.
- Não posso fazer mais compromisso, pois estou com a corda no pescoço.
- A corda das meninas foi perdida.
III - Analise os textos e marque D ou C.
( D ) denotação
( C ) conotação
a - ( ) Horário de verão começa à meia-noite deste sábado.
( C ) conotação
a - ( ) Horário de verão começa à meia-noite deste sábado.
Relógios devem ser adiantados em uma hora no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Expectativa é de redução de 5% na demanda de energia no horário de pico.
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/10/horario-de-verao-comeca-meia-noite-deste-sabado.html
b – ( ) Não ponha medicamento no volante.
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/10/horario-de-verao-comeca-meia-noite-deste-sabado.html
b – ( ) Não ponha medicamento no volante.
“Humorismo é a arte de fazer cócegas no raciocínio dos outros. Há duas espécies de humorismo: o trágico e o cômico. O trágico é o que não consegue fazer rir; o cômico é o que é verdadeiramente trágico para se fazer.”
(Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br. acessado em julho de 2005.)
(Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br
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