Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

domingo, 25 de setembro de 2016

A velha e os ladrões


     Era uma vez uma velha que morava nos arredores de um povoado. Uma noite estava se aquecendo junto ao fogo tendo como única companhia as chamas ardentes quando, de repente, ouviu ruídos em cima, em seu quarto. Surpresa, disse:
     - Eu diria que há ruídos lá em cima... ou será impressão minha?
     Depois, ouviu claramente passos que iam de um lado para o outro e compreendeu que se tratava de ladrões que tinham ido rouba-la. Como estava sozinha e ninguém podia ajuda-la, começou a pensar:
- O que é que eu poderia fazer para esses ladrões irem embora? Ah, já sei!
     E, decidida, dirigiu-se para o pé da escada e começou a gritar:
     -Bernardo, suba para o terraço! Maria, pegue a espingarda!
-Juan, cace-o!
-E você, Pedro, bata neles!
-Ramon, conte quantos são!
Ao ouvir os gritos da velha, os ladrões se assustaram muito e
disseram:
     -Olhe que não tem pouca gente nesta casa... É melhor ir embora[...]
     Mais tarde, a velha, sentada diante do fogo, começou a gargalhar... e contam que ainda continua rindo.
( Isabel Sole )

Entendendo o texto
Complete o quadro.


Quem é a personagem principal da história?


Onde se passa a história?


Qual foi o problema da história?


Como foi resolvido o problema?



Responda.

1-Onde você acha que estavam Bernardo, Maria, Juan, Pedro e
Ramón?
R:______________________________________________________________________________________________________________

2- Por que a velha riu tanto?
R:______________________________________________________________________________________________________________

3- Procure no dicionário o significado de:
arredores:
_______________________________________________________________________________

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Literatura entrelinhas - 21 de setembro de 2016





CONCEITOS LITERÁRIOS E GÊNEROS LITERÁRIOS

terça-feira, 20 de setembro de 2016

HISTÓRIA DE BEM-TE-VI


(Cecília Meireles)
Com estas florestas de arrranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outros até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal que tenha uma árvore.  Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima…”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é literatura…
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborrecia.
O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “…te-vi! …te-vi!”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior.
Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar daqui, dali, invisível e brincalhão: “…Vi! …Vi! …Vi!”, o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses crioulos fortes que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.
Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava asim; “Bem-bem-bem-bem… te-vi!” Pensei: ‘É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!…” Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te … vi!” Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha… Estará soletrando…”. E o passarinho: “Bem-bem-bem … te-te-te … vi-vi-vi!”
Os ornitólogos devem  saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”
(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira…!)
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Vocabulário:
Ornitólogo – aquele que estuda as aves
Querejuá – nome de pássaro de plumas de cores vivas e variadas, comum na região litorânea da Bahia e Rio de Janeiro. Também conhecido como cotinga, catingá, crejoá, quereiná e quiruá.
Twist – dança de origem americana, da década de 1960.
Team – palavra da língua inglesa traduzida em português como “time”, isto é, grupo esportivo.
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Após a leitura do texto, responda às questões abaixo:
A. Marque a alternativa que substitui a expressão que está em destaque nas frases:
1. Muita gente acha que passarinho seja apenas antiguidade de museu.
a.(   ) coisa que não existe mais             b.(   ) coisa inútil
c.(   ) coisa muita antiga                          d.(   ) coisa já esquecida
2. O canto do bem-te-vi seria um sobressalto providencial em todas as repartições.
a.(   ) um grande susto                            b.(   ) uma surpresa agradável
c.(   ) um aviso atrasado                         d.(   ) um acontecimento inesperado e agradável
3. Um bem-te-vi caprichoso se recusava articular seu nome completo.
a.(   ) dizer        b.(   ) pronunciar      c.(   ) cantar         d.(   ) explicar
4. O passarinho limita-se a gritar: “…te-vi!…”
a.(   ) começa a           b.(   ) contenta-se com             c.(   ) excede-se em           d.(   ) restringe-se a
5. O bem-te-vi gritava com a maior irreverência grammatical.
a.(   ) desrespeito       b.(   ) prudência        c.(   ) correção       d.(   ) despreocupação
6. O bem-te-vi devia estar em todas as repartições para no momento oportuno anunciar sua presença.
a.(   ) marcado       b.(   ) favorável      c.(   ) impróprio       d.(   ) previsto
7. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural seu comportamento.
a.(   ) revoltadas     b.(   ) precipitadas      c.(   ) descuidadas     d.(   ) impacientes
B. Assinale a alternativa adequada para completar as frases seguintes, de acordo com o texto:
1. No texto, o fato é narrado sobretudo com:
a.(   ) ironia     b.(   ) tristeza      c.(   ) bom humor       d.(   ) saudosismo
2. No primeiro parágrafo do texto, diz-se que a relação entre o homem e a natureza será:
a.(   ) cada vez menos frequente               b.(   ) sempre importante
c.(   ) um privilégio para poucos               d.(   ) coisa esquecida e desnecessária
3. Em repartições públicas,  canto do bem-te-vi seria uma agradável surpresa porque:
a.(   ) alegraria os funcionários no trabalho
b.(   ) lembraria a natureza num local caracteristicamente urbano
c.(   ) distrairia funcionários e visitantes
d.(   ) despertaria a curiosidade das pessoas da cidade
4. O fato interessante que o texto mostra a respeito do passarinho é:
a.(   ) seu aparecimento no quintal dos vizinhos
b.(   ) sua viagem com um time de futebol
c.(   ) a mudança observada no seu canto
d.(   ) a mudança nas cores de suas penas
5. O canto “…te-vi! …te-vi!…” seria uma irreverência gramatical porque:
a.(   ) o verbo deve concordar com o sujeito
b.(   ) não se deve começar uma frase com pronome pessoal oblique
c.(   ) deve-se pronunciar corretamente as palavras
d.(   ) deve-se iniciar frases sempre com maiúsculas
C. Assinale mais de uma alterntiva de acordo com o texto:
6. O texto sugere várias causas para o comportamento do bem-te-vi, entre elas:
a.(   ) o bem-te-vi estava cansado
b.(   ) estava soletrando sua cartilha
c.(   ) estava brincando
d.(   ) o passarinho era gago
e.(   ) estava fazendo poesia nova
f.(   ) era um passarinho preguiçoso
D. Para você pensar e tirar suas conclusões.
1. O texto fala sobre a possiblidade de haver passarinhos nas repartiçoes públicas. É possível isso acontecer atualmente? (   ) sim    (   ) não       Por quê?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A DESPEDIDA




              Zeca entendeu tudo na hora. Deu um grande abraço no irmão. Trocaram um olhar, e meio que combinaram tudo, sem dizer nenhuma palavra. Foram detrás do prédio. Não acharam nenhum lugar de que gostassem. Caminharam um pouco mais e chegaram num terreno baldio. Pararam perto duma árvore, cavaram a terra com as pazinhas que tinham trazido. Enterraram o hamster no maior silêncio.
              Cobriram a cova com a terra. Com tristeza, com dor, Zeca fez uma cruz com dois paus de madeira que encontrou pelo caminho e amarrou com elástico. Com uma caneta escreveram: “Olhos vermelhos. Dez meses de idade. Saudades de Edu e Zeca.”
              Voltaram para casa chorando. Edu se apoiava em Zeca, que caminhava devagarinho, sentindo que a ocasião não era pra nenhuma estabanação. Deu o tempo que o Edu precisava. Não disse nada, nem ouviu nada. Só silêncio e lágrimas rolando.
              Em casa, Edu se trancou no quarto. Não quis saber de mais nada. Nem de jantar, muito menos de conversar ou ver tevê. Zeca até emprestou o seu videogame, mas nem isso animou o Edu. Deitado na cama, olhos fechados, coberto até o pescoço, porque estava sentindo frio, só pensava na falta que Olhos Vermelhos ia fazer. Chorou até dormir. Dormiu de cansaço.
              Edu sofria, Zeca chamava o irmão pra ler suas revistinhas, mas Edu nem se interessava... A mãe insistia pra que ele fosse dar umas voltas, brincar com os amigos, jogar futebol, apostar corrida, pedalar na bicicleta. Ele só queria ficar em casa. Pensando.
              Resolveu desenhar num caderno grosso tudo o que lembrava as aprontações e da carinha marota de Olhos Vermelhos. Ficava horas nisso... Tinha perdido alguém que adorava! E quem perde alguém tão querido não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina. Os pais tinham que entender que perder o melhor amigo era duro. Muito duro. Talvez mais tarde encontrasse alguma coisa que o consolasse. Agora, por enquanto, nesse momento, não tinha nada, nadinha! Só um coração vazio.
(ABRAMOVICH, FANNY.IN: OLHOS VERMELHOS .SÃO PAULO: MODERNA ,1995.)

Interpretação e análise
1.Qual é a autoria do texto? Em qual livro está publicado?
2.Qual o tema principal de A despedida?Assinale apenas uma alternativa:
(  ) animal de estimação           (   ) lidar com as perdas de algo ou alguém
(   ) amizade                           (   ) afeto entre irmãos
3. Quem era Olhos Vermelhos?
4. Quem eram Edu e Zeca?
5.Qual dos dois meninos  ficou  mais triste pela perda? Qual poderia  seria o motivo?
6.Qual a relação entre o título A despedida  e o texto? Explique com suas palavras
7. Que outro título você daria, considerando a relação com o texto?
8. Escreva duas ações que estão no texto comprovando que Zeca se importava com o sofrimento do irmão.
9.”E quem perde alguém tão querido assim não sai dando voltas por aí, procurando um jogo de futebol ou tomando sorvete na esquina.” Você concorda com essa ideia? Justifique sua resposta.
10. Você já sofreu uma grande perda? Se quiser, relate em um parágrafo a sua experiência e como lidou com isso.

sábado, 17 de setembro de 2016

A assembléia dos ratos

A assembleia dos ratos

                 Um gato de nome Faro-Fino deu de fazer tal destroço na rataria duma casa
velha que os sobreviventes, sem ânimo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.
               Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o
estudo da questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro-Fino andava aos miados pelo telhado, fazendo sonetos à lua.
               — Acho – disse um deles - que o meio de nos defendermos de Faro-Fino é lhe
atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.
                Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com
delírio. Só votou contra um rato casmurro, que pediu a palavra e disse:
              — Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoço de Faro-Fino?
              Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo.
              Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação.
              Dizer é fácil - fazer é que são elas!
(LOBATO, Monteiro). In Livro das Virtudes – William J. Bennett – Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 308.)

01. Na assembleia dos ratos, o projeto para atar um guizo ao pescoço do gato foi
(A)  aprovado com um voto contrário.
(B)  aprovado pela metade dos participantes.
(C)  negado por toda a assembleia.
(D)  negado pela maioria dos presentes.



























quinta-feira, 15 de setembro de 2016

MINSK


    Quando tio Severino voltou da fazenda trouxe para Luciana um periquito. Não era um cara-suja ordinário, de uma cor só, pequenino e mudo. Era um periquito grande, com manchas amarelas, andava torto, inchado e fazia: ___ “Eh! Eh!”
     Luciana recebeu-o, abriu os olhos espantados, estranhou que aquela maravilha viesse dos dedos curtos e nodosos de tio Severino, deu um grito selvagem, mistura de admiração e triunfo. Esqueceu os agradecimentos, meteu-se no corredor, atravessou a sala de jantar, chegou à cozinha, expôs à cozinheira e a Maria Júlia as penas verdes e amarelas que enfeitavam uma vida trêmula. A cozinheira não lhe prestou atenção, Maria Júlia  franziu os beiços pálidos num sorriso desenxabido. Luciana desorientou-se, bateu o pé, mas receou estragar o contentamento, desdenhou incompreensões,afastou-se com a ideia de batizar o animalzinho. Acomodou no fura-bolo e entrou a passear pela casa, contemplando-o, ciciando beijos, combinando sílabas, tentando formar uma palavra sonora. Nada conseguindo, sentou-se à mesa de jantar, abriu um Atlas. O periquito saltou-lhe da mão, escorregou na folha de papel, moveu-se desajeitado, percorreu lento vários países, transpôs rios e mares, deteve-se numa terá de cinco letras.
     ___ Como se chama este lugar, Maria Júlia?
     Maria Júlia veio da cozinha, soletrou e decidiu:
    ___ Minsk.
    ___ Esquisito. Minsk?
    ___ É.
    Não confiando na ciência da irmã, Luciana pegou o livro, avizinhou-se da mãe, apontou o nome que negrejava na carta, junto aos pés do periquito:
    ___ Diga isto aqui, mamãe.
    ___ Minsk.
    ___ Engraçado. Pois fica sendo Minsk, sim senhora. Caminhou muito e parou em Minsk. É Minsk.
                                                                                      ( Graciliano Ramos )
1- Qual o significado da palavra em destaque?
a- “...viesse dos dedos curtos e nodosos de tio Severino...”
    (   ) sujos        (   ) ásperos       (   ) grossos
b- “... que enfeitavam uma vida trêmula.”
    (   ) medrosa      (   ) insegura        (   ) dócil
c- “... Maria Júlia franziu os beiços pálidos ...”
    (   ) mostrou        (   ) contraiu        (   ) mordeu
d- “... num sorriso desenxabido.”
    (   ) sem graça     (   ) suave      (   ) tranquilo
e- “... mas receou estragar o contentamento ...”
    (   ) temeu        (   ) quis       (   ) pareceu
f- “ ... desdenhou incompreensões ...”
    (   ) desprezou       (   ) aceitou          (   ) recebeu
g- “... deteve-se numa terra de cinco letras.”
    (   ) pisou          (   ) encontrou          (   ) parou

3- Luciana recebeu um periquito diferente  de seu tio.
a- indique as propriedades (características - adjetivos) que não pertenciam ao seu periquito.
b- indique as propriedades que pertenciam ao seu periquito.
4- Luciana agradeceu o presente ao tio?_______________________________________

5- A quem Luciana foi mostrar o presente que recebera?
  (   ) à mãe     (   ) a Maria Júlia  (   ) à cozinheira   (   ) à cozinheira e a Maria Júlia
6- Quem era Maria Júlia?____________________________________________________
7- Relacione:
   a- desprezo               b- indiferença            c- revolta
   (   ) “Luciana desorientou-se, bateu o pé ...”
   (   ) “A cozinheira não lhe prestou atenção.”
   (   ) “Maria Júlia franziu os beiços pálidos num sorriso desenxabido.”
8- O que Luciana procurou fazer para esquecer a atitude de Maria Júlia e da cozinheira
9- A escolha de Minsk foi: (   )  casual                 (   ) premeditada.
10- Do texto, você pode concluir que Luciana não sabia ler? Por quê?
11- Por que mostrou para sua mãe o mapa em que estava escrito a palavra “ Minsk”?
12- A menina gostou do nome “Minsk” pelo: (   ) som da palavra  (   ) significado da palavra.
13- Que tipo de narrador o texto apresenta? Onde acontecem os fatos narrados? Quem é a personagem principal? Que tipo de narrador o texto apresenta?
lugar:____________________________________________________________________
personagem principal:______________________________________________________
tipo de narrador:___________________________________________________________
14- Adjetivo é a palavra que indica qualidade, características dos seres, ou seja, dos substantivos. Grife nos trechos abaixo todos os adjetivos.
    a- “Era um periquito grande, com manchas amarelas.”
    b- “Luciana abriu os olhos espantados, estranhou que aquela maravilha viesse dos dedos curtos e nodosos de tio Severino.”
    c- “Expôs à cozinheira e a Maria Júlia as penas verdes e amarelas que enfeitavam uma vida trêmula.”

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Literatura entrelinhas - 14 de setembro de 2016





LITERATURA AFRICANA EM LÍNGUA PORTUGUESA



MIA COUTO - TERRA SONAMBULA

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O menino e o arco-íris


Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpava-os, mordia-os e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro.
Mais tarde pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha-d´Angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre.
Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade.
Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas, automóveis e um trator que modificava um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal.
O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!
Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio.
E daí?
(GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5)


Após ler atentamente o texto, identifique:
Título:                                                                                             Autor:
Obra da qual faz parte:
2.“Mas logo se acostumou a todos eles”.O termo em destaque refere-se no texto a
(A) animais no quintal.                          (B) cadeiras e mesas.
(C) sapatos e copos.                            (D) jogos de azar.
3. Pode-se concluir que o tema do texto é
(A) a curiosidade.                                (B) a insatisfação.        
(C) a natureza.                                   (D) a saudade.
4. De acordo com o texto, o menino procurava, desde criança, por
(A) alguma coisa surpreendente.            (B) galinhas e plantas interessantes.
(C) um arco-íris.                                   (D) banhos de mar.
5. “E daí?” A frase final do texto demonstra que a opinião do narrador sobre o destino do menino é de    (A) pena e desespero.                                 (B) simpatia e aprovação.
(C) indiferença e conformismo.                     (D) esperança e simpatia.
6. “Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!”
No trecho, os sinais de pontuação empregados assinalam
(A) o tédio do menino.                                (B) a surpresa do menino.
(C) a dúvida do narrador.                            (D) o comentário do narrador.
7. Esse texto é:
(A) uma crônica      (B) uma notícia  (C)  informativo       (D) fábula

8. Como você descreveria o menino?
9. Por que o menino sempre abandonava as coisas que encontrava?
10. Comente sobre o desfecho do texto, dando sua opinião.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Trupe ‘Doutores de Esperança’ leva alegria a pacientes do Sul do Rio .



Leia o texto para responder as questões.



1 O Dia Mundial da Saúde é comemorado nesta terça-feira (7). Para celebrar a data, o G1 acompanhou o trabalho de um grupo do Sul do Rio que, voluntariamente, dedica parte do tempo para levar alegria à pacientes de hospitais da região. É a trupe Doutores de Esperança. Vestidos com jaleco e fantasiados de palhaços, eles percorrem as unidades de saúde há cerca de dois anos.
2  “Para entrar no grupo, os voluntários passam por uma espécie de treinamento para estarem aptos às intervenções nos hospitais. Todos os doutores fazem oficinas de palhaçaria e curso de interpretação. Temos também voluntários que fazem a interseção — orações depois que a gente realiza as brincadeiras”, explicou o músico e um dos mentores do projeto, Leandro Santos, ressaltando que atualmente 60 pessoas estão envolvidas no projeto.
 3 Conhecido com Dr. Petit Poá, Leandro reforça que o principal objetivo do grupo é dar uma injeção de alegria aos pacientes. “Quando estamos vestidos com o personagem, somos os médicos da alegria. Sabemos que o paciente está doente, mas a gente brinca com a parte boa dele. Fazemos com que ele esqueça um pouco do problema e só lembre de coisas boas”, disse.
4  Internado há quase dois meses no Hospital Municipal Prefeito Aurelino Gonçalves Barbosa de Pinheiral, o aposentado Jorge Teixeira da Silva ficou surpreso com a visita. Segundo ele, apesar das dores físicas, a atitude do grupo fez renascer uma vontade maior de viver.
 [...]
Cada visita uma nova história.
5 Os doutores palhaços, chamados de besteirologistas, não fazem simples visitas, mas intervenções, segundo a voluntária Cristiane Ribeiro, conhecida como a palhaça Drª Krika Risadinha.
6 “Chegamos, brincamos de examinar... Mas nosso principal objetivo é levar momentos de descontração para os internados. Queremos que eles esqueçam um pouquinho daquele momento difícil para sorrir, pensar que podem seguir em frente”, explicou.
7 Segundo ela, a cada visita o grupo sai renovado, com uma história boa para contar.“Esse projeto também faz bem para a gente. Não somos profissionais da saúde, mas levamos alegria para as pessoas. Às vezes a gente acha que está indo até o hospital levar um pouco de ânimo para os pacientes, mas no final somos nós que saímos renovados”, acrescentou.
8  Além do hospital de Pinheiral, a trupe dos Doutores de Esperança também faz plantão periódico no Hospital Vita em Volta Redonda, no Hospital Santa Maria e na Santa Casa de Barra Mansa .
https://www..globo sul-do-rio-costa-verde%2Fnoticia%2F2015%2F04%2F+trupe-doutores-de-esperanca-leva-alegria-pacientes)


1) Releia o lide da reportagem e sublinhe os segmentos de frase que respondem à pergunta:
 a) quem? — com linha dupla;
 b) o quê? — com linha simples
 c) quando? — Com linha tracejada

2) Releia os segmentos de frase que você sublinhou com linha simples
 a) qual fato é uma ação pontual e qual é uma ação frequente?
b) qual desses segmentos tem uma função descritiva, embora se refira a uma ação?

3) Na transcrição foram retirados os dois subtítulos (olhos) que a reportagem possuía.
 a) Crie um subtítulo (olho) que ressalte uma informação contida no segundo parágrafo do texto.
 b)Crie um subtítulo a partir do depoimento de Jorge Teixeira da Silva .

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

“NO TEMPO DAS CAVERNAS”


___ Nas escavações feitas em muitos lugares, continuou Dona Benta, acharam-se pontas de flechas e de lanças e também machados. (Pedrinho piscou para o Visconde.) Não de ferro, como os de hoje, mas de pedra. Poderiam esses objetos provar a existência , naqueles tempos, de leões,jacarés ou de avestruzes?
___ Não, vovó ___ gritaram os dois meninos. Só podiam provar a existência de homens, porque só os homens usam tais objetos.
___ Muito bem ___ aprovou dona Benta. E o fato desse objetos serem de pedra prova que o ferro ainda não se achava descoberto. E o fato de estarem enterrados muito fundo, com espessíssimas e velhíssimas camadas de terra em cima, prova que isso foi muitos anos séculos antes da descoberta do ferro. Também foram encontrados ossos de homens dessa era, os quais morreram milhares de anos antes que a humanidade principiasse a ter história. Guiados por tudo isso, nós hoje sabemos que  vida levavam esses nossos antepassados da Idade da Pedra, como dizem os sábios.
Eram puros animais selvagens, dos mais ferozes e brutos. Diferença única: andavam sobre dois pés. Fora daí, pelados como os lobos e cruéis como todas as feras. Não dormiam em casas. Quando a noite vinha, o chão lhes servia de cama. Mais tarde o frio os obrigou a morarem em cavernas de pedra, onde estavam mais abrigados dos rigores do tempo e da sanha dos outros animais. Homens, mulheres e crianças eram, pois, simples bichos de caverna.
Passavam o tempo caçando viventes mais fracos ou fugindo de outros mais fortes. Na caça usavam o mundéu, isto é, um buraco feito no chão, disfarçados com galhos secos, folhas e terra em cima. Ou então empregavam flechas de ponta de pedra e machados também de pedra. Em certas cavernas por eles habitadas foram encontrados desenhos de animais que costumavam caçar, desenhos feitos na pedra.
___ Com que lápis, vovó? ___ perguntou Narizinho.
___ Tais desenhos eram evidentemente feitos com pontas de pedras lascadas. Por mais que a gente dê tratos à bola não consegue descobrir outro lápis possível em tal época. Esses homens alimentavam-se do que podiam apanhar ___ de caça, de castanhas, de mel, de frutas, de ovos furtados aos ninhos. E tudo comiam cru, pois o fogo ainda não fora descoberto. Deviam ser de uma ferocidade sem- par.
___ E que língua falavam, vovó? ___ perguntou Pedrinho.
___ Expressavam-se por meio de grunhidos. No entanto, foi desses bárbaros grunhidos que provieram todas as línguas modernas. Como roupas usavam sobre o corpo a pele dos animais caçados ___ não peles curtidas e macias como as que temos hoje, mas cruas e com mau cheiro. Horríveis e desagradabilíssimos esses nossos antepassados! O meio de conseguir mulher não era namorar uma rapariga e pedi-la em casamento. Nada disso. O pretendente marcava na caverna próxima uma que lhe agradasse e de repente entrava lá de cacete em punho, amassava a cabeça da menina, ou dos pais, caso a defendessem, e a levava sem sentidos, arrastada pelos cabelos. Uma pura caçada.
Eram homens de luta permanente. Atacar, roubar, matar o mais fraco, bem como fugir do mais forte,constitui a regra de vida que vem da primeira lei da natureza: ___ cada qual por si. Ou mata ou é matado; ou rouba ou é roubado. Nós somos descendentes dessas bárbaras criaturas e por isso temos no sangue muita de sua selvageria. Apesar da educação que o progresso geral trouxe, inúmeros homens hoje ainda agem como os da Idade da Pedra. Por isso é que existem tantas cadeias e forcas e cadeiras elétricas.
___ Você queria ser nascida na Idade da Pedra, Emília? ___ perguntou Narizinho à boneca.
___ Queria, sim, só para ter o gosto de ver uma noiva arrastada pelos cabelos.
___ Boba! Não valia a pena. Uma menina daquele tempo não tinha banheiro para tomar banho de manhã, não tinha escova para escovar os dentes, nem pente para pentear os cabelos. Um horror de vida...
___ Além disso ___ continuou Dona Benta ___, por falta de talheres tinha de comer com os dedos numa grande e feia panela de barro, única para toda a caverna. Nada de cadeiras e camas ou redes. Para sentar e dormir, chão duro. Nada de livros, lápis e papel para escrever. Os dias sempre iguais e completamente vazios. Uma menina como você teria de passar as horas brincando com os irmãos de fazer pelotas de barro, ou coisa semelhante. As cavernas eram escuríssimas e úmidas, cheias de morcegos e aranhas. Vestuário, quando havia, era a pele de uma onça morta pelo pai ___ pele que só abrigava parte do corpo. Nos dias de inverno, como não houvesse fogo, era aguentar-se encolhidinha dentro de tal pele. E comida, então? Algumas frutas do mato e um naco de carne crua, isso para o almoço. Para o jantar, a mesma coisa. Amanhã, depois de amanhã e sempre ___ a mesma coisa, a mesma coisa! Nada que fazer durante o dia senão estar permanentemente de guarda contra os tigres e ursos. Não havendo portas nem cercas, os tigres perseguiam os homens até o fundo da caverna. Que tal essa vida, Emília? Ainda desejava ter nascido na Idade da Pedra?
                           ( Monteiro Lobato)
VOCABULÁRIO: NACO- pedaço  /    SANHA- ira, fúria    /   PROVIR- ter origem,proceder

1- Observe: “... pois que o fogo não fora descoberto.”, nessa frase, fogo está em seu sentido próprio. Assinale as frases em que essa palavra foi usada em sentido figurado.
a- (  ) O fogo de seus olhos inspira-me versos de amor.  
b- (  ) O fogo destruiu toda a fábrica.                
c- (  ) O fogo da juventude permanece em meu coração.
d- (  ) Quem bebe, fica de fogo.
e- (  ) Estou fervendo o leite em fogo brando.
2- Nas escavações feitas em muitos lugares foram encontrados pontas de flechas e de lanças e machados de pedra. O que isso prova? Por quê?
3- Escreva duas evidências de que o ferro ainda não fora descoberto.
1ª evidência:___________________________________________
2ª evidência:___________________________________________
4- Em que época esses homens morreram?___________________________
5- Falando da forma de vida de nossos antepassados, que comparações Dona Benta faz? Responda com a frase do texto.
6- No final do 4º parágrafo, a que conclusão Dona Benta chega a respeito de nossos antepassados?
7- Através de qual registro ficamos sabendo que tipos de bichos os homens das cavernas caçavam?
8- Leia as frases e escreva nos parênteses se elas expressam:
F- um fato (aquilo que realmente aconteceu)
O- uma opinião (modo de ver do narrador)
(   ) “Passavam o tempo caçando viventes mais fracos...)
(   ) “Deviam ser de uma ferocidade sem-par.”
(   ) “... o fogo ainda não fora descoberto.”
(   ) “... inúmeros homens hoje ainda agem como os da Idade da Pedra.”
9- Levantam-se hipóteses acerca da origem das línguas. Que hipótese Dona Benta levantou?
10- Por que Emília gostaria de ter nascido na Idade da Pedra?
11- Separe o sujeito e o predicado das frases abaixo, classifique-os e aponte o núcleo dos mesmos..
A-“... gritaram os dois meninos.”         B-“ As cavernas eram escuríssimas e úmidas....

Primeira aventura de Alexandre

Leia atentamente o fragmento do texto e dê uma continuidade a ele.
Você deverá dar ênfase ao clímax e ao desfecho.
Poderá colocar mais personagens, criar o ambiente,dar falas aos personagens, ou seja, poderá usar a criatividade e desenvolver um texto interessante. Use linguagem formal e não rasure!! Em folha separada
Bom trabalho!!!



Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras. Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal, agachava-se na esteira cochichando com Cesária.
– Vou contar aos senhores… principiou Alexandre, amarrando o cigarro de palha.
Os amigos abriram os ouvidos e Das Dores interrompeu o cochicho:
– Conte, meu padrinho.
Alexandre acendeu o cigarro ao candeeiro de folha, escanchou-se na rede e perguntou:
– Os senhores já sabem por que é que eu tenho um olho torto?
Mestre Gaudêncio respondeu que não sabia e acomodou-se num cepo que servia de cadeira.
– Pois eu digo, continuou Alexandre. Mas talvez nem possa escorrer tudo hoje, porque essa história nasce de outra,
Então , tudo começou....

TENTAÇÃO


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
   Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
   Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
   Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
   A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
   Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
   No meio de tanta vaga  impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
   Mas ambos eram comprometidos.
   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
   A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

   Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
Após ler o texto, responda:
1 Quem são as personagens principais? O que elas têm em comum?
2. O que a menina fazia sentada na porta de casa, às duas horas da tarde?
3. Onde se passa a história? Retire do texto uma frase que apresenta uma característica marcante do cenário.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Pirata do Mar, Corsário do Rei

Leia-o para responder às questões em seu caderno.
 Pirata do Mar, Corsário do Rei
 Quando a gente ouve falar em piratas e corsários, logo vem à lembrança a bandeira da caveira com fundo preto e o personagem do Capitão Gancho, da história do Peter Pan. São imagens do mundo da fantasia que têm uma relação com uma época em que o corsário e o pirata eram figuras de destaque. Na verdade, a pirataria é tão antiga quanto a capacidade humana de navegar!
 1 Na Antiguidade, os gregos já enfrentavam problemas com os ataques de piratas e corsários. O mar Mediterrâneo era importante para o contato entre os povos daquele tempo. Através desse mar faziam-se trocas de vários tipos. Os navios que singravam o Mediterrâneo, na maior parte das vezes tinham uma única vela central: triangular, entre os romanos, e quadrada, entre os fenícios.
 2 Durante os conflitos militares, essas embarcações serviam para o transporte de guerreiros e armamentos. E aí as coisas se confundiam: enquanto se faziam trocas culturais e comerciais, dominava-se militarmente as regiões exploradas.
3 Os gregos chamavam habitualmente os fenícios e os cretenses de piratas. Isso quer dizer que, naquela época, eram piratas todos os povos rivais dos gregos que habitavam as regiões costeiras. Esses navegantes eram apoiados e sustentados por suas comunidades de origem e promoviam as disputas pelas rotas mediterrâneas.
4 Na Europa da Idade Média, depois dos séculos VIII e IX, a pirataria confundia-se com a rivalidade religiosa entre os cristãos e os muçulmanos. Os inimigos dos europeus católicos eram sobretudo os berberes, árabes da África no Norte. Eles dominaram a navegação no mar Mediterrâneo, atacando sucessivamente o sul da Europa, em particular a Itália. Chegaram a construir fortificações e portos, que serviam de ponto de apoio para as ações comerciais e militares. Tudo indica que nesse período da história europeia falava-se mais em corsários e em corso.
 5 Assim, a palavra pirata era usada pelos gregos e romanos antigos, enquanto a expressão corsário vem do italiano. A diferença entre as palavras revela uma outra distinção: a pirataria era uma atividade ilegal, era o “roubo” e aplicava-se ao “ladrão do mar”. Já o corsá- rio e o corso cumpriam um serviço oficial, autorizado; o corsário estava a serviço do governo. Por isso, o pirata era uma ameaça e um inimigo da sociedade, enquanto o corsário era um servidor do rei, um defensor da ordem.
6 Os corsários eram, por isso mesmo, incentivados e financiados por um rei que assegurava as forças navais. Naquele tempo não havia marinha como hoje. Por isso, os marujos eram recrutados nos portos, trabalhando em troca de um salário e em troca de uma parte do saque aos inimigos. Uma empresa de corsários contava com uma frota de navios, em geral composta de dois a quatro barcos, como os galeões, abastecidos de armas, como canhões e munição de pólvora. A tripulação era organizada de modo militar, com uma rígida distribuição de tarefas, com oficiais e subordinados.
7 Já os piratas, na maior parte das vezes, só contavam com o apoio pessoal. Por isso, tinham uma organização com maior igualdade de obrigações e direitos, assim como de ganhos. Também havia casos de capitães que conseguiam ser tão bem-sucedidos que armavam uma nau por conta própria e contratavam serviços de marinheiros. Eram grandes empresários ilegais. De qualquer maneira, para os inimigos dos corsários, para os que sofriam seus ataques, todos eram piratas.
8 Seria na América, sobretudo entre os séculos XVI e XIX que os piratas e os corsá- rios iriam ganhar a fama que têm até hoje. Eles saqueavam em toda a parte do continente americano, inclusive no Brasil. Mas foi especialmente no Caribe e nas Antilhas, na região do Golfo do México, na América Central, que eles iriam atuar. Essa era uma região de disputa de território entre espanhóis, ingleses, franceses e holandeses. Essas nações procuravam controlar territórios e mares, de maneira a aumentar o domínio colonial.
9 Ali encontravam-se verdadeiros “ladrões do mar”, ao lado de “corsários do rei”, circulando entre as inúmeras baías e ilhas da área, que favoreciam o esconderijo e a ação disfarçada de contrabando e roubo.
 10 As disputas entre as coroas europeias fizeram com que certos piratas ganhassem “cartas de marca”, a autorização para agir em nome do rei, o que os transformava em corsários. No Caribe e nas Antilhas, esses piratas transformados em corsários iriam receber o nome de flibusteiros — no caso de franceses e holandeses — e bucaneiros — no caso de ingleses. Muitos ficaram famosos como Francis Drake, o Capitão Kid e o Barba-Negra, todos ingleses, e o francês Jean Lafitte.
 11 A atividade de corso e piratas sempre esteve associada à navegação e ao comércio praticado em portos e cidades costeiras. Para manter as aparências e assegurar a proteção, os pontos de apoio e de esconderijo dos piratas ficavam nas pequenas baías ou bocas de rios, nas proximidades dos mercados e portos das cidades.
Questões:
1)Os historiadores costumam dividir a História Ocidental em quatro grandes períodos: Antiguidade (até o século V d.C). — Idade Média (do século V ao século XV) — Idade Moderna (do século XVI ao XVIII) — Idade Contemporânea (do século XVIII até hoje).
 a) A que povos ou civilizações da Antiguidade o texto se refere?
b) Em que mar se desenvolveu a pirataria na Antiguidade e na Idade Média?
 c) Com a colonização das Américas a partir do século XVI, as rotas comerciais se expandem e, por isso, a pirataria se desloca para outros mares. Em qual oceano se concentram as principais atividades dos piratas e corsários nessa época?
2) Quem eram os piratas para os gregos?
3) Qual a diferença entre piratas e corsários?


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O menino e o arco-íris

     
    Era uma vez um menino curioso e entediado. Começou assustando-se com as cadeiras, as mesas e os demais objetos domésticos. Apalpava-os, mordia  e jogava-os no chão: esperava certamente uma resposta que os objetos não lhe davam. Descobriu alguns objetos mais interessantes que os sapatos: os copos – estes, quando atirados ao chão, quebravam-se. Já era alguma coisa, pelo menos não permaneciam os mesmos depois da ação. Mas logo o menino (que era profundamente entediado) cansou-se dos copos: no fim de tudo era vidro e só vidro.
    Mais tarde pôde passar para o quintal e descobriu as galinhas e as plantas. Já eram mais interessantes, sobretudo as galinhas, que falavam uma língua incompreensível e bicavam a terra. Conheceu o peru, a galinha-d´angola e o pavão. Mas logo se acostumou a todos eles, e continuou entediado como sempre.
    Não pensava, não indagava com palavras, mas explorava sem cessar a realidade.
    Quando pôde sair à rua, teve novas esperanças: um dia escapou e percorreu o maior espaço possível, ruas, praças, largos onde meninos jogavam futebol, viu igrejas,automóveis e um trator que modificava um terreno. Perdeu-se. Fugiu outra vez para ver o trator trabalhando. Mas eis que o trabalho do trator deu na banalidade: canteiros para flores convencionais, um coreto etc. E o menino cansou-se da rua, voltou para o seu quintal.
    O tédio levou o menino aos jogos de azar, aos banhos de mar e às viagens para a outra margem do rio. A margem de lá era igual à de cá. O menino cresceu e, no amor como no cinema, não encontrou o que procurava. Um dia, passando por um córrego, viu que as águas eram coloridas. Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!
    Desde então, todos os dias dava um jeito de ir ver as cores do córrego. Mas quando alguém lhe disse que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima, começou a gritar que não, que as águas vinham do arco-íris. Foi recolhido ao manicômio.
E daí?    
                                                           (GULLAR, Ferreira. O menino e o arco-íris. São Paulo: Ática, 2001. p. 5)

Após ler atentamente o texto,

1.Identifique:  Título; Autor; Obra da qual faz parte.

2.“Mas logo se acostumou a todos eles”.O termo em destaque refere-se no texto a:
(A) animais no quintal.                                   (B) cadeiras e mesas.
(C) sapatos e copos.                                     (D) jogos de azar.

3. Pode-se concluir que o tema do texto é:
(A) a curiosidade.                                        (B) a insatisfação.      
(C) a natureza.                                            (D) a saudade.

4. De acordo com o texto, o menino procurava, desde criança, por:
(A) alguma coisa surpreendente.               (B) galinhas e plantas interessantes.
(C) um arco-íris.                                         (D) banhos de mar.

5. “E daí?” A frase final do texto demonstra que a opinião do narrador sobre o destino do menino é de:
(A) pena e desespero.                                 (B) simpatia e aprovação.
(C) indiferença e conformismo.                   (D) esperança e simpatia.

6. “Desceu pela margem, examinou: eram coloridas!”
No trecho, os sinais de pontuação empregados assinalam:
(A) o tédio do menino.                                (B) a surpresa do menino.
(C) a dúvida do narrador.                           (D) o comentário do narrador.

7- Em relação ao trecho “ que o colorido das águas provinha de uma lavanderia próxima”, o que podemos concluir em relação ao córrego?


8- Identifique:
a- narrador: tipo, foco narrativo:
b- características do menino ( primeiro parágrafo):
c- adjetivo atribuído à galinha e à língua que elas falavam:
d- qualidade atribuída às águas do córrego:

9- Faça o que se pede:
a- assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam dígrafo:
(   ) córrego, terra, cessar, trabalho.
(   ) vidro, provinha, flores, assustando.
b- assinale a alternativa em que todas as palavras apresentam encontro consonantal:
(   ) tarde, passar, vinham, margem.
(   ) domésticos, mordia, esperança, largos.

10- Circule os encontros vocálicos, a seguir, separe as palavras abaixo de acordo com o tipo de encontro que apresentam:
*entediado, começou, mordia, chão, rua, automóveis, língua, realidade, quando, lavanderia, canteiros, tédio, viagens, dia, desceu, desceu.
Ditongo:
Hiato:

domingo, 4 de setembro de 2016

EM MAUS LENÇÓIS


    Eu tinha apenas quatorze anos quando fugi de casa pela primeira vez. Não suportando a tensão que me aniquilava, efeito das perseguições e xingamentos incessantes, tratei de escapulir. Frequentava o ginásio, mas, entre os meus colegas, considerava-me perseguido e humilhado. No meu lar não tinha liberdade para nada, vivia confinado, aguentando ameaças e descomposturas; na escola sempre preterido, por este ou aquele pretexto, rejeitado até nas atividades esportivas de que tanto gostava. Sempre o pior trajado, o uniforme sovadíssimo, de um amarelo desbotado, horrível, e os sapatos estropiados, desmanchando-se. Era tempo de guerra, havia crise. Mas eu não compreendia isso: meus colegas vestiam-se bem. O pior mesmo eram as xingações, as invectivas.
    Ela bradava com frequência:
    ___ Você anda jogando buzo com os botões da calça! Não é capaz de andar arrumado, limpo, moleque sem-vergonha!O seu fim vai ser triste, bruaco!...
    Ele corroborava, mesmo à mesa das refeições:
    ___ Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!...      
    Não aguentei. Meti algumas peças de roupa dentro da bolsa escolar e, ao invés de dirigir-me ao ginásio, emboquei num ônibus estacionado na rodoviária. Vazio, aguardava horário de partida e, também, os passageiros que dia a dia minguavam. Não me foi difícil, pois, passar despercebido. Encaracolado atrás do encosto do último assento, esperei ansiosa e nervosamente a partida: minha independência. Apesar de ter sido bem-sucedido naquela estratégia comum de fuga, não driblei por muito tempo o fracasso. Na madrugada imediata, enquanto eu dormia no banco de uma jardineira carunchenta, abandonada nas proximidades de um posto de gasolina, fui descoberto por um bate-pau e prontamente conduzido ao xadrez. Sem mais cerimônias, cortaram-se as asas e meteram-me na gaiola. Permaneci várias semanas ali esquecido, sem jamais ser interrogado, e sem ninguém dar-se pela presença de uma criança na cadeia pública. Tinha, aliás, por companheiro, um outro garoto, mais ou menos de minha idade, que já se achava preso há mais tempo.Também fora encontrado a sós e metido a ferros. Era necessário limpar as ruas da progressista comarca, dar segurança e tranquilidade aos seus moradores ordeiros e pacatos. Ao reclamar da situação, o carcereiro, bocejando de tédio, respondeu-me:
    ___ Quando vier o novo delegado, ele resolve...
    ___ E eu? Perguntou Giba.
    ___ Está na mesma... Dependo do delegado que vier. Às vezes vem logo, às vezes não...
    Em tal expectativa passamos tempo considerável.
                                                                                    ( Antônio Machetti )

ESTUDO DO VOCABULÁRIO
  1-  Substitua as palavras destacadas por outras com o mesmo significado, de acordo com o contexto do texto.
a- “Não suportei a tensão que me aniquilava.”
b- “Eu vivia confinado, aguentando ameaças e descomposturas.”
c- “O pior mesmo eram as xingações, as invectivas.”
d- “Os sapatos estropiados desmanchavam-se.”

2- Dê o significado das expressões em destaques.
a- “Você não merece o feijão que come”.
b- “Fui descoberto por um bate-pau e metido a ferros.”
3- Reescreva as frases, substituindo as palavras em destaque pelo sinônimo que aparece no texto.
a-“ Entrei num ônibus estacionado ...”
b- “Os passageiros dia a dia escasseavam.”
c- “Enrolado atrás do último ...”
d- “Ele confirmava, mesmo à mesa das refeições.”

COMPREENSÃO DO TEXTO
1- Quem é o narrador do texto?
2- O que ele nos conta?
3- O que a personagem central fazia antes de abandonar o lar?
4- Por que resolveu fugir?
5- Por que era perseguido e humilhado pelos colegas?
6- O que aconteceu ao rapaz, quando fugiu de casa?
7- Por que fracassou na sua tentativa de fuga?
8- Sua situação se resolveu de imediato? Por quê?
9- O garoto voltou para casa? Se voltou tentou fugir novamente? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

10- Assinale, a fuga é consequência:
a- do fato de ele ser mal compreendido e humilhado em casa?
b- de ele não ter liberdade?
c- de ele ser um menino rebelde?

11- Quem é Giba?
12- Onde o rapaz estava e o que fazia, quando foi trancafiado na cadeia?
13- Retire do texto expressões que mostrem o tempo da narrativa.
14- “Você não merece o feijão que come, pedaço de asno, ignorante!..”. Quem dizia isso ao rapaz?
15- Explique o título do texto.

ALEXANDRE E A COBRA


           De repente, quando mal me precatava, senti uma pancada no pé direito. Puxei a rédea, parei, ouvi um barulho de guiso, virei-me para saber de que se tratava e avistei uma cascavel assanhada, enorme, com dois metros de comprimento.
   ___ Dois metros, seu Alexandre? inquiriu o cego preto Firmino. ____ Talvez seja muito.
   ___ Espere, seu Firmino - bradou Alexandre zangado. ___ Quem viu a cobra foi o senhor ou fui eu?
   ___ Foi o senhor – confessou o negro.
   ___ Então escute. O senhor, que não vê, quer enxergar mais que os outros que têm vista. Assim é difícil a gente se entender, seu Firmino. Ouça calado, pelo amor de Deus. Se achar falha na história, fale depois e me xingue de potoqueiro.
   ___ Perdoe – rosnou o cego. ___ É que eu gosto de saber as coisas por miúdo.
   ___ Saberá, seu Firmino, - berrou Alexandre. ___ Quem disse que o senhor não saberá? Saberá. Mas não me interrompa, com os diabos. Ora muito bem. A cascavel mexia-se com raiva chocalhando e preparando-se para armar novo bote. Tinha dado o primeiro, de que falei, uma pancada aqui no pé direito. “___ Os dentes não me alcançaram porque estou bem calçado”, foi o que presumi. Saltei no chão e levantei o chicote, pois ali perto não havia pedra nem pau. A miserável enrolava-se, os olhos redondos pregados em mim, e a língua fora da boca. Zás! Desmanchei-lhe a rodilha com uma chicotada. Tentou endireitar-se, estraguei-lhe os planos com o chicote e fui batendo, batendo, até que, desanimada, ela meteu o rabo entre as pernas e     botou-se devagarinho para um monte de garranchos de coivara.
   ___ Como é isso, seu Alexandre? – perguntou o cego. ___ A cascavel meteu o rabo entre as pernas? Cascavel não tem pernas.
   ___ Está claro que não tem – respondeu Alexandre. ___ Quando a gente diz que uma criatura mete o rabo entre as pernas, quer dizer que ela se encolhe, capionga, percebe? Foi o que se deu. Não é preciso um bicho ter pernas para meter o rabo entre as pernas. Seu Firmino é pessoa de entendimento curto e não compreende isso. A cascavel, que não tinha pernas, meteu o rabo entre as pernas e esgueirou-se para os garranchos e folhas secas que havia junto da estrada. Corri atrás dela e obriguei-a a voltar. Amiudei os golpes, a desgraçada bambeou e nem pediu fogo para o cachimbo. Machuquei-lhe a cabeça com o salto da bota. Estrebuchou, fez o que pôde para arrumar-se em novelo, depois se aquietou e ficou estirada na poeira. Baixei-me e medi o corpo mole: nove palmos e meio espichados. Isto é com o senhor, seu Firmino. Nove palmos e meio, entendeu? Mais de dois metros, penso eu.
( Ramos, Graciliano. “O estribo de prata”. 18ª. ed. São Paulo. Ed. Record, 1979 )

1- Estabeleça relação entre as colunas.
a- precatar                          (    ) mentiroso, loroteiro
b- potoqueiro                     (    ) agitar-se com violência, debater-se
c- rodilha                           (    ) prevenir, precaver, acautelar
d- coivara                         (    ) em forma de rolo, enrodilhado
e- estrebuchar               (    ) pilha de ramagens que se queima, no campo, para limpar o terreno
f- inquiriu                              (    ) vacilou
g- capionga                        (    ) perguntou
h- bambeou                        (    ) tristonha


2- “A cascavel mexia-se com raiva ... para armar um novo bote”. “Bote” tem aí o sentido de:
(  ) pôr, colocar,     (   ) embarcação pequena,     (   ) salto do animal sobre a presa,       (   ) ataque, investida.
3- “A cascavel meteu o rabo entre as pernas?”, que explicação Alexandre deu a seu Firmino sobre a expressão “ meteu o rabo entre as pernas”?
4- Explique a expressão: “Seu Firmino é “pessoa de entendimento curto” e não compreende isto.”
5- De acordo com o texto atribua as características, usando A para Alexandre e F para Firmino:
(     ) mentiroso    (    ) cego   (    ) minucioso     (    ) exagerado.
6- O cego Firmino colocava em dúvida as histórias contadas por Alexandre. Retire do texto a passagem que comprova isto
1ª)
2ª)
7- ”Saltei no chão e puxei o chicote”. Onde se encontrava Alexandre para ter saltado no chão? Retire do texto a passagem que comprova a sua resposta.
8- Qual era a reação de Alexandre quando desconfiavam de suas histórias?
9- “O senhor, que não vê, quer enxergar mais que os que têm vista?”. Para Alexandre, o cego queria: (   ) ser muito inteligente;  (   ) conhecer bem o assunto;   (   ) saber mais do que os outros
(   ) adivinhar o futuro?
10- De acordo com a descrição de Alexandre, como era a cascavel que ele encontrou?
11- Algumas frases do texto estão colocadas abaixo, fora de ordem. Numere-as tendo em vista a sequência de acordo com o texto.
(    ) “Se achar falha na história, fale depois e me xingue de potoqueiro.”
(    ) “... avistei uma cascavel assanhada, enorme, com dois metros de comprimento.”
(    ) “Amiudei os golpes, a desgraçada bambeou e nem pediu fogo para o cachimbo.”
(    ) “Saltei no chão e levantei o chicote, pois ali perto não havia pedra nem pau.”
(    ) “___ Dois metros, seu Alexandre?”
12- De acordo com o texto a quem se referem as palavras abaixo destacadas?
a- “... e preparando-se para armar novo bote.” ____________________________________
b- “... os olhos redondos pregados em mim...”  ____________________________________
c- “... estraguei-lhe os planos com o chicote ...” ___________________________________
“... e obriguei-a a voltar.”  _____________________________________________________
d- “Baixei-me e medi o corpo...”  ______________________________________________
13- No texto foi utilizado o discurso direto. Retire um trecho que confirme essa afirmação.
14- Que tipo de narrador o texto apresenta? Comprove sua resposta.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A VELHA CONTRABANDISTA

Atividade: Interpretação de texto - 6ºano - Texto: A Velha Contrabandista.



Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não “espaia” ? – quis saber a velhinha.
- Juro – respondeu o fiscal.
- É lambreta.
(Stanislaw Ponte Preta)
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Interpretação do texto

1) O que a velhinha carregava dentro do saco, para despistar o guarda?
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2) O que o autor quis dizer com a expressão “tudo malandro velho”?
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3) Leia novamente o 4º parágrafo do texto e responda:
Quando o narrador citou os dentes que “ela adquirira no odontólogo”, a que tipo de dentes ele se referia?
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4) Explique com suas palavras qual foi o truque da velhinha para enganar o fiscal.
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5) Quando a velhinha decidiu contar a verdade?
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6) Qual é a grande surpresa da história?


7) Numere corretamente as frases abaixo, observando a ordem dos acontecimentos.
( ) O fiscal verificou que só havia areia dentro do saco.
( ) O pessoal da alfândega começou a desconfiar da velhinha.
( ) Diante da promessa do fiscal, ela lhe contou a verdade: era contrabando de lambretas.
( ) Todo dia, a velhinha passava pela fronteira montada numa lambreta, com um saco no bagageiro.
( ) Mas, desconfiado, o fiscal passou a revistar a velhinha todos os dias.
( ) Durante um mês, o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
( ) Então, ele prometeu que não contaria nada a ninguém, mas pediu à velhinha que lhe dissesse qual era o contrabando que fazia.

O pé da múmia



1— Cinco luíses pelo pé da princesa Hermonthis é pouco, muito pouco, na verdade. Trata-se de um pé autêntico — disse o vendedor balançando a cabeça e girando os olhos nas órbitas. — Vamos, leve-o, e ainda lhe dou a embalagem de presente — acrescentou, enrolando-o num velho pano adamascado —; muito bonito, damasco verdadeiro, damasco das Índias, que nunca foi tingido de novo, forte, macio — murmurava passeando os dedos pelo tecido puído, com um resquício de hábito comercial que o fazia elogiar um objeto de tão pouco valor que ele mesmo o considerava digno de ser dado.
2 Ele colocou as moedas de ouro numa espécie de bolsa medieval presa à cintura, repetindo:
3 — O pé da princesa Hermonthis para servir de peso de papel!
 4 Depois, fixando em mim suas pupilas fosfóricas, disse numa voz estridente como o miado de um gato que acabou de engolir uma espinha:
 5 — O velho faraó não ficará contente, ele amava a filha, o grande homem.
 6 — O senhor fala como se fosse seu contemporâneo. Apesar de velho, o senhor não é do tempo da pirâmides do Egito — respondi-lhe rindo, da porta da loja.
7 Voltei para casa bastante satisfeito com minha aquisição. Para fazer bom uso dela imediatamente, coloquei o pé da divina princesa Hermonthis sobre uma pilha de papéis. Eram esboços de versos e um mosaico indecifrável de rasuras: artigos começados, cartas esquecidas e engavetadas, algo que acontece com frequência com os distraídos. O efeito era encantador, bizarro e romântico.
8 Satisfeitíssimo com aquele embelezamento, desci para a rua e fui passear com a gravidade apropriada e o orgulho de um homem que tem, sobre todas as pessoas por quem passa, a extraordinária vantagem de possuir um pedaço da princesa Hermonthis, filha do faraó. Téophile Gauthier. In Hélène Montardre.
Medo: Histórias de terror. Trad. Júlia da Rosa Simões. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 13. 1

1) O clima de mistério do conto, já instaurado pela estranheza do produto vendido na loja de antiguidades, é acentuado por alguns índices sutilmente distribuídos ao longo dessa estranha negociação. Indique três desses índices e levante hipóteses sobre o significado deles.
2) Qual é o foco narrativo do conto? Como a escolha desse foco narrativo pôde contribuir para a instauração do mistério?


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

OS SEMEADORES DA VIA LÁCTEA


              Os alienígenas humanóides
     Nove estranhos seres o fitavam. Não eram humanos. Nem robôs. Alex presumiu que se tratava de alienígenas humanóides.
     (...) Alguns eram branco-pálidos, outros esverdeados. Todos pareciam ter recebido banhos de bílis, cujos pigmentos amarelados haviam aderido ao corpo, como sardas.
     Possuíam cabeça, tronco e membros. Inteiramente carecas, tinham apenas um olho no meio da testa. Esse detalhe abalou Alex; mais chocado ficou quando descobriu que possuíam um segundo olho na parte traseira da cabeça. Deviam ter cérebros privilegiados para captar e interpretar sinais em um círculo de 360 graus.
     Não contavam com sobrancelhas nem barbas. Os narizes eram finíssimos e alongados. Das narinas saiam chumaços de pelos arruivados. Era a única parte visível dos seus corpos com pelos.
           Revelações sobre viagens dos discos voadores
     Grins dissera extra ordinária, separando a palavra, dando à frase um sentido duplo e contraditório. Seria um ET irônico, trocadilhista e gozador. Mas Alex precisava de informações e fora ele o escolhido para responder.
     ___ Quantas vezes os skissianos visitaram a Terra? ___ perguntou Alex.
     ___ Três ___ disse Grins. ___ A primeira, pelo calendário de vocês, em 1789.
     ___ Esse ano foi fundamental para a História da Humanidade. A partir daí tudo mudou. So-
brevoaram Paris?
     ___ Sobrevoamos.
     ___ Notaram algo de anormal?
     ___ Morticínios. Pancadarias. Tiroteios. Sangue. Cabeças guilhotinadas. Arruaças. Bandeiras desfraldadas.. Nada sério. Briguinhas internas, sem importância. Como nosso critério de avaliar o adiantamento de uma civilização é a tecnologia espacial e o sentimento de integração dos seres vivos ao cosmos, nada do que observamos nos interessou. A matança parisiense provou que o homem se encontrava numa idade mental primitiva. Marcamos em nossa agenda para retornar à Terra após 3000 anos... Pelos nossos cálculos era um tempo suficiente para o homem civilizar-se.
     ___ Por que se anteciparam?
     ___  Uma das nossas sondas de observação astronômica que percorre a Via Láctea incessantemente registrou grande luminosidade na Terra em 1945. ao analisar as imagens, nossos cientistas se surpreenderam com essa novidade cósmica. Mandamos à Terra a espaçonave Scanfs Digs ___ cujo nome significa cidade voadora ___ com 99 pesquisadores. Em 1960 sobrevoamos o planeta com seis discos voadores, enquanto a nave mãe permanecia em órbita terrestre. Filmamos campos e cidades. Ficamos impressionados com o progresso da Terra! Em menos de dois séculos vocês haviam inventado artigos de grande utilidade, como cachorro-quente, margarina, café solúvel, batata frita...
     ___ Pera lá! ___ interrompeu Alex. ___ Não cuidamos apenas da culinária.
     ___ Não quis dizer isso ___ continuou Grins. ___ Vocês também inventaram metralhadoras, granadas de mão, bomba atômica...
     ___ Não fabricamos apenas armas de guerra ___ protestou Alex. ___ Houve quem se preocupasse por outras coisas... Que me diz do avião?
     ___ Seu patrício Santos Dumont goza de muito prestígio entre nós ___ continuou Grins. ___ Se ele tivesse se submetido a intervenções cirúrgicas de amputações de dedos, transferência da posição dos olhos, implantação de novo sexo, teria se transformado num skissiano autêntico! Seria um dos nossos heróis espaciais!
     ___ E quanto à luminosidade de 1945? Não vai dizer que foi a bomba atômica! ___ falou Alex, sem dar importância ao nonsense de Grins.
     ___ Tenho a desagradável obrigação de dizer que foi. Os terrestres não têm ideia da radiação nefasta que viaja pelo espaço sideral, devido a esse terrível artefato... Se continuarem com essa fúria de destruição, vão infectar a Via Láctea... O Universo inteiro...
     Os dois ficaram em silêncio. Com ironia e galhofa, Grins apresentara temas muito sérios para meditação.
     ___ E aí? O que fizeram?
     ___ Deixamos ao redor da Terra sondas de captação de rádio e televisão e voltamos para Skiss. No trajeto entre o seu e o meu planeta colocamos no interespaço uma rede com nove estações retransmissoras de imagens e sons. Durante anos gravamos e estudamos programas de vários países da Terra. Trinta e três especialistas decodificaram, traduziram e catalogaram tudo o que havíamos recebido.
     ___ O que aconteceu com esse material?
     ___ Depois de detalhada análise, o grupo recomendou a imediata destruição de 100% dos programas de rádio. E a incinerarão de 99% dos programas de televisão. Mesmo assim sobrou 1% de natureza educativa, o suficiente para entendermos a evolução da Terra, desde o começo até hoje.
     ___ E onde está esse material? ___ interessou-se o terráqueo.
     Grins dirigiu-se à parede escamoteável. Abriu-a e dela tirou uma latinha semelhante à conhecida de Alex.
     ___ Aí está ___ disse Grins, abrindo o objeto.
     Alex contou 37 cigarrinhos brancos, presos a encaixes, parecidos com os carretéis  de linha que sua mãe guardava na caixa de costura.
     ___ Toda a cultura e a história da Terra encontra-se aí? ___ duvidou Alex, entre incrédulo e decepcionado.
     ___ Toda... ___ confirmou Grins.
                                                            ( Paulo Rangel – “Os semeadores da Via Láctea”)
VOCABULÁRIO
BÍLIS –líquido esverdeado e amargo segregado pelo fígado / CONTRADITÓRIO-oposto, ambíguo  / NONSENSE- expressão inglesa que significa não ter sentido / TROCADILHISTA- pessoa que faz trocadilho, jogo de palavras parecidas no som e diferentes no significado.

 1- Relacione as palavras destacadas aos seus significados.
a- zombaria, gracejo  b- que causa desgraça    c- descrente   d- genuíno
(   ) “Os terrestres não têm ideia  da radiação nefasta...”
(   ) “... teria se transformado num skissiano autêntico!”
(   )... duvidou Alex, entre incrédulo e decepcionado.”
(   ) “Com ironia e galhofa, Grins apresentara temas muito sérios para meditação.”

2- Relacione as palavras a seus significados, escrevendo-as nos parênteses.
ARTEFATO – INCINERAÇÃO- ESCAMOTÁVEL- CÓSMICA
a-(                  ) ... nossos cientistas se surpreenderam com essa novidade que pertence ao Universo.
b- (                 ) ... devido a esse terrível objeto.
c- (              ) Grins dirigiu-se à parede que podia desaparecer sem que ninguém percebesse.
d- (               ) E a queima até reduzir a cinzas de 99% dos programas de televisão.

3- O texto começa com a descrição dos extraterrestres. Descreva:
a- sua aparência:__________________________________________________
b- seus olhos:____________________________________________________
c- seu rosto:______________________________________________________
d- seus narizes:___________________________________________________

4- Qual a hipótese levantada pelo narrador quanto à localização dos olhos dos alienígenas e sua influência no cérebro?

5- Quando os skissianos visitaram a Terra em 1789, viram morticínios, pancadarias, tiroteios, sangue, arruaças. Por que nada disso foi considerado importante para eles?

6- Responda às perguntas relacionadas ao tempo em que a ação se desenrolou.
a- Os skissianos visitaram a Terra pela primeira vez em 1789. Por que marcaram para retornar após 3000 anos?
b- Por que anteciparam a volta para 1945  ____________________
c- O que fizeram em 1960?______________________________________

7- O que Alex achou das considerações de Grins a respeito de Santos Dumont?
8- Identifique nas falas das personagens o que é uma hipótese e o que é a narração de um fato.
a- ( ___________________) “___ Uma das nossas sondas de observação astronômica...
registrou grande luminosidade na Terra em 1945.”
b- ( __________________) “Se continuarem com essa fúria de destruição, vão infectar a Via Láctea...”

9- O que aconteceu com o material que eles coletaram na Terra? Por quê?
10- Qual o problema abordado no texto?

A CAUSA DA CHUVA


                                           (MILLOR FERNANDES, Fábulas Fabulosas)
1.        Não chovia há muitos e muitos meses, de modo que os animais ficaram inquietos. Uns diziam que ia chover logo, outros diziam que ainda ia demorar. Mas não chegavam a uma conclusão.
2.        – Chove só quando a água cai do teto do meu galinheiro, esclareceu a galinha.
3.     – Ora, que bobagem! disse o sapo de dentro da lagoa. Chove quando a água da lagoa começa a borbulhar suas gotinhas.
4.      – Como assim? disse a lebre. Está visto que chove quando as folhas das árvores começam a deixar cair as gotas d’água que tem dentro.
5.        Nesse momento começou a chover.
6.        - Viram? gritou a galinha. O teto do meu galinheiro está pingando. Isso é chuva!
7.        – Ora, não vê que a chuva é a água da lagoa borbulhando? disse o sapo.
8.      – Mas, como assim? tornava a lebre. Parecem cegos? Não vêem que a água cai das folhas das árvores?

RESPONDA: Assinale a única opção correta de acordo com o texto:
1. Percebe-se claramente que a causa principal da inquietação dos animais era:
a.(   ) a chuva que caía      b.(   ) a falta de chuva      
c.(   ) as discussões sobre animais   d.(   ) a conclusão  a que chegaram
2. A resposta à questão 1 é evidenciada pela seguinte frase do texto:
a.(   ) “Uns diziam que ia chover…” (parágrafo 1)
b.(   ) “… outros diziam que ainda ia demorar.” (parágrafo 1)
c.(   ) “Mas não chegavam a uma conclusão.” (parágrafo 1)
d.(   ) “Não chovia há muitos e muitos meses.” (parágrafo 1)
3. O sapo achou que o esclarecimento feito pela galinha era:
a.(   ) correto       b.(   ) aceitável     c.(   ) absurdo     d.(   ) científico
4. A expressão do texto que justifica a resposta da questão 3 é:
a.(   ) “Como assim?” (par. 4)     b.(   ) “Viram?” (par. 6)    
c.(   ) “Ora, que bobagem!” (par. 3)    d.(   ) “Parecem cegos?”
5. A atitude da lebre diante das explicações dadas pelos outros animais foi de:
a.(   ) dúvida interrogativa       b.(   ) aceitação resignada    
 c.(   ) conformismo exagerado            d.(   ) negação peremptória
6. A expressão do texto que confirma a resposta à questão 5 é:
a.(   ) “Como assim?” (par. 4)     b.(   ) “Viram?” (par. 6)  
c.(   ) “Ora, que bobagem!” (par. 3)                   d.(   ) “Parecem cegos?” (par.
7. A fábula de Millôr Fernandes é uma afirmativa de que:
a.(   ) as pessoas julgam os fatos pela aparência
b.(   ) cada pessoa vê as coisas conforme o seu estado e seu ponto de vista
c.(   ) todos tem uma visão intuitiva dos fenômenos naturais                        
d.(   ) o mundo é repleto de cientistas
8. O relato nos leva a concluir que:
a.(   ) a galinha tinha razão                        b.(   ) a razão estava com o sapo                            
c.(   ) A lebre julgava-se dona da verdade.  
d.(   ) as opiniões estavam objetivamente erradas.
9. Cada um dos animais teve sua afirmação satisfeita quando:
a.(   ) a discussão terminou                           b.(   ) chegaram a um acordo
c.(   ) começou a chover                                d.(   ) foram apartados por outro animal
10. Toda fábula encerra um ensinamento. Podemos sintetizar o ensino desta fábula através da frase:
a.(   ) A mentira tem pernas curtas.    
b.(   ) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.  
c.(   ) As aparência enganam.                    d.(   ) Não julgueis e não sereis julgados.








ESCOLA ______________________________________________LÍNGUA PORTUGUESA      
PROF ADRIANA T PIMENTEL               (  ) Avaliação  (  ) Trabalho  (  ) tarefa de casa
NOME __________________________________ DATA ___________ANO:  ____
:                    O índio
- Meu Deus,é ele!
Quem já conversou com um índio, assim um papo aberto, sobre futebol, religião, amor... ? A primeira ideia que nos vem é a da impossibilidade desse diálogo,risos, preconceito, talvez. O que dizer então da visão dos estrangeiros ,que pensam que andamos nus, atiramos em capivaras com flechas envenenadas e dançamos literalmente a dança da chuva pintados com urucu na praça da Sé ou na avenida Paulista?
Pois na minha escola no ano de 1995 ocorreu a matrícula de um índio. Um genuíno adolescente pataxó.
A funcionária da secretaria não conseguiu esconder o espanto quando na manhã de segunda-feira abriu preguiçosamente a portinhola e deparou-se com um pataxó sem camisa com o umbigo preto para fora, dois penachos brancos na cabeça e a senha número "um" na mão, que sem delongas disse:
– Vim matricular meu filho.
E foi o que ocorreu, preenchidos os papéis, apresentados os documentos, fotografias, certidões, transferências, alvarás, licenças etc. A notícia subiu e desceu rapidamente os corredores do colégio, atravessou as ruas do bairro, transpôs a sala dos professores e chegou à sala da diretora, que levantou e, em brado forte e retumbante, proclamou:
– Mas é um índio mesmo?
Era um índio mesmo. O desespero tomou a alma da pobre mulher; andava de um lado para o outro, olhava a ficha do novo aluno silvícola, ia até os professores, chamava dois ou três, contava-lhes, voltava à sala, ligava para outros diretores pedindo auxílio, até que teve uma idéia: pesquisaria na biblioteca. Chegando lá, revirou Leis, Decretos, Portarias, Tratados, o Atlas, Mapas históricos e nada. Curiosa com a situação, a funcionária questionou: – qual o problema para tanto barulho?
– Precisamos ver se podemos matricular um índio; ele tem proteção federal, não sabemos que língua fala, seus costumes, se pode viver fora da reserva; enfim, precisamos de amparo legal. E se ele resolver vir nu estudar, será que podemos impedir?
Passam os dias e enfim chega o primeiro dia de aula, a vinda do índio já era notícia corrente, foi amplamente divulgada pelo jornal do bairro, pelas comadres nos portões, pelo japonês tomateiro da feira, pelos aposentados da praça, não se falava noutra coisa. Uma multidão aguardava em frente da escola a chegada do índio, pelas frestas da janela, que dava para o portão principal, em cima das cadeiras e da mesa, disputavam uma melhor visão os professores – sem nenhuma falta –, a diretora, a supervisora de ensino e o delegado.
O porteiro abriu o portão – sem que ninguém entrasse – e fitou ao longe o final da avenida; surgiu entre a poeira e o derreter do asfalto um fusca, pneus baixos, rebaixado, parou em frente da escola, o rádio foi desligado, tal o silêncio da multidão que se ouviu o rangido da porta abrir, desceu um menino roliço, chicletes, boné do Chicago Bulls, tênis Reebok, calça jeans, camiseta, walkman nas orelhas, andou até o porteiro e perguntou:
– Pode assistir aula de walkman?

Edson Rodrigues dos Passos. In: Nós e os outros: histórias de diferentes culturas.São Paulo. Ática, 2001.

RESPONDA AS PERGUNTAS ABAIXO:
1. Na escola, tudo corria tranquilamente. O que vem mudar esta situação?
2. Por que a diretora consultou os documentos citados no texto?
3. Em quais documentos a diretora poderia encontrar amparo legal para matricular o índio?
4. Por que a comunidade tinha expectativa pela chegada do índio?
5. O menino pataxó correspondeu à expectativa que a comunidade tinha a respeito dele?
6. O menino chega mascando chicletes, usando boné do Chicago Bulls, tênis Recep, calça jeans, walkman nas orelhas. A que cultura associou os elementos citados?
7. Das frases abaixo, qual é a que mais se aproxima da questão cultural indígena tratada no texto?
a) É bom que todos tenham a oportunidade de partilhar os avanços tecnológicos.
b) É uma pena que os povos percam sua identidade.
c) Eu uso esses produtos, mas o índio usando é estranho.
8. A expressão brado retumbante aparece em um importante texto brasileiro. Você sabe qual?
9. Como o conflito se resolve no final
10. Você acha normal a reação das pessoas ao ver um índio? Você também teria esta reação? Justifique sua resposta.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

ROBINSON CRUSOÉ

LEIA O TEXTO ABAIXO E RESPONDA ÀS QUESTÕES.
                                                         
    Meu nome é Robinson Crusoé. Nasci na velha cidade de Iorque, onde há um rio pequeno, muito largo, cheio de navios que entram e saem.
    Quando criança, passava a maior parte do meu tempo a olhar aquele rio de águas tão quietas, caminhando sem pressa para o mar lá longe. Como gostava de ver os navios em movimento, com velas branquinhas enfunadas pelas brisas! Isso me fazia sonhar as terras estranhas donde eles vinham e as maravilhosas aventuras acontecidas em mar alto.
    Eu queria ser marinheiro. Nenhuma vida me parecia melhor que a vida do marinheiro, sempre navegando, sempre vendo terras novas, sempre lidando com tempestades e monstros marinhos.
    Meu pai não concordava com isso. Queria que eu tivesse um ofício qualquer, na cidade, ideia que eu não podia suportar. Trabalhar o dia inteiro em oficinas cheias de pó era coisa que não ia comigo.
    Também não suportava a ideia de viver  toda a vida naquela cidade de Iorque. O mundo me chamava. Eu queria ver o mundo.
    Minha mãe ficou muito triste quando declarei que ou seria marinheiro ou não seria nada.
    ---- A vida do marinheiro ---- disse ela ---- é uma vida bem dura. Há tantos perigos no mar, tanta tempestade que grande número de navios acabam naufragando.
    Disse também que havia no mar terríveis peixes de dentes de serra, que me comeriam vivo se eu caísse na água. Depois me deu um bolo e me beijou: “É muito mais feliz quem fica na sua casa”.
    Mas não ouvi seus conselhos. Estava resolvido a ser marinheiro e havia de ser.
    ---- Já fiz dezoito anos ---- disse um dia a mim mesmo ---- é tempo de começar ---- e, fugindo de casa, engajei-me num navio.
                                                ( Daniel Defoe )

VOCABULÁRIO:  Enfunadas: cheias              Brisa: vento leve                 Lidar: enfrentar, combater
Ofício: profissão                          Engajar-se: entrar para, alistar-se

1-    Sobre a personagem principal do texto identifique:
*o nome: _____________________________*local de nascimento: _______________
*vocação: ______________________________*idade quando fugiu: _____________
2- A visão dos navios provoca um sonho no menino. Qual era esse sonho?________  
3- No ofício de marinheiro, o que atraía o menino?
4- Retire do texto o trecho que mostra o inconformismo e a grande inquietação de Robinson Crusoé.
5- Os pais do menino concordavam com sua escolha? Por quê?
6- Por que Robinson não queria ter um ofício qualquer, como desejava seu pai?
7- Quem procurava amedrontá-lo e com que finalidade fazia isso?
8- Como Robinson resolveu o conflito com seus pais?
9- Os pais de Robinson valorizavam a segurança,  o que valorizava Robinson  Crusoé? Quem você acha que estava certo? Por quê?
10- Qual o foco narrativo utilizado no texto? Justifique sua resposta com um trecho do texto
11- Há no texto uso do discurso direto? Justifique sua resposta, comprovando-a com um trecho do texto.

A BATALHA DO LEBLON


     Foi à noitinha, aí por volta das 20 horas, que a notícia correu pelas esquinas do Leblon, ganhou amplitude, espalhou-se pelo bairro e foi explodir como uma bomba na Delegacia de Polícia. Os bichos do circo armado perto da pracinha tinham picado a mula. Foi aí que começou a ignorância. O delegado não estava, é claro. O comissário também não, é lógico, e a coisa sobrou na mão do prontidão.
    ___ Chamem a polícia! ___ berrou o infeliz.
    ___ Mas a polícia somos nós ___ advertiu um outro guarda.
    Refeito da distração, o prontidão começou a procurar seus superiores para saber como agir. A muito custo conseguiu telefonar para um primo da noiva do comissário e localizar o distinto.
    ___ Peçam uma patrulha do Exército ___ recomendou o comissário.
    Pediu-se. Mas havia outras corporações disponíveis. E apelou-se para o Corpo de Bombeiros, para a Polícia Militar, Radiopatrulha e ___ ninguém até agora sabe explicar por quê ___ um carro-socorro da Light.
    ___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão ___ disse um mulato magrela, com cara de gozador.
    O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia. Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada? O povo dava palpites e, como sempre, do povo saiu um mais bem informado pouquinha coisa, para dizer que na África nada sim, mas não era o caso desse, que se chamava Bômbolo, e que nascera num outro circo e nunca vira água a não ser em balde.
    Já então havia uma multidão apreciando as manobras. A praça era uma das trincheiras, o Jardim de Alá era a retaguarda das tropas. Pela rua principal não passaria nenhum bicho que mata gente, salvo lotações, mas estes têm licença especial pra matar.
    Um homem de porte marcial, com muito mais estrelas do que os outros, reclamava contra a demora do tanque. Sim, ele requisitara um tanque-de-guerra e isto começou a parecer ridículo a uns tantos e emocionante para outros. A preta gorda, que mal acabara de servir o jantar dos patrões, palpitou:
    ___ Só onça tem umas quatro.
    Mas o garoto que estava perto desmentiu, dizendo que estava farto de ir àquele circo e nunca vira onça nenhuma.
    Nessa altura apareceu correndo, lá do outro lado da praça, um soldado. Vinha acelerado e parou na frente do homem que tinha mais estrelas do que os outros. Fez uma continência legal e avisou que não havia elefante na praia. Imediatamente recebeu ordens de ir pelas casas avisando para que todo mundo trancasse as portas por causa dos leões.
    ___ Manda espiar primeiro se o leão já não entrou, senão é fogo na jacutinga, trancar porta com leão dentro ___ gozou o mulato.
    O soldado explicou que não era preciso, porque não tinha leão. Nem leão, nem tigre, nem onça. Apenas um “popótis”.
    ___ Hipopótamo ___ corrigiu o que tinha mais estrelas do que os outros.
    Então ___ já conhecido o inimigo ___ começou o cerco ao “popótis”. Dos que estavam nas proximidades, poucos sabiam o que era um hipopótamo. Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menos, mas muito mais feroz. E nessa troca de informações ficaram até que surgiu um outro soldado, que, vindo correndo em diagonal pela praça, bateu continência e disse pro de mais estrelas:
    ___ O “popótis” se rendeu-se.
    ___ Hipopótamo ___ voltou a corrigir o chefe, deixando passar a abundância de pronomes.
    Soube-se que, realmente, o hipopótamo fora localizado dentro de um jardim, numa residência grã-fina, comendo girassóis. E logo depois apareceu na esquina o dono do circo, puxando um bicho que não era maior que um cachorro dinamarquês e que o acompanhava de passo pachorrento. Decepção geral, inclusive dos soldados, preparados para mais uma batalha que, como tantas outras, não houve.
    ___ Ainda por cima o bicho come flor ___ disse a preta gorda.
    ___ Come flor sim, uai! ___ explicou o de touca. ___ Então tu não sabia que “popótis” é veterinário?
                      ( Stanislau Ponte Preta )

VOCABULÁRIO
AMPLITUDE:extensão, grandeza, dimensão   / CORPORAÇÃO: órgão que administra serviço público/
PORTE MARCIAL: aparência guerreira   / PRESUMIR: supor    / PRONTIDÃO: soldado de serviço de uma delegacia de polícia      / REQUISITAR: requerer, exigir

1- Relacione as frases a seus significados.

a- Pare de “atiçar fogo” na discussão        
b- Quem gosta de “brincar com fogo”, acaba de queimando.    
c- Não se preocupe se cozinharmos a situação a “fogo brando”.
d- É horrível ficar “entre dois fogos”!                                                                                                                                      
e- Os jovens “pegaram fogo” ao som da banda de reggae.        
f- Menino, você “é fogo”!                                                              
(     ) difícil, trabalhoso          (     ) adiando a solução de um problema
(     ) animaram-se, entusiasmaram-se     (     ) correr riscos, meter-se em encrenca
(     ) pressionado do dois lados                (     ) fomentar discórdia
2- Transcreva o fragmento do texto em que o autor situa os fatos temporalmente.
3- Interprete a frase de acordo com o texto: “Foi aí que começou a ignorância.”
4- Que expressões revelam a ironia do autor ao referir-se aos funcionários da delegacia?
5- Que piada o mulato magrela faz a respeito da participação de um carro-socorro da Light no episódio? Cite suas palavras.
6- Releia o oitavo parágrafo. Transcreva o trecho em que o narrador mostra sua opinião sobre o nível de conhecimento das pessoas envolvidas no caso da fuga dos bichos. Cite suas palavras.
7- Transcreva o trecho em que o autor critica os meios de transportes públicos.
8- Por que o soldado fez continência para o homem que tinha mais estrelas do que os outros? O que significa, de acordo com o texto ter mais estrelas?
9- Identifique.
A- narração                         B- descrição          C- reflexão              D- hipótese
(    ) “Elefante, ao que se presume, não nada. Ou será que nada?”
(    ) “O elefante, segundo informações de um soldado desconhecido, seguira rumo à praia.”
(    ) “___ Talvez seja para evitar um curto-circuito no leão...”
(    ) “Uns diziam que era maior que o elefante, outros diziam que era menor, mas muito mais feroz.”
10- A personagem de touca não sabia o significado da palavra veterinário. Qual foi o significado que atribuiu a essa palavra?
11- Retire o trecho que mostra  qual o espaço físico em que ocorrem os fatos narrados.

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