Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quase 100 quilos e de bem com a vida

Bonita e bem resolvida, a modelo Andrea Boschim não se queixa da vida acima do peso e diz que aprendeu a conviver com olhares e comentários num mundo que prefere os magros

PLUS SIZE
"Optei por não fazer sacrifícios para ser magra", diz Andrea


Você tem o rosto tão lindo. Por que não emagrece?" A pergunta, involuntariamente ofensiva, é ouvida a toda hora pela paulista Andrea Boschim, 31 anos. "Quem mais diz isso é minha avó, que em tantos anos ainda não se acostumou com uma neta gorda e feliz", anota. Andrea é loira de olhos esverdeados, 1,70 metro de altura, pele acetinada, boca sensual e ar provocante. Ela também pesa 98 quilos e usa manequim 50. Trabalha como modelo "plus size" e ganhou o título de gordinha mais sexy do Brasil, em concurso realizado pela Rede Record. "Não que eu tenha escolhido ser gorda, mas optei por não fazer sacrifícios para ser magra", define-se. Cheia de saúde, apesar do índice de triglicérides um pouco alto, considera-se bem resolvida. "Como brigadeiro e uso vestido balonê sem a menor culpa", brinca. Mas Andrea também é realista e admite que não foi fácil aceitar seu corpo. "Passei a adolescência pulando de dieta em dieta, tentando emagrecer", diz ela, que sempre foi a gordinha da família (seu irmão tem apenas 5% de gordura corporal) e fazia o estilo amigona dos garotos da classe. Até o dia em que se interessou por um deles e ouviu a sentença cruel: "Ele disse que me adorava, mas não namorava gordinhas". Apaixonada, Andrea fez regime, fez ginástica, perdeu 13 quilos e, no processo, acabou perdendo o encantamento. "Achei horrível alguém gostar de mim só pela minha aparência", lembra. "Emagreci, mandei o menino passear e desde então nunca mais contei calorias."

Não mesmo. No café da manhã, ela toma meio litro de leite com achocolatado. Almoça no trabalho, e mal – "A comida é horrível". Quando chega em casa "morta de fome", come tudo o que vê pela frente, sempre com batata. "Refeição, para ser completa, tem de ter batata. Pode ser assada, frita, com requeijão, purê. Se não tem, eu cozinho uma", enumera. Raramente toma água; mata a sede com suco de limão e refrigerante. Com açúcar, por favor. Toda semana pede pizza – costuma comer uns três pedaços à noite e mais dois, gelados, na manhã do dia seguinte. Além de não fazer dieta, Andrea – pobrezinha – é obrigada por contrato a permanecer cheinha. "Um trabalho como modelo de prova, por exemplo, estabelecia que se eu perdesse mais de 3 quilos pagaria 3 000 reais de multa", conta – bem mais do que uma modelo tamanho G está acostumada a ganhar. Essa, aliás, é sua única queixa em relação à vida acima do peso: seu cachê passa longe dos valores pagos às modelos-padrão, mesmo as pouco conhecidas. As magras em começo de carreira ganham entre 150 e 250 reais por desfile e de 600 a 1 500 reais por catálogo. Andrea, considerada top na sua categoria, geralmente não passa de 200 e 800 reais, respectivamente. Para reforçar os rendimentos, trabalha na gráfica do pai. Casada há quatro meses com o empresário André Silva (isso mesmo: Andrea e André), ela afirma que ser como é até ajuda na hora de engatar um relacionamento: os homens que amam as gordinhas provam por G mais GG que estão acima da opinião alheia. Silva, 1,70 metro, 71 quilos, corpo atlético conquistado com capoeira, jiu-jítsu e musculação, diz que ciúmes existem, e são mútuos. "Quando ela vê alguém olhando para nós, imagina que a pessoa está pensando: o que aquele magro está fazendo com aquela gordinha? Eu, quando vejo, imagino que pensam: o que aquela mulher linda está fazendo com um cara baixinho e narigudo?", brinca.

A beleza, a exuberância e a harmonia conjugal de Andrea são invejáveis, mas a verdade é que a vida fora dos padrões provoca constrangimentos incessantes. "Quando tinha 17 anos, fiz vestibular e no meio da prova me chamaram para sentar na primeira fila, perto da janela. Perguntei por que e me disseram que era lá que acomodavam as grávidas, por ser mais confortável. Queria morrer de vergonha", lembra. "Quem é gordo tem de se armar para evitar passar nervoso. Eu, por exemplo, não entro em loja de tamanhos normais porque sei que não vou ser bem atendida nem encontrar roupa que me caiba." Passar despercebida, no entanto, não é opção. "Nunca vão deixar de olhar, porque gordinho chama atenção. Se como alguma coisa, reparam na quantidade; se estou na praia, ficam criticando meu biquíni", enumera. Aborrecimentos e cobranças acabam se tornando uma fonte de força interior, principalmente para quem se conhece e se aceita. "Eu sou feliz gorda", diz Andrea. "Quando tento emagrecer, aí é que fico estressada."



A ficha está limpa

Andrea se orgulha de ter 98 quilos de boa saúde. A quem duvida, exibe exames feitos em abril, com os seguintes resultados:


Glicose: 92 mg/dl
(os valores de referência são 70 a 99)


Triglicérides: 178 mg/dl
(o desejável é inferior a 150; o limítrofe, 150 a 199)


Colesterol total: 185 mg/dl
(o desejável é inferior a 200)

Fonte: http://veja.abril.com.br/270509/p_114.shtml

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