Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Vida




Dizer que viver é ruim, mentira. Entretanto, falar que tudo é belo, é hipocrisia.
Todos os momentos são únicos, surpreendentes, mesmo aqueles que acreditamos saber seu desfecho.
Quando penso nas vira-voltas de todo o ser humano, acredito que o sentido de nossas vidas simplesmente manifesta-se na ação do existir. Nada além do fato de a alma e o corpo estarem manifestando-se. Sendo assim, não há romantismo ou hipóteses na existência que sustente esta frase: “somos a vida e a vida somos”.
Os dissabores, realizações mostram apenas o que pode ser melhor ou pior para nós mesmos. Independente de crença, vida pós morte. Por isso, faça o melhor hoje pois amanhã você será pó.
Muitas transformações na existência são registradas em nossos corpos e mentes. Processos vividos com lágrimas, risos, dores, orgasmos, amores, ódios, entre tantos outros sentimentos que invadem a vida de cada um.
Mudanças sociais e financeiras são intensas, de Cinderela a Gata Borralheira e vice-versa. No meu caso, acredito estar vivendo a primeira. Fazer o quê? Viver!
Acho que Exupery sabia ao dizer essa frase que iria além das fronteiras das relações humanas, “és eternamente responsáveis por aquilo que cativas” porque somos responsáveis sim, pelo que levamos de nossas ações e consequentemente, a vida que temos.
Nesta situação me enquadro com as satisfações pessoais e penúrias.

Nem questiono o sopro divino da existência aqui. Não seria possível levar em consideração o fato da fragilidade de nosso corpo e mente diante da morte e vida. Hoje, vivos e segundos após mortos.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Mundo



Mundo cheio de tudo.
Insatisfeito na diferença,
satisfeito nos seus ideais.

Mundo de pessoas que olham para si
e dizem olhar pelo outro.
Não aceitam que o outro seja diferente
no seu jeito de viver.
Julgam o que acreditam certo,
esquecendo-se que é impossível julgar
sem ser colocado no outro lado da balança também.


segunda-feira, 15 de maio de 2006

Nossas Máscaras


Todos temos máscaras e através delas que nos deixamos conhecer.
Nem sempre é possível tirá-las como gostaríamos.
São essas máscaras a nossa proteção contra nós mesmos e os outros.


terça-feira, 25 de abril de 2006

Os valores




Os valores que muitas vez são levados em conta ao conhecer alguém são deturpados.
Acredito que o ser humano deve se conhecer em sua essência para vir a se apaixonar.
O que somos por fora não vale muita coisa.

“por fora bela viola por dentro pão bolorento” (dito popular)

segunda-feira, 6 de março de 2006

O conhecer


Quando olhamos alguém, só vemos a máscara do belo ou feio.
Com o passar do tempo, com a convivência,
talvez, possamos ver um pouco mais da

verdadeira essência do outro.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Resenha do artigo “Os limites da semântica e da pragmática”





No artigo “Os limites da semântica e da pragmática” de Aline Soler Parras são abordadas as questões da semântica e pragmática. A autora diz que os limites destas baseiam-se nas teorias de linguistas como Austin, Ducrot e Grice.
Segundo o artigo, Ducrot recebe influencia do ambiente.
Cita Ilari e Geraldi que falam da importância da dêixis que se apresentam no ato da fala. Frisa que as palavras modificam seu sentido.
O artigo refere se aos critérios do uso da língua que Austin tenta definir.
A autora diz que Austin formula uma distinção entre constativo e performativos.
A autora aborda as teorias linguísticas e fala que os linguistas definem e compartilham regras. Diz que o ato ilocucionário que pode ser contativo e performativo.
“ [...]Ao ato de produzir sons, emitir palavras que pertençam a um sistema gramatical e que possuam sentido e referência, Austin chama de ato locucionário. O ato perlocucionário é o efeito produzido pelo que se disse, que pode, muitas vezes, não atingir o feito esperado. O ilocucionário, ao contrário, é convencional,[...]”
Cita neste artigo exemplos de ato ilocucionário.
Critica o trabalho de Austin por restringir-se a estrutura e quando refere-se a Paul Grice, frisa o fato deste considerar o sujeito. Faz uma abordagem da teoria de Grice e das regras necessárias a linguagem que chama de máximas conversacionais, reunidas sob o Princípio da Cooperação. Então, a partir disto estabelece os critérios conversacionais. Mostra que o ouvinte ao escutar um enunciado, procura um sentido e tenta deduzir o sentido do que foi dito pelo locutor.
Já, segundo o artigo, para Ducrot, a língua é representada subjetivamente e este, constrói procedimentos da semântica. Diz também que, Ducrot é influenciado por Bakhtin, Austin e Grice. Portanto, a enunciação é a atividade de linguagem exercida por aquele que fala no momento em que fala. No entanto, com o passar do tempo, Ducrot descentraliza o sujeito.
O artigo de Parra cita as várias distinções entre as cadeias enunciativas feitas por Ducrot e levanta a questão do pressuposto na construção dos discursos. Diz que “o posto e o pressuposto são as ferramentas utilizadas pelos locutores para resgatar os referentes comuns entre os interlocutores”.
Diz que o ato de falar é o modo de haver coesão do discurso. Então, os enunciados e frase têm sentido. No entanto, para que ocorra algum elemento semântico precisam ser considerados.
A autora conclui que as definições linguísticas consideram aspectos sociais, políticos e ideológicos. Refere-se a Ducrot como quem mais se aproximou da análise do discurso e este, como defensor da construção da linguagem a partir do sujeito.




quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Resenha de A casa tomada - Júlio Cotazar


O conto a “Casa Tomada” é uma crítica política realizada por Júlio Cotázar escrita em 1946 e publicada em 1947, no livro Bestiário. Sua abordagem é sutil e inteligente.
Júlio Florêncio Cotázar é um dos maiores mitos da literatura moderna. Nasceu na Bélgica, em 1914. Aos nove anos escreveu seu primeiro livro mas a família desconfiou da autoria. Em 1984, morre devido a complicações da leucemia, é enterrado na França.
A sua literatura fez sucesso com Jogo de Amarelinhas, um dos maiores clássicos do século 20.
O autor criticava o governo de Perón, tomando-o como opressor, repressivo e a todo tipo de ditadura latino americanas.
Em a Casa tomada conta a história de dois irmãos (Irene e o narrador) moravam em uma casa na cidade de Buenos Aires.
A casa era grande (poderiam morar mais de 8 pessoas tranquilamente), antiga e nela haviam muitas recordações dos seus antepassados.
Os irmãos moravam sozinhos e tinham mais ou menos 40 anos. Nunca casaram e se bastavam assim. Também, não trabalhavam porque possuíam renda dos campos.
Irene era uma mulher comum que passava os dias tricotando e desfazendo seu tricô.
O irmão passava lendo literatura francesa e aos sábados, ia ao centro comprar lãs para a irmã e olhar as livrarias, embora houvessem dificuldades para encontrar livros franceses porque não chegavam a Argentina desde 1939.
No living da casa havia uma porta que ao ser fechada separava a casa da parte mais afastada, dando a impressão de ser um apartamento.
Um dia, à noite, ouviram sons vindos da parte mais afastada da casa, então, trancaram a porta que ia para esta ala. Parte da casa havia sido tomada.
Nos primeiros dias foi difícil para eles porque deixaram muitas coisas no lado tomado, no entanto habituaram-se. A limpeza que antes era demorada, tornou-se rápida. Pois, Buenos Aires é uma cidade limpa por causa dos habitantes porque a poeira no ar da cidade. Irene passou a ter mais tempo livre para tricotar e o irmão continuou desorientado pela falta de seus livros.
Com o passar dos dias, falavam alto no banheiro, na cozinha, e Irene, chagava a cantar. Do quarto em que dormia o irmão, ele ouvia os sons da casa e a voz de Irene falando enquanto dormia.
Certo dia, o irmão escutou sons na parte da casa onde moravam. Percebendo que está parte da casa também havia sido tomada, pegou o braço da irmã e saiu com ela para fora da casa, fechando a porta com a chave e jogando-a em um bueiro, pois assim, ninguém poderia roubar a casa
Para mim, concordo com a autora no que se refere que a linguística não pode deter-se só a estruturas da linguagem, pois considerando a língua viva é necessário ir além. Precisa-se considerar o universo que permeia a língua. O sujeito precisa ser considerado junto com o meio em que está inserido. Mas quanto a análise do discurso ainda é cedo para me posicionar devido ao conhecimento ínfimo que possuo hoje.

BIBLIOGRAFIA
PARRA, Aline Soler. OS LIMITES DA SEMÂNTICA E DA PRAGMÁTICA. http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/l00003.htm. Acessado em: 08/11/2006.



segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Anel?



O que é um anel?
Será um anel um elo?
Se é um elo, elo do quê e porquê?
Um anel não é simplesmente, se é que é simples, um arco usado nos dedos?
Ou o anel é convencionado como elo por corações apaixonados?
Ou ainda, é convencionado pela sociedade como um enlace interminável?
Existe realmente algo que importa no uso do anel? Ou melhor, o anel importa por ter um valor econômico, ou importa por ter valor social, ou ainda sentimental pra quem o usa?

Não sei ao certo sua importância ou se algum significado realmente exista. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Mulher sozinha e homens





Quando se vive sozinha com uma filha, mesmo nos dias de hoje, é uma situação muito difícil a relação com os homens. E olha, que não sou nenhuma deusa da beleza ou faço o estereótipo de mulher fatal.
Muitos homens, a grande maioria, se aproximam querendo nos fazer companhia sexual. Dificilmente, procuram uma amizade ou uma relação mais envolvente do que uma simples “transa”.
É lastimável a situação porque se você “abre as pernas” é puta, se “não abre” é frustrada. Grande erro daqueles que assim pensam.
Nos meus 15 anos separada, afirmo, a maioria dos homens são maravilhosos quando lhes somos úteis; egoístas quando não lhes satisfazemos e cruéis quando desprezados.
Agora, desculpe as mulheres também, pois agimos como homens muitas vezes também.
Preciso ressaltar que uma simples transa, em contrapartida, quase nunca estamos a procura.
Bom, o que quero dizer com tudo isso? Que em algum lugar há alguém que vale a pena entrar em minha vida. Só não sei ainda onde, nem tenho pressa a descobrir.
Enquanto isso, preservo os poucos amigos homens que tenho e realmente só na minha pessoa, amizade, se interessam. E para estes, dou todo o meu respeito, amizade e considerações.


Trabalho de cada dia




Era uma manhã daquelas: inverno chuvoso e frio. Meu sono era profundo e o corpo mantinha uma “lombeira” que me impedia de me movimentar ou abrir os olhos.
O miado insistentemente se fazia baixinho ao lado de meu rosto.
Minha gata incansável ao lado de meu gosto repetia: - Miau, Miau!
Irrita-me demasiadamente e não consigo me conter:
- Droga! São 6h da manhã. Não dá prá deixar-me em paz? Preciso dormir mais um pouco. – resmungo inconsolada.
Desisto ao sentir sua língua molhada roçando na ponta do meu nariz.
- Tá bom Kiara, vamos lá!
E assim começou o dia, com a minha gata Kiara correndo para cozinha e parando ao lado do potinho à espera que eu colocasse a sua ração. E, o Gordo, gato que faz jus ao nome, antes mesmo que terminasse de serviu aparece também. Este gato esfomeado veio correndo ao escutar o som da ração caindo dentro do pote.
Nesse processo de ouvir o miado, levantar da cama quentinha e ir até à cozinha, o sono que tinha se foi. Foi para onde? Não sei!
Passo para etapa seguinte da manhã. Vou até o banheiro faço minha higiene pessoal reclamando da água gelada no rosto. Volto para cozinha e preparo o café da manhã.

Cabe dizer, que desde o momento que acordei, meu cérebro está trabalhando contra o tempo e elaborando como realizar todas as tarefas em tempo tão restrito, com um elevado número de coisas que foram programadas ontem.

Café pronto!

Acordo minha filha. Abraço. Beijo. Coloco a bandeja de café da manhã na cama. Essa é uma tarefa que gosto. Normalmente, na bandeja há duas xícaras coloridas com suco, um sanduíche para cada uma e/ou um pedaço de bolo.

Que momentos gostosos são estes minutos juntas! Mas, como tudo que é bom acaba rápido, observo no relógio do celular. Já passam das 7:30 e tenho de me apressar.

Arrumo-me e saio caminhando na rua onde moro no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, até a parada de ônibus próxima do Ginásio Tesourinha. Aliás, a rua onde moro, tem pessoas que conhecemos a mais de 30 anos. Srs e Sras muito simpáticas. A grande maioria judeus dos quais gosto muito, pois fizeram parte de toda a minha infância, adolescência, e agora, fazem parte também da vida de minha filha. O que torna muito bom morar aqui. Parecemos uma grande família.

Para onde estou indo? Trabalhar com remuneração financeira!

Caro leitor, já parou para pensar no verbo trabalhar e seu emprego? Trabalhar, é um interessante verbo. Algumas vezes é mal empregado. Você deve ter estranhado, quando disse trabalhar com remuneração financeira. Mas é isso mesmo. Pois a ação de trabalhar é constante. Quem disse por exemplo, que dona de casa não trabalha? Veja bem. Acorda cedo. Lava. Passa. Cozinha. Limpa. Dá a atenção aos filhos, aos animais de estimação e se tiver marido ou namorado, também estes são lembrados e atendidos. Quando sobra tempo, se é que sobra, a dona de casa cuida de si. Isso que é trabalho duro!

Bom, continuemos nosso dia.

Enfim, chego ao ponto de ônibus e lá vem ele. Estendo o braço. Ele pára e eu entro.

Bom dia! – digo ao motorista, já velho conhecido, embora nunca tenhamos conversado.

Bom dia! – responde.

Lá vamos nós.

Mais 20 minutos de devaneios. Só que neste momento sentada numa cadeirinha. Meus pensamentos são desencontrados e sem continuidade, pois cada parada do ônibus, observo tudo e todos.

Você, sabe como é! A violência está cada vez maior. Sempre há quem atira pedras neste ônibus. Isso já é outra história, que uma hora conto.

Quando chegamos no ponto final, vou para empresa. Entro na minha sala e de mais 200 pessoas. Sento na minha PA. Ah! Desculpe. Usei um termo técnico e pouco conhecido. PA é posição de atendimento, ou seja, local onde o operador de atendimento telefônico realiza sua função. Neste caso, função em uma central de chamadas telefônicas (call center).

Este local tem um computador, uma cadeira, uma mesa, papel, caneta e obviamente, fones de ouvido onde o operador de call center atende as ligações.

Como você deve ter percebido, sou operadora de call center.

Já nos dois primeiros minutos atendo a uma ligação. Quase ninguém liga para uma central de chamadas para elogiar, então vem a primeira reclamação.

O grande segredo desta profissão é ser disciplinado, bom ouvinte e não passar nenhum tipo de sentimento negativo ao cliente. Nossa! Não sou mais eu, pois falo pelos cotovelos.

A empresa passa a falar com o cliente através de mim e como dizem: “o cliente tem sempre a razão e quando não tem, é porque você não entendeu direito, e ele tem!”

Escuto, analiso, digito palavra por palavra e dou-lhe uma resposta a solicitação.

E, assim se processam as demais chamadas recebidas que ora são reclamações, ora são dúvidas e muito, muito raramente mesmo, elogios.

Já passaram as 6 horas e 15 minutos na empresa e devo ir embora. Então, vou para o próximo trabalho.

Chego à faculdade e o trabalho mental continua.

No entanto, está direcionado a assuntos de meu interesse intelectual. Graças a Deus!!!

Quando vai se aproximando às 22:40 o corpo já não aguenta mais. A mente já está cansada mas não tenho como parar.

Saio da aula. Vou para casa.

Ao chegar, os trabalhos em casa continuam. A filha tem prova e precisa de ajuda. Na mesa começamos a estudar, enquanto no fogão, o jantar é aquecido e a máquina de lavar lava as roupas do dia.

Após, jantarmos, lavarmos a louça, estendermos as roupas no varal, organizarmos os materiais da escola e faculdade, planejamos o dia de amanhã. Nessas alturas do campeonato, já são 1:30 da manhã.

Um beijo de boa noite. Cada uma vai para sua cama.
Estou exausta! No entanto, muito feliz, pois se o trabalho dignifica o homem, eis que estou a caminho. Enfim, durmo! Daqui a algumas horas, mais um trabalho de cada dia.


Volte sempre!

Volte sempre!

Pesquisar este blog

Minha estante de livros!