Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Trupe ‘Doutores de Esperança’ leva alegria a pacientes do Sul do Rio .



Leia o texto para responder as questões.



1 O Dia Mundial da Saúde é comemorado nesta terça-feira (7). Para celebrar a data, o G1 acompanhou o trabalho de um grupo do Sul do Rio que, voluntariamente, dedica parte do tempo para levar alegria à pacientes de hospitais da região. É a trupe Doutores de Esperança. Vestidos com jaleco e fantasiados de palhaços, eles percorrem as unidades de saúde há cerca de dois anos.
2  “Para entrar no grupo, os voluntários passam por uma espécie de treinamento para estarem aptos às intervenções nos hospitais. Todos os doutores fazem oficinas de palhaçaria e curso de interpretação. Temos também voluntários que fazem a interseção — orações depois que a gente realiza as brincadeiras”, explicou o músico e um dos mentores do projeto, Leandro Santos, ressaltando que atualmente 60 pessoas estão envolvidas no projeto.
 3 Conhecido com Dr. Petit Poá, Leandro reforça que o principal objetivo do grupo é dar uma injeção de alegria aos pacientes. “Quando estamos vestidos com o personagem, somos os médicos da alegria. Sabemos que o paciente está doente, mas a gente brinca com a parte boa dele. Fazemos com que ele esqueça um pouco do problema e só lembre de coisas boas”, disse.
4  Internado há quase dois meses no Hospital Municipal Prefeito Aurelino Gonçalves Barbosa de Pinheiral, o aposentado Jorge Teixeira da Silva ficou surpreso com a visita. Segundo ele, apesar das dores físicas, a atitude do grupo fez renascer uma vontade maior de viver.
 [...]
Cada visita uma nova história.
5 Os doutores palhaços, chamados de besteirologistas, não fazem simples visitas, mas intervenções, segundo a voluntária Cristiane Ribeiro, conhecida como a palhaça Drª Krika Risadinha.
6 “Chegamos, brincamos de examinar... Mas nosso principal objetivo é levar momentos de descontração para os internados. Queremos que eles esqueçam um pouquinho daquele momento difícil para sorrir, pensar que podem seguir em frente”, explicou.
7 Segundo ela, a cada visita o grupo sai renovado, com uma história boa para contar.“Esse projeto também faz bem para a gente. Não somos profissionais da saúde, mas levamos alegria para as pessoas. Às vezes a gente acha que está indo até o hospital levar um pouco de ânimo para os pacientes, mas no final somos nós que saímos renovados”, acrescentou.
8  Além do hospital de Pinheiral, a trupe dos Doutores de Esperança também faz plantão periódico no Hospital Vita em Volta Redonda, no Hospital Santa Maria e na Santa Casa de Barra Mansa .
https://www..globo sul-do-rio-costa-verde%2Fnoticia%2F2015%2F04%2F+trupe-doutores-de-esperanca-leva-alegria-pacientes)


1) Releia o lide da reportagem e sublinhe os segmentos de frase que respondem à pergunta:
 a) quem? — com linha dupla;
 b) o quê? — com linha simples
 c) quando? — Com linha tracejada

2) Releia os segmentos de frase que você sublinhou com linha simples
 a) qual fato é uma ação pontual e qual é uma ação frequente?
b) qual desses segmentos tem uma função descritiva, embora se refira a uma ação?

3) Na transcrição foram retirados os dois subtítulos (olhos) que a reportagem possuía.
 a) Crie um subtítulo (olho) que ressalte uma informação contida no segundo parágrafo do texto.
 b)Crie um subtítulo a partir do depoimento de Jorge Teixeira da Silva .

domingo, 11 de setembro de 2016

Redação

Leia com atenção!
“A notícia é composta de duas partes: a manchete e o texto.

Manchete: resume a notícia em poucas linhas (2 a 3) e tem o objetivo de atrair o leitor para ler o texto.

Texto: os fatos narrados do acontecimento em questão.”


Observe as imagens a abaixo. Escolha uma delas e escreva uma notícia, de acordo com os critérios estudados em sala de aula. Se quiser escolher outra, acesse o site: http://noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2013/08/07/imagens-do-dia---7-de-agosto-de-2013.htm?abrefoto=14, há imagens fantásticas. Não esqueça! Seu texto deverá responder às questões: Quem? Onde? O que? Como? Quando? Por quê?
Seu texto deverá ser feito em folha separada.




Imagens: WWW.uol.com.br. Acesso em 07.08.13

sábado, 10 de setembro de 2016

REDAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Leia com atenção e responda as questões abaixo

Coisas que pegamos no quintal…
DE MARICÁ PARA MARICOLÁ

Bruxa bonita não tem vez!
Vejam vocês que Maricolá se jogou no mar porque suas irmãs, Maricá, e Marilá, a transformaram numa pessoa horrorosa. Ela estava pensando como recuperar sua vassoura para se locomover com mais facilidade, no fundo do mar ou quem sabe, até, voltar para o penhasco, quando...
Nesse instante bateram na porta. Marcelina, a sereia-secretária, veio nadando apressadinha, murmurou um “com licença” e foi atender.
Era o Peixe-Serra, o correio do fundo do mar, trazendo uma carta presa ao serrote.
- Diga pra dona da casa botar luz na entrada da gruta. Custei pra achar o número e isso não está certo! – queixou-se ele.
- Deve ter acontecido alguma coisa com os peixes de iluminação. Mas também, por que não trabalha de dia? São horas de entregar cartas?
- Aí no envelope está escrito “urgente”, o que quer dizer “o mais depressa possível”. Pode ser até uma questão de vida ou morte. Ande, menina! Corra pra dentro e entregue a carta. Se tiver resposta eu levo.
Marcelina obedeceu resmungando:
- Não é urgente coisa nenhuma! Está amarrada com uma pedrinha e isso quer dizer que é mais uma carta cheia de desaforos das bruxas do alto do penhasco. Dona Guiomar vai ler e jogar no lixo.
Mas depois viu que a carta estava endereçada a Maricolá. Estava escrito no envelope:

Exma. Srta.
Maricolá Alvissareira da Penha
Aos cuidados da Dona Guiomar Marazul
Alameda das Esponjas Vermelhas nº 25
URGENTE

- Aquela bruxa esquisita mal chegou e já está recebendo cartas, e ainda por cima, carta urgente – pensou Marcelina desconfiada. Entregou a carta a Maricolá e ficou parada diante dela olhando-a com grande curiosidade.
Era uma carta de Maricá. A bruxinha leu e fez a cara mais espantada do mundo. Nunca pensou que a irmã pudesse escrever uma coisa assim tão carinhosa. A carta dizia:
“Querida Franguinha Gorducha, como vai? Não se resfriou ainda na água fria? Estamos muito preocupadas e achamos que está na hora de você voltar. Sabe que se ficar mais tempo pode virar um marisco, um tubarão ou uma água-viva! Estamos mais do que preocupadas, estamos APAVORADAS.
Por favor, irmãzinha, pegue lápis e papel e escreva à sua vassoura, pedindo para ela ir buscar você. E depressa ouviu? A carta tem que ser enviada para a Praia do Mar-Virado. Eu e a Marilá vamos passar a noite lá, esperando.
Sete beijinhos para você.”
E depois vinha a assinatura:
“Maricá”
Maria Heloisa Penteado (Adaptado de Maricá, Marilá e Maricolá.







Questão 01- Procure no texto as palavras que significam:
a) mais que preocupadas                            b) morro alto de pedra
c) o mais depressa possível                        d) carta destinada a Maricolá

Questão 02 – Responda as questões, de acordo com o texto:
a) Por que o Peixe-Serra pediu para botar luz na entrada da gruta?
b) Que motivo levou o Peixe- Serra a não esperar o dia para entregar a carta?
c) O que fez Marcelina pensar que a carta havia vindo do penhasco?
d) Por que Maricolá ficou espantada ao perceber que a carta era carinhosa e vinda de Maricá?

QUESTÃO 03 – Responda
a) Por que o texto se chama “De Maricá para Maricolá”?
b) Que outro título você daria para esse texto? Justifique sua resposta.

QUESTÃO 04 – Leia os fatos e complete com as causas que levaram cada um a acontecer.
b) Maricolá se jogou no mar.
Causa –
b) Maricá enviou uma carta a Maricolá.
Causa –

QUESTÃO 05 – A saudação da carta é “Querida Franguinha Gorducha...”
a) Por que será que Maricá saudou Maricolá dessa forma?
b) O que você pensa que Maricolá achou desse fato? Justifique sua resposta.

II – Faça uma redação como se você fosse uma bruxa ou um bruxo e estivesse em uma cidade longe da sua. Como suas poções mágicas terminaram e você precisa mais, você escreverá uma carta para alguém que possa lhe enviar novas poções. Você deve justificar a está pessoa do porquê precisa que seja enviado urgentemente. Sua missão no mundo é melhorar a vida das pessoas. (sua redação precisa ter mais de 20 linhas)

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

“NO TEMPO DAS CAVERNAS”


___ Nas escavações feitas em muitos lugares, continuou Dona Benta, acharam-se pontas de flechas e de lanças e também machados. (Pedrinho piscou para o Visconde.) Não de ferro, como os de hoje, mas de pedra. Poderiam esses objetos provar a existência , naqueles tempos, de leões,jacarés ou de avestruzes?
___ Não, vovó ___ gritaram os dois meninos. Só podiam provar a existência de homens, porque só os homens usam tais objetos.
___ Muito bem ___ aprovou dona Benta. E o fato desse objetos serem de pedra prova que o ferro ainda não se achava descoberto. E o fato de estarem enterrados muito fundo, com espessíssimas e velhíssimas camadas de terra em cima, prova que isso foi muitos anos séculos antes da descoberta do ferro. Também foram encontrados ossos de homens dessa era, os quais morreram milhares de anos antes que a humanidade principiasse a ter história. Guiados por tudo isso, nós hoje sabemos que  vida levavam esses nossos antepassados da Idade da Pedra, como dizem os sábios.
Eram puros animais selvagens, dos mais ferozes e brutos. Diferença única: andavam sobre dois pés. Fora daí, pelados como os lobos e cruéis como todas as feras. Não dormiam em casas. Quando a noite vinha, o chão lhes servia de cama. Mais tarde o frio os obrigou a morarem em cavernas de pedra, onde estavam mais abrigados dos rigores do tempo e da sanha dos outros animais. Homens, mulheres e crianças eram, pois, simples bichos de caverna.
Passavam o tempo caçando viventes mais fracos ou fugindo de outros mais fortes. Na caça usavam o mundéu, isto é, um buraco feito no chão, disfarçados com galhos secos, folhas e terra em cima. Ou então empregavam flechas de ponta de pedra e machados também de pedra. Em certas cavernas por eles habitadas foram encontrados desenhos de animais que costumavam caçar, desenhos feitos na pedra.
___ Com que lápis, vovó? ___ perguntou Narizinho.
___ Tais desenhos eram evidentemente feitos com pontas de pedras lascadas. Por mais que a gente dê tratos à bola não consegue descobrir outro lápis possível em tal época. Esses homens alimentavam-se do que podiam apanhar ___ de caça, de castanhas, de mel, de frutas, de ovos furtados aos ninhos. E tudo comiam cru, pois o fogo ainda não fora descoberto. Deviam ser de uma ferocidade sem- par.
___ E que língua falavam, vovó? ___ perguntou Pedrinho.
___ Expressavam-se por meio de grunhidos. No entanto, foi desses bárbaros grunhidos que provieram todas as línguas modernas. Como roupas usavam sobre o corpo a pele dos animais caçados ___ não peles curtidas e macias como as que temos hoje, mas cruas e com mau cheiro. Horríveis e desagradabilíssimos esses nossos antepassados! O meio de conseguir mulher não era namorar uma rapariga e pedi-la em casamento. Nada disso. O pretendente marcava na caverna próxima uma que lhe agradasse e de repente entrava lá de cacete em punho, amassava a cabeça da menina, ou dos pais, caso a defendessem, e a levava sem sentidos, arrastada pelos cabelos. Uma pura caçada.
Eram homens de luta permanente. Atacar, roubar, matar o mais fraco, bem como fugir do mais forte,constitui a regra de vida que vem da primeira lei da natureza: ___ cada qual por si. Ou mata ou é matado; ou rouba ou é roubado. Nós somos descendentes dessas bárbaras criaturas e por isso temos no sangue muita de sua selvageria. Apesar da educação que o progresso geral trouxe, inúmeros homens hoje ainda agem como os da Idade da Pedra. Por isso é que existem tantas cadeias e forcas e cadeiras elétricas.
___ Você queria ser nascida na Idade da Pedra, Emília? ___ perguntou Narizinho à boneca.
___ Queria, sim, só para ter o gosto de ver uma noiva arrastada pelos cabelos.
___ Boba! Não valia a pena. Uma menina daquele tempo não tinha banheiro para tomar banho de manhã, não tinha escova para escovar os dentes, nem pente para pentear os cabelos. Um horror de vida...
___ Além disso ___ continuou Dona Benta ___, por falta de talheres tinha de comer com os dedos numa grande e feia panela de barro, única para toda a caverna. Nada de cadeiras e camas ou redes. Para sentar e dormir, chão duro. Nada de livros, lápis e papel para escrever. Os dias sempre iguais e completamente vazios. Uma menina como você teria de passar as horas brincando com os irmãos de fazer pelotas de barro, ou coisa semelhante. As cavernas eram escuríssimas e úmidas, cheias de morcegos e aranhas. Vestuário, quando havia, era a pele de uma onça morta pelo pai ___ pele que só abrigava parte do corpo. Nos dias de inverno, como não houvesse fogo, era aguentar-se encolhidinha dentro de tal pele. E comida, então? Algumas frutas do mato e um naco de carne crua, isso para o almoço. Para o jantar, a mesma coisa. Amanhã, depois de amanhã e sempre ___ a mesma coisa, a mesma coisa! Nada que fazer durante o dia senão estar permanentemente de guarda contra os tigres e ursos. Não havendo portas nem cercas, os tigres perseguiam os homens até o fundo da caverna. Que tal essa vida, Emília? Ainda desejava ter nascido na Idade da Pedra?
                           ( Monteiro Lobato)
VOCABULÁRIO: NACO- pedaço  /    SANHA- ira, fúria    /   PROVIR- ter origem,proceder

1- Observe: “... pois que o fogo não fora descoberto.”, nessa frase, fogo está em seu sentido próprio. Assinale as frases em que essa palavra foi usada em sentido figurado.
a- (  ) O fogo de seus olhos inspira-me versos de amor.  
b- (  ) O fogo destruiu toda a fábrica.                
c- (  ) O fogo da juventude permanece em meu coração.
d- (  ) Quem bebe, fica de fogo.
e- (  ) Estou fervendo o leite em fogo brando.
2- Nas escavações feitas em muitos lugares foram encontrados pontas de flechas e de lanças e machados de pedra. O que isso prova? Por quê?
3- Escreva duas evidências de que o ferro ainda não fora descoberto.
1ª evidência:___________________________________________
2ª evidência:___________________________________________
4- Em que época esses homens morreram?___________________________
5- Falando da forma de vida de nossos antepassados, que comparações Dona Benta faz? Responda com a frase do texto.
6- No final do 4º parágrafo, a que conclusão Dona Benta chega a respeito de nossos antepassados?
7- Através de qual registro ficamos sabendo que tipos de bichos os homens das cavernas caçavam?
8- Leia as frases e escreva nos parênteses se elas expressam:
F- um fato (aquilo que realmente aconteceu)
O- uma opinião (modo de ver do narrador)
(   ) “Passavam o tempo caçando viventes mais fracos...)
(   ) “Deviam ser de uma ferocidade sem-par.”
(   ) “... o fogo ainda não fora descoberto.”
(   ) “... inúmeros homens hoje ainda agem como os da Idade da Pedra.”
9- Levantam-se hipóteses acerca da origem das línguas. Que hipótese Dona Benta levantou?
10- Por que Emília gostaria de ter nascido na Idade da Pedra?
11- Separe o sujeito e o predicado das frases abaixo, classifique-os e aponte o núcleo dos mesmos..
A-“... gritaram os dois meninos.”         B-“ As cavernas eram escuríssimas e úmidas....

Redação

Produção textual
Leia atentamente o fragmento do texto e dê uma continuidade a ele.
Você deverá dar ênfase ao clímax e ao desfecho.
Poderá colocar mais personagens, criar o ambiente,dar falas aos personagens, ou seja, poderá usar a criatividade e desenvolver um texto interessante. Use linguagem formal e não rasure!! Em folha separada
Bom trabalho!!!

Primeira aventura de Alexandre

Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras. Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal, agachava-se na esteira cochichando com Cesária.
– Vou contar aos senhores… principiou Alexandre, amarrando o cigarro de palha.
Os amigos abriram os ouvidos e Das Dores interrompeu o cochicho:
– Conte, meu padrinho.
Alexandre acendeu o cigarro ao candeeiro de folha, escanchou-se na rede e perguntou:
– Os senhores já sabem por que é que eu tenho um olho torto?
Mestre Gaudêncio respondeu que não sabia e acomodou-se num cepo que servia de cadeira.
– Pois eu digo, continuou Alexandre. Mas talvez nem possa escorrer tudo hoje, porque essa história nasce de outra,
Então , tudo começou....

Primeira aventura de Alexandre

Leia atentamente o fragmento do texto e dê uma continuidade a ele.
Você deverá dar ênfase ao clímax e ao desfecho.
Poderá colocar mais personagens, criar o ambiente,dar falas aos personagens, ou seja, poderá usar a criatividade e desenvolver um texto interessante. Use linguagem formal e não rasure!! Em folha separada
Bom trabalho!!!



Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra mordedura de cobras. Das Dores, benzedeira de quebranto e afilhada do casal, agachava-se na esteira cochichando com Cesária.
– Vou contar aos senhores… principiou Alexandre, amarrando o cigarro de palha.
Os amigos abriram os ouvidos e Das Dores interrompeu o cochicho:
– Conte, meu padrinho.
Alexandre acendeu o cigarro ao candeeiro de folha, escanchou-se na rede e perguntou:
– Os senhores já sabem por que é que eu tenho um olho torto?
Mestre Gaudêncio respondeu que não sabia e acomodou-se num cepo que servia de cadeira.
– Pois eu digo, continuou Alexandre. Mas talvez nem possa escorrer tudo hoje, porque essa história nasce de outra,
Então , tudo começou....

TENTAÇÃO


   Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
   Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
   Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
   Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
   A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
   Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
   Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
   No meio de tanta vaga  impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
   Mas ambos eram comprometidos.
   Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
   A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-la dobrar a outra esquina.

   Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

Conto extraído de LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.
Após ler o texto, responda:
1 Quem são as personagens principais? O que elas têm em comum?
2. O que a menina fazia sentada na porta de casa, às duas horas da tarde?
3. Onde se passa a história? Retire do texto uma frase que apresenta uma característica marcante do cenário.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Pirata do Mar, Corsário do Rei

Leia-o para responder às questões em seu caderno.
 Pirata do Mar, Corsário do Rei
 Quando a gente ouve falar em piratas e corsários, logo vem à lembrança a bandeira da caveira com fundo preto e o personagem do Capitão Gancho, da história do Peter Pan. São imagens do mundo da fantasia que têm uma relação com uma época em que o corsário e o pirata eram figuras de destaque. Na verdade, a pirataria é tão antiga quanto a capacidade humana de navegar!
 1 Na Antiguidade, os gregos já enfrentavam problemas com os ataques de piratas e corsários. O mar Mediterrâneo era importante para o contato entre os povos daquele tempo. Através desse mar faziam-se trocas de vários tipos. Os navios que singravam o Mediterrâneo, na maior parte das vezes tinham uma única vela central: triangular, entre os romanos, e quadrada, entre os fenícios.
 2 Durante os conflitos militares, essas embarcações serviam para o transporte de guerreiros e armamentos. E aí as coisas se confundiam: enquanto se faziam trocas culturais e comerciais, dominava-se militarmente as regiões exploradas.
3 Os gregos chamavam habitualmente os fenícios e os cretenses de piratas. Isso quer dizer que, naquela época, eram piratas todos os povos rivais dos gregos que habitavam as regiões costeiras. Esses navegantes eram apoiados e sustentados por suas comunidades de origem e promoviam as disputas pelas rotas mediterrâneas.
4 Na Europa da Idade Média, depois dos séculos VIII e IX, a pirataria confundia-se com a rivalidade religiosa entre os cristãos e os muçulmanos. Os inimigos dos europeus católicos eram sobretudo os berberes, árabes da África no Norte. Eles dominaram a navegação no mar Mediterrâneo, atacando sucessivamente o sul da Europa, em particular a Itália. Chegaram a construir fortificações e portos, que serviam de ponto de apoio para as ações comerciais e militares. Tudo indica que nesse período da história europeia falava-se mais em corsários e em corso.
 5 Assim, a palavra pirata era usada pelos gregos e romanos antigos, enquanto a expressão corsário vem do italiano. A diferença entre as palavras revela uma outra distinção: a pirataria era uma atividade ilegal, era o “roubo” e aplicava-se ao “ladrão do mar”. Já o corsá- rio e o corso cumpriam um serviço oficial, autorizado; o corsário estava a serviço do governo. Por isso, o pirata era uma ameaça e um inimigo da sociedade, enquanto o corsário era um servidor do rei, um defensor da ordem.
6 Os corsários eram, por isso mesmo, incentivados e financiados por um rei que assegurava as forças navais. Naquele tempo não havia marinha como hoje. Por isso, os marujos eram recrutados nos portos, trabalhando em troca de um salário e em troca de uma parte do saque aos inimigos. Uma empresa de corsários contava com uma frota de navios, em geral composta de dois a quatro barcos, como os galeões, abastecidos de armas, como canhões e munição de pólvora. A tripulação era organizada de modo militar, com uma rígida distribuição de tarefas, com oficiais e subordinados.
7 Já os piratas, na maior parte das vezes, só contavam com o apoio pessoal. Por isso, tinham uma organização com maior igualdade de obrigações e direitos, assim como de ganhos. Também havia casos de capitães que conseguiam ser tão bem-sucedidos que armavam uma nau por conta própria e contratavam serviços de marinheiros. Eram grandes empresários ilegais. De qualquer maneira, para os inimigos dos corsários, para os que sofriam seus ataques, todos eram piratas.
8 Seria na América, sobretudo entre os séculos XVI e XIX que os piratas e os corsá- rios iriam ganhar a fama que têm até hoje. Eles saqueavam em toda a parte do continente americano, inclusive no Brasil. Mas foi especialmente no Caribe e nas Antilhas, na região do Golfo do México, na América Central, que eles iriam atuar. Essa era uma região de disputa de território entre espanhóis, ingleses, franceses e holandeses. Essas nações procuravam controlar territórios e mares, de maneira a aumentar o domínio colonial.
9 Ali encontravam-se verdadeiros “ladrões do mar”, ao lado de “corsários do rei”, circulando entre as inúmeras baías e ilhas da área, que favoreciam o esconderijo e a ação disfarçada de contrabando e roubo.
 10 As disputas entre as coroas europeias fizeram com que certos piratas ganhassem “cartas de marca”, a autorização para agir em nome do rei, o que os transformava em corsários. No Caribe e nas Antilhas, esses piratas transformados em corsários iriam receber o nome de flibusteiros — no caso de franceses e holandeses — e bucaneiros — no caso de ingleses. Muitos ficaram famosos como Francis Drake, o Capitão Kid e o Barba-Negra, todos ingleses, e o francês Jean Lafitte.
 11 A atividade de corso e piratas sempre esteve associada à navegação e ao comércio praticado em portos e cidades costeiras. Para manter as aparências e assegurar a proteção, os pontos de apoio e de esconderijo dos piratas ficavam nas pequenas baías ou bocas de rios, nas proximidades dos mercados e portos das cidades.
Questões:
1)Os historiadores costumam dividir a História Ocidental em quatro grandes períodos: Antiguidade (até o século V d.C). — Idade Média (do século V ao século XV) — Idade Moderna (do século XVI ao XVIII) — Idade Contemporânea (do século XVIII até hoje).
 a) A que povos ou civilizações da Antiguidade o texto se refere?
b) Em que mar se desenvolveu a pirataria na Antiguidade e na Idade Média?
 c) Com a colonização das Américas a partir do século XVI, as rotas comerciais se expandem e, por isso, a pirataria se desloca para outros mares. Em qual oceano se concentram as principais atividades dos piratas e corsários nessa época?
2) Quem eram os piratas para os gregos?
3) Qual a diferença entre piratas e corsários?


Poesia e Interpretação

Pois é
Falaram tanto que desta vez
A morena foi embora
Disseram que era maioral
E eu é que não quis acreditar
Endeusaram a morena tanto tanto
Que ela resolveu me abandonar
A maldade dessa gente é uma arte
Tanto fizeram que houve a separação.
Mulher a gente encontra em toda parte
Mas não se encontra a mulher
Que a gente tem no coração.                                            (CD Leva meu samba. Som Livre- autor: Ataulfo Alves)

1) Como você sabe, a voz que fala nos versos de um poema ou de uma canção é o eu lírico. Nessa canção, o eu lírico se sente vítima do diz-que-mediz de alguém.
a) O que devem ter dito à morena?
b) Levante hipóteses: O que devem ter falado à morena sobre o eu lírico?
c) Que expressão, empregada na 2ª estrofe, revela a opinião do eu lírico de que sua separação foi resultado do mau-caratismo de alguém?

Realidade
Existe, sim,menina,
Tudo: disco-voador,
Oitavo sentido, utopia,
Pedra filosofal,
Feng Shui, astrologia,
Cromoterapia, bobagens
Que surgem do nada.
Mas existirá
Coração em cada corpo?
Sim, não, n.d.a?                                      (Ulisses Tavares. Diário de uma paixão. São Paulo: Geração Editorial, 2005)
2)No início do poema, o eu lírico afirma que existe tudo. Essa afirmação, no contexto, expressa certeza ou dúvida? Justifique sua resposta com palavras do texto.
3)No final do poema, o eu lírico pergunta: “existirá coração em cada corpo?”.A palavra coração foi empregada com qual sentido?
4)Conclua: Qual é a condição emocional do eu lírico?
5)No  último verso, o eu lírico enumera três opções: sim, não, n.d.a.. O que significa a expressão n.d.a.? Em que contexto ela costume ser empregada?

INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA
A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...
( Mário Quintana. Esconderijos do tempo. São Paulo: Globo.)
Glossário:
Salamandra: tipo de anfíbio que, segundo uma lenda antiga, pode atravessar o fogo sem se queimar.
Toro: tronco de árvore cortada
6)Na primeira estrofe do poema, Mário Quintana usa uma metáfora para definir a vida.
a)Qual é essa metáfora?
7)Proponha outra metáfora para conceituar a vida e explique como criou essa metáfora.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Redação

 “Como as plantas a amizade não deve ser muito nem pouco regada.”
Carlos Drummond de Andrade
Leia o poema abaixo para fazer sua produção textual. Observe que há personagens , os quais têm desencontros amorosos. Porém, você escreverá sobre os personagens: Lili e J. Pinto Fernandes. Acrescente características, diálogos, espaço, poderá ser linear o alinear. O texto será em prosa, a linguagem deverá ser a padrão.
Coloque um título interessante e utilize, no mínimo, 25 e máximo  35 linhas para seu texto. Bom trabalho.

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/Mzk0MDY/


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