Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

No limiar do labirinto

RESOLVER OS EXERCÍCIOS NO CADERNO.
NÃO HÁ NECESSIDADE DE SE COPIAR OS TEXTOS NO CADERNO.


 Quando lhe sugeriram que escrevesse a história de um personagem imaginário que, descontente consigo mesmo, se perguntava afinal que tipo de pessoa gostaria de ser, ele sentou-se junto à mesa de trabalho e deparou com um fato inesperado: pela primeira vez não conseguiu vencer um desafio daquele tipo que certos amigos, não raro, costumavam propor-lhe. Não conseguiu, por mais que insistisse, imaginar a história sugerida. Perdeu a conta do número de laudas iniciadas, apenas iniciadas, e logo abandonadas, eliminadas com fúria. Acabava sempre impulsionado a escrever sobre si mesmo, inexoravelmente. A situação de tantos anos finalmente invertia-se. Até então, jamais havia conseguido discorrer sobre suas próprias dúvidas, seus mistérios interiores, seu provável destino. Nunca conseguira, do mesmo modo, discutir qualquer assunto a não ser através dos jogos da imaginação. Sempre julgara superficial tratar dos fatos da vida de maneira como se apresentavam no mundo real, e ainda considerava o símbolo mais profundo que os objetos e fatos visíveis; a metáfora, melhor que a frase comum e cotidiana; o sonho, mais revelador que as observações da vigília; a alusão, mais eficiente que a frase explícita; e assim por diante. Mas esse período fecundo de sua existência exauria-se afinal. No entanto, perseverou. Continuou tentando imaginar o personagem cuja história teria necessariamente que começar com a crucial indagação: Quem eu gostaria de ser? Hoje sabemos (privamos de sua amizade; nós o conhecemos muitíssimo, estamos a par de tudo quanto escreveu e muito do que se escreveu sobre ele); sabemos, pois, que, para enfrentar o último desafio, tentou infrutiferamente lançar mão de todo o arcabouço de seus jogos literários,tão imaginosos, marca inconfundível, complexa teia em que seus personagens fatalmente enredavam-se e percebiam afinal que haviam chegado a um beco sem saída. De todos os jogos lembrados ou imaginados naqueles dias, apenas um não se demonstrou ineficaz, embora tampouco tenha demonstrado sua eficácia. Este amigo com quem hoje tanto nos preocupamos deixou de lado seus projetos literários anteriores e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando a que julga a única maneira possível de vencê-lo: começou por criar um novo personagem, certo escritor, ao qual um amigo de longa data sugere, incidentalmente, em meio a uma festa, que escreva a história de um personagem que, descontente consigo mesmo, pergunta-se afinal que tipo de pessoa gostaria de ser; mas o fato é que também o novo personagem senta-se à mesa de trabalho e não consegue imaginar a história sugerida, e, meses depois de lançado o desafio, continua tentando aquela que julga a única maneira possível de vencê-lo, que é a de criar um personagem, um escritor, ao qual um amigo sugere que escreva a história de um personagem que se pergunta: Se estou tão descontente comigo mesmo, que tipo de pessoa, afinal, eu gostaria de ser?
 (FIORANI, Sílvio. Os estandartes de Átila. São Paulo: Lápis Lazuli; Companhia Editora Nacional, 2011, p. 41.)
Questões- responda em seu caderno
1) O conto “Nunca é tarde, sempre é tarde”, que você leu e estudou em aula, foi escrito pelo mesmo autor, Sílvio Fiorani. Explique a semelhança que existe entre os dois contos.
2)  “Nunca é tarde, sempre é tarde” pertence ao gênero fantástico, pois o leitor não pode decidir se Su é prisioneira do mundo do sonho (acontecimento maravilhoso) ou se ela apenas tem um longo sonho, com grande dificuldade de acordar (acontecimento estranho, mas compatível com a realidade). Explique por que o conto “No limiar do labirinto” não pode ser classificado e explicado da mesma maneira, ou seja, como uma narrativa fantástica

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