Miscelâneas do Eu

Expressar as ideais, registrar os pensamentos, sonhos, devaneios num pequeno e simplório blog desta escritora amadora que vos fala são as formas que encontrei para registrar a existência neste mundo.

Não cabe a mim julgar certo ou errado e sim, escrever o que sinto sobre o que me cerca.

A única coisa que não abro mão é do amor pelos seres humanos e incompreensão diante da capacidade de alguns serem cruéis com sua própria espécie.

Nana Pimentel

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Redação - dissertação

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto II

As reproduções de nós mesmos nos celulares e câmeras digitais - os chamados selfies - parecem querer nos iludir de uma só coisa: somos brilhantes, bonitos e perfeitos. Exatamente por isso é que nos reproduzimos incessantemente nas redes sociais, como se estivéssemos em plena função de trabalho, já que nos divulgar parece ser o ponto principal do momento empobrecedor em que vivemos, no qual as experiências humanas estão limitadas a nossa própria imagem em nosso esplendor.

Egon Vieira, antropólogo

Texto III

Não vejo como negativas as estratégias de autopromoção, pois embutido naquilo que parece ser mero exercício de vaidade pode estar a consciência de que somos capazes de ter elevada autoestima e sentimento de pertencimento a um grupo que, por exemplo, curte nossas fotos nas redes sociais. Negativos são atos de vandalismo, negativo é o preconceito, a exclusão social. Deveríamos estar mais preocupados em não atacar o outro. Enquanto o mal da civilização for tirar fotos de nós mesmos e nos exibir, a humanidade estará a salvo.

Joana Cruso de Alencar, psicóloga

Texto IV

O que a Fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente. [...] Seja o que for o que ela dê a ver e qualquer que seja a maneira, uma foto é sempre invisível: não é ela que vemos.

Roland Barthes, filósofo

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2015 – 2º semestre

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto I

O número de ações trabalhistas ajuizadas por empregados domésticos no Estado de São Paulo cresceu 24,8% no ano passado, em comparação com 2013. Entre os 30 motivos identificados nas demandas judiciais movidas por empregados domésticos, as principais queixas são o reconhecimento de vínculo empregatício, pagamento de verbas rescisórias e pagamento de benefícios como vale-transporte e horas extras.

Adaptado da Folha de S.Paulo, texto de Gilmara Santos, 10/3/2015

Texto II

A trabalhadora doméstica é um problema - qualquer mulher é subjugada no ambiente doméstico, seja pela total responsabilidade com as cansativas e improdutivas atividades do lar, seja pela delegação dessa tarefa a outra mulher, que sob ela e com ela participa da divisão injusta do trabalho patriarcal. Mas nas casas, o que está em cena são questões graves: raça, classe social e gênero. Muitas feministas pertencem à classe social que se utiliza de outra. Porém, as duas participam de uma história de aviltamento. Tanto a dona de casa quanto a empregada participam de um processo histórico de rebaixamento à condição de mulher como escrava do lar.

Márcia Tiburi

Texto III


Texto IV

Essa PEC [Proposta de Emenda à Constituição] das empregadas precisa ser muito discutida; como foi mal concebida, assim será difícil de ser cumprida, e aí todos vão perder. A intenção de dar as melhores condições à profissional faz com que seja quase impossível que o empregador tenha meios de cumprir com as novas leis; afinal, quem vai pagar esse salário é uma pessoa física, não uma empresa.

Danuza Leão

Vestibular Fuvest 2004
Redação
Nos três textos abaixo, manifestam-se diferentes concepções do tempo; o autor de cada um deles expõe uma determinada relação com a passagem do tempo. Leia-os com atenção:
Texto I
Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos (...) Os negócios da humanidade são hoje conduzidos especialmente por tecnocratas, resolvedores de problemas, para quem a história é quase irrelevante; por isso, ela passou a ser mais importante para nosso entendimento do mundo do que anteriormente.
(Eric Hobsbawm, Tempos interessantes: uma vida no século XX)
Texto II
O que existe é o dia-a-dia. Ninguém vai me dizer que o que aconteceu no passado tem alguma coisa a ver com o presente, muito menos com o futuro. Tudo é hoje, tudo é já. Quem não se liga na velocidade moderna, quem não acompanha as mudanças, as descobertas, as conquistas de cada dia, fica parado no tempo, não entende nada do que está acontecendo.
(Herberto Linhares, depoimento)
Texto III
Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
O amor não tem pressa,
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milênios, milênios
 
No ar...
E que sabe, então,
O Rio será
Alguma cidade submersa.
Os escafandristas virão
 
Explorar sua casa,
Seu quarto, suas coisas,
Sua alma, desvãos...
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas, palavras,
Fragmentos de cartas, poemas,
 
Mentiras, retratos,
Vestígios de estranha civilização.
Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
Amores serão sempre amáveis.
Futuros amantes quiçá
Se amarão, sem saber,
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.
(Chico Buarque, "Futuros amantes")
Redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, na qual você apontará, sucintamente, as diferentes concepções do tempo, presentes nos três textos, e argumentará em favor da concepção do tempo com a qual você mais se identifica.
Redação n5 - “O tempo de cada um, cada um a seu tempo”.

Talvez uma das maiores conquistas da humanidade em sua evolução das cavernas à sociedade moderna seja o conceito de tempo. Com a idéia de passagem do tempo, está a idéia de evolução, de mudança, de expectativas que virão, de lembranças do que já veio. A concepção de tempo nos diferencia dos demais elementos da natureza – animais, vegetais, seres inanimados em geral, todos estes vivem em um cotidiano atemporal, perene, interrompido apenas com a morte (para os seres vivos) e a destruição. O homem consciente do tempo é consciente de sua mortalidade, de sua condição efêmera e talvez por isso busque a cada momento modificar o mundo que o rodeia e interagir com seus componentes. Talvez seja o próprio tempo que nos faz verdadeiramente humanos.
Por ser o tempo um conceito humano, tantos existe, quanto os seres que o concebem. Para uns, o tempo é história, aprendizado com as experiências passadas, referencial para nossa compreensão do mundo; o tempo de Hobsmann, crítico analítico, manancial de conhecimento. Para outros, o tempo é o instante, é presente, efêmero, é agora, sem maiores divagações; o tempo de Heriberto, fugaz e irreversível. Alguns, por fim, vêem o tempo com olhos contemplativos, num amanhã sem pressa, por ser inevitável. Tudo chegará um dia, como o amor da canção de Chico Buarque. Nada é para já, e certas coisas serão o que são, não importa em que época. Certas coisas desafiam o próprio tempo.
A verdade talvez resida nos versos do músico. O tempo, surgido para dar um sentido à existência humana, acabou por escravizá-la. O homem moderno é refém do tempo, seja ele passado ou presente. Sem perder tais tempos de vista, poderia ser mais interessante voltar os olhos para o futuro, aguardar sua chegada com calma, dele desfrutar quando tornar-se presente e dele recordar-se quando virar passado. Seria um resgate à serenidade das eras atemporais, sem descuidar do progresso e da necessidade de mudar que a idéia de tempo traz ao homem.
Não se afobe não, que nada é pra já”.


Dissertação é um texto que se caracteriza pela exposição, defesa de uma idéia que será analisada e discutida a partir de um ponto de vista. Para tal defesa o autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, com fatos, com dados, os quais utiliza para reforçar ou justificar o desenvolvimento de suas idéias.
redação dissertativa, devemos distinguir os dois tipos de dissertação existentes: a dissertação expositiva e a dissertação argumentativa.

Dissertação expositiva – como o próprio nome já sugere, é um tipo de texto em que se expõem as idéias ou pontos de vista. O objetivo é fazer com que o leitor os considere coerentes e não fazê-lo concordar com eles.
Dissertação argumentativa – esse é o tipo de dissertação mais comum e conhecida por todos. Nela o intuito é convencer o leitor, persuadi-lo a concordar com a ideia ou ponto de vista exposto. Isso se faz por meio de várias maneiras de argumentação, utilizando-se de dados, estatísticas, provas, opiniões relevantes, etc.
Organiza-se, geralmente, em três partes:
Introdução - onde você explicita o assunto a ser discutido, com a apresentação de uma idéia ou de um ponto de vista que pretende defender.
Desenvolvimento ou argumentação - em que irá desenvolver seu ponto de vista. Para isso, deve argumentar, fornecer dados, trabalhar exemplos, se necessário.
Conclusão - em que dará um fecho coerente com o desenvolvimento e com os argumentos apresentados. Em geral, a conclusão é uma retomada da idéia apresentada na introdução, agora com mais ênfase, de forma mais conclusiva, onde não deve aparecer nenhuma idéia nova, uma vez que você está fechando o texto.
O texto dissertativo argumentativo destina-se ao chamado "leitor universal", ou seja, a qualquer pessoa que tenha acesso a ele. Devem ser textos abrangendo conceitos amplos, genéricos, evitando particularizar situações. As construções mais adequadas, procurando evitar-se a 1 pessoa do singular, seriam:
                "Notamos que grande parte dos brasileiros..."
                "Observa-se que uma parcela da população..."
  1. Em relação à estrutura, o texto dissertativo-argumentativo possui uma estrutura própria, sendo dividido em:
TEMA
POSICIONAMENTO
ARGUMENTAÇÃO
CONCLUSÃO
  1. Essa estrutura DEVE e PRECISA ser obedecida, sem inverter a ordem, sendo assim:
  • o TEMA e o POSICIONAMENTO devem aparecer já no primeiro parágrafo;
  • a ARGUMENTAÇÃO, que faz parte do desenvolvimento do texto, deve estar nos próximos parágrafos, que podem ser 2 ou 3, sendo um parágrafo para cada argumento;
  • a CONCLUSÃO, por fim, faz parte do último parágrafo.
  1. TEMA: é o assunto sobre o qual o aluno irá dissertar, deve ser citado de forma resumida, para situar o avaliador a respeito do que será abordado no texto;
  2. POSICIONAMENTO: no texto dissertativo-argumentativo o autor precisa se posicionar quanto à situação-problema, a opinião do autor – contrária ou a favor – deve ser exposta de forma clara já no início do texto;
  3. ARGUMENTAÇÃO: a partir do posicionamento do autor, serão agora expostos argumentos que o fundamentem para convencer o leitor a concordar com o seu posicionamento, o texto dissertativo-argumentativo difere do texto dissertativo justamente por isso, através da argumentação o autor precisa convencer o avaliador;
  4. CONCLUSÃO: para finalizar o texto, o autor deve dar a ele um tom conclusivo, dar um fechamento para as ideias expostas e retomar a ideia inicial – primeiro parágrafo – para isso, o autor pode comparar o primeiro e o último parágrafo verificando se não há ideias conflitantes e se há coerência entre os dois.
 
Por onde começar?
  1. Informe-se sobre o assunto, pesquise na internet mesmo, leia notícias e artigos de jornalistas renomados a respeito do assunto;
  2. Comece se posicionando, escolha um posicionamento que facilite a argumentação, mesmo o texto sendo de sua autoria, ele não precisa apresentar ideias e opiniões pessoais;
  3.  Busque argumentos de outros, utilize ideias e opiniões de outras pessoas para a argumentação, não há nenhum problema nisso, desde que sejam opiniões de especialistas, de profissionais renomados;
  4. Cite a fonte dessas informações, mesmo que sejam retiradas de sites e busque sites confiáveis;
  5. Apresente mais de um argumento, o ideal é que sejam apresentados 2 ou 3 argumentos, é no desenvolvimento que o autor vai mostrar que conhece/domina o tema;
  6. Conclua o seu texto com algum conectivo ou expressão que indique conclusão (“Dessa forma”, “Assim”, “Pode-se concluir”, “Então”, etc.);
  7. O texto não pode, de maneira nenhuma ser escrito de maneira subjetiva, não se deve usar marcas de pessoalidade como pronomes ou verbos em primeira pessoa;
  8. Respeite as margens do texto e o número máximo de linhas;
  9. Escreva o texto de forma legível, em caso de erro, apenas risque com um traço simples a palavra, o trecho ou o sinal gráfico e escreva o respectivo substituto;
  10. Seja claro e objetivo, sem fazer rodeios, indo direto ao assunto, evitando parágrafos muito longos, se for preciso, releia o parágrafo e retire informações desnecessárias.


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